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Quarta-feira, Julho 08, 2009

83% dos aposentados recebem menos que o mínimo em Portugal

 

Em Portugal os aposentados e pensionistas estão vivendo na miséria. Seus vencimentos, como o rabo do cavalo, crescem para baixo, como quer o governo do primeiro-ministro Sócrates do PS que aprovou na Assembléia da República em 2006 uma lei que impede que o valor das aposentarias aumentem.

83% do total dos aposentados recebem menos que um salário mínimo nacional por mês, que por sinal é um dos mais baixos da Europa – 450 euros. Na Espanha o salário mínimo chega a 600 euros, na França 1.321 euros, na Bélgica 1.412 euros, na Holanda 1.335 euros e em Luxemburgo (o maior mínimo da Europa) 1570 euros. Até a Eslovênia com um salário mínimo de 566 euros tem um mínimo melhor que o de Portugal.

Nos últimos 4 anos do governo social democrata do PS de Sócrates, a situação dos aposentados em Portugal em nada melhorou. Com a legislação vigente a tendência é que a coisa fique ainda pior para esses trabalhadores idosos, num país cuja população idosa é grande e está cada vez mais desprotegida.

O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social informou que de 2007 para 2008 o valor da pensão média de 1milhão 994 mil e 661 aposentados teve um aumento de apenas 8 euros e 75 centavos.

De 2008 para 2009 a média das pensões de 1 milhão 560 mil 989 aposentados (portanto de 78 em cada 100) não passou de 330 euros. Quase a totalidade da população de trabalhadores aposentados no país, pouco mais de 2 milhões e 100 mil pessoas vive na miséria.

A lei 53-B/2006, defendida pelo Ministro Sócrates, prejudicou muito os aposentados portugueses. Ela impôs para os anos de 2008 e 2009 uma redução do poder de compra e no valor real das pensões. Segundo o economista português Eugênio Rosa, “mesmo que a taxa de inflação fique em 2,5% [como é a previsão do governo para 2009] o aposentado que recebe até 628 euros perderá 0,1% em seus vencimentos”. Pelo cálculo imposto por essa lei, que o governo chama de “fórmula de atualização” o aposentado que está na menor faixa (de até 330 euros) terá um aumento de 6 euros e vinte e cinco centavos e continuará recebendo menos que um salário mínimo nacional.

O governo em 2007 açambarcou 28 milhões de euros retirados das pensões de 40 mil aposentados, com base na lei aprovada em 2006. Depois de grande batalha dos sindicatos, dos representantes dos aposentados e de políticos de partidos progressistas como o PCP, o artigo 51 da lei orçamentária de 2009 corrigiu essa distorção, mas sem efeito retroativo, passando a valer apenas a partir de 1 de janeiro de 2009. O governo do PS não aceitou a proposta de devolução do dinheiro tomado dos aposentados pelo governo em 2007 e 2008, apesar do saldo da Segurança Social ser positivo em quase 2 bilhões de euros, dinheiro que está sendo utilizado para tapar buracos do orçamento desse ano.

O governo decidiu ainda reduzir em relação ao ano de 2008, 11,3% dos recursos orçamentários para o apoio aos desempregados em 2009, recursos que em 2008 já foram 9,6% menores que em 2007.

Com base nesses cálculos apresentados pelo Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, mesmo com os pequeninos aumentos para a faixa de menor valor dos recebimentos os aposentados terão nesse ano pensões menores do que as que tinham em 2007.

A CGTP – Central Geral dos Trabalhadores Portugueses posicionou-se contra essa lei já em 2006 e desde de então vem mobilizando os sindicatos e a sociedade para reverter a situação a favor dos aposentados. Em resposta o governo do PS aprovou uma proposta de abono de combate à pobreza argumentando que “assim não seria permitido que nenhum aposentado vivesse com menos de 330 euros”. Mas isso não aconteceu. Os critérios definidos para a obtenção do abono permitiu que apenas um número reduzido de trabalhadores recebesse o benefício e a grande maioria dos aposentados do país continua a receber menos que o salário mínimo de 450 euros. Desses, a maior parte com menos de 330 euros “o que os obriga a viver numa situação de extrema dificuldade”, denunciou a CGTP.

Os trabalhadores aposentados que tiveram seus proventos reduzidos a partir de 2006 até janeiro de 2209 continuam a reivindicar a reposição dos valores confiscados, através da retroatividade do artigo 51 da lei orçamentária de 2009, artigo que reconheceu a incorreção na redução dos proventos dos aposentados.              

R.C.

 

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Paul Craig liga distúrbios a plano da CIA para desestabilizar o Irã

 

Para o ex-secretário-adjunto do Tesouro de Reagan, há nos protestos de rua em Teerã “muitos sinais evidentes que são como marca registrada da CIA, já  observados na Geórgia e Ucrânia. É preciso ser completamente cego para não vê-los agora no Irã”

“Vários comentaristas têm manifestado crença inabalável na pureza de intenções de Mousavi e da juventude ocidentalizada de Teerã. É como se o plano da CIA, de desestabilização, noticiado há dois anos, nada tivesse a ver com o desenrolar dos eventos de hoje”, questiona Paul Craig Roberts, que exerceu o cargo de secretário-adjunto do Tesouro dos EUA durante o governo Reagan.

“Tem-se repetido”, destaca Paul Craig, “que Ahmadinejad roubou votos, porque o resultado foi apresentado depressa demais, em tempo que teria sido insuficiente para que os votos fossem contados”. “Mas, de fato”, esclarece, “Mousavi foi o primeiro a declarar vitória, apenas algumas horas depois de encerrada a votação. É procedimento ‘clássico’ da CIA, para desacreditar resultados eleitorais que não sejam os ‘desejados’. A CIA sempre apressa a declaração de vitória. Quanto mais tempo houvesse entre uma declaração ‘preventiva’ de vitória e a liberação das tabelas oficiais de votos apurados, mais tempo Mousavi teria para criar a impressão de que as autoridades eleitorais, responsáveis pelas eleições, estariam alterando as tabelas de apuração”.

Paul Craig lista fatos e declarações que comprovam a participação da CIA no fomento dos atuais distúrbios para colher a desestabilização do Irã e ajudar Mousavi a ganhar no grito, mesmo havendo perdido por uma diferença de 11 milhões de votos para o candidato Ahmadinejad.

APROVAÇÃO SECRETA

Craig relata que no dia 23/5/2007, Brian Ross e Richard Esposito noticiaram no canal ABC News: “A CIA recebeu aprovação secreta da Casa Branca para montar uma operação ‘negra’ para desestabilizar o governo iraniano, informaram à rede ABC News oficiais da ativa e da reserva da comunidade de inteligência”. No dia 27/5/2007, o jornal London Telegraph, citando outras fontes, noticiou: “O presidente Bush assinou hoje autorização para que a CIA construa campanha de propaganda e desinformação com vista a desestabilizar, e eventualmente destituir, o governo teocrático dos mulás.”

“Alguns dias antes”, diz ainda Craig, em seu artigo publicado no site Counterpunch, “o Telegraph noticiara, que um dos neoconservadores e senhores-da-guerra do governo Bush, John Bolton, declarara que um ataque militar dos EUA ao Irã ‘seria a última opção, caso não dessem resultado nem as sanções econômicas nem as tentativas para fomentar agitação de rua e levante da população nas cidades [grifo nosso]’”.

ESCALADA

Craig lembra ainda que “no dia 29/6/2008, Seymour Hersh escreveu, na revista New Yorker: “No final do ano passado, o Congresso aprovou pedido do presidente Bush para liberar verbas para uma grande escalada nas operações secretas de inteligência contra o Irã, conforme informam fontes militares, do serviço secreto e do Congresso. Essas operações, para as quais o presidente Bush solicitou 400 milhões de dólares, foram apresentadas em documento assinado por Bush e visam a desestabilizar o governo religioso do Irã.”

SINAIS

“Parece evidente que há manifestantes sinceros nos protestos de rua em Teerã. Mas há também muito sinais evidentes que são como marca registrada da CIA, já observados na Geórgia e na Ucrânia. É preciso ser completamente cego para não os ver em Teerã”, diz o ex-secretário de Reagan.

Daniel McAdams (British Human Rights Group) destacou que o neoconservador Kenneth Timmerman escreveu um dia antes das eleições, que “fala-se de uma ‘revolução verde’ em Teerã”. Como Timmerman poderia saber de uma ‘revolução’ que só começaria dois dias depois? A única explicação é que conhecia os planos da CIA.
“E por que haveria uma ‘revolução verde’ já preparada desde antes das eleições... sobretudo se Mousavi estivesse certo de que seria ‘eleito?’”, reflete Paul Craig.

É também Timmerman que cita a atuação de ONGs como a National Endowment for Democracy, que, segundo a escritora Eva Golinger, teve papel decisivo no financiamento dos golpistas na Venezuela, cujo complô o povo derrotou. “National Endowment for Democracy”, afirma Timmerman, “gastou milhões de dólares na promoção de revoluções ‘coloridas’ (...). Parte desse dinheiro parece ter chegado às mãos dos grupos pró-Mousavi, que têm laços com organizações não-governamentais fora do Irã financiadas pela [ONG] National Endowment for Democracy.”

NATHANIEL BRAIA - http://www.horadopovo.com.br/

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Desdolarização: o desmantelamento do império financeiro-militar dos EUA

 

Além de evitar o financiamento tanto da compra da sua própria indústria pelos EUA como do cerco norte-americano ao globo, a China, a Rússia e outros países gostariam sem dúvida de obter a mesma espécie de “almoço gratuito” que a América tem obtido. Tal como a questão se lhes apresenta, veem os Estados Unidos como um país fora da lei, tanto financeira quanto militarmente. Como caracterizar de outra maneira um país que mantém um conjunto de leis para os outros – sobre guerra, reembolso de dívida e tratamento de prisioneiros – mas ignora-as em relação a si próprio?

MICHAEL HUDSON*

Aquilo que pode vir a demonstrar-se como os ritos finais da hegemonia americana começou em abril na conferência do G-20 e tornou-se ainda mais explícito no Fórum Econômico Internacional de S. Petersburgo, quando o sr. Medvedev apelou à China, Rússia e Índia para “construírem uma ordem mundial cada vez mais multipolar”. O que isto significa em bom inglês é: nós atingimos o nosso limite no subsídio ao cerco militar da Eurásia pelos Estados Unidos, enquanto permitimos também que os EUA se apropriem das nossas exportações, companhias, ações e patrimônio em troca de papel-dinheiro de valor discutível.

“O sistema unipolar mantido artificialmente”, esclareceu o sr. Medvedev, “está baseado sobre um grande centro de consumo, financiado por déficits crescentes, e, portanto, dívidas crescentes, uma moeda de reserva anteriormente forte, e um sistema dominante de avaliação de ativos e riscos”.

O ponto de impasse é a capacidade dos EUA de imprimirem ilimitadas quantidades de dólares. Os super-gastos dos consumidores americanos com importações que excedem as exportações, as compras americanas de companhias e patrimônio estrangeiro, e os dólares que o Pentágono gasta no exterior, acabam todos em bancos centrais estrangeiros. Estas agências enfrentam então uma escolha difícil: ou reciclar estes dólares de volta aos Estados Unidos através da compra de títulos do Tesouro dos EUA, ou deixar a força do “livre mercado” aumentar o valor relativo da sua moeda em relação ao dólar – com isso aumentando o preço de suas exportações, colocando-as fora dos mercados mundiais e, portanto, criando desemprego interno e insolvência nos negócios.

Quando a China e outros países reciclam as suas entradas de dólares comprando títulos do Tesouro dos EUA para “investir” nos Estados Unidos, esta acumulação não é realmente voluntária. Ela não reflete a fé na economia dos EUA, ou o enriquecimento de bancos centrais estrangeiros através das suas poupanças, ou qualquer preferência de investimento calculado, mas simplesmente uma falta de alternativas. “Livres mercados” ao estilo-USA penduram países num sistema que os força a aceitar dólares sem limites. Agora eles querem sair.

