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domingo, março 14, 2010

CARTA ABERTA DE MICHAEL MOORE

Presidente Obama, coloque-me no lugar de Rahm

 

O5 de Março de 2010

Caro presidente Obama,

Entendi que está buscando colocar alguém no lugar de Rahm Emanuel como seu chefe de equipe. Gostaria de, humildemente, oferecer-me para substituí-lo.

Estarei em Washington e arrumarei a bagunça que tem sido criada em torno de você. Trabalharei por US$ 1 ao ano. Vou ajudar os democratas no Capitol Hill (Congresso Americano) a se encontrarem e os ensinarei como derrotar os republicanos e, sem violência, transformá-los em pasta.

E vou lhe ajudar a dar conta daquilo que o povo Americano o enviou aí para fazer. Não preciso muito, uma cama no porão da Casa Branca será suficiente.

Mas não fique alegre demais com minha oferta, porque você e eu vamos estar de pé às 5 da manhã, 7 dias por semana e vou fazê-lo criar músculos para a batalha todos os dias (veja foto). A cada manhã você e eu vamos fazer 100 polichinelos e você vai repetir comigo:

“O POVO AMERICANO ME ELEGEU, NÃO OS REPUBLICANOS, PARA GOVERNAR O MEU PAÍS! EU ESTOU NO COMANDO! VOU TIRAR TODOS OS OBSTRUCIONISTAS FORA DO MEU CAMINHO! SE O POVO AMERICANO NÃO GOSTAR DO QUE ESTOU FAZENDO PODE ME DAR UM PÉ NA BUNDA EM 2012. ENQUANTO ISSO, TOMO AS DECISÕES EM SEU NOME, FAÇA 50 FLEXÕES!!”

GINÁSTICA

Depois vamos colocar os casacos de ginástica e correr até Capitol Hill. Vamos anotar nomes, dar alguns chutes e depois anotar mais nomes. Se tiver que dar algumas gravatas, que seja. Em nossos bolsos vamos levar pedaços de papel para mostrar aos pançudos democratas quanto eles ganharam em 2008 – e resultados de pesquisas que mostram que a maioria dos americanos se opõem às guerras do Afeganistão e do Iraque e querem ver os banqueiros punidos. Como sargentos em exercícios militares, vamos chegar junto e, nas suas caras, perguntar a eles “QUE PARTE DO MANDATO PÚBLICO VOCÊS NÃO ENTENDERAM, SOLDADOS?!! FAÇAM 50 FLEXÕES!”

Sei que este é o trabalho que Rahm Emanuel deveria estar fazendo.

Agora, não me entenda mal. Sempre admirei Rahm Emanuel (se não for levado em conta seu apoio ao NAFTA no Congresso nos anos 90, que destruiu cidades como Flint, no Estado de Michigan). Ele é o que precisávamos há muito tempo – uma máquina de combate sem pedidos de desculpas, sem poupar prisioneiros. Alguém que não tenha medo de sujar as mãos e faça a direita se submeter. Longe de ser o fanfarrão de boca cheia – como tem sido retratado – Rahm é aquele que BATEU os fanfarrões para nos proteger dela.

Isso foi seguramente o que ele fez em 2006. Depois de seis longos e miseráveis anos com a classe média sendo dizimada e os pobres sendo jogados descarga abaixo, Rahm Emanuel assumiu o trabalho de trazer o Congresso de volta aos Democratas. Ninguém achava que isto pudesse ser feito.

Mas ele o fez. Um grande momento. Ele colocou o medo a Deus no partido de Rush e Newt. Eles nunca tiveram tanto medo. De forma mais importante, instilou senso de esperança nos democratas de que eles poderiam atingir o pódio em 2008 – e com você, um afro-americano, nada menos, na pole position!

Funcionou. A escuridão acabou. A grande maioria da nação chorou de alegria na noite da eleição (os que não estavam chorando, saíram e compraram uma quantidade recorde de armas e munição). Diferente do último presidente, você não ‘venceu’ por 537 votos na Flórida (ainda que Gore tenha vencido no voto popular por mais de meio milhão), você derrotou McCain nacionalmente por 9.522.083 votos! Os democratas na Câmara (House) obtiveram uma galopante margem de 79 votos. Os democratas no Senado reuniriam uma supermaioria de 60 votes, não vista em mais de 30 anos. As guerras acabariam. A América teria saúde universal. Wall Street e os bancos seriam, no mínimo, tratados com rédea curta. Os cidadãos que trabalham duro não seriam despejados. Supunha-se que seria a aurora de uma nova era.

Porém os republicanos não iriam em silêncio noite a dentro. Veja, ao invés de terem apenas um Rahm Emanuel, eles todos são Rahm Emanuels. Por isso normalmente vencem. Diferente da maioria dos democratas, eles são incansáveis e não dá para pará-los. Quando eles acreditam em algo (que é normalmente neles mesmos e no serviço da K Street [avenida em Washington onde se concentram os escritórios de lobistas] pelo qual esperam ser remunerados algum dia), eles vão lutar por aquilo até a morte. São leais aos erros uns dos outros (nunca foram capazes de denunciar Bush, ainda que soubessem que estava destruindo o partido). Eles atolam suas rodas fundo, não importa no que. Se você os exilasse em um bloco de gelo polar em derretimento, eles seguiriam insistindo de que se trata de um “degelo normal de janeiro”, ainda que as frígidas águas árticas chegassem acima de seus pescoços tementes a Deus (“Vejam o que estou dizendo – a água está GELADA! Qual ‘aquecimento global’?! Adão e Eva montavam em dinossauros … qual é!!!...gulp, gulp gulp”).

LOUCURA

Pensávamos que estávamos todos livres desta loucura, mas estávamos errados. Como uma besta que simplesmente não se pode enjaular, os republicanos convenceram não apenas a mídia, mas VOCÊ e seus colegas democratas, de que 59 votos seria uma ‘minoria’! Tempo precioso foi gasto tentando chegar a um “consenso” e tentando ser “bipartidário”.

Bem, você e os democratas estão no comando por mais de um ano e não há uma regulamentação bancária reposta. Não temos plano de saúde universal. A Guerra no Afeganistão entrou em escalada. E dezenas de milhares de americanos continuam a ser jogados para fora de suas casas. Para muitos de nós, simplesmente não é suficientemente bom que Bush tenha ido embora. Woo hoo. Bush se foi. Yippee. Isso não criou nenhum novo emprego.

Você é um cara tão legal, Mr. President. Chegou a Washington com sua mão estendida aos republicanos e eles simplesmente a cortaram. Você quis ser respeitoso e eles decidiram que iriam dizer “não” a tudo que você sugerisse. E ainda assim você se manteve dizendo acreditar no bipartidarismo.

Bem, se você realmente quer bipartidarismo, vá em frente e deixe os republicanos vencer em novembro. Aí vai ter todo o bipartidarismo que deseja.

CONSERTO

Deixe-me ser claro sobre uma questão: os democratas, no dia da eleição de 2010, vão gestar uma decepção de proporções bíblicas se as coisas não mudarem agora, já. E depois que a nova maioria republicana retomar o poder, eles, junto com uns poucos democratas conservadores vão chegar ao bipartidarismo e promover seu impeachment por você ser um socialista e um cidadão do Quênia. Como será bom ver os dois lados do corredor juntos novamente!

E a pequena janela que tínhamos para consertar o país terá se afastado.

Ido embora.

Ido embora, baby, ido.
Não sei no que a sua equipe andou metida, mas não o serviram bem. E Rahm, pobre Rahm, tornou-se um lutador – não contra os republicanos, mas contra a esquerda. Ele chamou aqueles de nós que querem saúde pública de “retardados fud...”. Veja, não sei se o problema é Rahm ou se é Gibbs ou Axelrod ou alguma das grandes pessoas às quais você deve agradecimentos por ter sido eleito. Tudo que sei é que tudo aquilo que serviu de combustível para levá-lo à Casa Branca está virando fumaça. É hora de chacoalhar as coisas! É hora de me chamar para bombá-lo toda manhã! Vai Barack! Vamos Obama! Lute, equipe, lute!

MALAS

Estou de malas prontas e pronto para ir a Washington amanhã mesmo. Se isso ajuda não vou perder Rahm inteiramente por que estarei trazendo seu irmão comigo – meu agente, Ari Emanuel. Cara, você devia vê-lo fazendo um negócio! Você já pensou em ver Mitch McConnell [líder da bancada republicana no Senado] andando em volta de Capitol Hill carregando sua própria cabeça nas mãos depois que ela lhe foi entregue pelo infame Ari? Oh, baby, não vai ser nada bonito – mas rapaz – vai ser doce!
O que você diz, Barack? Você e eu contra o mundo! Sim, nós podemos! Vai ser engraçado – e nós poderemos conseguir fazer alguma coisa. O que você tem a perder? A esperança?
Retardadamente seu,
Michael Moore
MMFlint@aol.com
MichaelMoore.com
P.S. Só para lhe dar uma idéia do novo estilo que estarei trazendo comigo, quando um miolo mole como o senador Ben Nelson tentar segurá-lo da próxima vez, eis o que eu direi para conseguir o seu voto: “Você tem exatamente 30 segundos para rescindir sua demanda ou eu vou pessoalmente garantir que Nebraska não consiga nenhum dólar federal pelo resto do mandato de Obama. E depois vou fazer com que todo mundo em seu Estado saiba que você usava calças curtas, para trás. Agora faça 50 flexões” 

“Greve de fome não pode ser pretexto para liberar bandidos”, diz presidente

 

As declarações de presidente Lula à Associated Press de que o Brasil respeita as decisões do sistema judiciário de Cuba como quer ver respeitado o do Brasil gerou alvoroço e histeria na mídia colonizada local. “A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em SP entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”, ponderou o presidente. Nada mais justo. Lugar de bandido é na cadeia. No entanto, os serviçais do império para tentar atingir a figura de Lula, estão transformando delinqüentes comuns, ladrões, assaltantes e traficantes cubanos em paladinos dos direitos humanos e em “dissidentes políticos”. Senão vejamos.

Guillermo Fariñas, atualmente em greve de fome, apesar de estar solto, foi integrante do bando do traficante Arnaldo Ochoa, e tem sobre si várias condenações criminais. Segue uma pequena ficha corrida do marginal: primeira condenação em 1995, quando agrediu uma funcionária do posto de saúde onde trabalhava como psicólogo. A segunda, em 2002, quando agrediu outra pessoa idosa usando um bastão, tão fortemente que tiveram de extrair-lhe o baço. Por isso, ele foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão, por um tribunal da cidade de Santa Clara. Desde então, vem usando greves de fome para “libertar presos”. Mesmo assim, ele ganhou, em dezembro de 2003, licença para cumprir a pena em liberdade.

O outro, Orlando Zapata, morto há alguns dias em consequência de uma greve de fome também nunca foi ativista político. Ele era um preso comum que iniciou a sua atividade criminosa em 1988. Foi julgado e condenado pelos delitos de “violação de domicílio” (1993), assalto a mão armada e “lesões com posse de arma branca”. Saiu em liberdade condicional no mês de março de 2003 e dez dias depois já cometeu um novo delito e voltou para a cadeia.
S.C.

quinta-feira, outubro 22, 2009

O livro ‘Bolívia nas ruas contra o imperialismo’ é disponibilizado na internet

O livro Bolívia nas ruas e nas urnas contra o Imperialismo (Editora Limiar, 112 páginas), de autoria de Leonardo Wexell Severo, editor do HP , agora pode ser acessado gratuitamente pela internet.

