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segunda-feira, agosto 03, 2009

“Vacina contra gripe A tem que ser Patrimônio da Humanidade”

 

Médico condenou declaração da diretora da OMS de que vacina só estará ao alcance de países centrais. Patente não deveria ser aplicada na política de Saúde

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, defendeu, em entrevista ao HP, que “a vacina contra a Gripe A deve ser declarada Patrimônio da Humanidade”. De acordo com o Ministério da Saúde, com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) até o dia 15 de julho, 119.344 pessoas em 122 países tinham sido infectadas com o vírus Influenza A (H1N1), somando 591 mortes. No Brasil, o número era de 1.175 casos confirmados, sendo que 4 pessoas morreram.

A vacina está sendo testada em diversos países, e deve começar a ser experimentada no Brasil. Mas, em maio, durante a assembleia geral da OMS, os países centrais impediram o consenso sobre como compartilhar as amostras de vírus H1N1 e de outras variedades da gripe com as empresas que usam esse material biológico para a fabricação de vacinas. Entre elas o Instituto Butatan, em São Paulo, que já está pesquisando com uma amostra do novo vírus, ficou impedido de ter acesso ao H1N1 durante semanas sem explicação.

Patentes

Darze rebateu as declarações da diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, que afirmou que a vacina contra a gripe Influenza A estará disponível essencialmente para os países que possam pagar por ela.
“As declarações dela estão sob uma concepção fascista, que não está de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, e não está em sintonia com nenhum dos acordos desse tipo a nível internacional. Não se pode tratar a questão dos medicamentos com lógica de mercado, com a premissa neoliberal. O mercado não deve regular a saúde, pois a saúde é o bem maior que se pode ter”, alertou o médico carioca.

Margaret Chan disse, em uma reunião da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em Genebra, na terça-feira (14), que a vacina contra a gripe A (H1N1) não será suficiente para abastecer toda a população mundial e que é previsível que a maior parte das vacinas produzidas seja destinada aos países ricos. O motivo, disse, é que “as forças de mercado e os incentivos, tais como a proteção de patentes, não podem resolver por si próprios as necessidades de saúde dos países em desenvolvimento”, afirmou Chan.

Mesmo sem fazer frente às doenças que acometem a maioria da população mundial, as patentes de medicamentos seriam, como defendeu a diretora da OMS, condutoras da “inovação na área de medicamentos”: “A inovação é necessária para manter o ritmo de emergência com novas doenças, incluindo a gripe pandêmica, causada pelo novo vírus H1N1”.

Ganância

Citando o estudo de uma pesquisadora mexicana, que discute o surgimento do vírus, o médico afirmou que “o vírus H1N1 é fruto da corrida desenfreada em busca do lucro”. “Criadores de multinacionais, alocadas no México, misturaram porcos e aves, unindo a gripe aviária ao material genético dos porcos, o que resultou na vitimização de centenas de mexicanos. Esse vírus surgiu devido à ganância dos países desenvolvidos. Ele tem uma conotação política devido a isso, percebemos a visão de mercado posta sobre ele pelas multinacionais que atuam na exploração dos países subdesenvolvidos, através da venda de medicamentos”, disse.

“Eu lamentarei muito se a vacina for viabilizada somente para os países do primeiro mundo e não para toda Humanidade. Os países desenvolvidos têm obrigações com os países subdesenvolvidos, já que os países ricos sobrevivem justamente através da exploração deles”, argumentou Jorge Darze.

Na sua avaliação, “no Brasil, mais uma vez uma epidemia compromete a saúde da população”. “Especificamente, no caso do Rio de Janeiro, o problema é intrínseco. Há quatro anos temos um decreto do presidente Lula, que reconhece o estado de calamidade pública ao qual encontra-se a saúde do estado, e de lá para cá nada se fez, pelo contrário, a realidade piorou ainda mais. Isso é um crime que vem sendo praticado pelo poder público”, afirmou.

O setor de saúde brasileiro realmente sofreu cortes, principalmente após a derrubada da CPMF, em dezembro de 2007, quando o orçamento da pasta diminuiu em R$ 40 bilhões para o ano seguinte. “Temos uma rede pública despreparada para atender a demanda criada pelo vírus H1N1, estamos em uma situação crítica, e não teremos condições de atender a população, o que é uma pena”, afirmou Jorge Darze.