Isto significa criar uma nova alternativa. Ao invés de fazer simplesmente “mudanças cosméticas, como alguns países, e talvez como as próprias organizações financeiras internacionais desejam”, concluiu o sr. Medvedev no discurso de S. Petersburgo, “o que precisamos são instituições financeiras de um tipo completamente novo, em que questões e motivos políticos, e países em particular, não dominarão”.

Quando os gastos militares no estrangeiro forçaram a balança de pagamentos dos EUA ao déficit e levaram os Estados Unidos ao abandono do ouro, em 1971, os bancos centrais ficaram sem o ativo tradicional utilizado para regular desequilíbrios de pagamentos. A alternativa, na falta de outra, era investir as suas subsequentes entradas de pagamentos em títulos do Tesouro dos EUA, como se estes ainda fossem “tão bons quanto ouro”. Os bancos centrais agora possuem US$ 4 trilhões desses títulos nas suas reservas internacionais – o aterrissamento desses empréstimos financiou a maior parte dos déficits do orçamento interno do governo dos EUA durante mais de três décadas! Uma vez que cerca da metade dos gastos discricionários do governo dos EUA é com operações militares – incluindo mais de 750 bases militares no estrangeiro e operações cada vez mais dispendiosas nos países produtores de petróleo e nas vias de acesso ao mesmo – o sistema financeiro internacional está organizado de um modo que financia o Pentágono, assim como as compras americanas de ativos estrangeiros, que se espera renderem muito mais do que os títulos do Tesouro possuídos pelos bancos centrais estrangeiros.

A principal questão política enfrentada pelos bancos centrais do mundo é, portanto, como evitar acrescentar ainda mais dólares às suas reservas e, portanto, financiar ainda mais o gasto deficitário dos EUA – incluindo a despesa militar junto às suas fronteiras.

Em primeiro lugar, os seis países da SCO [Organização de Cooperação de Shangai, que reúne Rússia, China, Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão e Uzbequistão] e os países BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China] pretendem usar suas próprias moedas no comércio, de modo a obterem o benefício do crédito mútuo que os Estados Unidos até agora monopolizaram para si próprios. Tendo em vista este objetivo, a China selou acordos bilaterais com a Argentina e o Brasil no sentido de fazer o seu comércio em renminbi ao invés do dólar, da libra esterlina ou dos euros, e duas semanas atrás a China alcançou um acordo com a Malásia no sentido de fazer o comércio entre os dois países em renminbi. O antigo primeiro-ministro, Dr. Mahathir Mohamad, explicou-me em janeiro que, como país muçulmano, a Malásia quer evitar fazer qualquer coisa que facilite a ação militar dos EUA contra países islâmicos, incluindo a Palestina. O país já tem demasiados ativos em dólares, explicaram os seus colegas. O governador do banco central Zhou Xiaochuan, do Banco do Povo da China, redigiu uma declaração oficial no seu site da Internet, segundo a qual o objetivo agora é criar uma moeda de reserva “que seja desconectada de países individuais”. Este é o objetivo das discussões em Yekaterinburg.

Além de evitar o financiamento tanto da compra da sua própria indústria pelos EUA como do cerco norte-americano ao globo, a China, a Rússia e outros países gostariam sem dúvida de obter a mesma espécie de “almoço gratuito” que a América tem obtido. Tal como a questão se lhes apresenta, veem os Estados Unidos como um país fora da lei, tanto financeira quanto militarmente. Como caracterizar de outra maneira um país que mantém um conjunto de leis para os outros – sobre guerra, reembolso de dívida e tratamento de prisioneiros – mas ignora-as em relação a si próprio? Os Estados Unidos são agora o maior devedor do mundo, mas tem evitado o sofrimento dos “ajustes estruturais” impostos a outras economias devedoras. As reduções de taxas de juros e fiscais em face dos déficits comerciais e orçamentários em explosão são vistas como o cúmulo da hipocrisia, considerando os programas de austeridade a que Washington força outros países, através do FMI e outros dos seus veículos.

Os Estados Unidos dizem às economias devedoras para liquidarem as suas empresas públicas e os seus recursos naturais, elevarem as suas taxas de juros e aumentarem os impostos enquanto arruínam as suas redes de segurança social a fim de espremer dinheiro para pagar aos credores. E, internamente, o Congresso proibiu a CNOOK, da China, de comprar a Unocal com o argumento da segurança nacional, assim como proibiu Dubai de comprar portos e outros fundos de riqueza soberana de comprarem infraestruturas chave. Os estrangeiros são convidados a emularem a compra japonesa de troféus tipo elefantes brancos, tal como o Rockefeller Center, no qual os investidores perderam rapidamente um bilhão de dólares e acabaram por se afastar.

Quanto a isto, os EUA não deram realmente à China, e a outros países com excedentes de pagamentos, grande alternativa exceto descobrir um meio de evitar nova acumulação de dólares. Até à data, as tentativas da China de diversificar os seus haveres em dólares para além dos títulos do Tesouro não tiveram muito êxito. Para começar, Hank Paulson, da Goldman Sachs, dirigiu o seu banco central para os títulos de rendimento mais alto da Fannie Mae e do Freddie Mac, explicando-lhes que estes eram de fato obrigações públicas. Ambos entraram em colapso em 2008, mas pelo menos o governo dos EUA tomou posse destas duas agências de empréstimos hipotecários, acrescentando formalmente os seus US$ 5,2 trilhões em obrigações à dívida nacional. De fato, foi em grande parte o investimento oficial estrangeiro que estimulou o salvamento. Impor uma perda a agências oficiais estrangeiras teria rompido de imediato o padrão-título do Tesouro, não só por destruir totalmente a credibilidade dos EUA, como também porque, simplesmente, há muito poucos títulos do governo para absorverem a inundação de dólares na economia mundial devida à elevação dos déficits da balança de pagamentos norte-americana.

Procurando uma posição de equilíbrio para proteger o valor dos seus haveres em dólares quando a bolha do crédito do Federal Reserve levou ao rebaixamento das taxas de juro, os fundos de riqueza soberana da China procuraram diversificar a partir do fim de 2007. A China comprou participações no bem entrelaçado fundo de ações Blackstone e no Morgan Stanley, em Wall Street, no Standard Bank, do Barclays, na África do Sul (antes filiado ao Chase Manhattan, no tempo do apartheid) e no conglomerado financeiro belga Fortis, que entrou logo em colapso. Mas o setor financeiro dos EUA estava entrando em colapso sob o peso da sua dívida piramidal e os preços das ações de bancos e firmas de investimento afundaram em todo o mundo.

Os estrangeiros veem o FMI, o Banco Mundial e a Organização Internacional de Comércio como emanações de Washington num sistema financeiro apoiado em bases militares e porta-aviões americanos que envolvem todo o globo. Mas esta dominação militar é um vestígio de um império americano que já não é mais capaz de dominar pela força econômica. O poder militar norte-americano é músculo em excesso, baseado mais no armamento atômico e ataques aéreos à longa distância do que sobre operações no terreno, as quais politicamente tornaram-se demasiado impopulares para serem montadas em grande escala.

Na frente econômica, não há meio previsível pelo qual os Estados Unidos possam descarregar os US$ 4 trilhões que devem a governos estrangeiros, aos seus bancos centrais e aos fundos de riqueza soberana estabelecidos para dar destino à inundação global de dólares. A América tornou-se uma caloteira – e na verdade, uma caloteira militarmente agressiva, pois procura manter-se como a potência única que, através de meios econômicos, chegou a ser. O problema é como restringir o seu comportamento. Yu Yongding, um antigo conselheiro do banco central chinês, agora na Academia de Ciências da China, sugeriu que o secretário do Tesouro, Tim Geithner, fosse avisado de que os Estados Unidos deveriam “salvar-se” antes e acima de tudo pela redução do seu orçamento militar. “O imposto de renda dos EUA provavelmente não aumentará no curto prazo devido ao baixo crescimento econômico, a despesas inflexíveis e ao custo de ‘combater duas guerras’ “.

Atualmente são as poupanças estrangeiras, não as dos americanos, que estão financiando o déficit orçamentário dos EUA, através da compra da maior parte dos títulos do Tesouro. O efeito é tributação sem representação para os eleitores estrangeiros, pois não podem dizer ao governo dos EUA como utilizar as suas poupanças forçadas. Portanto, é necessário aos diplomatas financeiros que ampliem o âmbito das suas decisões políticas para além do setor do mercado privado. As taxas de câmbio são determinadas por muitos fatores além de “cartões de crédito detidos pelos consumidores”, o eufemismo habitual que a mídia dos EUA menciona para o déficit da balança de pagamentos. Desde o século XIII, a guerra tem sido um fator dominante na balança de pagamentos dos principais países – e de suas dívidas nacionais. O financiamento de governos através de títulos faz-se sobretudo para dívidas de guerra, pois em tempos de paz normais os orçamentos tendem a ser equilibrados. Isto liga o orçamento de guerra diretamente à balança de pagamentos e às taxas de câmbio.

Os países estrangeiros veem-se presos a títulos de dívida impagáveis – sob condições em que, se se movimentassem para travar o almoço gratuito dos EUA, o dólar afundaria e os seus haveres em dólares cairiam de valor em relação às suas próprias moedas internas e outras divisas. Se a moeda da China se elevasse em 10% em relação ao dólar, o seu banco central teria o equivalente a uma perda de US$ 200 milhões nos seus haveres de US$ 2 trilhões, quando convertidos em yuan. Isto explica porque, quando agências de classificação de títulos falam acerca da perda da classificação AAA para os títulos do Tesouro dos EUA, elas não querem dizer que o governo não possa simplesmente imprimir os dólares de papel para “tornar bons” estes títulos. Querem dizer que os dólares se depreciarão em seu valor internacional. E isso é exatamente o que está se verificando agora. Quando o sr. Geithner fez uma cara séria e disse numa sessão na Universidade de Pequim, no princípio de junho, que acreditava num “dólar forte” e que, portanto, os investimentos da China nos EUA eram seguros e saudáveis, a reação foram risadas sarcásticas.

A previsão de uma elevação da taxa de câmbio da China dá um incentivo aos especuladores para procurarem tomar emprestado em dólares a fim de comprar renminbi e se beneficiarem com a valorização. Para a China, o problema é que este influxo especulativo tornar-se-ia uma profecia auto-cumprida ao forçar a alta da sua divisa. Assim, o problema das reservas internacionais está inerentemente ligado ao do controle de capitais. Por que a China deveria ver as suas companhias mais lucrativas serem vendidas por dólares criados livremente, os quais o banco central deve utilizar para comprar títulos do Tesouro dos EUA, de baixo rendimento, ou perder ainda mais dinheiro em Wall Street?

Para evitar esse dilema é necessário inverter a filosofia dos mercados de capital abertos que o mundo tem adotado desde Bretton Woods, em 1944. Por ocasião da visita do sr. Geithner à China, “Zhou Xiaochuan, ministro do Banco Popular da China, o banco central do país, disse enfaticamente que esta era a primeira vez, desde as conversações semestrais principiadas em 2006, que a China precisava aprender tanto com os erros americanos como com os seus êxitos” no que concerne à desregulamentação de mercados de capital e desmantelamento de controles.

Uma era está, portanto, chegando ao fim. Face ao contínuo super gasto dos EUA, a desdolarização ameaça forçar os países a retornarem à espécie de taxas de câmbio duais que eram comuns entre a I e a II Guerras Mundiais: uma taxa de câmbio para o comércio de mercadorias e outra para movimentos de capital e investimentos, pelo menos das economias da área do dólar.

Mesmo sem controles de capital, os países que se reúnem em Yekaterinburg estão dando passos para evitar serem os receptores relutantes de ainda mais dólares. Ao verem que a hegemonia global dos EUA não pode continuar sem os gastos de poder que eles próprios fornecem, os governos estão tentando acelerar o que Chalmers Johnson denominou “as aflições do império” no seu livro com o mesmo nome (“The Sorrows of Empire”). Se a China, a Rússia, e seus aliados não alinhados, prosseguirem o seu caminho, os Estados Unidos já não viverão mais das poupanças dos outros (na forma dos seus próprios dólares reciclados) nem terão o dinheiro para as suas despesas e aventuras militares ilimitadas.