Conforme esclareceu o editor, jornalista Norian Segatto, “a obra teve suas duas primeiras edições rapidamente esgotadas, mostrando o interesse das pessoas pela situação política e social do nosso país vizinho”. “Nada mais natural, do ponto de vista comercial, que novas tiragens do livro fossem feitas e colocadas à venda. No entanto, a vida não se faz apenas de oportunidades comerciais. Com a compreensão de que um tema desta importância deve ter a maior divulgação possível, a Editora Limiar e o autor decidiram colocar a obra em domínio público, gratuitamente para ser baixada da internet, lida, distribuída, reproduzida, enviada a amigos”, relatou.

“Acesse a página http://www.editoralimiar.com.br/ e procure o link ‘livro grátis’. Baixe o PDF, comente e ajude a divulgar a luta do povo boliviano contra a opressão secular a que está submetido. Esta é nossa pequena contribuição para esta causa”, declarou Norian.

Assinando o prefácio do livro, a cônsul geral da Bolívia, Shirley Orozco, destacou que “o valor do texto precisa ser ressaltado, já que possibilita o acesso a ‘outra informação’, dando subsídios para uma avaliação mais precisa sobre a realidade boliviana, geralmente invisibilizada pelos meios de comunicação no Brasil, formadores ou deformadores importantes da opinião pública”.

Ou Clique no link abaixo para fazer o download direto:

http://www.editoralimiar.com.br/bolivia110.zip

Exxon é condenada por contaminar águas de NY

 

Um juiz federal de Manhattan, cidade de Nova Iorque, nos EUA, condenou a norte-americana Exxon Mobil (Esso), maior companhia petroleira do mundo, a pagar 104,7 milhões de dólares à cidade de Nova York, pela contaminação de poços de água da cidade, com éter metil terbutílico (MTBE, por sua sigla em inglês) um aditivo nocivo da gasolina.

“Nossas reservas de água são os nossos recursos mais vitais, por isso vamos trabalhar para protegê-las e perseguiremos àqueles que as danifiquem”, afirmou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em comunicado.

O Departamento de Direito da cidade informou que a decisão do juiz é fundamentada em que a Exxon, ignorou as advertências de seus próprios técnicos para não usar o MTBE em regiões onde houver lençóis freáticos.

O comunicado destaca que a empresa não informou ao governo, postos de gasolina e fornecedores de água sobre a utilização do MTBE, que foi encontrado em seis poços de água na região do Queens.

O MTBE é um aditivo utilizado para oxigenar a gasolina, que, ingerido, pode ser cancerígeno.
  Esta não foi a primeira condenação da Exxon Mobil, por danos ambientais no território norte-americano.

Em 16 de junho, o tribunal de apelações da Califórnia, condenou a multinacional a pagar 507,5 milhões de dólares pelo derramamento de petróleo do navio Exxon Valdez em 1989, no litoral do Alaska. No dia 24 de março de 1989, o petroleiro encalhou na baía Prince William no Alaska, derramando 37 mil toneladas de petróleo no mar, provocando uma tragédia ambi-ental cujas consequências ainda são sentidas na região.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Os desejos ocultos dos donos da terra


GILSON CARONI FILHO*

A nova operação da direita para viabilizar a instalação de uma CPI para investigar supostos repasses de recursos públicos a entidades vinculadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) nada mais é que um embuste com objetivos nítidos: a criminalização dos movimentos sociais e, com um claro viés eleitoreiro, o desgaste do governo visando ao processo eleitoral de 2010.

O eixo central da ação da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), ex-presidente da UDR, é retroceder o processo democrático a níveis anteriores ao do governo petista. Com apoio da grande imprensa, o que se pretende é o estabelecimento de uma agenda que aceite a imposição dos que gritam mais forte e que por mais de 500 anos mandaram no país.

Um projeto de poder que abandone o país moderno, dos segmentos novos da cidade, do operariado urbano e rural, dos pequenos e médios proprietários das classes médias, dos empresários modernos e progressistas para abraçar uma opção pelo passado. No que ele tem de mais retrógrado, no que ele garante a preservação de práticas clientelistas e oligárquicas.

A pesquisa do Ibope, encomendada pela CNA, “que constata a favelização dos assentamentos rurais do INCRA” não vai de encontro apenas aos dados do Censo Agropecuário de 2006 que demonstram que a agricultura familiar é mais produtiva do que a tradicional e em grande escala. Vai além. Vai contra todas as classes e frações que sabem que sua sobrevivência depende de um país igualitário, solidário, a ser construído por uma intervenção decidida na questão da terra. Uma estrutura social equânime é o inferno de Caiado e Kátia Abreu. Para eles, o paraíso é o Estado Patrimonial que, como no tempo do Império, funcione como repassador de terras e do dinheiro do setor público para o privado. É com essa restauração que sonham diariamente.

Sob os holofotes da CPI o que se quer manter é a luta contra a Reforma Agrária por parte de pecuaristas e dos que ganham com monoculturas extensas. Nos casos de desapropriações já decididas, apela-se, como sempre, para os amigos cartoriais, transferindo gado de uma fazenda para outra enquanto se pede revisão dos processos.

O “aggiornamento” da imprensa é peça fundamental dessa estratégia. Há mais de duas décadas, durante a eleição de Caiado para a presidência da UDR, o então vice-presidente da entidade, Altair Veloso, garantia que “os jornalistas da imprensa escrita são todos vermelhos. Os da televisão são todos homossexuais”

Hoje prevalece a afinidade de classe, e os “vermelhos” carregam nas tintas contra movimentos organizados, enquanto os “homossexuais” divulgam, no horário nobre de uma emissora paulista, “editoriais” contra Lula e o MST. O amadurecimento de pessoas e instituições é surpreendente. Revela pulsões que nunca ousaram dizer o nome.

Em entrevista para a Agência Ibase, o líder sindical José Francisco da Silva, ex-presidente da Contag, disse que “houve avanços com o governo Lula, justiça seja feita. Fernando Henrique investiu R$ 2,3 bilhões no Pronaf. Lula já alcançou R$ 13 bilhões no decorrer de seis anos. Foi um bom investimento, mas é bom que se diga que o agronegócio recebe quase R$ 70 bilhões do governo e é a agricultura familiar que abastece o país, que gera empregos”. É uma distorção a ser corrigida.

Para Kátia e Caiado a correção aponta para outra direção: a da redução dramática da população rural, da formação de um contingente de semicidadãos entregues à própria sorte. Para eles, essa é a democracia possível. O padrão estético é coerente com a história dos antigos donos do poder.

Eldorado de Carajás é uma imagem a ser esquecida. Pés de laranja arrancados, um crime imperdoável.

* Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador da Hora do Povo e do Observatório da Imprensa.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Terra o Planeta Azul

O presente trabalho versa sobre a problemática da água no planeta Terra e no Brasil, onde foi apresentada uma análise crítica, seguida de sugestões.
Água conforme foi apresentada neste se mostra, um problema evidente na Terra do futuro, pelo fato de seu mau uso pela população atual de nosso planeta, pois se continuarmos como estamos a Terra deixara de ser o Planeta Água.
Cabe dizer que tudo que foi sugerido está fundamentado no Art. 225 da Constituição Federal do Brasil - 1988 e agenda 21. As ocorrências são fatos vividos ou lidos, pelos autores.
Como o Planeta Terra é chamado por nós de Planeta Água, devido a sua constituição ser de ¾ de água, porém de toda esta água 97% é de água salgada e apenas 3% de água doce. Desses 3% apenas 1% é de água potável. Diante desde fato é sensível a necessidade de uma política educacional que leve a conscientização da necessidade do não desperdício de água doce no planeta.
Cita-se que a cultura do desperdício no Rio de Janeiro atinge um total de 40% da água tratada disponível. Não se entende o que seja preservação e conservação do planeta em função da água.
A Constituição Brasileira no seu Art. 225 descreve "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público o dever de defendê-lo à coletividade o de preservá-lo para as presentes e futuras gerações."A Poluição da Água
A poluição da água tem um ponto de vista histórico, ela começou com a deposição de dejetos humanos e animais ao longo dos mananciais, dos leitos de rios e lagos e por infiltração nos lençóis d'água. A poluição evoluiu e evolui através dos anos, com o desenvolvimento da indústria como dos: agrotóxicos, polímeros e o crescimento do contingente humano no planeta, levam estudiosos a observarem a perda inconsciente do solo, do subsolo, das águas correntes, do ar que respiramos e das chuvas. Fato que está gerando até problemas de saúde pública. É fato constatado que a maior parte das mortes por doenças são devidas a ingestão de água contaminada.O Ciclo das ÁguasAs águas dos oceanos, mares, rios e lagos evaporam-se condensam, e estas voltam a Terra por precipitação reabastecendo esses mesmos aqüíferos e por infiltração mantendo o nível dos lençóis freáticos durante o período. Durante o período da noite as gotículas de água em suspensão, por variação de temperatura se precipitam sobre a forma de orvalho. A Problemática das Águas no Planeta
As águas estão sendo modificadas quanto a sua natureza, pelo descuido do homem, que geram águas contaminadas e poluídas por fatores demonstrativos da falta de educação caseira, formal e acadêmica.
Fig. 1 - Uso mundial da água por setores (fonte Teixeira, W et alii "Decifrando A Terra" São Paulo - USP - Oficina de texto, 2000).
A água potável disponível na Terra equivale à cerca de 12.500 km3. estes são usados pelas indústrias, agricultura e domicílios. Descontando-se o uso industrial, agrícola e doméstico as reservas mundiais chegavam a 16.800 m3 por pessoa ao ano. No final do século XX as reservas se reduziram a 7.300 m3 e as previsões para 2025 não são animadoras podendo chegar a 4.800 m3. A agricultura é a que mais utiliza recursos hídricos principalmente para a irrigação. O crescimento populacional do mundo requer o aumento da produção agrícola.
Atualmente 70% da água doce disponível no planeta é utilizada na agricultura mas segundo o Conselho Mundial de água (World Water Council) no ano 2025 serão necessários mais 17% desse recurso para alimentar o mundo.A Europa é o continente que mais consome água no setor industrial, Oceania consome no setor doméstico cerca de 8%.
Fig. 2 - A disponibilidade de água no mundo (fonte Beaux, J. F. "L'Environenment Repères Pratiques" Paris, Nathan, 1998)
Observem a figura 2 que mostra diferenças extremas quanto ao consumo de água em algumas localidades. Deve-se observar que segundo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apenas a metade da população mundial tem acesso à água potável. Segundo Banco Mundial cerca de 80% no futuro irão entrar em conflito por causa deste bem esgotável. Já ocorrendo em paralelo com as desavenças político-religiosas. Neste item não podemos nos esquecer que com o aumento da população mundial, haverá uma necessidade de mais água pelo fato de sermos compostos de cerca de 66% de água.