FERNANDA CALVI

quarta-feira, abril 29, 2009

OMS diz que surto de gripe suína se aproxima do nível 5 e indica pandemia

 

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da Folha Online

A OMS (Organização Mundial de Saúde) informou nesta quarta-feira que o desenvolvimento da epidemia de gripe suína --que já atinge 11 países-- coloca a agência mais perto de decretar o alerta de nível 5, em uma escala que vai de 1 a 6. O nível cinco indica que uma pandemia --uma epidemia que afeta vários países simultaneamente-- é iminente e não pode ser evitada.

"Estamos nos aproximando da fase cinco, mas ainda não chegamos", disse Keiji Fukuda, secretário-geral adjunto da OMS, em Genebra (Suíça). "Esse passo é muito significativo, e temos de estar absolutamente seguros de que haja uma transmissão sustentada do vírus em ao menos dois países."

Mais cedo, a ministra de Saúde da Espanha, Trinidad Jimenez, afirmou que uma das dez pessoas infectadas com gripe suína no país não esteve recentemente no México. O anúncio pode indicar que a doença respiratória está sendo transmitida de espanhol para espanhol, o que caracterizaria um novo foco de epidemia, além do México.

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O vírus é transmitido como o de uma gripe comum, de pessoa para pessoa, e até agora as autoridades de saúde registraram que os antigripais Relenza e Tamiflu são eficientes contra a infecção. Embora tenha tido origem provável em porcos, não há risco de contrair a doença pela ingestão de carne de porco, porque a temperatura de cozimento (acima de 70ºC) mata o vírus.

Os sintomas em humanos são parecidos com os da gripe comum e incluem febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína também relataram ter apresentado catarro, dor de garganta, náusea.

Michaela Rehle/Reuters

Em todo o mundo, médicos fazem análises de amostras de salivas de pacientes infectados com a gripe suína

Em todo o mundo, médicos fazem análises de amostras de salivas de pacientes infectados com a gripe suína

Segundo Fukuda, a OMS monitora a situação de perto e que não há evidência de que o vírus esteja diminuindo seu ritmo de transmissão.

O secretário-geral adjunto afirmou ainda que 114 casos de contaminação por gripe suína foram registrados oficialmente em todo mundo. Ao listar os casos, Fukuda afirmou ainda que houve sete mortes no México --número revisado na noite desta terça-feira pelo governo mexicano-- e uma nos Estados Unidos.

"Isso dá um total de 114 casos às 17h de hoje [12h no horário de Brasília] que foram oficialmente reportados à OMS", disse.

Autoridades no México afirmam que até 159 pessoas podem ter morrido no país por causa da epidemia de gripe suína, que já deixou 2.500 infectados.

Nos Estados Unidos, um bebê mexicano de 23 meses morreu em um hospital de Houston, no Texas, por gripe suína --a primeira vítima fora do México.

Segundo David Persse, diretor de serviços médicos de emergência de Houston, a família do bebê, que se mudou do México para Brownsville, no Texas, está bem e não apresenta sintomas da doença.

O menino vivia em Matamoros, na fronteira do México com o Texas, disse Persse. Ele veio com a família do México para visitar parentes em Brownsville, no Texas, onde começou a demonstrar sintomas da doença. Em seguida, ele foi levado a um hospital de Houston, onde morreu na noite desta segunda-feira (27).

Segundo o Departamento de Serviços de Saúde do texas, citado pela agência Associated Press, o menino já apresentava sintomas da doença no México e deu entrada no hospital poucos dias depois com febre e outros sintomas de gripe.

A epidemia de gripe suína atingiu ainda outros nove países. Há casos confirmados na Alemanha, Inglaterra, Escócia, Áustria, Espanha, Canadá, Israel, Costa Rica e Nova Zelândia.

A OMS havia elevado o nível de alerta de 3 para 4 nesta segunda-feira (27), com um alerta para que os governos se mantivessem preparados para a possibilidade de uma pandemia.

Arte Folha de S.Paulo

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