Autoridades americanas quiseram comparecer como observadores à reunião de Yekaterinburg. Disseram-lhes Não. É uma palavra que os americanos ouvirão muito no futuro.

* É ex-economista de Wall Street especializado em balanço de pagamentos e bens imobiliários no Chase Manhattan Bank (agora JPMorgan Chase & Co.), Artur Anderson e, depois, no Hudson Institute. Em 1990 colaborou no estabelecimento do primeiro fundo soberano de dívida do mundo para Scudder Stevens & Clark. Hudson foi assessor econômico chefe de Dennis Kucinich na campanha primária presidencial democrata e assessorou os governos dos EUA, Canadá, México e Letônia, assim como o Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa. Destacado professor e pesquisador na Universidade de Missouri, na cidade de Kansas, é autor de numerosos livros, entre eles “Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire”.

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Quem é quem na política iraniana

 

M.K. BHADRAKUMAR*

“A oposição cenográfica dos habitantes dos bairros ricos de Teerã cumpriu o papel de acrescentar cor, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi. Tido com reformador e progressista, Mousavi jamais foi nem uma coisa nem outra”, diz o indiano M.K. Bhadrakumar

A política iraniana nunca é fácil de decifrar. A agitação criada em torno do resultado das eleições presidenciais da 6ª-feira passada intrigou muitos dos sempre presentes jornalistas e analistas autoproclamados decifradores bem informados dos códigos políticos iranianos. Tanto se escreveu sobre tantas pistas falsas que, hoje, já ninguém parece saber quem é quem na disputa política no Irã, e o que mais interessa a cada um.

O grande vitorioso foi o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei; esse, sim, alcançou vitória retumbante. A ‘eminência parda’ da política iraniana, Akbar Hashemi Rafsanjani, é o perdedor, obrigado agora a lidar com os efeitos de uma acachapante derrota.
Resta saber se, afinal, estará caindo a cortina, depois de encerrado o último ato da tumultuada carreira do “Tubarão” –, apelido que ‘colou’ em Rafsanjani, desde o tempo em que nadava no poço sem fundo de intrigas que é o Parlamento ( Majlis) iraniano. Naquele poço, Rafasanjani acostumou-se a nadar sem qualquer restrição, como predador político e como deputado porta-voz da Revolução Iraniana, desde os primeiros dias.

Com a enormíssima porcentagem de 64% dos votos, o presidente Mahmud Ahmedinejad venceu as eleições em 2009. E é difícil resistir à tentação de escrever que, como a grande baleia de Herman Melville em Moby Dick – a força, a fúria, a premeditação e a maldade –, Rafsanjani foi profundamente ferido pelo arpão eleitoral; e resta-lhe agora afundar, o mais silenciosamente possível, rumo ao esquecimento, no oceano da política iraniana. Isso, é claro, se a política iraniana fosse facilmente previsível; mas não é.

O governo do presidente Barack Obama nos EUA parece ter conseguido adivinhar o que viria, ou interpretou corretamente o significado alegórico da eleição iraniana; seja como for, antecipou-se ao terremoto que viria, desencadeado pelo vingancismo de Rafsanjani-Mousavi; e fez o melhor que havia a ser feito: manteve-se à distância, cuidadosamente afastado das eleições iranianas, resultados, protestos. Começa agora a parte mais difícil, para Obama: seduzir o Conselho dos Anciãos que Khamenei preside como monarca quase absoluto.

Primeiro, um ‘abecedário’ das eleições.

Quem é Mir Hossein Mousavi, principal adversário que Ahmedinejad derrotou nas eleições? É um enigma, travestido em mistérios. Impressionou a juventude e as classes médias urbanas como reformador e progressista. Jamais foi nem uma coisa nem outra.

Como primeiro-ministro iraniano, de 1981 a 1989, Mousavi jamais passou de político linha-dura, sem qualquer refinamento político. Estranhamente, a campanha eleitoral caríssima e over high-tech pôs em circulação outro Mousavi, que ninguém jamais vira antes, no Irã: como se o personagem tivesse sido desmontado peça a peça e, depois, se tivesse remontado, ele mesmo, para outras finalidades operacionais.

Para avaliar a mudança, basta ler as declarações de Mousavi, em 1981, depois da ‘crise dos reféns’ (como ficou conhecido o cerco de 444 dias à embaixada norte-americana em Teerã, quando estudantes, da jovem guarda revolucionária iraniana mantiveram presos, no prédio da embaixada, os diplomatas norte-americanos): “Foi o começo do segundo estágio da revolução islâmica. Depois da tomada da embaixada dos EUA descobrimos nossa verdadeira identidade islâmica. Depois daquela ação, sentimos que podíamos enfrentar cara à cara a política ocidental e analisá-la com a frieza com que o ocidente sempre nos analisou e avaliou ao longo de muitos anos.”

Há quem diga que Mousavi também participou da organização e criação do Hizbollah no Líbano. Ali Akbar Mohtashami, mártir reverenciado pelo Hizbollah, foi ministro do Interior no governo de Mousavi nos anos 80. Mousavi também teve participação no ‘affair’ conhecido como “Irangate” em 1985. O caso conhecido como “Irangate” foi negócio costurado pelo governo Ronald Reagan, no qual os EUA forneceriam armas ao Irã; em troca, Teerã trabalharia para obter que o Hizbollah liberasse os reféns presos em Beirute.

Ironia é que, naqueles idos dos anos 80s, Mousavi aparecia como perfeita antítese de Rafsanjani; aliás, o primeiro ato de Rafsanjani, quando afinal assumiu a presidência em 1989, foi demitir Mousavi. Rafsanjani não perderia nem um segundo de tempo, com os delírios “antiocidentais” de Mousavi, ou com suas manifestações de rejeição visceral ao ‘mercado’.

A plataforma eleitoral de Mousavi foi uma estranhíssima mistura de políticas contraditórias e interesses ocultados mas muito claramente dirigidos para uma única meta, como uma espécie de obscessão maníaca: retirar poderes da presidência da República, no Irã.

Por isso conseguiu reunir autoproclamados ‘reformistas’ que apoiavam o ex-presidente Mohammad Khatami, e, também as alas mais ultraconservadoras do regime. Rafsanjani é o único político iraniano capaz de reunir grupos tão completamente diferentes; e sempre trabalhou ao lado de Khatami para fazer diminuir os poderes da presidência da República.

Se se deixa de lado a ‘oposição’ cenográfica feita pelos habitantes dos bairros ricos de Teerã (“multidão Gucci”, como se disse em Teerã), que cumpriu o papel de acrescentar cor, maquiagem, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi, o núcleo duro de sua plataforma política foram poderosos interesses que, nessa eleição, fizeram sua derradeira tentativa para derrubar o regime liderado pelo Aiatolá Khamenei.

Por outro lado, esses grupos de interesse sempre se opuseram furiosamente às políticas econômicas implantadas durante a presidência de Ahmadinejad, políticas que ameaçaram o controle que aqueles grupos sempre tiveram sobre setores-chave da economia, como comércio internacional, educação privada, propriedade da terra e produção agrícola.

Para quem conheça melhor o Irã, basta dizer que a família (clânica) Rafsanjani é proprietária de vários impérios financeiros no Irã, empresas de exportação-importação, latifúndios e da maior rede de universidades privadas do país. O grupo, conhecido como “Azad” tem mais de 300 universidades espalhadas pelo Irã; não são unidades produtoras apenas de pensamento ‘privatista’, também chamado ‘neoliberal’; também serviram como importante instrumento de propaganda da candidatura Mousavi: no total, foram cerca de 3 milhões de estudantes ativistas anti-Ahmadinejad, organizados nas universidades da família Rafsanjani.

As universidades do grupo “Azad” e grupos associados foram a espinha dorsal da campanha de Mousavi nas províncias. A ideia geral foi mobilizar os estudantes das universidades do grupo “Azad” para levar a campanha até os mais pobres nas provínciais e ‘desmontar’ as bases consideradas chave para a reeleição do presidente Ahmadinejad.

Rafsanjani é político cujo estilo sempre o levou a construir redes extensas em praticamente todos os escalões da estrutura do poder, com especial atenção a corpos político-administrativos como o Conselho de Guardiães, o “Expediency Council”, os clérigos Qom, o Parlamento, os tribunais, a burocracia, o bazar e, até, com elementos infiltrados nos grupos mais próximos de Khamenei. Construídas suas redes, Rafsanjani põe-se a jogar com esses bolsões de influência.

O eixo Rafsanjani e Khatami foi a base da plataforma política de Mousavi, que reuniu reformistas e conservadores. Tudo estava preparado para levar a eleição para um segundo turno, dia 19/6, com o Irã, sim, já completamente dividido ao meio. A candidatura do ex-comandante do Corpo de Guardas Revolucionários Iranianos [ing. Iranian Revolutionary Guards Corps, IRGC] foi incluída na disputa para arrancar uma fatia de votos dos mais conservadores.

Esperava-se também que o programa “reformista” do quarto candidato, Mehdi Karrubi, contribuísse para arrancar votos de Ahmedinejad, mediante a propaganda de políticas econômicas de justiça social, como o programa imensamente popular de distribuição da renda do petróleo entre os cidadãos, em vez de esses lucros serem acrescentados diretamente no orçamento do governo.

O plano de Rafsanjani visava, de certo modo, a levar a eleição para fora da disputa eleitoral; esperava-se que Mousavi capitalizasse todos os votos ‘anti- Ahmedinejad’ – estimando-se que Ahmedinejad teria, no primeiro turno, 10-12 milhões dos 28-30 milhões de votos (de um total de 46,2 milhões de eleitores). Por esses cálculos – mas só se houvesse 2º turno – Mousavi seria o grande beneficiário, se os votos para Rezai e Karrubi fossem essencialmente votos ‘anti-Ahmadinejad’.

O regime já estava bastante envolvido na campanha eleitoral, quando afinal percebeu que, por trás do clamor por ‘mudanças’, Rafsanjani trabalhava, de fato, contra, sobretudo, a liderança de Khamenei; a batalha eleitoral não passava de simulacro e pretexto.

De fato, a luta entre Rafsanjani e Khamenei tem longa história, desde o final dos anos 80; e foi, então, vencida por Khamenei, que assumiu a liderança em 1989.
Rafsanjani foi um dos indicados pelo Imam Khomeini para o primeiro Conselho da Revolução Islâmica; Khamenei chegou bem depois, quando o Conselho aumentou o número de membros. Por isso, Rafsanjani sempre cultivou um ressentimento; sempre entendeu que Khamenei usurpou o lugar que seria seu, como Líder Supremo. O establishment clerical mais próximo de Rafsanjani difundiu a ideia de que Khamenei não teria as credenciais religiosas necessárias; que seria indeciso; e que o processo eleitoral seria questionável, o que gerou dúvidas sobre a legalidade do poder de Khamenei.

Clérigos de prestígio, estimulados por Rafsanjani, insistiram na ideia de que o Líder Supremo não seria apenas autoridade religiosa ( mujtahid), mas deveria ser também fonte de emulação e proselitismo (marja ou um mujtahid com ‘adeptos’, seguidores religiosos) e que Khamenei não satisfaria esse requisito; mas Rafsanjani, sim.

Os ataques contra Khamenei passaram a ser construídos a partir do argumento, vil sob vários aspectos, de que sua educação religiosa não seria satisfatória. O trabalho de desconstrução, pelos clérigos ligados a Rafsanjani, continuaram até os primeiros anos da década de 90. Então, Khamenei escolheu recolher-se e permaneceu recolhido, consciente de que estava sob cerco, durante os anos em que Rafsanjani ocupou a presidência (1989-1997).