A Poluição dos Mares Oceanos e Baias
O problema alvo da contaminação de mares e oceanos e baias é decorrente dos vazamentos de tubulações de óleo e de petroleiros além da lavagem indiscriminada de conveses e porões de navios nos portos.Um outro problema que futuramente ira se agravar, é o da construção naval atual de navios, submarinos, porta-aviões e outros movidos à propulsão nuclear, que quando naufragam contaminam os mares e uma questão que fica no ar. Qual o problema futuro de suas desativações?Uma outra contaminação existente é chamada de Maré Vermelha que são provocadas pelas algas de mesma cor, em virtude, do excesso de poluentes (esgotos) que levam a um aumento de natalidade destas, provocando diminuição no oxigênio das águas.Os futurólogos prevêem que em intervalo de tempo próximo as plantações serão oceânicas, e para tanto devemos não poluir também os mares e oceanos. Porém um problema eminente está ocorrendo na Europa, que é a Calepa Taxifólia ou alga assassina que está se espalhando na Europa em proporções geométricas, pois são levadas pelas correntezas, navios e outros. O efeito desta alga é devastador pois ela sufoca as algas que são ingeridas pelos peixes que por sua vez fazem parte da cadeia alimentar. Essas algas apesar de venenosas têm um predador natural, que é a lesma do mar, esse predador após ingerir a alga assassina torna-se também venenosa saindo da cadeia alimentar, ela também tem um problema, ela não resiste às baixas temperaturas do inverno europeu. Mesmo conhecendo-se a alga assassina, o seu predador natural, o seu problema com variações de temperatura e que ela não se reproduz sexualmente, e sim por alto clonagem, o que implica na não possibilidade de sua remoção por meios mecânicos, pois qualquer corte nela leva a sua multiplicação por ambas as extremidades.Fato este que deixa o Brasil em vantagem, pois nossos invernos não são tão agressivos como os Europeus, o que permite a disseminação das algas pelas lesmas, e que torna possível em nossa costa a manutenção da vida marinha, levando assim o Brasil a ser o futuro abastecedor mundial de alimentos marinhos.
A poluição dos rios, lagos e lagoas
A poluição dos rios, lagos e lagoas têm como fonte principal o homem que os polui através de indústrias, do esgoto lançado in natura e da deposição de lixo nas encostas e dentro destes. Um outro problema que ocorre com estes é o do desmatamento e das queimadas nos margens, que podem até provocar mudança do curso dos rios além de assoreamentos.As enormes quantidades de agrotóxico e fertilizantes de uso agrícola de nossas plantações podem acarretar aos corpos receptores, rios, lagoas e lagunas, a proliferação de algas que se alimentam dos fertilizantes trazidos pelas chuvas e essas algas produzem substâncias tóxicas tornando esta água imprópria ao consumo humano e a fauna aquática. A modificação da estrutura genética dos seres marinhos através da ingestão de produtos químicos, cujos efeitos prejudiciais aos seres humanos ainda são desconhecidos pode acarretar até modificações no DNA.Os manguezais são ecossistemas de alta produtividade compondo a base de uma cadeia alimentar que passa por um incontável número de aves marinhas e migratórias, incluindo ainda o próprio homem no extremo desta cadeia. A fauna associada ao manguezal consiste de dois grupos os que o habitam permanentemente em seu ciclo vital (moluscos, crustáceos) e aqueles que o freqüentam periodicamente para abrigo, desova e alimentação na fase de crescimento principalmente peixes e mamíferos. Os outros problemas com lagos e lagoas são:
· Degradação das áreas de proteção dos lagos especialmente pelo lançamento de dejetos.
· Assoreamentos das lagoas quando permitida afirmação de espigões impedindo o livre transita de pequenas embarcações.
· Construções com total desrespeito a faixa marginal invadindo a faixa d'água.
· Desenvolvimento das condições de falta de oxigênio em virtude da alta concentração de esgoto e a presença de vegetação aquática em decomposição.
· Represamento dos rios poluídos devido a grande quantidade de vegetação aquática.
A poluição dos lençóis freáticos e minas d'água
A poluição dos lençóis freáticos e das minas d'água se deve também a esgotos, a utilização de produtos químicos por indústrias e pelos lixões que desprendem o chorume. Por ocasião das chuvas o próprio solo absorve agrotóxicos e fertilizantes, oriundos da agricultura que são também uma fonte de poluição dos lençóis freáticos e minas d'água.
A poluição das chuvas
Os poluentes incorporados ao ar Atmosférico, tais como gás carbônico, fluoretos, nitritos, sulfitos e sulfetos, geram a chamada Chuva Ácida. Responsável pela destruição de arquiteturas, estátuas, geração de doenças de pele e outros. No Brasil já existem comunidades que tem problemas de câncer provocados por nuvens de poluentes, que em outros países foram verificadas por satélite e chegam a ter proporções continentais e chegam a ter 3 km de espessura.A Agricultura Orgânica e os Transgênicos A agricultura orgânica tem sua importância por não se valer de agrotóxicos e estar sendo re-aceita pela população.Quanto aos transgênicos, apesar de seus efeitos ainda serem desconhecidos, é inerente a eles a resistência a um maior número de pragas, e com isso a menor poluição dos solos, pois usam uma quantidade menor de agrotóxicos, embora seja muito discutido seu efeito mutante no homem do futuro, no momento, é uma solução da problemática da fome no planeta. Deve-se lembrar que tudo no Mundo foi feito pelo Criador em cadeia os alimentos naturais são compatíveis com a necessidade do organismo humano.A Água e o BrasilO Brasil detêm de toda água doce disponível no planeta. Pensando nesse volume e talvez considerando inesgotável uma parcela da população de empresários, donos de indústrias e até entidades publicas continuam poluindo os rios e o mar, sem dar a devida importância aos malefícios que tais ações acarretam ao próprio ambiente e ser humano. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), o consumo total de água doméstico, industrial e outros em 1987 foram de 580 litros por pessoa/dia desse total coube ao consumo doméstico 43% ou seja, 250 litros por pessoa/dia, 40% foram consumidos pela agricultura e 17% pela indústria.A preocupação que se despendeu no passado (séc. XVII) que foi a criação de uma lei que proibia os donos de porcos de sujarem os rios, não foi prosseguida pois de lá para cá a poluição só tem aumentado.Em nosso país, rios, riachos, ribeirões, lagos, lagoas, arroios e cachoeiras, determinam a grande variedade dos recursos hídricos. Alguns se encontram preservados belos e úteis e outros não recebem ainda hoje da população e autoridades os cuidados para mantê-los limpos e a sua recepção como fonte de vida e aqui são poucas cidades que tratam as nossas fontes de água com cuidado. Os rios aqui são encarados como um natural escoadouro de dejetos domésticos e de lixo.A falta de consciência é de tal ordem que se implantou o uso da "vassoura hidráulica" para lavagem das calçadas com água potável. Acredita-se que a exemplo de países onde a falta d'água e escassez são notórios, deva ser implantado nas residências do Brasil sistema de adução de água limpa e potável separadamente. Observe o alto custo da água tratada fato que por si só justifica a implantação de tal sistema.Segundo noticia publicada na revista Fortunate a água tratada custa trezentas vezes o valor da água limpa. O trabalho educativo deverá ser feito a nível doméstico e em âmbito maior, com o relacionamento das diferentes tarefas e seus respectivos usos e gastos.Desta maneira acredita-se que o homem venha a minimizar o gasto de água e maximizar a sua conservação no planeta.Este fato tem gerado a necessidade do controle ambiental e dos RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) em áreas industriais. A água pode ser a seiva da vida, como a geradora da morte, isto depende unicamente do seu uso racional. ConclusãoHoje em dia o problema é a qualidade e a quantidade da água, fato que não se verificava no passado. A água abundante, o solo fofo e produtivo levou o homem, ao uso desordenado da água e do próprio solo, chegando a se esquecer os ensinamentos dos nativos que foram os primeiros a racionalizar os seus usos. Os indígenas fazem uso da água sem que a poluam, fato este consciente e inconsciente. A terra é cultivada somente no espaço necessário para sua sobrevivência, não ameaçando a estrutura dos ecossistemas, não destruindo as florestas, fontes de preservação do solo, das águas, da vida, fator de equilíbrio do clima. Campanhas educativas e racionais deverão ser implementadas, de forma a conscientizar o povo de um problema tão eminente e que já é sentido quando acontecem problemas ecológicos. Nossa sensação de perda só se dá neste momento, devido a grande quantidade de água que possuímos.O maior problema atual do momento é o desperdício da água, seu mau uso que levará a uma futura escassez acentuada.Segundo estudos da Pastoral da Terra, publicados no Jornal Ecológico 2003 "a última fronteira de investimento para o setor privado é a água, disse um estrategista da Monsanto não podemos ficar em paz enquanto a oligarquia internacional da água decreta, que a água é um bem escasso, dotado de valor econômico, e que a melhor maneira de gerenciar a escassez é o mercado. Para que a água seja mercantilizada, é preciso que ela tenha um preço e seja privatizada. Essa é a questão que está por detrás da frase do estrategista da Monsanto, empresa química que se tornou uma empresa de sementes geneticamente modificadas e agora quer dominar toda a cadeia de alimentos, dominando também".O sofrimento humano e a destruição ambiental que vêm por aí não têm tamanho. A água no momento atual é fonte geradora de guerra e de paz e não sabemos a que eixo ou o do bom ou o do mau o Brasil estará no futuro com tanto desprezo a esta.
Bibliografia:BIZERRIL, C. R. S. F. e PRIMO, P. B. - "Peixes de Águas do Estado do Rio de Janeiro" RJ, FEMAR-SEMADES, 417p, 2001_____ - Revista CREA-RJ, Fevereiro-Março 2003_____ - Revista JB Ecológico, Maio, N.16 2003_____ - Secretaria de Meio Ambiente "Ambiente das Águas no Estado do Rio de Janeiro", SEMADES, 230p, 2001_____ - Veja, Ed. Abril, Agosto, ano 35, N.33 2002
Carlos Augusto de Alcantara GomesProf. Adjunto da Escola Politécnica da UFRJMembro da Academia Brasileira de Meio Ambientealcantaragomes@globo.comLigia Vianna MendesProf. Titular da CEFET e ABMAligiamendesvianna@ig.com.brMembro da Academia Brasileira de Meio Ambiente

BBC mente na cobertura de Teerã

A rede de notícias inglesa BBC apresentou em seu site imagens de manifestação a favor do presidente iraniano reeleito, Mahmoud Ahmadinejad, e informou que se tratava de protestos contra o governo e em favor do candidato derrotado Houssein Mousavi. A manipulação da BBC foi apontada pelo site norte-americano “What Really Happened”.
A legenda da foto divulgada pela BBC afirma: “Partidários de Mir Hossein Mousavi desafiam novamente o veto a protestos”.

A imagem é facilmente confrontada com outra fotografia divulgada pelo jornal norte-americano “Los Angeles Times” em sua página na internet na quinta-feira, que apresenta o presidente iraniano saudando os apoiadores. Apesar disso, o LATimes colocou a legenda: “centenas de milhares protestam no Irã contra o resultado eleitoral”, mesmo com a presença de Ahmadinejad no primeiro plano da foto.
Denunciada a manipulação, a BBC alterou a legenda da foto em seu artigo original que agora afirma: “Teerã tem visto maciças manifestações dos dois lados desde a eleição”.
Apesar de flagrantes desse tipo, o site da BBC mantém a seguinte definição a respeito dos seus “valores”: “Confiança é o alicerce da BBC: somos independentes, imparciais e honestos”.

