terça-feira, janeiro 10, 2006

Aborto seletivo "elimina" 10 milhões de mulheres na Índia


da BBC Brasil

A preferência dos pais por meninos na Índia provoca cerca de 500 mil abortos de fetos do sexo feminino todos os anos, de acordo com um estudo publicado recentemente. Nos últimos 20 anos, este número ficou por volta dos 10 milhões.

A pesquisa foi realizada por cientistas do hospital St. Michael, da Universidade de Toronto, no Canadá, e do Instituto de Pós-Graduação em Pesquisa Médica de Chandigarh, na Índia.

"Se essa prática vem sendo comum por boa parte das últimas duas décadas, desde a popularização da ultra-sonografia, então uma estimativa de 10 milhões de abortos não seria exagerada", disse o médico Prabhat Jha, do hospital canadense.

Na maioria dos países, nascem mais meninas do que meninos. Mas na Índia, de acordo com um estudo de 2001, para cada 1.000 meninos nascem 933 meninas.

No novo estudo, publicado na última edição da revista especializada "The Lancet", os pesquisadores descobriram que, em famílias que já têm uma menina, a proporção de partos é de 759 meninas para cada 1.000 meninos.

"Fardo"

A proporção é ainda menor quando a família já tem duas meninas: para cada 1.000 partos de meninos, ocorrem 719 partos de meninas.

O "déficit de meninas" é maior, segundo o estudo, entre mulheres de bom nível cultural e não varia de acordo com a religião.

Especialistas dizem que, na Índia, uma parcela considerável da população vê as meninas como inferiores e um "fardo". A idéia seria um reflexo ainda do período em que a Índia era uma sociedade primordiamente agrária, na qual os meninos eram considerados mais aptos ao trabalho na lavoura.

No ano passado, um líder popular e ativista famoso na Índia, Swami Agnivesh, fez uma campanha contra o aborto de bebês do sexo feminino em cinco Estados das regiões norte e oeste da Índia.

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