Resultado disso, Rafsanjani foi o presidente que mais poder teve, em todos os tempos, em Teerã. Mas enquanto isso, Khamenei, recolhido, também construía novos poderes. Se não tinha prestígio entre a elite do establishment clerical iraniano, cuidou de atrair para seu lado o establishment da segurança, sobretudo o ministro da Inteligência, os Guardas Islâmicos Revolucionários e as milícias Basij.

Enquanto Rafsanjani mais e mais se envolvia com os clérigos e com o ‘mercado’, Khamenei procurou apoio num grupo de jovens políticos brilhantes, com experiência de organização e de luta, e que estavam voltando ao Irã depois da guerra Irã-Iraque; por exemplo, Ali Larijani, atual líder do governo no Parlamento; Said Jalili, atual secretário do Conselho de Segurança Nacional; Ezzatollah Zarghami, presidente da Rádio e Televisão Estatais; e, sim, também o próprio Ahmadinejad.

O poder político real começou a tender na direção de Khamenei, depois de ele ter atraído para seu campo os Guardas Revolucionários e as milícias Basij. Quando o mandato presidencial de Rafsanjani chegou ao fim, Khamenei já comandava os três principais braços do poder governamental e toda a mídia estatal; já era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, também, de várias instituições estatais, como a “Imam Reza Shrine” ou a “Fundação pelos Oprimidos”, máquinas praticamente ilimitadas para gerar apoios políticos.

Hoje, toda a estrutura de poder assumiu a forma de um complexo aparelho de liderança patriarcal. Analistas bem informados e sensíveis anotaram, com precisão, que Ahmadinejad não teria qualquer interesse pessoal ou eleitoral que justificasse atacar diretamente Rafsanjani, durante o debate do dia 4/6, em Teerã, com Mousavi. O ataque a Rafsanjani não foi ataque eleitoral: foi ataque em disputa política mais profunda.

Ahmadinejad disse, naquele debate: “Hoje, nesse debate, não enfrento apenas o Dr. Mousavi, nem ele está sozinho, aqui à minha frente. Aí estão três governos passados: do Dr. Mousavi, do Dr. Khatami e do Dr. Rafsanjani, todos reunidos contra a minha presidência e o desejo dos eleitores iranianos.” Mirou e atirou diretamente contra Rafsanjani, acusando-o de organizar golpe contra as eleições. Disse que Rafsanjani prometera à Arábia Saudita que não haveria segundo governo de Ahmadinejad.

Rafsanjani respondeu fogo com fogo, dias depois, em carta a Khamenei, em que exigia que Ahmadinejad se retratasse, “para evitar que [Rafsanjani] fosse forçado a tomar medidas judiciais cabíveis”.

“Espero que o senhor resolva esse impasse, e apague o fogo, cuja fumaça já se vê de longe; e que evite desdobramentos perigosos. Mesmo que eu estivesse disposto a relevar esse tipo de agressão, não duvide de que há gente, partidos, grupos, facções, que não a relevariam” – Rafsanjani ameaçou Khamenei sem meias-palavras.
Simultaneamente, Rafsanjani convocou toda a sua base clerical: uma claque de 14 altos clérigos reuniram-se em Qom, à volta dele.

Já foi ato de desespero, acionado por interesses ocultos que já sabiam do crescimento muito significativo dos movimentos dos Guardas Revolucionários, nos últimos anos. Mas, se Rafsanjani supusera que seria fácil criar um ‘motim’ entre os clérigos, e que isso ‘desequilibraria’ Khamenei... errou muito gravemente no cálculo do poder político em Teerã.

Khamenei fez o que de melhor poderia ter feito para esvaziar o ‘movimento’ golpista de Rafsanjani: Khamenei simplesmente ignorou o “Tubarão”.
Dezenas de milhões de voluntários da Guarda Revolucionária e das milícias Basij foram rapidamente mobilizados para votar; somaram-se aos milhões de pobres das áreas rurais que se vêem manifestos em Ahmadinejad. Daí em diante, foi só esperar que se repetisse o que já acontecera nas eleições de 2005. O comparecimento às urnas – 85% dos eleitores votaram – foi o maior da história do Irã. Esse comparecimento às urnas, não qualquer tipo de ‘fraude’ eleitoral, determinou a vitória de Ahmadinejad, sem 2º turno; horas depois de anunciados os resultados, Khamenei aplaudiu o comparecimento dos eleitores às urnas, que, segundo suas palavras, mereceria “verdadeira celebração”.

Disse Khamenei: “Congratulo-me (...) com o povo iraniano por esse sucesso de todos. Todos temos muito o que agradecer, por tantas bênçãos recebidas”. Preveniu os jovens e “os que apoiam o candidato eleito e demais candidatos e apoiadores”, para que todos se mantivessem bem alertas, “para evitar os discursos e as ações de provocação.”

A mensagem de Khamenei a Rafsanjani foi bem clara: aceite a derrota e não volte a envolver-se em movimentos golpistas. Os resultados da eleição de 6ª-feira asseguram que a casa do Aiatolá Khamenei, Líder Supremo, continuará a ser o ponto focal do poder político no Irã. É o quartel-general do Presidente, das forças armadas iranianas e, sobretudo, dos Guardas Revolucionários. É fonte legítima do poder dos três braços do governo e é ponto nodal de todas as políticas econômicas, de segurança e de relações internacionais no Irã.

O presidente Barack Obama já deveria já estar pensando em construir caminho para aproximar-se (amistosamente, não beligerantemente, nem mediante sanções econômicas) e buscar vias de entendimento com o Aiatolá Khamenei. Difícil imaginar desafio maior e mais complexo.
*M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do MRE indiano. Serviu na União Soviética, na Coreia do Sul, no Sri Lanka, na Alemanha, no Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.

http://www.horadopovo.com.br/

Pontal: Por que votar NÃO?




Existem os que ainda tem dúvidas sobre a "consulta" do dia 23 de agosto.

Por que votar NÃO? Isso impedirá construções na Ponta do Melo?

A lei atualmente permite a construção, com restrições, na Ponta do Melo.
Trata-se da Lei 470, de 2002.
E isso será outra batalha!
Mas antes, teremos que vencer a atual luta:
IMPEDIR A CONSTRUÇÃO de RESIDÊNCIAS na Ponta do Melo!

A "consulta pública" de 23 de agosto é uma farsa, mas mesmo assim a sociedade não pode se omitir!
Foi por pressão da opinião pública que a prefeitura viu-se obrigada a colocar o artigo para consultar a população.

Se as pessoas não votarem, será o mesmo que dizer SIM para a mudança na lei e para a privatização da orla do Guaíba com a construção de residências, que logo serão cada vez em maior número.
Não esqueçam: o grande filé da especulação imobiliária é a construção de residências de luxo!
Por causa delas pretendem abocanhar as áreas de preservação ambiental.

O projeto imobiliário Pontal do Estaleiro é apenas a PONTA DO ICEBERG!

Se o SIM passar, imaginem o estímulo que os especuladores imobiliários terão...


Veja mais aqui:

http://poavive.wordpress.com/2009/06/16/vote-nao-ao-pontal/
http://goncalodecarvalho.blogspot.com/2009/06/dia-23-de-agosto.html

Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba
Porto Alegre RS
Ainda não temos página na internet. Por enquanto acesse os blogs: Porto Alegre RESISTE!, Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho e AGAPAN para maiores informações sobre a defesa da Orla do Rio Guaíba.

Você está recebendo nossas mensagens por ter manifestado apoio a nossas causas ou por seu nome ter sido indicado por alguém de nosso grupo.
Caso não queira receber nossas mensagens, por favor nos envie um e-mail para que seu endereço seja retirado de nossas listas.



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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Quermesse 2009

Atenção Amigos!

O mês de julho está chegando!

Pensou julho, pensou em friozinho e, claro, na nossa tradicional Quermesse!

Está chegando a hora de comer e beber nos arraiais do CMA!

Vale a pena prestigiar e participar desta festa. A diversão é garantida!

Se desejar ser voluntário para participar conosco desta emoção inscreva-se com a equipe CENTRAL (Irmã Madalena, Cátia Lange e Cláudia)

quermesse.png

Colégio Maria Auxiliadora

Canoas/RS

www.auxiliadora.net

sse@nd.org.br

0(xx)51 3462-8600

CMA 2009- Construindo um futuro de valores e conhecimento

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Quinta-feira, Junho 18, 2009

Luis Nassif: Estudo doPSDB desmascara sua CPI

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Luis Nassif: Estudo do
PSDB desmascara sua CPI

Do blog de Luis Nassif
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif

Como se monta ou se prorroga uma CPI? Conta-se uma inverdade, cria-se a marola, depois pouco importa se o fato relatado era mentiroso.

Exemplo 1 - O relatório com conclusões falsas que a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) passou para a revista Veja, sobre suposta escuta ambiental no órgão. Era falso. Resultou na prorrogação da CPI do Grampo. Tempos depois, na entrevista concedida à UOL, Gilmar Mendes candidamente admitiu que os dados poderiam ser furados, mas eram "verossímeis". Em qualquer país com mídia séria, seria um escândalo.

Exemplo 2 - A operação contábil da Petrobras, visando reduzir o pagamento de impostos quando a crise interrompeu a liquidez do sistema financeiro.

Escrevi na época que era bobagem, que toda grande empresa recorre à engenharia fiscal, que a medida tinha fundamentação jurídica, mesmo podendo ser questionada pela Receita.

Hoje, no Valor, matéria de César Felício: "Manobra contábil da Petrobras é usada por grandes empresas, sugere estudo".

Que estudo é esse? Preparado por José Roberto Afonso, consultor do PSDB para assuntos fiscais e tributários, um dos pais da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Diz a matéria:

Estopim para a criação de uma CPI no Senado, a manobra contábil da Petrobras, que deixou de recolher três meses de contribuições, reforçando seu caixa em R$ 4 bilhões este ano, pode ter sido seguida pela maioria dos grandes contribuintes do País. Um estudo preparado pelo economista José Roberto Afonso, consultor do PSDB, com base em dados coletados no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tem acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), detalha a queda na arrecadação tributária federal no primeiro quadrimestre deste ano, que é desproporcional à redução do PIB . Enquanto o Produto Interno Bruto teve uma redução de 1,8% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com o mesmo período no ano passado, as receitas federais tiveram uma redução de 7,2% de janeiro a abril, percentual que sobe a 8,7%, caso se retirem as receitas previdenciárias. Em termos absolutos, houve uma perda de R$ 11 bilhões.

(…) Um sinal neste sentido é a retração maior na arrecadação do IRPJ pelo lucro real, regime de recolhimento das grandes companhias. Enquanto o IR do lucro real caiu 19% até abril, a arrecadação do imposto pelo lucro presumido, regime das pequenas e médias empresas, cresceu 4,6% no mesmo período. "Uma hipótese para explicar o resultado é que grandes contribuintes estejam deixando de recolher para ter mais acesso a crédito, com mecanismos de compensação tributária", observa o texto. Entre os pequenos e médios contribuintes o desempenho é diverso em função do menor acesso a ferramentas de compensação tributária.

(…) Os dados mostram que, mesmo depois da Petrobras encerrar a sua compensação tributária e voltar a recolher as contribuições em abril, a arrecadação federal acelerou a queda: de retração de 4,4% em março para 8,8% em abril, quando comparada com igual mês no ano anterior, o que pode ser um indicativo de que os mecanismos de compensação tributária foram seguidos por outras grandes empresas.

(…) O estudo mostra ainda outro sinal de queda desproporcional da arrecadação, ao abordar as instituições financeiras. A redução no primeiro quadrimestre da estimativa mensal do lucro no IRPJ deste setor foi de 28%.

Ou seja, o PSDB sabe que a denúncia é um factóide, sabe que traz intranquilidade para o país em um momento de esforço nacional para superar a crise, sabe que lança suspeitas sobre o partido, de que os interesses em jogo são a regulamentação do pré-sal, mas segue em frente.



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7 FENÔMENOS DA NATUREZA POUCO CONHECIDOS.