Criação de vagas formais em setembro é recorde no ano

 

Agencia Estado - O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de setembro registrou a criação de 252.617 empregos formais ante a abertura de 282.841 vagas no mesmo mês do ano passado. Segundo o Ministério do Trabalho, esse é o melhor saldo do ano e o segundo maior de toda a série para meses de setembro.

O saldo positivo de setembro é resultado de 1.491.580 contratações e 1.238.963 demissões. Com isso, o estoque de emprego com carteira assinada no País cresceu 0,77% em relação a agosto. Em setembro do ano passado, foram abertas 282.841 vagas. De janeiro a setembro deste ano, o Caged registra a criação de 932.651 empregos formais. No mesmo período de 2008, o Caged registrava 2.086.560 novos empregos formais.

A indústria foi o setor que mais contratou no mês de setembro, registrando 123.318 vagas. De acordo com os dados do Caged, de janeiro a setembro, a indústria teve saldo positivo de 62.759 postos de trabalho formais. Ainda em setembro, o segundo melhor desempenho por setor foi serviços, com a abertura de 62.768 vagas, seguido pelo comércio, com criação de 50.301 vagas. A agropecuária é o destaque negativo do Caged em setembro, ao eliminar 17.064 postos de trabalho.

terça-feira, outubro 13, 2009

Brasil e África do Sul intensificam parceria

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jacob Zuma, da África do Sul, realizaram uma série de reuniões, dia 9, em Brasília, com o objetivo de aprofundar as relações comerciais e de cooperação na áreas de esporte, obras públicas, turismo e ciência e tecnologia. Em 2008, o comércio entre os dois países envolveu cerca de US$ 2,5 bilhões, US$ 1,7 bilhão em exportações e US$ 773 milhões, em importações.

Em coletiva à imprensa, Lula destacou que a presença do presidente Zuma, “nos enche de alegria”. “Ele é testemunho do poder transformador da vontade de uma nação. No passado, celebramos a luta do povo sul-africano contra o apartheid. Hoje, homenageamos líderes como o companheiro Zuma, que sacrificaram a própria liberdade em defesa da liberdade de seu povo”, ressaltou. “Como o Brasil, a África do Sul está agora engajada em outra batalha. Nossas nações estão superando uma herança de séculos de exclusão. Temos pressa em eliminar todas as formas de discriminação”.

Segundo o presidente, a parceria com a África do Sul “também passa por setores de ponta como a biotecnologia, astronomia, nanotecnologia e informática. Este é o sentido das atividades do Comitê Conjunto de Cooperação Científica e Tecnológica, que realizou sua 1a reunião em maio deste ano”, disse Lula.

 

http://www.horadopovo.com.br/

TIME: A CASA BRANCA ENFRENTA A MÍDIA

 

 

A Casa Branca decide encarar a 'imprensa'
8/10/2009, Michael Scherer, revista
Time
Não houve um momento determinado, quando a equipe de comunicação da Casa Branca decidiu que os grandes órgãos da mídia não estavam dando conta do recado, nem faziam jornalismo. De fato, houve vários momentos.
Para o secretário de Imprensa, Robert Gibbs, o dia da virada aconteceu no início de setembro, quando o New York Times publicou, como matéria de primeira página, o "crescimento nas pesquisas, de pais e mães preocupados com o conteúdo do discurso de Obama para crianças e adolescentes" – antes mesmo de o jornal (e os 'pais e mães'!) conhecerem o teor benigno do discurso. "Chega um momento que... Chega! Páre aí! Mas... que negócio é esse?" – disse Gibbs. "Essa coisa está transformada em circo de três picadeiros!"
Para o diretor de comunicações da Câmara de Deputados, Dan Pfeiffer, foram os ataques mais hiperbólicos, esse ano, contra o plano de Obama para a reforma da assistência à saúde, sempre noticiados como se houvesse alguma "controvérsia", que acionaram um alarme em sua cabeça. "Quando se debate se se trata ou não de assassinar velhinhas e criancinhas doentes" – diz ele –. "não se aplicam as regras normais do jornalismo: é preciso ser a favor de não assassinar ninguém. É preciso ter lado e a opinião do 'outro lado' absolutamente não interessa."
Para a chefe de Pfeiffer, Anita Dunn, o momento do "aha!" aconteceu quando oWashington Post publicou uma segunda coluna assinada pelo mesmo político Republicano, 'denunciando' que haveria "32 czares" indicados por Obama e já trabalhando na administração pública. Nove deles foram nomes aprovados pelo Senado, quer dizer, em nenhum caso seriam 'czares'. "O que de fato me surpreendeu e ainda surpreende até hoje, é que o Washington Post nunca questionou essa opinião de seu colunista. É inacreditável... mas aconteceu."
Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem 'prova' do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos 'jornalistas', como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria "clínicas sexuais" a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha's Vineyard, riu da ideia dos 'jornalistas' e disse aos auxiliares que "Ok. Vamos chamar os caras p'ra conversar lá fora."
A estratégia de não fazer prisioneiros surpreendeu alguns 'jornalistas', considerando a cobertura amplamente favorável ao candidato Obama e considerando, também, a tendência do presidente de trabalhar em temperaturas retóricas menos exaltadas que o padrão de Washington e de não dar atenção às hipérboles partidarizadas. Nada disso. O Blog da Casa Branca, agora, não perde vez para falar mal dos críticos do governo. Um dos postados mais recentes levava o título de "A rede Fox mente" e sugeria que a rede estaria militando contra os interesses dos EUA, ao ridicularizar os esforços de Obama para que Chicago fosse escolhida para as Olimpíadas 2016.
Nenhum funcionário da Casa Branca ofereceu 'fatos' explicativos ou pediu desculpas. "A melhor analogia é o beisebol" – disse Gibbs. "O único modo de arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem."
A generala dessa guerra é Anita Dunn, 51, veterana estrategista de campanhas eleitorais, que chegou em maio à Casa Branca. Dunn é um dos grandes nomes das campanhas dos Democratas desde o final dos anos 80 e, nesses meses, foi ela quem montou a nova estratégia de respostas rápidas. Na Casa Branca, converteu-se em leitora aplicada de todos os jornais mais conservadores e crítica ferocíssima da rede Fox News, comandando o movimento para impedir que funcionários do governo (inclusive Obama) deem entrevistas ou façam declarações àquela rede.
"Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo" – diz Dunn. "Eles ainda estão com bons números de audiência, mas estamos nos movimentando e não vamos perder essa."
O diretor de jornalismo da Fox, Michael Clemente, reagiu; disse que as críticas pela Casa Branca misturam os jornalistas da rede e colunistas não-jornalistas, como Glenn Beck [âncora de um dos programas de debates da Fox. Para saber quem é, ver O Público, de Portugal, em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401620]. Para Clemente, Beck seria como "um colunista não-jornalista, dos que escrevem nos jornais"."
Dunn — mãe de um adolescente de 13 anos, que planejou o cronograma do novo emprego na Casa Branca, de modo a poder passar mais tempo com o filho – é uma raridade feminina, no círculo mais íntimo de auxiliares de Obama, só de rapazes. Mas o impacto que ela teve na Casa Branca é indiscutível. Desde sua chegada, a operação das comunicações foi reformulada, firmemente re-focada, com forte ênfase no planejamento de um novo ciclo de noticiário e estrito controle sobre os contatos entre sua equipe e os jornalistas dos grandes jornais. Nas reuniões internas diárias da equipe, é ela quem decide quem 'ouvirá resposta rápida', quando e como; é ela também quem decide onde, quando, como e para quem é caso de justificativas, admitir erros ou pedir desculpas.
É mulher de instintos ferozes, que rapidamente vêm à tona. "Aqui na Casa Branca, (...) temos de ser mais agressivos, em vez de sempre dar explicações, bater em retirada ou só nos defender" – diz ela. A imprensa vive de falar. Não há silêncio, na imprensa. Por isso, a imprensa sempre pode usar qualquer mínima coisa e converter em notícia, mesmo que, para isso, os fatos sejam distorcidos. Não precisamos aceitar isso. Por quê?"
Em outras palavras: depois de oito meses de governo Obama, acabaram-se os dias de harmonia 'suprapartidária' ou 'despolitizada', e ilusão de que a imprensa naturalmente ofereceria "dois lados" das notícias. Agora somos "NÓS" contra "ELES". E o governo Obama está jogando para ganhar.

 

 

CASA BRANCA ATACA A FOX NEWS

 

Casa Branca versus Fox News: É guerra.
11/10/2009, Ari Melber, The Nation

"Chefe de comunicações de Obama diz que já não podem confiar em jornalistas para moderar debates públicos". 
A batalha entre a Casa Branca e a rede Fox News alcançou um novo pico no domingo, quando Anita Dunn, Diretora de Comunicações de Obama, numa cadeia nacional, declarou que a rede Fox News é organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.
"A rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano" – disse Dunn à CNN. E acrescentou: "não precisamos fingir que [a Fox] seria empresa comercial de comunicações do mesmo tipo que a CNN." Dunn também aproveitou as páginas do The New York Times, a cujos repórteres declarou em entrevista do domingo, que "a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico."
Na fala mais importante, pela CNN, Dunn afirmou que o presidente Obama agora considera a rede Fox como opositor partidário, mais do que como organização jornalística. "Qundo o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita" – ela explicou. – "O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição".
É grande avanço em relação ao modo como o "establishment" democrata encara a rede Fox. E demorou para acontecer.
De fato, os democratas de alto e baixo escalões sempre viram a rede Fox News como força obviamente hostil. Mas os democratas eleitos resistiram muito, sem decidir se aceitavam ou se combatiam aquela rede.
A verdade é que o "establishment" democrata chegou a aceitar a ideia de dar à rede Fox o privilégio de hospedar e moderar um debate durante as primárias presidenciais – mas o movimento considerado "de autolimitação" foi abortado, depois que uma coalizão de blogueiros e ativistas progressistas objetou.
Com o desenrolar da campanha, o pessoal de Obama foi subindo o tom dos comentários e várias vezes a rede Fox enfrentou dura barreira de arame farpado eletrificada pelos discursos de delegados e, às vezes, do próprio candidato. (Como esquecer Robert Gibbs, quando virou a mesa, em debate com Sean Hannity, da Fox, em outubro passado?)
Quando acabou a campanha, a equipe de Obama discutiu muito sobre como reagir à rede Fox, de dentro da Casa Branca. Foi preciso surfar (e algumas vezes esconder das câmeras) uma onda de obamistas ressentidos com a Fox. E o padrão sempre foi que o presidente é mantido acima das brigas 'midiáticas'.
A nova atitude de Dunn é parte de nova estratégia, mais ampla, recentemente 'telegrafada' na revista Time, para chamar mentiras de "mentiras" e tratar a rede Fox como espaço para debates muito duros com a oposição – como partido de oposição, portanto, não como discussão jornalística. Gibbs diz que a nova estratégia dará certo, porque ele, sinceramente... bem... Gibbs gosta de jogo rápido: "O único modo de arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem."

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John Negroponte merece um Nobel da Paz?

 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, John Negroponte ressurge como personagem de uma tela negra de Goya, empenhado em legitimar a truculência, esconjurando a memória histórica por saber que é dela que se elaboram projetos de soberania na América Latina.