Sete fenômenos da natureza que pouca gente conhece
Os fenômenos naturais são absolutamente impressionantes.
Alguns são tão raros, que nem a ciência, com todo avanço tecnológico,
é capaz de identificar. Imagine que a natureza nos oferece a possibilidade
de vermos várias pedras que se movem sozinhas ou formações geométricas geradas
pelo esfriamento de lava.
A seguir você pode acompanhar sete fenômenos impressionantes, que muita gente
desconhece.

<<>
Até hoje ninguém conseguiu explicar por que, misteriosamente, pedras de centenas
de quilos deslocam-se do seu ponto de origem pelo deserto de Death Valley.
Alguns pesquisadores atribuem tal fenômeno aos fortes ventos e superfície gelada,
mas esta teoria não explica, no entanto, por que as pedras se movem lado a lado,
em ritmo e direções diferentes. Além disso, cálculos físicos não apóiam plenamente
esta teoria.

..
Colunas de Basalto >>
Este fenômeno ocorre com o esfriamento de um fluxo de lava espessa,
formando uma malha geométrica com notável regularidade.
Um dos famosos exemplos é o Giant´s Causeway, na Costa DA Irlanda (fotos),
embora a maior e mais conhecida seja Devil´s Tower em Wyoming.

.
<<>
.Os buracos azuis são gigantes elevações subaquáticas, que levam este Nome
pela tonalidade de azul que apresentam quando vistos do alto.
Normalmente possuem centenas de metros de profundidade e tem ambiente desfavorável
para a vida marinha, já que a circulação de água é ruim.
Curiosamente, em alguns buracos foram encontrados restos fósseis
preservados em suas profundezas.
..
.
.
Maré vermelha >>
As Marés Vermelhas são formadas pelo súbito aumento do fluxo de algas de cor única,
que podem converter uma parte DA água em uma cor vermelha sangue.
Embora fenômenos desta natureza sejam relativamente inofensivos, alguns podem ser
mortais, causando a morte de peixes, aves e mamíferos marinhos. Em alguns casos, até
mesmo OS seres humanos podem ser afetados, embora a exposição humana não seja
conhecida por ser fatal.
.
..
.
<<>
Enquanto muitos acreditem que estes círculos perfeitos sejam obra de alguma teoria
DA conspiração, OS cientistas geralmente aceitam que else são formados por turbilhões
d´água que giram em um considerável pedaço de gelo, em um movimento circular.
Como resultado desta rotação, outros pedaços de gelo e objetos gerados pelo desgaste
uniforme nas bordas do gelo vão lentamente formando um círculo.
.
..
.
Nuvens Mammatus >>
Aparentemente assustadoras, as nuvens Mammatus também são mensageiras de
tempestades e outros eventos meteorológicos extremos. Normalmente compostas de
gelo, elas podem se estender por centenas de quilômetros em vários sentidos e
formações, permanecendo visíveis e estáticas entre 10 minutos e 1 hora. Embora
pareçam portadoras de más notícias, elas são apenas mensageiras, aparecendo antes
e/ou depois de uma Grande mudança meteorológica..
.

<<>
Este raro fenômeno só ocorre quando há a participação do Sol e das nuvens.
Cristais dentro das nuvens refratam a luz em várias ondas do espectro, fazendo
surgir cores entre as nuvens. Devido a raridade com que este evento acontece,
existem poucas fotos.

Fwd: O jornalismo e a comunicação em Cuba



O jornalismo e a comunicação em Cuba

por Michelle Amaral da Silva última modificação 15/06/2009 16:42
Colaboradores: Elaine Tavares

"A imprensa é o cão guardador da casa pátria", adverte Martí, e os jornalistas cubanos seguem à risca o conselho do grande colega




15/06/2009

Elaine Tavares



Dezembro de 1956. A pequena ilha de Cuba fervilhava diante da possibilidade de uma mudança radical. A ditadura de Fulgêncio Batista recrudescia, como é comum aos regimes que estão morrendo. No começo do mês, um pequeno grupo de homens iniciou uma caminhada que só teria fim com o triunfo da revolução. Apesar da chegada trágica, com o barco encalhando e muitas vidas se perdendo, 22 dos 82 que vieram do México conseguiram montar um foco guerrilheiro ao pé da Sierra Maestra. Junto com eles estava o argentino Che Guevara que, em muito pouco tempo na selva, tratou de inventar um jeito de divulgar notícias que fizessem o contraponto à mídia cortesã. Ele sabia que perdendo a guerra informativa, perdia tudo. Assim, no meio da floresta criou a primeira célula da imprensa rebelde com um velho mimeógrafo no qual imprimia manifestos e até um jornal.



Logo o argentino conheceu o sistema cubano responsável pela transmissão de informações do MR-26, movimento do qual saíra Fidel: a rádio bemba, espécie de boca-a-boca, eficiente e eficaz, que percorria toda a região rural da ilha. Então teve a idéia de criar, desde a sierra insurgente, uma rádio de verdade, a Rádio Rebelde. Era o mês de fevereiro de 1958 quando quatro combatentes, sob o comando de Che, colocaram no ar a primeira transmissão. "... Aquí, Radio Rebelde, la voz de la Sierra Maestra, transmitiendo para toda Cuba en la banda de 20 metros diariamente a las 5 de la tarde y 9 de la noche, desde nuestro campamento rebelde en las lomas de Oriente". Com esta frase iniciava um dos mais importantes veículos de comunicação da guerrilha. Foram vinte minutos nos quais se denunciou os crimes da ditadura, se informou sobre os combates na sierra, as ações dos lutadores, e divulgou-se uma série de informações ao povo cubano sobre como agir diante da presença dos rebeldes. Começava também uma profunda relação de cumplicidade e confiança entre os "jornalistas" e a gente cubana. Não é sem razão que hoje, 51 anos depois desta histórica transmissão, a figura do jornalista cubano esteja intimamente ligada aos ideais da revolução. Quem afirma é o presidente da União de Periodistas de Cuba, Tubal Paez, que esteve em Florianópolis para a XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, promovida pela Associação Cultural José Martí de Santa Catarina.



Mas, se voltarmos na história, veremos que esta relação entre os jornalistas e os anseios populares não era uma novidade naqueles dias de 1958. Foi a imprensa, conforme conta o escritor Ramón Becali, que começou a difundir na Cuba colonial, lá pelos idos do setecentos, a idéia de uma pátria livre. E o maior de todos os jornalistas cubanos, José Martí, fez de sua vida e de sua obra um ato sublime de amor à liberdade cubana. Assim, um país que contou com a pena de um Martí, não poderia ter jornalistas diferentes. "Não merece escrever para os homens, aquele que não sabe amá-los", ensinava.



"Em Cuba os jornalistas são críticos, porque é nossa função ser crítico. É o que nos ensinou a revolução, é o que ensinam na escola e é o que a união dos jornalistas exige. Defendemos a revolução, mas aquilo que é mal feito, nós criticamos". É assim que o jornalista sintetiza a missão dos jornalistas na ilha revolucionária. Ele reafirma que, lá, os jornalistas foram e são protagonistas da mudança. Desde o começo das lutas de libertação houve grupos de jornalistas atuando e ajudando na transformação. "Ser protagonista do processo revolucionário é bom, mas às vezes há jornalistas que exageram na retórica ou no louvor. Até porque nós temos por princípio a idéia de informar, opinar e defender o país que está sob bloqueio há 50 anos e numa guerra em que o inimigo procura semear a desesperança. Isso, por vezes, é um problema, mas estamos sempre vigilantes".



É certo que esta imbricada relação dos jornalistas com o processo revolucionário provoca outra maneira de olhar a realidade. "Se estamos diante da construção de um hotel, por exemplo, a primeira questão que a gente se coloca é: isso vai proteger o país ou não? Em que lugar do mundo um jornalista se põe estas questões? Só em Cuba. Isso pode ser bom, mas pode ser ruim também, caso vire um vício. É por isso que no nosso código de ética a gente coloca como falta grave tanto a apologia quanto o triunfalismo. Nosso propósito deve ser a crítica. Falamos de tudo o que ruim, dos sacrifícios que a população tem de passar. Mas também falamos da resistência".



Tubal Paez conta ainda que na ilha caribenha também existem outros "jornalistas", que assim são designados pelo Departamento de Estado estadunidense, e lá estão, fazendo suas reportagens "independentes". Isso tudo é tolerado porque a população cubana tem educação suficiente para diferenciar a verdade da mentira. "Escrever para um povo alfabetizado politicamente não é coisa fácil. O povo está muito preparado para julgar tudo aquilo que o jornalista faz". Também é certo que em Cuba ainda existe gente que prefere o anexionismo, que os Estados Unidos invada a ilha e que tudo volte a ser como antes, quando a ilha era um quintal dos ricos estrangeiros. Mas são poucos.



Liberdade de expressão

Quem fala que em Cuba não há liberdade de expressão não conhece Cuba. "Se assim fosse minha mãe estaria na prisão", brinca Tubal. "Porque ela é boa na crítica ao que está mal". Na verdade, como explica o presidente da UPC, Cuba é o país onde existe o maior número de imprensa de oposição. Só para que se tenha uma idéia, existem 32 emissoras de rádio transmitindo todos os dias desde a Flórida, sempre com conteúdo especificamente contra Cuba e contra o socialismo. "O governo estadunidense liberou este ano mais de 34 milhões de dólares para estas emissoras e, deste montante, 18 milhões são para pagar jornalistas, escritores, locutores, que vendem sua mão e sua voz na intenção de gerar desesperança entre os cubanos". Além das emissoras de rádio ainda há uma emissora de TV, cinicamente chamada de TV Martí (nome do mais importante revolucionário cubano, também jornalista) que transmite diariamente conteúdo anti-Cuba com um sinal que é gerado por aviões que sobrevoam a ilha. "São, portanto, mais de 1900 horas semanais de informação anti-governo, o que nos faz crer que não há governo no mundo que tenha tanta oposição".



Além disso, estão em Havana mais de 160 jornalistas que são correspondentes estrangeiros, podendo transmitir o que quiserem, sem qualquer censura. "Já os Estados Unidos sim não podem falar de liberdade de expressão, porque eles proíbem que um jornalista cubano esteja lá olhando e reportando. Então, quem precisa ter liberdade?" Tubal lembra que o único espaço onde os Estados Unidos permitem a presença de um jornalista cubano é nas Nações Unidas, mas ele só pode falar do que se passa ali, mais nada. "Isso é ou não censura? E quem a pratica não é o regime cubano".



A democracia

Tubal Paez comenta as investidas do presidente estadunidense Barak Obama, quando este coloca como condição na mudança de relação com Cuba a questão da democracia. E questiona a chamada "democracia" do mundo capitalista que fica inviabilizada dentro de um sistema em que há tanta desigualdade econômica. "Como pode haver democracia numa sociedade dividida entre pobres e ricos? Que democracia é esta em que só os ricos podem ter os meios de comunicação, por exemplo? O fato é que no mundo capitalista quando se fala que as coisas devem mudar em Cuba no que diz respeito à democracia, isso significa sempre um passo atrás. Já para nós, mudança significa sempre um passo adiante".



O jornalista cubano insiste que a democracia cubana é radicalmente diferente da que caracteriza o mundo liberal burguês. Lá, as pessoas não participam da vida política apenas uma vez a cada quatro anos. A participação é uma coisa entranhada no cotidiano. Tubal é parlamentar e conta que em Cuba uma pessoa que se candidata a um cargo público não faz campanha como nos países capitalistas, em que o dinheiro comanda o voto. "Em Cuba, ninguém se apresenta à comunidade dizendo o que vai fazer. Ele se apresenta dizendo o que já fez. Os candidatos visitam juntos os eleitores e são submetidos ao escrutínio dos seus atos passados. Depois, uma vez eleitos, eles precisam prestar contas anuais dos seus atos como representante. Essa é a nossa democracia que cada dia vai se aperfeiçoando. Não é perfeita, mas vamos avançando".