Gilson Caroni Filho

Qual a melhor maneira de superar um golpe? Fazer exatamente o que pretendem os seus autores. É dessa forma, na melhor tradição da realpolitik reaganiana, que John Negroponte, subsecretário de Estado no governo George W.Bush, vislumbra a saída para a crise hondurenha. Eleições presidenciais na data programada, sem restituição do presidente deposto Manuel Zelaya, seguindo à risca os planos do líder dos golpistas, Roberto Micheletti.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, edição de domingo, 11 de outubro, Negroponte ressurge como personagem de uma tela negra de Goya, empenhado em legitimar a truculência, esconjurando a memória histórica por saber que é dela que se elaboram projetos de soberania na América Latina. Ao dizer que ”durante o período em que eu estava lá, a democracia foi restaurada", falseia o passado para mascarar o presente.
O que tenta esconder o atual presidente do Americas Society/Council of the Americas, “cuja meta é defender livre comércio, democracia e mercados abertos no continente?" Qual foi o seu real papel na América Central? O exército hondurenho, segundo reconheciam os próprios norte-americanos nos anos 1980, foi treinado e aparelhado pelos Estados Unidos, a fim de ajudar a conter os movimentos de libertação nacional na região.
O projeto político das eleições que os EUA promoveram em El Salvador, em março de 1982, não resolveu a crítica situação da convulsionada nação centro-americana. Ao contrário, serviu para mostrar que crise alguma pode ser resolvida por solução eleitoreira que ignore estruturas injustas de uma sociedade capitalista periférica, que ainda tinha remanescentes feudais. A partir das eleições, a comunidade internacional observou um aumento das violações dos direitos humanos por parte dos aparatos militares e dos bandos paramilitares controlados pelo estado-maior das forças armadas e um incremento no número de refugiados nos países centro-americanos. Operações de extermínio foram levadas a cabo contra as zonas rurais e comunidades camponesas.
Após uma fraca resistência, o ditador da Guatemala, Rios Montt, foi deposto no dia 8 de agosto de 1983. Em seu lugar, subiu o general Oscar Mejia, responsável direto por massacres de populações indígenas no interior do país. A participação estadunidense no golpe foi cristalina. Mejia era criatura do Pentágono e, dias antes de tomar o poder, participou de uma reunião, em Honduras com o general Paulo Gorman, chefe do comando-sul norte-americano no Panamá. Negroponte foi o anfitrião do encontro. Não por acaso Honduras e El Salvador foram os primeiros países a reconhecer o novo governo gualtemateco.
Para a Nicarágua, os planos de Reagan eram de intervenção militar direta. O bloqueio naval ao regime sandinista funcionava a pleno vapor. Um cargueiro soviético, com 842 toneladas de medicamentos e máquinas destinadas à agricultura e à construção de estradas, foi interditado por navios norte-americanos sob a alegação de que carregava armas e helicópteros militares. De Honduras, como recorda Atílio Boron, Negroponte "monitorou pessoalmente as operações terroristas realizadas contra o governo sandinista e promoveu a criação do esquadrão da morte, mais conhecido como o Batalhão 316, que sequestrou, torturou e assassinou centenas de pessoas, enquanto nos seus relatórios para Washington negava que houvesse violações dos direitos humanos nesse país."
Ao diário paulista, John Negroponte é taxativo: "Obviamente, por conta da situação vizinha, nós aumentamos nossa ajuda, não só militar, mas humanitária. Penso que adotamos as políticas certas, que foi justificado o que fizemos, e eu certamente não me arrependo de nada."
A se dar crédito ao diplomata norte-americano, estudaremos a história como se visita um museu de cera. Embevecidos com a fraude disfarçada de arte, mentiremos sobre o passado para continuar mentindo sobre o presente. Esse tem sido o papel da imprensa ao fabricar o que a direita lhe solicita: a nostalgia da barbárie como tempo de boas colheitas.
É para esse imaginário que boa parte da oposição brasileira daria, se pudesse, um Nobel da Paz. Seria uma primeira página perfeita.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

 

 

sábado, outubro 10, 2009

CRAIG ROBERTS: MARX E LÊNIN MERECIAM O NOBEL DE ECONOMIA

 

Atualizado em 09 de outubro de 2009 às 21:44 | Publicado em 09 de outubro de 2009 às 21:08

Trabalho morto: Marx e Lênin reconsiderados

por Paul Craig Roberts [*], por sugestão do Milton Hayek, no Counterpunch
"O capital é trabalho morto, o qual, como um vampiro, vive apenas para sugar o trabalho vivo, e quanto mais sobreviver, mais trabalho sugará".
--Karl Marx

Se Karl Marx e V. I. Lênin hoje estivessem vivos, seriam os principais candidatos ao Prêmio Nobel de Economia.
Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de títulos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da realidade que as previsões do presidente do Banco Central americano, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, que acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica.
Na primeira década do século 21 não houve qualquer aumento no rendimento real dos trabalhadores americanos. Houve sim um declínio agudo na sua riqueza. No século 21 os americanos sofreram dois grandes crashes no mercado de ações e a destruição da sua riqueza imobiliária.
Alguns estudos concluíram que os rendimentos reais dos americanos, exceto para a oligarquia financeira dos super-ricos, são menores hoje que na década de 80 e mesmo que na de 70. Não examinei esses estudos de rendimento familiar para determinar se eles foram distorcidos pelo aumento nos divórcios ou pela percentagem de famílias monoparentais. Contudo, durante a última década é claro que o salário líquido real declinou.
A causa principal deste declínio é o deslocamento (offshoring) de empregos americanos de alto valor agregado para fora do país. Tanto empregos na manufatura como em serviços profissionais, tais como engenharia de software e trabalho com tecnologia de informação, foram relocalizados em países com forças de trabalho grandes e baratas.
A aniquilação de empregos de classe média foi disfarçada pelo crescimento na dívida do consumidor. Quando os rendimentos dos americanos deixaram de crescer, a dívida do consumidor expandiu-se para substituí-lo e manter o consumo em ascensão. Ao contrário de aumento nos rendimentos do consumidor devido ao crescimento da produtividade, há um limite para a expansão do endividamento. Quando aquele limite é atingido, a economia deixa de crescer.
A pauperização dos trabalhadores não resultou do agravamento de crises de superprodução de bens e serviços, mas sim do poder do capital financeiro de forçar o deslocamento da produção para terras estrangeiras. As pressões de Wall Street, incluindo pressões de tomadas de controle (takeovers), forçaram firmas manufatureiras americanas a "aumentar os rendimentos dos acionistas". Isso foi feito com a substituição de trabalho americano por trabalho barato estrangeiro.
Corporações deslocalizadas ou que passam a encomendar fora a sua produção manufatureira, causaram o divórcio entre os rendimentos dos americanos e a produção dos bens que eles consomem. O passo seguinte no processo aproveitou-se da alta velocidade da internet para transferir empregos em serviços profissionais, tais como engenharia, para fora. O terceiro passo foi substituir o resto da força de trabalho interna por estrangeiros trazidos para cá a um terço do salário com o H-1B [1] , L-1 [2] e outros vistos de trabalho.
Esse processo pelo qual o capital financeiro destruiu as perspectivas de emprego de americanos foi endossado pelo economistas do "livre mercado", os quais receberam privilégios em troca da propaganda de que os americanos beneficiar-se-iam com uma "Nova Economia" baseada em serviços financeiros, e pelos seus sócios no negócio da educação, os quais justificavam vistos de trabalho para estrangeiros com base na mentira de que os Estados Unidos produzem poucos engenheiros e cientistas.
Nos dias de Marx, a religião era o ópio das massas. Hoje, é a mídia. Basta ver como a informação propagada pela mídia facilita a capacidade da oligarquia financeira de iludir o povo.
A oligarquia financeira está anunciando uma recuperação enquanto o desemprego americano e os sequestros de imóveis estão em alta. Este anúncio deve  sua credibilidade à sua origem [no alto escalão da economia], às pesquisas baseadas em folhas de pagamento que exageram o número de empregados e à eliminação, para dentro do buraco da memória, de qualquer americano desempregado por mais de um ano.
Em 2 de outubro o estatístico John William, do www.shadowstats.com, informou que oBureau of Labor Statistics havia anunciado uma revisão da sua estimativa preliminar do indicador anual do emprego em 2009. O BLS descobriu que o emprego em 2009 fora exagerado em cerca de um 1 milhão de postos de trabalho. John Williams acredita que a diferença foi realmente de dois milhões de postos de trabalho. Ele informa que "o modelo usado acrescenta [um ilusório] ganho líquido de cerca de 900 mil empregos por ano à informação sobre emprego".
O número de empregos nas folhas de pagamentos não agrícolas é sempre a manchete. Contudo, Williams acredita que as pesquisas feitos junto às famílias de desempregados é estatisticamente mais correta que a consulta às folhas de pagamento. O BLS nunca foi capaz de reconciliar a diferença nos números dos dois levantamentos de emprego. Na sexta-feira passada o número de empregos perdidos apresentado nas manchetes era de 263 mil para o mês de setembro. Contudo, o número na pesquisa feita com as famílias era de 785 mil empregos perdidos no mês de setembro.
A manchete da taxa de desemprego de 9,8% em grande medida subdeclara o desemprego. As agências de informação do governo sabem disso e relatam outro número de desempregados, conhecido como U-6. Esta medida do desemprego nos EUA fixava-se nos 17% em setembro de 2009.
Quando aos trabalhadores desencorajados pelo desemprego de longo prazo [que deixam de procurar emprego] são acrescentados ao total dos desempregados, a taxa de desemprego em setembro de 2009 eleva-se a 21,4%.
O desemprego de cidadãos americanos pode ser ainda mais alto. Quando a Microsoft ou alguma outra firma substitui milhares de trabalhadores americanos por estrangeiros com vistos H-1B, a Microsoft não relata um declínio de empregados na folha de pagamento. No entanto, vários milhares de americanos ficam sem empregos. Multiplique isso pelo número de firmas dos EUA que se apóiam em companhias estrangeiras fornecedoras de mão-de-obra para tecnologia de informação ("body shops") para substituir a força de trabalho americana com trabalho barato estrangeiro ano após ano e o resultado são centenas de milhares de desempregados americanos não contabilizados.
Obviamente, com mais de um quinto da força de trabalho americana desempregada e os remanescentes enterrados em hipotecas e dívidas de cartões de crédito, a recuperação econômica não está à vista.
O que acontece é que as centenas de bilhões de dólares de dinheiro do TARP [plano de apoio do governo ao sistema financeiro] dados aos grandes bancos e os bilhões de dólares que foram acrescentados ao balanço do Banco Central americano foram despejados no mercado de ações, produzindo uma outra bolha, e na aquisição de bancos menores por bancos "demasiado grandes para falir". O resultado é mais concentração financeira.
A expansão da dívida subjacente a esta bolha corroeu a credibilidade do dólar como moeda de reserva. Quando o dólar começar a despencar, banqueiros em pânico elevarão as taxas de juros a fim de proteger a capacidade de contração de empréstimos do Tesouro. Quando as taxas de juros ascenderem, o que resta da economia dos Estados Unidos afundará.
Se o governo não puder contrair empréstimos [vendendo títulos do Tesouro], ele imprimirá dinheiro para pagar as suas contas. A hiperinflação atingirá a população americana. O desemprego maciço e a inflação maciça infligirão ao povo americano uma miséria que nem mesmo Marx e Lênin poderiam conceber.
Enquanto isso, economistas dos Estados Unidos continuam a pretender que estão lidando com uma recessão normal do pós-guerra, que requer meramente uma expansão da moeda e do crédito com o objetivo de restaurar o crescimento econômico.

[1] H-1B: categoria de visto para não imigrantes que permite ao patronato dos EUA procurar ajuda temporária de estrangeiros qualificados que tenham bacharelato.
[2] L-1: documento de visto para entrar nos EUA como não imigrante e válido por períodos de tempo de até três anos. São geralmente concedidos para empregados de companhias internacionais com escritórios nos EUA.
[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions.  

PaulCraigRoberts@yahoo.com
Este artigo encontra-se também em http://resistir.info/ e em

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/craig-roberts-marx-e-lenin-mereciam-o-nobel-de-economia/

quinta-feira, outubro 08, 2009

Dez empresas controlam o mercado mundial de medicamentos

 

Uma dezena de empresas gigantescas entre elas as denominadas “Big Pharma” - – Bayer, Glaxo-SmithKline (GSK), Merck, Novartis, Pfizer, Ro-che, Sanofi-Aventis – controlam o mercado mundial de medicamentos que representa cerca de 70 bilhões de euros, como informa em seu artigo Ignácio Ramonet, editor do jornal Le Monde Diplomatic de 1990 a 2008.

“Seus lucros são superiores aos obtidos pelos poderosos grupos do complexo militar-industrial. Para cada euro investido na fabricação de um medicamento de marca, os monopólios ganham mil no mercado. Ademais, três dessas companhias (GSK, Novartis e Sanofi) pretendem ganhar milhares de milhões a mais de euros nos próximos meses graças à venda maciça da vacina contra o vírus A (H1N1) da nova gripe”, destaca Ramonet.

“A ofensiva dos monopólios farmacêutico-industriais não tem fronteiras”, prossegue o jornalista, acrescentando que “também estariam implicados no recente golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya em Honduras, país que importa todos os seus medicamentos, produzidos fundamentalmente pelas ‘Big Pharma’”.

“Desde que Hon-duras entrou para a Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba), em agosto de 2008, Zelaya negociava um acordo comercial com Havana para importar genéricos cubanos, com a intenção de reduzir os gastos de funcionamento dos hospitais públicos de seu país. E, na Cúpula do dia 24 de junho, os presidentes da Alba se comprometeram a ‘revisar a doutrina sobre a propriedade industrial’, ou seja, a qualidade de intocável das patentes em matéria de medicamentos. Estes dois projetos, que ameaçavam diretamente seus interesses, levaram os grupos farmacêuticos transnacionais a apoiar fortemente movimentos golpistas que derrubariam Zelaya em 28 de junho daquele mês”, afirma Ramonet.

Ele destaca ainda a ira dos monopólios aos projetos de Obama pa-ra a saúde nos EUA: “Além disso, Barack Obama, desejoso de reformar o sistema de saúde dos Estados Unidos, que deixa sem cobertura médica 47 milhões de cidadãos, enfrenta a ira do complexo farmacêutico-industrial. Aqui, as quantias em jogo são gigantescas (os gastos com saúde representam o equivalente a 18% do PIB) e controladas por um vigoroso lobby de interesses privados que reúne, além das Big Pharma, as grandes companhias de seguro e todo o setor de clínicas e hospitais privados. Nenhum desses atores quer perder seus opulentos privilégios. Por isso, apoiando-se nos grandes meios de comunicação mais conservadores e no Partido Republicano, estão gastando dezenas de milhões de dólares em campanhas de desinformação e de calúnias contra a necessária reforma do sistema de saúde”.

France Telecom privatizada leva funcionários ao suicídio

 

A “reestruturação” com base na “administração do terror”, como denunciam líderes sindicais, resultou no suicídio de 24 trabalhadores da empresa no período de 19 meses, entre meados de fevereiro de 2008 e setembro último

O vice-presidente da France Telecom, Louis-Pierre Wenes, foi afastado do cargo no dia 5 depois que foi responsabilizado pela execução de um sistema de “reestruturação”, a partir de 2005, que obrigou 22 mil trabalhadores da empresa a pedir demissão entre 2006 e 2008. A pressão para esse objetivo, denunciada pelas centrais sindicais como “administração do terror”, provocou 24 suicídios de funcionários em 19 meses, de meados de fevereiro de 2008 a setembro de 2009. A France Telecom, antes denominada Direction Generale de Télécomunications, foi privatizada em 1998 durante o período em que Lionel Jospin exercia o cargo de primeiro-ministro. Os dados sobre pedidos de demissão deste ano não foram divulgados.

Nos dias 6 e 7, terça e quarta-feira, trabalhadores convocados por seis centrais sindicais francesas realizaram manifestações por todo o país. As maiores, que reuniram milhares de trabalhadores, ocorreram em Paris, Lion e Marselha.

O último suicídio de trabalhador da France Telecom ocorreu no final de setembro. Um funcionário que trabalhava em uma central telefônica na cidade de Annecy, de 51 anos, se jogou de um viaduto em uma pista movimentada. Era casado, pai de dois filhos e deixou uma carta afirmando que o clima no trabalho o levara a tomar a decisão extrema.

Três semanas antes, um técnico em manutenção, que havia sido deslocado para o setor de atendimento a clientes, com metas de atendimento sempre crescentes, cortou o ventre com um punhal durante um encontro com 15 outros funcionários da empresa. Ele sobreviveu e declarou: “Fiz isso por causa das condições de trabalho na France Telecom”.

“Há um problema real ligado aos constantes deslocamentos durante os últimos anos. Uma empresa pública passou a adotar uma administração de estilo norte-americano, com cortes constantes de pessoal ”, declarou o dirigente da CGT, Denis Capdevielle.

Um líder sindical na cidade de Annecy, Patrice Diochet, destacou: “É vergonhoso. Ele estava trabalhando em condições insustentáveis. Uma verdadeira indiferença, uma falta de humanidade. Estes diretores só sabem falar de números e os trabalhadores são tratados como coisas”.

“Wenes foi quem trouxe a administração do terror, ele tem que partir”, declarou Pierre Morville, da central CFE-CGC.

Patrice Diochet da central CFTC declarou que a demissão “foi um primeiro passo” mas exigiu que “a France Telecom mude sua cultura administrativa”. Sandrine Leroy, da Central Force Ouvriére, declarou que sem mudanças reais dentro da empresa “a demissão seria apenas simbólica”.

O presidente, Didier Lombard, em negociações com as centrais, no mês de setembro, em plena onda de suicídios, ofereceu apenas mudanças paliativas: declarou que suspenderia os deslocamentos “até 31 de outubro” e contrataria uma equipe de psicólogos.

Um vídeo que circulou na internet mostra Lombard em seminário sobre administração no início do ano, declarando que os funcionários da France Telecom precisam se adaptar a “um mercado em transformação” e exemplificou que os funcionários “gastam muito de seu tempo na praia”.

Outra suicida foi uma operária de 32 anos que pulou da janela de um prédio da empresa no dia 15 de setembro.

Uma outra funcionária, Gabrielle que trabalhava há 35 anos na empresa, nunca se ausentou por doença mas acabou ruindo também e denunciou o “clima de precariedade” na empresa depois de haver assumido três postos diferentes em quatro anos e ser submetida a “terríveis entrevistas semestrais, nas quais, objetivos anteriormente definidos eram sempre considerados insuficientes”.

“Sempre nos dizem que somos um custo muito alto, com o objetivo de nos forçar a pedir demissão ao nos aproximarmos da idade de 50 anos e o pior é que os chefes de setor são valorizados, promovidos, e se diz que recebem prêmios em função do número de pessoas que fazem ir embora”, afirma Gabrielle.

Um outro assalariado que se suicidou em Marselha, no dia 14 de julho havia declarado estar sob “sobrecarga no trabalho e diante de uma administração pelo terror”.

Enquanto espalha o terror para arrancar demissões “voluntárias” e submete os trabalhadores a metas cada vez mais escorchantes, a administração da France Telecom informou aos acionistas, no ano de 2008, a obtenção de US$ 5,8 bilhões de lucro e faturamento de 53,5 bilhões de dólares. Terceira em telefonia móvel e primeira em banda larga na Europa, a France Telecom tem 186 milhões de usuários em 30 países.


NATHANIEL BRAIA

Concentração de terras no Brasil

 

1% das fazendas concentram 46% da terra produtiva

O IBGE divulgou há poucos dias o Censo Agropecuário de 2006. Em editorial, o jornal Brasil De Fato, fez um resumo de seus resultados. Pela importância, reproduzimos esse resumo.

Em relação ao Censo anterior, de 1996, “diminuiu o número de estabelecimentos com menos de 10 hectares. Eles representam os pobres do campo, e eram em 2006 cerca de 2,5 milhões de famílias. A área ocupada por eles baixou de 9,9 milhões de hectares para apenas 7,7 milhões, correspondendo a apenas 2,7% da área total brasileira. No outro lado, temos apenas 31.899 fazendeiros que dominam 48 milhões de hectares em áreas acima de mil hectares. E outros 15.012 fazendeiros com áreas superiores a 2.500 hectares, que totalizam 98 milhões de hectares. São os fazendeiros do agronegócio, que representam menos de 1% dos estabelecimentos, mas controlam 46% de todas as terras”.

“De um lado, a grande propriedade do agronegócio se especializou em produtos para exportação, como soja, milho, cana e pecuária, que dominam a maior parte das terras. Esses três produtos usam 32 milhões de hectares, enquanto os principais alimentos da dieta brasileira usam apenas 7 milhões de hectares para plantar arroz, feijão, mandioca e trigo”.

O agronegócio “ficou mais dependente do capital financeiro e das empresas transnacionais. O valor bruto da produção agrícola (PIB agrícola) foi de 141 bilhões de reais, em 2006. Destes, 91 bilhões produzidos pelo agronegócio, mas precisou de 80 bilhões de reais de credito rural dos bancos e da poupança nacional para poder produzir. Já a agricultura familiar, produziu 50 bilhões de reais, e utilizou apenas 6 bilhões de reais”, analisa.

“A agricultura familiar produziu comida, e para o mercado interno. O agronegócio produziu commodities, dólares, para o mercado externo. Por isso é dominada pelo controle das grandes empresas transnacionais que controlam o mercado e os preços. As 20 maiores empresas que atuam na agricultura tiveram um PIB de 112 bilhões no ano de 2007. Ou seja, praticamente toda produção do agronegócio é controlada na verdade por apenas 20 grandes empresas. E, em sua maioria, estrangeiras”.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Ricardo Carneiro: a crise não acabou

 

Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o economista Ricardo Carneiro faz um balanço do estado das artes da crise econômica mundial. Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, o fato de estar havendo uma leve recuperação da renda e do emprego nos países avançados e nos periféricos não significa muito diante da profundidade da crise. "A grande diferença que marca o desenrolar da crise atual ante a crise de 1929 é a forma e intensidade da ação do Estado. Em 1929 houve uma espécie de omissão do Estado – por meio das suas principais agências econômicas, o Banco Central e o Tesouro", avalia.