Ele lembra que quando Cuba tinha o multipartidarismo o que imperava era o dinheiro. Até o prédio da Câmara nacional foi construído a semelhança do Capitólio e ali, segundo Tubal, foram aprovados os piores projetos contra a soberania nacional. O povo não tinha vez. "A minha mãe, que tem 85 anos, mostra como um orgulho a sua cédula eleitoral daquele dias antes da revolução. Está branca. Ela nunca votou. Dizia que jamais se prestaria àquela farsa. Hoje não há partidos.. Quem decide é povo, diretamente na sua comunidade. Isso, para nós, é um avanço".



A comunicação é prioridade

A obsessão informativa de Che e Fidel no início da revolução segue sendo uma diretiva entre os cubanos. As rádios são veículos fundamentais e todas as cidades têm a sua. Além disso, os grupos organizados também têm as suas mídias, sempre com alcance nacional. As mulheres, os camponeses, os jovens editam suas revistas, seus programas, enfim, passam suas pautas a toda a nação. O jornalista, para exercer a profissão em Cuba, precisa ser formado em curso universitário de jornalismo, o que também não é nenhuma novidade visto que lá, a formação universitária é estimulada e garantida a todos. "Hoje, com a explosão dos meios de comunicação estamos vivendo uma situação em que há mais postos de trabalho do que jornalistas formados, então estamos buscando gente nas áreas afins como a de Comunicação Social". Tubal Paez explica que um jovem recém formado já tem assegurado o seu posto de trabalho tão logo saia da faculdade, o que também mostra a abissal diferença entre o regime cubano e a realidade de competição capitalista.



Em todo o país o contingente de jornalistas chega a quatro mil, com mais 700 estudantes prontos a se graduar. E ainda assim faltam profissionais. A considerar a população cubana que é de 12 milhões de pessoas, dá para perceber o quanto a informação é importante. E não basta a informação somente, ela tem de ser de qualidade, daí a necessidade da formação universitária. "Em Cuba nós não trabalhamos com esse jornalismo de espetáculo, não tem essa coisa de assalto a banco, nem bandos de mafiosos".



Outra especificidade da imprensa escrita cubana é a quase inexistência da propaganda de produtos. "Nós somos muito pobres, o papel é caro. A publicidade estimula o consumismo e cria necessidades. Por isso não usamos o pouco que temos a disposição para este tipo de coisa". Em Cuba os meios de comunicação não são todos estatais. A maioria é de propriedade social, o que significa que quem controla é a comunidade. Esta também acaba sendo uma diferença tremenda na relação com o mundo capitalista. "Estes veículos acabam se sustentando com a venda de seus produtos, mas é claro que o Estado não lhes dá as costas, porque a comunicação é uma coisa estratégica em Cuba".



Já no campo da internet os cubanos ainda sofrem muita restrição. "Mas não é porque o governo não queria que o povo tenha acesso. O que acontece é que os Estados Unidos proíbem que os cabos de banda larga sejam conectados a Cuba. Nossa banda é estreita e então a prioridade acaba sendo para as instituições sociais". Para se ter uma idéia dos efeitos do bloqueio, todos os serviços oferecidos pelo Google, que hoje são utilizados automaticamente pelos internautas do mundo todo, estão fechados para Cuba. "Estas são questões que ainda estamos tratando de resolver. O bloqueio nos causa grandes problemas, mas também nos coloca desafios. E o povo cubano, nestes 50 anos de revolução tem dado respostas à altura".



E assim segue a vida na pequena e resistente ilha cubana. Enquanto o gigante império trama contra a revolução as gentes seguem ouvindo o chamado del Che insurgente, iniciado naquele distante 24 de fevereiro de 1958, com a voz do capitão Luiz Orlando Rodríguez: "...Aquí Radio Rebelde, la voz de la Sierra Maestra, transmitiendo para toda Cuba en la banda de 20 metros diariamente a las 5 de la tarde y 9 de la noche, desde nuestro campamento rebelde en las lomas de Oriente". E a mesma rádio, ali está, há 51 anos, um a mais que a revolução, informando e formando o povo cubano. Não mais no acampamento em Sierra Maestra, mas sempre rebelde, infinitamente rebelde, tal como toda a comunicação.


"A imprensa é o cão guardador da casa pátria", adverte Martí, e os jornalistas cubanos seguem à risca o conselho do grande colega.


Quarta-feira, Abril 29, 2009

OMS diz que surto de gripe suína se aproxima do nível 5 e indica pandemia

 

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da Folha Online

A OMS (Organização Mundial de Saúde) informou nesta quarta-feira que o desenvolvimento da epidemia de gripe suína --que já atinge 11 países-- coloca a agência mais perto de decretar o alerta de nível 5, em uma escala que vai de 1 a 6. O nível cinco indica que uma pandemia --uma epidemia que afeta vários países simultaneamente-- é iminente e não pode ser evitada.

"Estamos nos aproximando da fase cinco, mas ainda não chegamos", disse Keiji Fukuda, secretário-geral adjunto da OMS, em Genebra (Suíça). "Esse passo é muito significativo, e temos de estar absolutamente seguros de que haja uma transmissão sustentada do vírus em ao menos dois países."

Mais cedo, a ministra de Saúde da Espanha, Trinidad Jimenez, afirmou que uma das dez pessoas infectadas com gripe suína no país não esteve recentemente no México. O anúncio pode indicar que a doença respiratória está sendo transmitida de espanhol para espanhol, o que caracterizaria um novo foco de epidemia, além do México.

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O vírus é transmitido como o de uma gripe comum, de pessoa para pessoa, e até agora as autoridades de saúde registraram que os antigripais Relenza e Tamiflu são eficientes contra a infecção. Embora tenha tido origem provável em porcos, não há risco de contrair a doença pela ingestão de carne de porco, porque a temperatura de cozimento (acima de 70ºC) mata o vírus.

Os sintomas em humanos são parecidos com os da gripe comum e incluem febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína também relataram ter apresentado catarro, dor de garganta, náusea.

Michaela Rehle/Reuters

Em todo o mundo, médicos fazem análises de amostras de salivas de pacientes infectados com a gripe suína

Em todo o mundo, médicos fazem análises de amostras de salivas de pacientes infectados com a gripe suína

Segundo Fukuda, a OMS monitora a situação de perto e que não há evidência de que o vírus esteja diminuindo seu ritmo de transmissão.

O secretário-geral adjunto afirmou ainda que 114 casos de contaminação por gripe suína foram registrados oficialmente em todo mundo. Ao listar os casos, Fukuda afirmou ainda que houve sete mortes no México --número revisado na noite desta terça-feira pelo governo mexicano-- e uma nos Estados Unidos.

"Isso dá um total de 114 casos às 17h de hoje [12h no horário de Brasília] que foram oficialmente reportados à OMS", disse.

Autoridades no México afirmam que até 159 pessoas podem ter morrido no país por causa da epidemia de gripe suína, que já deixou 2.500 infectados.

Nos Estados Unidos, um bebê mexicano de 23 meses morreu em um hospital de Houston, no Texas, por gripe suína --a primeira vítima fora do México.

Segundo David Persse, diretor de serviços médicos de emergência de Houston, a família do bebê, que se mudou do México para Brownsville, no Texas, está bem e não apresenta sintomas da doença.

O menino vivia em Matamoros, na fronteira do México com o Texas, disse Persse. Ele veio com a família do México para visitar parentes em Brownsville, no Texas, onde começou a demonstrar sintomas da doença. Em seguida, ele foi levado a um hospital de Houston, onde morreu na noite desta segunda-feira (27).

Segundo o Departamento de Serviços de Saúde do texas, citado pela agência Associated Press, o menino já apresentava sintomas da doença no México e deu entrada no hospital poucos dias depois com febre e outros sintomas de gripe.

A epidemia de gripe suína atingiu ainda outros nove países. Há casos confirmados na Alemanha, Inglaterra, Escócia, Áustria, Espanha, Canadá, Israel, Costa Rica e Nova Zelândia.

A OMS havia elevado o nível de alerta de 3 para 4 nesta segunda-feira (27), com um alerta para que os governos se mantivessem preparados para a possibilidade de uma pandemia.

Arte Folha de S.Paulo

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Domingo, Abril 12, 2009

MONSANTO = corrupção de govern os, produção armas q uímicas, controle de alimentos em nível global




"O mundo segundo a Monsanto"

por Michelle Amaral da Silva última modificação 09/04/2009 18:15

Pesquisadora francesa poder da maior multinacional de sementes: corrupção de governos, produção armas químicas, controle de alimentos em nível global

Pesquisadora francesa poder da maior multinacional de sementes: corrupção de governos, produção armas químicas, controle de alimentos em nível global



09/04/2009
Darío Aranda,
Argentina


Em entrevista jornal argentino Página 12, a escritora e documentarista francesa, Marie-Monique Robin apresenta seu novo livro, fruto de três anos de profundas investigações sobre o poder de influência da multinacional sobre Governos e o projeto de controle total da produção de alimentos em nível global. Corrupção, produção de armas químicas e controle sobre do que você come são algumas das denuncias feitas pela francesa.


Como define a Monsanto?
Monsanto é uma empresa deliquente. E digo por que há provas concretas disso. Foi muitas vezes condenada por suas atividades industriais, por exemplo o caso dos PCB, produto que agora está proibido, mas que segue contaminando o planeta. Durante 50 anos o PCB esteve nos transformadores de energia. E a Monsanto, que foi condenada por isso, sabia que eram produtos muito tóxicos, mas escondeu informação e nunca disse nada. E é a mesma história com outros dois herbicidas produzidos por Monsanto, que formaram o coquetel chamado "agente laranja" utilizado na guerra do Vietnã, e também sabia que era muito tóxico e fez o mesmo. E mais, manipulou estudos para esconder a relação entre as dioxinas e o câncer. É uma prática recorrente na Monsanto. Muitos dizem que isto é o passado, mas não é assim, é uma forma de obter lucros que ainda hoje está vigente. A empresa nunca aceitou seu passado nem aceitou responsabilidades. Sempre tratou de negar tudo. É uma linha de conduta, e hoje acontece o mesmo com os transgênicos e o Roundup.


Quais são as práticas comuns da Monsanto na ordem global?
Tem práticas comuns em todos os países onde atua. Monsanto esconde dados sobre seus produtos, mas não só isso, também mente e falsifica estudos sobre seus produtos. Outra particularidade que se repete na Monsanto é que cada vez que cientistas independentes tratam de fazer seu trabalho a fundo com os transgênicos, têm pressões ou perdem seus trabalhos. Isso também acontece nos organismos dos Estados Unidos como são a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) ou EPA (Agência de Proteção Ambiental). Monsanto também é sinônimo de corrupção. Dois exemplos claros e provados são a tentativa de suborno no Canadá, que originou uma sessão especial do Senado canadense, quando se tratava a aprovação do hormônio de crescimento leiteiro. E o outro caso é na Indonésia, onde a Monsanto foi condenada porque corrompeu a cem altos funcionários para por no mercado seu algodão transgênico. Não duvidamos que exista mais casos de corrupção onde a Monsanto é quem corrompe.


Você também afirma que a modalidade de "portas giratórias" é uma prática habitual.
Sem dúvida. Na história da Monsanto sempre está presente o que nos Estados Unidos se chama "a porta giratória". Um exemplo claro: o texto de regulamentação que regula os transgênicos nos Estados Unidos foi publicado em 1992 pela FDA, a agência norteamericana encarregada da seguridade de alimentos e medicamentos. A qual se supõe é muito séria, ao menos sempre eu pensava isso, até antes deste trabalho. Quando diziam que um produto havia sido aprovado pela FDA pensava que era seguro. Agora sei que não é assim. No '92, o texto da FDA foi redigido por Michael Taylor, advogado da Monsanto que ingressou na FDA para fazer esse texto e logo foi vice-presidente da Monsanto. Um exemplo muito claro de "porta giratória". Há muitos exemplos, em todo o mundo.

Monsanto fabricou o agente laranja, PCB e glifosato. E tem condenações por publicidade enganosa. Por que tem tão boa reputação?
Por falta de trabalho sério dos jornalistas e a cumplicidade dos políticos. Em todo o mundo é igual.

Por que a Monsanto não fala?
Tentou chamá-los?

Sim, mas não aceitaram perguntas.
Também é o mesmo em todo o mundo. Ante qualquer jornalista crítico, a Monsanto tem uma só política: "Não comentes" (sem comentários).

O que significa a Monsanto no mercado mundial de alimentos?
A meta da Monsanto é controlar a cadeia alimentar. Os transgênicos são um meio para essa meta. E as patentes uma forma de conseguí-lo. A primeira etapa da "revolução verde" já ficou para trás, foi a de plantas de alto rendimento com utilização de pesticidas e a contaminação ambiental. Agora estamos na segunda etapa dessa "revolução", onde a chave é fazer valer as patentes sobre os alimentos. Isto não tem nada a ver com a idéia de alimentar ao mundo, como se publicou em seu momento. A única finalidade é aumentar os lucros das grandes corporações. Monsanto ganha em tudo. Ela vende o pacote tecnológico completo, sementes patenteadas e o herbicida obrigatório para essa semente. Monsanto te faz firmar um contrato pelo qual te proíbe conservar sementes e te obriga a comprar Roundup, não se pode utilizar um glifosato genérico. Neste modelo Monsanto ganha em tudo, e é tudo ao contrário da segurança alimentar. De passagem, recordemos, que a soja transgênica que se cultiva aqui não é para alimentar aos argentinos, é para alimentar aos porcos europeus. E o que acontecerá na Argentina quando as carnes da Europa terem que ser etiquetadas sendo que foram alimentadas com soja transgênica? Se deixará de comprar carnes desse tipo e a Argentina também receberá o golpe, porque lhe abaixará a demanda de soja.

Esteve na Argentina, Brasil e Paraguai. Que particularidades encontrou na região?
Deve-se recordar que a Monsanto entrou aqui graças ao governo de Carlos Menem, que permitiu que a soja transgênica entrasse sem nenhum estudo. Foi o primeiro país da América Latina. Depois da Argentina organizou-se um contrabando de sementes transgênicas, de grandes produtores, para o Paraguai e o Brasil, que se viram obrigados a legalizá-las porque eram cultivos que depois se exportavam. E depois veio a Monsanto a reclamar suas regalias. Foi incrível como se expandiu a soja transgênica na região, e em tão poucos anos. É um caso único no mundo.

Na década de 90 a Argentina era denominada como aluno modelo do FMI. Hoje, com 17 milhões de hectares com soja transgênica e a utilização de 168 milhões de litros só de glifosato, pode-se dizer que a Argentina é um aluno modelo dos agronegócios?
Sim, claro. A Argentina adotou o modelo Monsanto em tempo recorde, é um caso pragmático. Mas também houve alguns problemas com o aluno modelo. Como as sementes transgênicas são patenteadas, Monsanto tem o direito de propriedade intelectual. Isso significa, como o vi no Canadá e Estados Unidos, que lhes fazem firmar aos produtores um contrato nos quais se comprometem a não conservar parte de suas colheitas para ressemear no próximo ano, o que fazem os agricultores de todo o mundo. A Monsanto o denuncia como uma violação de sua patente. Então a Monsanto envia a "polícia de genes", que é algo incrível, detetives privados que entram nos campos, tomam amostras , verificam se é transgênico e se o agricultor tem comprado suas sementes. Se não as tem comprado, realizam juízos e a Monsanto ganha. É parte de uma estratégia global: a Monsanto controla a maioria das empresas sementeiras e patenteia as sementes, exigindo que cada campesino compre suas sementes. O que aconteceu aqui é que a lei argentina não proíbe guardar sementes de uma colheita e utilizá-las na próxima semeadura. Em um primeiro momento a Monsanto disse que não iria pedir regalias, e deu sementes baratas e Roundup barato. Mas em 2005 começou a pedir regalias, rompeu o acordo inicial e por isso mantém um enfrentamento judicial com seu aluno preferido.

O Roundup tem um papel protagonista neste modelo. Muitas comunidades campesinas e indígenas denunciam seus efeitos, mas existem poucas proibições.
É um impacto incrivelmente silenciado. Ninguém pode negar o que trazem as esterilizações com este herbicida, totalmente nocivo. Tenho a segurança de que será proibido em algum momento, como foi o PCB, estou segura de que chegará este momento. De fato na Dinamarca já foi proibido por sua alta toxicidade. É urgente analisar o perigo dos agroquímicos e os OGM (Organismos Geneticamente Modificados).

Contudo, as grandes empresas do setor prometem há décadas que com transgênicos e agrotóxicos se conseguirá aumentar a produção, e assim acabar com a fome do mundo.
A Argentina é o melhor exemplo dessa mentira. Como tem ido com a sojização do país? Tem se perdido na produção de outros alimentos básicos e ainda há fome. Este modelo é o modelo do monocultivo, que acaba co outros cultivos vitais. É uma transformação muito profunda da agricultura, que leva diretamente à perda da soberania alimentar, e lamentavelmente já não depende de um governo para poder revertê-lo.

Por que ao processo agrário atual você o chama "a ditadura da soja"?
É uma ditadura no sentido de um poder totalitário, que abrange tudo. Deve-se ter claro que quem controla as sementes controla a comida e controla a vida. Nesse sentido, a Monsanto tem um poder totalitário. É tão claro que até a Syngenta, outra grande empresa do setor e competidora da Monsanto, chamou ao Brasil, Paraguai e Argentina "as repúblicas unidas da soja". Estamos frente a um programa político com finalidades muito claras. Uma pergunta simples o demonstra: quem decide o que se vai cultivar na Argentina? Não o decide nem o governo nem os produtores, o decide a Monsanto. A multinacional decide o que se semeará, sem importar aos governos, o decide a empresa. E, para pior, a segunda onda de transgênicos vai ser muito forte, com um modelo de agrocombustíveis que acarretará mais monocultivos. E, a esta altura, já está claro que o monocultivo é perda de biodiversidade e é todo contrário à segurança alimentar. Já não há dúvidas de que o monocultivo, seja o da soja ou para biodiesel, é o caminho para a fome.

Qual é o papel da ciência no modelo de agronegócios, onde a Monsanto é só sua cara mais famosa?
Antes pensava que quando um estudo era publicado em uma prestigiosa revista científica, se tratava de um trabalho sério. Mas não. As condições em que se publicam alguns estudos são tristes, com empresas como Monsanto pressionando aos diretores das revistas. No tema transgênico fica muito claro que é quase impossível realizar estudos do tema. Em muitas partes do mundo, os Estados Unidos ou a Argentina, os laboratórios de investigações são pagos por grandes empresas. E quando o tema é sementes, transgênicos ou agroquímicos, a Monsanto sempre está presente e sempre condiciona as investigações.

Os cientistas tem temor ou são cúmplices?
Ambas as coisas. O temor e a cumplicidade estão presentes nos laboratórios do mundo. No livro deixo claro que há cientistas, em todos os países, cuja única função é legitimar o trabalho da empresa.

Qual é o papel dos governos para que empresas como Monsanto avancem?
Os governos são os melhores propagandistas dos OGM (Organismos Geneticamente Modificados). Realizam um trabalho de lobby incrível. A Monsanto leva seus estudos, sua informação, suas revistas e fotos, tudo muito lindo. E diz aos políticos que não haverá contaminação e salvará ao mundo. E os políticos entram na dela. E também há pressões. Deputados franceses tem denunciado publicamente as pressões da Monsanto, até reconheceram que a companhia contatou a cada um dos 500 deputados para que legislem segundo os interesses da empresa.

E o papel dos meios de comunicação?
Me dá muita pena porque sou jornalista e acredito no que fazemos, acredito que é uma profissão com um papel muito importante na democracia, mas há uma grande manipulação dos meios. Em todo o referido aos transgênicos, a imprensa não trabalha seriamente. Os meios olham a propaganda da Monsanto e a publicam sem questionamentos, como se fossem empregados da empresa. Também é público que a Monsanto convida a comer aos periodistas, lhes dá regalias, os leva de viagem a Saint Louis (onde está sua sede central); os jornalistas vão muito contentes, passeiam pelos laboratórios, não perguntam nada e vão. Assim funcionam os meios com a Monsanto. Também registrei casos nos quais a Monsanto busca, em cada meio de comunicação, um defensor. Estabelece contato com ele e consegue opiniões favoráveis. Não sei se há corrupção, mas sei que a Monsanto consegue seu objetivo. Na Argentina é claro como atua, ao ver alguns artigos de suplementos rurais se vê que em lugar de artigos jornalísticos são publicidades da Monsanto. Não pareceria que um jornalista o escreveu, foi diretamente a companhia.

Que avaliação faz do enfrentamento entre o governo e as entidades patronais do agronegócio?
Em 2005 entrevistei a Eduardo Buzzi, estava furioso pelo assunto das regalias reclamadas pela Monsanto. Falava dos enganos da Monsanto. E, além disso, falava dos problemas que trazia a soja, até me pôs em contato com pequenos produtores que me falaram das mentiras da Monsanto, da resistência que mostravam as ervas daninhas, que tinha que utilizar mais herbicidas e que os campos ficavam como terra morta. Buzzi sabia tudo isso e me dizia que questionava esse modelo, afirmava que a soja trazia a destruição da agricultura familiar e me dizia que a Federação Agrária representava esse setor, que enfrentava aos pools de semeadura e às grandes empresas. E Buzzi denunciava muito este modelo, muito bom discurso. Mas agora não é o que acontece. Nunca o voltei a ver e gostaria de perguntar-lhe o que lhe aconteceu que agora se une com as entidades mais grandes, me estranha muito a mudança que mostra. E acima de Buzzi está com Aapresid (Associação Argentina de Produtores de Semeadura Direta – integrada por todas as grandes empresas do setor, incluindo as sementes e agroquímicas), que é a que mais ganha com todo esse modelo, e que apareceu pouco neste conflito. Aapresid manipula tudo e está com os grandes sojeiros, que não são agricultores e que até promovem um modelo sem agricultores. Então não entendo como a Federação Agrária disse representar produtores pequenos e está com a Aapresid. O que a Federação Agrária é muito estranho, não se entende.

E o papel do governo?
As retenções podem ser que frenem algo do processo de sojização. Mas não é uma solução frente a um modelo tão agressivo. A solução tem que ser algo muito mais radical e não a curto prazo. Claro que a tentação dos governos é grande, a soja traz bons rendimentos, mas deve-se pensar a longo prazo. Não há soluções simples e de curto prazo para um modelo que tira campesinos de suas terras e, mediante esterilizações, contamina a água, a terra e a população.


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Quarta-feira, Março 18, 2009

China preocupa-se com segurança dos empréstimos que fez aos EUA

 

A Casa Branca asseverou oficialmente à China que “não existe aplicação mais segura no mundo” para as reservas de divisas do país asiático e pediu encarecidamente a Pequim que continue emprestando, em reação às preocupações manifestadas pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, na semana passada, sobre a sorte de centenas de bilhões trocados por títulos do Tesouro dos EUA e papéis norte-americanos. “Para ser sincero, estou um pouco preocupado”, afirmou Jiabao, no último dia da sessão anual do pleno do parlamento chinês, na sexta-feira 13. “Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos”, acrescentou.

Sem esse dinheiro, os EUA não teriam como financiar seu déficit, que este ano, em decorrência da crise e da falta de poupança interna, chegará a 12% do PIB. A otimista declaração de que “não existe aplicação mais segura no mundo” foi feita pelo porta-voz Robert Gibbs. Desde setembro, a China ultrapassou o Japão como o maior credor dos EUA.