Jornal da Unicamp

Jornal da Unicamp: Já podemos falar em um cenário mundial pós-crise? Há sinais que evidenciem este cenário ou pelo menos de que o pior da crise tenha passado?
Ricardo Carneiro: Não creio que a crise tenha sido superada tão depressa. O fato de estar havendo uma leve recuperação da renda e do emprego nos países avançados e nos periféricos não significa muito diante da profundidade da crise. De qualquer modo, há uma forte divergência entre os economistas quanto ao assunto. Há os que apostam que “o pior já passou”, outros que falam em reincidência de fases mais agudas. Do meu ponto de vista estaremos diante não de movimentos bruscos, mas de um lento desenrolar da crise, marcado por um baixo dinamismo permanente que pode, eventualmente, ser compatível com alguns períodos de melhora. Ou seja, creio que a crise terá uma dimensão crônica.
Jornal da Unicamp: Após a crise de 1929 houve longo período de recessão mundial. Desta vez, em um ano, a recessão parece estar chegando ao fim. Houve uma reação exagerada com a atual crise ou o mundo está mais preparado para sair de turbulências como as de 1929?
Ricardo Carneiro: A grande diferença que marca o desenrolar da crise atual ante a crise de 1929 é a forma e intensidade da ação do Estado. Em 1929 houve uma espécie de omissão do Estado – por meio das suas principais agências econômicas, o Banco Central e o Tesouro. As ações só começaram a ganhar corpo, no caso americano, por exemplo, em 1933, quando o impacto maior da crise em termos de emprego e PIB já havia se manifestado.
Em 2008, o Estado agiu prontamente com os bancos centrais emprestando dinheiro barato aos bancos e uma gama mais ampla de instituições financeiras. O Tesouro, por sua vez, ampliou seus gastos. Com isso se evitou uma falência em cadeia dos agentes – o que os economistas chamariam de deflação – e, ao mesmo tempo, promoveu-se uma sustentação da renda pelo gasto público.
Isto explica a menor gravidade da crise atual em termos de perda de renda e emprego. Ma é preciso também analisar os limites da ação do Estado; ela vai se manifestar exatamente na forma e intensidade da recuperação. Depois da catástrofe de 1929 houve, na década de 1930, uma recuperação substantiva induzida pelo gasto público. Agora é diferente: ao evitar a deflação, o Banco Central evitou que os ativos e endividamento das famílias e das empresas “virassem pó” como no passado. Em contrapartida, o fato de manter as dívidas faz com que esses agentes estejam menos dispostos a gastar seus eventuais aumentos de renda, induzidos pelo setor público. Durante um tempo mais ou menos longo todos vão procurar reduzir suas dívidas ao invés de gastar.
Jornal da Unicamp: É possível fazer uma comparação entre as duas crises?
Ricardo Carneiro: Há semelhanças e diferenças. Ambas as crises são resultado da operação de um capitalismo desregulado e financeirizado. Nas duas houve um processo de ampliação sustentada de preços de ativos, descolada dos fundamentos, as chamadas bolhas que terminaram por “furar”, ocasionando vários tipos de problemas. É interessante notar que esse tipo de capitalismo tem na especulação uma importante mola propulsora que lhe confere durante certo tempo elevado dinamismo.
Mas, ele leva sempre a um “descolamento” e a um ajuste que nem mesmo a ação do Estado pode evitar. As diferenças são relevantes e dizem respeito de um lado ao ativo principal sobre o qual se fixou a especulação. Em 1929, a bolsa de valores era o carro-chefe; em 2008, os imóveis. No segundo caso, o grau de envolvimento das famílias foi muito maior. Ou seja, havia um percentual mais elevado de famílias americanas comprometidas na especulação imobiliária, até porque a propriedade de imóveis é mais disseminada.
Jornal da Unicamp: Com a fragilidade da economia norte-americana diante da crise, o senhor acha que haverá, do ponto de vista econômico, uma divisão de forças e uma nova configuração internacional?
Ricardo Carneiro: Na verdade, mesmo antes da crise já era visível uma certa redistribuição do poder econômico global em direção à Ásia e principalmente à China. A crise deve acelerar este processo, mas ele será eivado de contradições ou de marcha e contra-marchas. Eis alguns exemplos: dificilmente a economia americana voltará a ser a “locomotiva do mundo” como foi no ciclo recente, mas não há outra candidata a substituí-la.
Para manter o ritmo de crescimento, as economias asiáticas terão que se alimentar do dinamismo interno, o que não é trivial. O crescimento da dívida pública americana deverá criar algum grau de rejeição ao dólar como moeda de reserva internacional. No entanto, não há no horizonte uma moeda substituta para cumprir o seu papel. A proliferação de moedas/acordos regionais pode ser uma resposta. Em síntese, nós deveremos entrar num período de relações econômicas internacionais mais instáveis até que alguma outra ordem de maior estabilidade seja posta no seu lugar.
Jornal da Unicamp: Podemos falar num novo modo de regulação da economia internacional e da reabilitação do papel Estado nessa regulação?
Ricardo Carneiro: Até o momento não, pois o que temos de fato é o G-20 que constitui na prática um grupo informal de consulta. É importante enquanto agrupamento por incluir países em desenvolvimento, mas seria necessário que caminhasse para alguma forma institucional. Por sua vez é necessário considerar que há interesses divergentes dentro do grupo. Na minha opinião, uma forte regulação do sistema financeiro internacional, ou seja, dos fluxos de capitais, que constituiria a contrapartida à regulação financeira doméstica, não interessa aos EUA. Isto significaria reduzir a importância do dólar no cenário internacional. As medidas que têm se originado do G-20 são, por enquanto, cosméticas ou retóricas.
Jornal da Unicamp: O senhor poderia citar aspectos negativos e positivos de reação à crise que foram adotados pelos principais países afetados, incluindo o Brasil?
Ricardo Carneiro: Creio que a resposta à crise nos vários países, incluindo o Brasil, foram no geral positivas. Ela envolveu a aceitação da importância do papel do Estado como instrumento de estabilização em momentos de turbulência. O aspecto negativo é que esse papel estabilizador é visto como necessário apenas em momentos de crise. Ou seja, creio que não se viabilizou ainda um consenso ancorado em forças sociais expressivas capazes de propor e implantar uma nova forma de regulação e de participação do Estado na vida econômica capaz de evitar a constituição de economias guiadas pela especulação.
Jornal da Unicamp: Qual é o papel dos Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – na retomada do crescimento mundial diante deste cenário?
Ricardo Carneiro: O que caracteriza esses países é uma certa capacidade – diferenciada entre eles – de resistir à crise. A China está muito melhor posicionada pelo seu grau de desenvolvimento produtivo, volume de reservas internacionais, perfil da política econômica etc. Seguem-se a Índia, o Brasil e a Rússia. De todo modo, devemos deixar de lado a ilusão de que esses países podem liderar um novo ciclo de crescimento mundial: eles não têm as pré-condições para fazê-lo, tais como tamanho, moeda, finanças, controle da tecnologia etc. Talvez, quem sabe, essa capacidade possa vir daqui a uns 20, 30 anos se esses países continuarem numa trajetória de crescimento acelerado.
Em certa medida, a crise evidenciou, internacionalmente, o bom desempenho da economia brasileira, já que o país foi um dos últimos a entrar e está sendo um dos primeiros a sair dela, segundo analistas. Que fatores podemos destacar da economia brasileira que contribuíram para o bom desempenho do país diante da crise, quando comparado a outras nações?
As ações do Brasil têm semelhanças e distinções com as dos demais países. Do ponto de vista macroeconômico, seguimos a orientação correta de realizar uma política anti-cíclica de razoável envergadura: reduzimos a taxa de juros para patamares civilizados – embora com algum atraso em relação aos demais países – e diminuímos o superávit primário em cerca de 2% do PIB.
Cometemos o pecado de deixar a nossa moeda se valorizar, o que nos custou algum dinamismo e pode custar ainda mais no futuro. De qualquer modo, nessa dimensão, o saldo foi positivo. O outro aspecto que merece ser enfatizado, e que é talvez o mais importante, refere-se à ação do Estado no plano mais estrutural. O Brasil – assim como a China, a Índia e a Rússia – possui importantes setores econômicos controlados pelo Estado. Assim foi possível evitar uma queda substancial no crédito por meio dos bancos públicos e assegurar um programa importante de investimentos na área de energia por meio da Petrobrás.
O PAC também tem constituído um importante instrumento de criação de expectativas favoráveis sobre o futuro. Em resumo, enfrentamos melhor a crise, saímos dela com uma perspectiva razoável de crescimento mas ainda é necessário deixar mais clara a estratégia de um crescimento de longo prazo num mundo marcado por fortes incertezas.

 

A desnacionalização das mentes e a CNI

 

BRIZOLA NETO

Ocorre um triste fenômeno com as elites brasileiras, uma espécie de ânsia em serem “cosmopolitas”, “modernas” e “antenadas” que, frequentemente, não conseguem senão fazer papel de tolas. Adotaram o discurso do neoliberalismo como papagaios que pronunciam frases que lhes são repetidas. Esse fenômeno não ocorre só nas elites intelectuais, mas em todas elas. O empresariado industrial deve estar imaginando o que deu na cabeça dos seus líderes na Confederação Nacional da Indústria.

Hoje, o jornal Valor Econômico publica uma reportagem anunciando que a CNI, depois de “desistir” de reverter a adoção do modelo de partilha (petróleo da União, concessionária leva um percentual) em lugar da concessão (petróleo da concessionária, União leva royalties) resolveu centrar sua pressão sobre o Congresso para impedir que a Petrobras seja a operadora única do pré-sal.

Vejam: a cúpula da indústria brasileira quer que a única indústria verdadeiramente brasileira de extração de petróleo ceda lugar às grandes indústrias mundiais de petróleo para explorar as jazidas brasileiras. Sob que argumento?  Porque a Petrobras não tem capacidade técnica ou capital para operar todos os campos? Não. Porque, com a competição com outras, a Petrobras será “mais eficiente”.

Eu pergunto uma coisa: o que é ser eficiente socialmente para uma empresa? É gerar lucro máximo, rápido? Ou é gerar trabalho, renda, progresso sustentável? Aquela conversa toda de responsabilidade social só vale para marketing e promoção?

Nossas empresas, infelizmente, estão sendo dirigidas por “gerentes”. Gente que pouco se dá com o que acontece no médio e longo prazos. Isso não lhes dá comissões. Ainda assim, são tolos. Acham que a Repsol, espanhola, ou a BG, inglesa, fazem questão de comprar aqui os seus insumos?

Vou publicar, para conhecimento de todos, a lista de encomendas pesadas da Petrobras nos próximos cinco anos. São apenas as “pesadas”, não incluem pequenos fornecimentos. São 157 bilhões de dólares. Dois terços disso serão comprados aqui. Isso dá 100 bilhões de dólares. Ou seja, 20 bilhões de dólares por ano.

Os líderes empresariais da indústria acham que empresas estrangeiras terão este compromisso de comprar aqui? Ou comprarão onde estiver mais barato - que eficiência! - não importa que isso seja na Tailândia? E as plataformas, os barcos de apoio, os rebocadores? Vocês lembram que falei aqui que um dos estaleiros sul-coreanos, sozinho, tem uma área maior que todos os estaleiros brasileiros somados?

Só para atender a estas encomendas, a Petrobras vai treinar, com bolsa de estudos, 243 mil pessoas. Isto é, 243 mil empregos, 243 mil famílias tendo renda, comprando no comércio brasileiro. Encomende-se na Coréia  - pode ser mais barato, até, e viva a eficiência - e você terá 243 mil pessoas sem perspectivas.

Estes senhores têm um problema sério. Eles não têm um país, não têm semelhantes, não tem iguais. São como os senhores de escravos. Não vêem que sua mesquinhez os torna odiosos.

São nada mais nada menos que provincianos. Nem mesmo entendem o que se passa com o mundo. Não vêem que os EUA lançaram o programa “Buy America” para que as empresas de lá comprem lá, gerem emprego e ajudem a superar a crise. Os europeus subsidiam seus produtores rurais. O Sarkozy vem vender aviões militares franceses. Os governos dos países que eles acham “o máximo” apoiam suas indústrias.

A nossa, aqui, sabe reclamar dos impostos. Sabe se queixar da “voracidade do Estado”. Mas entrega a rapadura ao primeiro gringo que lhes fala: “Oh, but this is inneficient! Look, the competition is the God!”

Nem eu, nem você somos empresários. Mas olhe a lista de encomendas da Petrobras aí ao lado e diga se você, como empresário, ia querer um cliente destes.
A nossa Confederação Nacional da Indústria parece que não quer.

Brizola Neto é deputado federal pelo PDT/RJ. O artigo foi publicado no Tijolaço, blog do deputado, sob o título “A desnacionalização e as mentes”.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Pittsburg marca o fim do restrito


G8 nas deliberações econômicas

EUA ainda tentou manter o monitoramento das economias através do FMI, mas a proposta foi rejeitada pelo Brasil, China e Alemanha

O G8 já era: a cúpula de Pittsburg consagrou o G20, que reúne os países centrais e os principais países emergentes, como o principal centro de deliberações sobre a economia mundial, e sobre o enfrentamento da maior crise desde a Depressão de 1930. Como afirmou o comunicado final da cúpula, “Nós designamos o G20 para ser o principal fórum da nossa cooperação internacional”.

A mudança foi assim registrada pela revista inglesa “The Economist”, porta-voz da City londrina. “Uma espécie de reequilíbrio das instituições globais para melhor refletir as realidades econômicas de hoje. De agora em diante, o G20 substituirá o G8, estreito e dominado pelo Ocidente, como fórum primário econômico global, dando àqueles como China, Índia e Brasil um assento permanente à mesa” (a Rússia já participava do G8 desde Ieltsin). Ou seja, trata-se da formalização de uma nova correlação de forças no terreno econômico, que reflete o peso que a China – que já é a terceira ou segunda maior economia do planeta, dependendo de como é calculado o PIB -, a Índia, Brasil, Rússia, África do Sul e outros países passaram a ter.

Essa “substituição na prática” do G8 – como na imagem sugerida pelo presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva – ainda não é a substituição do sistema imposto em Bretton Woods, mas já é um largo passo para o questionamento do sistema que faliu, do dólar e da hegemonia dos monopólios norte-americanos. A propósito, o presidente do Banco Mundial, um norte-americano, Robert Zoellick, advertiu (veja matéria abaixo) que os EUA “não podem dar o dólar como garantido como moeda de reserva do mundo” e se acham sob ameaça da moeda chinesa e do euro.

ESTÍMULOS

Para vários dos países que agora fazem parte do G20, como no caso do Brasil, o “fórum” de que participaram em crises anteriores foi o comitê de bancos da dívida externa e as missões do FMI. Assim, é uma grande mudança. De acordo com a Declaração, “Nossos países concordam em fazer tudo que for necessário para garantir a recuperação, consertar nosso sistema financeiro e manter o fluxo global de capital”. Os signatários também concordaram em manter os estímulos à produção enquanto não seja atingida uma recuperação durável.

Mas nas entrelinhas perpassam várias divergências sobre como resolver a crise, e quanto a que ponto da crise está. A proposta dos EUA para “coordenação econômica” debaixo do FMI com poderes alargados, isto é, o velho “monitora-mento”, revisto e ampliado, foi descartado pela China, Alemanha e Brasil, entre outros, e substituído por uma “revisão pelos pares”. Há diferenças também sobre onde centrar os esforços: enquanto a maior parte do pacote de Obama foi para o bailout dos bancos arrombados, a China dedicou quase US$ 800 bilhões para investimentos na infraestrutura, redire-cionou a economia para desenvolver o mercado interno e ampliou fortemente o crédito através dos bancos estatais.

MONOPÓLIOS

Quanto à questão chave da restauração da regulamentação sobre os monopólios financeiros, o G20 seguiu patinando: as normas somente estarão definidas no ano que vem, e só precisarão ser aplicadas dois anos depois, 2012. Assim, já que a crise eclodiu em 2008, os monopólios financeiros terão tido cinco anos para fazerem vista grossa – e a festa – em Wall Street. Anuncia-se que a regulamentação irá incluir limites mais rigorosos para a alavancagem, mas, enquanto isso, em Wall Street, e nas bolsas do mundo inteiro, a inundação de recursos públicos para os bancos tem permitido frenética especulação com ações, com alta desde o final de março em 35%, o que é apresentado como sintoma da retomada econômica, enquanto os números do desemprego só fazem se agravar. Nos EUA, o desemprego “cheio” já ultrapassou os 16%. A declaração de Pittsburgh também propôs restringir bônus e remuneração dos banqueiros e executivos, embora sem atender à Alemanha e França que queriam limites expressos do tipo proporção da receita ou do capital.

Foi criado ainda, como auxiliar do BIS, espécie de banco central dos bancos centrais, o Conselho de Estabilidade Financeira. Na cúpula, também ficou acertado a ampliação das cotas dos países emergentes no FMI e Banco Mundial. Participaram do G20 a África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, EUA, França, Rússia, México, Etiópia, Tailândia, Turquia, União Européia, Espanha, Inglaterra, Japão, Índia, Indonésia, Canadá, Itália, Holanda e Suécia.                                   

ANTONIO PIMENTA

Hora do Povo

terça-feira, setembro 29, 2009

Jazidas do pré-sal bem maiores

 

By: Diário Gauche

RS também está contemplado com óleo na plataforma de Pelotas

Neste último fim de semana conversei com um engenheiro da Petrobras. Ele fez uma revelação surpreendente, sobre as jazidas do pré-sal brasileiro.

Segundo essa fonte confiável, a província petrolífera do pré-sal é muito maior do que já foi anunciado oficialmente pela estatal de energia. Ele assegura que o limite sul do óleo é a bacia do Prata, na altura de Punta del Este, e o limite norte é o Suriname, havendo um intervalo de vazio petrolífero entre Alagoas e Pernambuco/Rio Grande do Norte (leste), mais ou menos (ver a ilustração acima).

Ainda não houve a divulgação do fato porque a Petrobras obedece às políticas estratégicas do Palácio do Planalto, mas sobretudo para evitar intercorrências indevidas da ANP, que segundo ele, tem tido uma postura "muito entreguista e preocupante para os interesses nacionais".

A se confirmar essa informação, o Brasil se alça a uma condição invejável na geopolítica mundial do século 21, mesmo que à custa de energia fóssil e não-renovável.

POSTADO POR ZCARLOS ÀS 2:49:00 PM

http://contextolivre.blogspot.com/2009/09/jazida-do-pre-sal-e-muito-maior.html

 

 

Se for isso estamos feitos!!!!!

A QUEM INTERESSA DERROTAR O BRASIL?

 

Atualizado em 29 de setembro de 2009 às 13:47 | Publicado em 29 de setembro de 2009 às 11:23

O protagonismo do Brasil em Honduras modifica sua tradição

Reorientação do Itamaraty. Além de liderar a Unasul, o presidente Lula projeta seu país como protagonista crucial da crise centro-americana
Por Jorge Castro, no diário argentino El Clarin

O original está aqui 

A decisão do governo do Brasil de abrir sua embaixada em Tegucigalpa para o derrubado presidente Manuel Zelaya a utilize em seu retorno como posto de ação é sem dúvida um acontecimento maior -- tão importante quanto o regresso do mandatário hondurenho -- que modifica uma das políticas fundamentais do Itamaraty nos últimos cem anos.
Essa política, estabelecida pelo barão de Rio Branco (1902-1912) ao largo de quatro mandatos sucessivos (Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca) e continuada durante os cem anos posteriores, com governos de distinta orientação política e ideológica, estabelecia que, na América Central e no Caribe, o Brasil reconhecia a primazia dos Estados Unidos na resolução diplomática ou pela força das crises e conflitos na região. Rio Branco transferiu o eixo da política externa brasileira de Londres a Washington; e Joaquim Nabuco, primeiro embaixador brasileiro na capital norte-americana, foi o executor dessa mudança estratégica primordial, que decidiu a inserção do Brasil no mundo.

Rio Branco foi o primeiro estadista sul-americano que compreendeu que o triunfo dos Estados Unidos na guerra de Cuba (1898) e sua posterior e decisiva mediação no Extremo Oriente, que pôs fim à guerra da Manchúria entre Rússia e Japão (1905), convertia a nação americana em uma potência global e modificava, ao mesmo tempo e para sempre, o sistema de poder internacional, que adquiria uma escala irreversivelmente mundial.
Assim, a "aliança não escrita" com os Estados Unidos se converteu na viga central da política externa do Brasil; e Rio Branco incorporou a potência norte-americana no equilíbrio de poder da América do Sul, com o objetivo -- que conquistou -- de somá-la à disputa com a Argentina pela supremacia sul-americana.
Rio Branco deu respaldo ao "corolário Roosevelt" à Doutrina Monroe, pelo qual o mandatário norte-americano Theodore Roosevelt (1901-09) legitimou a utilização do poder militar (fuzileiros navais americanos) para restabelecer a ordem ou derrubar governos não confiáveis na América Central e no Caribe. Este é o antecedente direto do reconhecimento da primazia norte-americana na América Central e no Caribe, que tem sido uma constante da política externa brasileira até segunda-feira desta semana.
A "aliança não escrita" com os Estados Unidos alcançou um segundo momento de apogeu com Getúlio Vargas, durante o governo de Franklin Delano Roosevelt (1933-45), com a instalação no Nordeste de três bases militares norte-americanas (Belém, Natal e Recife), a declaração de guerra ao Eixo (31 de agosto de 1942) e o envio de um contingente militar para combater na Europa (Força Expedicionária Brasileira), como parte do Quinto Exército estadunidense.
A política exterior do Itamaraty -- desde Fernando Henrique Cardoso a Lula -- tem como prioridade readquirir relevância internacional e resulta numa estratégia de aproximação indireta ao poder mundial (Estados Unidos-G7), fundada na construção na América do Sul de uma plataforma de projeção ao mundo. Neste período, a premissa dessa política exterior tem sido que, na América Latina, há uma fratura profunda entre a América Latina do Norte e a do Sul. Por isso a política impulsionou a criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).
Agora o Brasil saiu do Sul e se tornou um protagonista fundamental da principal crise da América Latina do Norte. Está no centro dos acontecimentos em Honduras. Não atua de forma compartilhada ou multilateral, mas individualmente, como grande potência.
É uma novidade histórica. O Brasil é hoje a representação da comunidade internacional em uma crise que se aprofunda, se polariza e se amplia.

 

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-quem-interessa-derrotar-o-brasil/