Nessa mesma entrevista, Jiabao havia reiterado que “é claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”. Afinal, somente em títulos do Tesouro e outros papéis o montante de dinheiro chinês emprestado aos EUA ultrapassa os US$ 727 bilhões. Diz-se até que o banco de hipotecas Freddie Mac só não faliu porque era “too chinese to fail” – “demasiado chinês para quebrar”. Também querendo tranqüilizar Pequim, o diretor do Conselho de economistas da Casa Branca, Lawrence Summers, garantiu que Washington “é um zeloso guardião” das reservas da China.

Prevendo um déficit de 1,752 trilhão de dólares para o exercício fiscal 2008-2009 que finaliza em setembro, agravado por medidas excepcionais tomadas para sustentar a economia americana, o governo dos EUA dificilmente pode dispensar os empréstimos apor-tados pela China.

O que acontece com a Europa?

 

Paul Krugman
Do The New York Times

A Europa me preocupa. Na realidade me preocupa o mundo todo - não existem refúgios seguros para a tempestade econômica mundial. Mas a situação da Europa me preocupa mais do que a dos Estados Unidos. Que fique bem claro, não vou repetir a reclamação padrão dos Estados Unidos de que os impostos na Europa são muito altos e seus benefícios muito generosos. Os grandes Estados do bem-estar social não são a origens da atual crise européia. De fato, como vou explicar em breve, é um fator atenuante. Atualmente na Europa, o perigo evidente e presente vêm de outra direção: da incapacidade do continente em responder efetivamente à crise financeira.

A política fiscal e monetária da Europa enfrenta uma crise tão severa quanto a dos Estados Unidos, mas está fazendo muito pouco para combatê-la.

Com relação ao aspecto fiscal, a comparação com os Estados Unidos é surpreendente. Muitos economistas, inclusive eu, argumentam que o plano de estímulos do governo Obama é muito pequeno para o tamanho da crise. No entanto, as ações dos Estados Unidos fazem com que as ações da Europa sejam vistas como muito menores. A diferença na política monetária também é alarmante. O Banco Central Europeu antecipou-se muito menos que a Reserva Federal (na realidade, aumentou as taxas em julho passado), e evita qualquer medida forte para o descongelamento dos mercados de crédito.

O único fator que está funcionando a favor da Europa é exatamente aquele pelo qual ela é tão criticada: o tamanho e a generosidade dos seus Estados de bem-estar, que estão reduzindo o impacto da crise econômica.

Isto não é pouco. Na Europa, com os seguros de atenção à saúde garantidos e generosas parcelas de seguro desemprego, até o momento não há tanto sofrimento humano quanto nos Estados Unidos. E esses programas também vão ajudar a conter os gastos durante a crise.

No entanto, os ditos "estabilizadores automáticos" não são substitutos da ação positiva. Por que a Europa não está preparada? Os maus dirigentes fazem parte da história. Os banqueiros europeus, que não foram atingidos pela crise, ainda parecem estranhamente complacentes. Nos Estados Unidos, para ouvirmos qualquer coisa parecida com os disparates proferidos pelo ministro da economia alemão, só mesmo vindo dos republicanos.

Há um problema ainda mais sério: a integração econômica e monetária da Europa está muito adiantada em comparação às suas instituições políticas. A economia de muitos países da Europa está fortemente vinculada, assim como a economia de muitos estados dos Estados Unidos, e a maioria da Europa tem uma moeda em comum. No entanto, diferentemente dos Estados Unidos, a Europa não possui o tipo de instituições em nível continental necessárias para enfrentar uma crise continental.

Essa é uma razão importante para a falta de ação fiscal: não há um Governo único na posição de assumir a responsabilidade pela economia européia, cada Estado membro é responsável pelo acúmulo de dívidas enormes para financiar benefícios destinados a eleitores de outros países. Poderíamos esperar que a política monetária fosse mais enérgica. Afinal, embora não exista um Governo europeu, existe o Banco Central Europeu. No entanto, o BCE não é a Reserva Federal dos Estados Unidos, que pode dar-se o luxo de medidas audazes, pois é apoiada por um governo nacional unitário, que já se mobilizou para compartilhar os riscos da sua audácia e, com certeza, cobrirá as possíveis perdas, caso os esforços por descongelar os mercados financeiros não dão certo. O BCE, que deve se submeter a 16 Governos que freqüentemente entram em conflito, não pode contar com o mesmo nível de respaldo.

A Europa, em outras palavras, está demonstrando ser estruturalmente frágil em tempos de crise. A grande pergunta é o que vai acontecer com as economias européias que há alguns anos prosperaram num ambiente de dinheiro fácil, particularmente com a Espanha.

Durante grande parte da última década, a Espanha foi a Flórida da Europa. A sua economia se manteve em alta graças ao auge da especulação imobiliária. Como na Flórida, o auge transformou-se em contração. A Espanha precisa encontrar novas fontes de renda e emprego para substituir o desemprego na construção. No passado, a Espanha teria procurado melhorar a sua competitividade desvalorizando a moeda. No entanto, agora tem o euro - e a única forma de avançar parece ser um processo de disseminação da redução de salários. Isto teria sido difícil nas melhores épocas; evidentemente será muito doloroso se, como parece ser muito provável, a economia européia no seu conjunto está em depressão e com tendência à deflação nos próximos anos.

Será isso um sinal de que a Europa errou em permitir essa integração tão estreita? Será que a criação do euro, em particular, foi um erro? Talvez.

No entanto, a Europa ainda pode mostrar que os céticos estão errados, se os seus políticos começam a mostrar mais liderança. Será que eles farão isso?

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

Sábado, Março 14, 2009

Diplomacia brasileira e reunificação coreana

 

Assumirá no final de março em Pyongyang a Embaixada do Brasil na RPDC – República Popular Democrática da Coréia, o diplomata Arnaldo Carrilho, que será nosso primeiro Embaixador naquele país amigo.

Profundo conhecedor da geopolítica asiática, de sua história, de sua economia e da milenar cultura de seus povos, Arnaldo Carrilho tem também uma grande experiência política e diplomática. Aos 71 anos, já foi embaixador por vários anos em vários países da Europa como a Alemanha Oriental, em países árabes como a Arábia Saudita e em 2007 foi o representante brasileiro em Ramallah na Cisjordânia.

Em recente entrevista veiculada pelo UOL, falou sobre seus objetivos à frente dessa nova missão a ele conferida pelo presidente Lula: “Estamos abrindo agora essa embaixada por que o Brasil é hoje em dia, um país que tem uma independência internacional muito marcante. Nós não temos problemas com alianças ou parcerias políticas, somos autônomos. Pouco a pouco, com o crescimento da atividade diplomática do país a gente vai abrindo pelo mundo afora novas missões diplomáticas. O Brasil está abrindo embaixada no Azerbaijão, em mais cinco países no Caribe e acabou de abrir no Mali e na Armênia. Isso faz parte do andamento natural da presença do Brasil no mundo”, disse.

Sobre se encontrará algum problema na Coréia Popular afirmou que “há outros [países] mais fechados. Não se esqueça que há países onde não há nenhuma forma de parlamento, nem de eleições. A Coréia é simplesmente o último em que estamos abrindo uma embaixada. Não vou dizer que a Coréia do Norte é um país aberto. É outro tipo de regime. A Coréia era um reinado até 1910 quando foi ocupada pelo Japão, era um país em que o poder passava dinasticamente. Eu espero que o Brasil contribua muito para que o regime de Pyongyang se sinta mais confortável porque afinal de contas, o Brasil será o primeiro país não socialista das Américas que abrirá uma Embaixada em Pyongyang. Espero que dê uma sensação agradável ao governo da Coréia do Norte. Ter o país de mais expressão da América Latina, sobretudo da América do Sul, presente com uma missão diplomática em Pyongyang é algo relevante. Tenho a impressão de que virão outros países para estabelecer relações diplomáticas com a Coréia do Norte. Pyongyang é uma cidade que ostenta quase 50 missões diplomáticas residentes”, afirmou o Embaixador.

Inteiramente sintonizado com a política externa do governo brasileiro, com o chanceler Celso Amorim e com o presidente Lula, o embaixador brasileiro na RPDC fez importante declaração acerca de questões candentes como a relação entre a Coréia do Norte e do Sul, a reunificação e o papel do Brasil. “O Brasil sempre favorece o diálogo. O país apoiaria qualquer forma de entendimento. O Brasil é favorável à reunificação da Coréia. Nós temos uma embaixada muito ativa em Seul e eu espero corresponder no Norte a essa atividade sob o ponto de vista político. O Brasil se propõe a ver uma Coréia unificada. Aliás eu creio que seja o desejo da comunidade internacional. Ninguém gosta de países de um mesmo povo divididos. No momento [as relações entre as duas Coréias] estão um pouco deterioradas. É sempre assim, tem altos e baixos. Mas são coisas naturais de governos de um mesmo país que têm idéias diferentes”, pontuou.

Arnaldo Carrilho quer desenvolver o comércio bilateral – 380 milhões em 2008 -, quer estimular o contato com empresas brasileiras como é o caso da Sadia que já está discutindo a exportação de carnes de suínos e frangos. O Brasil tem interesse na importação de magnesita cuja produção da RPDC é a segunda do mundo. “Vamos ver o quanto a magnesita norte-coreana poderá participar do comércio Brasil-Coréia do Norte. E quanto às relações políticas elas serão desenvolvidas conforme nossas relações bilaterais acontecerem”, sublinhou.

“O papel do governo brasileiro será de desenvolver relações em todos os sentidos: econômicas e comerciais, culturais, políticas e nos fóruns multilaterais. É uma tarefa bastante extensa. Vou promover a cultura brasileira lá. O líder da Coréia do Norte, por exemplo, adora cinema e espetáculos musicais, e o Brasil tem muito a oferecer para aquele país. Inclusive penso em promover uma exposição de artistas brasileiros que já ensaiaram arte realista-socialista, como se dizia antigamente. Mas ainda não há nada programado a respeito disso”, concluiu o Embaixador brasileiro.

ROSANITA CAMPOS

Regime dos Lamas submetia povo tibetano às trevas da escravidão

 

O texto a seguir é parte de um artigo publicado no jornal Revolutionary Wor-ker, nos EUA. O título original do trecho é “A sociedade de classes no velho Tibet”.
“Antes das mudanças revolucionárias iniciadas em 1949, o Tibet era uma sociedade feudal. Havia duas classes principais: os servos e os aristocratas proprietários dos servos. O povo vivia como os servos na Europa da “Idade das Trevas”, ou como os escravos e os meeiros africanos no Sul dos EUA.

“Os servos tibetanos raspavam as colheitas de cevada da terra dura com arados e foices de madeira. Criavam cabras, ovelhas e iaques para obter leite, manteiga, queijo e carne. Os aristocratas e os lamas dos mosteiros eram proprietários das pessoas, da terra e da maioria dos animais. Forçavam os servos a entregar a maioria dos cereais e exigiam todo o tipo de trabalhos forçados (chamados ulag). Entre os servos, tanto os homens como as mulheres participavam no trabalho duro, incluindo o ulag. Os povos nômades dispersos pelas áridas terras altas do Tibet ocidental também eram propriedade dos senhores feudais e dos lamas.

“O irmão mais velho do Dalai Lama, Thubten Jigme Norbu, alegou que na ordem social lamaísta, “não havia nenhum sistema de classes e a mobilidade de classe para classe tornava impossível qualquer preconceito de classe”. Mas a própria existência dessa ordem religiosa baseava-se num sistema de classes rígido e brutal.

“Os servos eram tratados como seres ‘inferiores’ menosprezados - tal como eram tratados os negros no sistema Jim Crow do Sul dos EUA. Os servos não podiam sentar-se nos mesmos sítios, usar o mesmo vocabulário ou comer com os mesmos talheres que os seus donos. Tocar num dos pertences dos amos poderia mesmo ser punido com chicotadas. Os amos e os servos estavam tão distante uns dos outros que em muitas partes do Tibet falavam idiomas diferentes.

“Era costume um servo pôr-se de joelhos e mãos no chão para que o seu amo pudesse usar as suas costas para montar um cavalo. O estudioso do Tibet A. Tom Grunfeld descreveu uma menina da classe dominante que habitualmente fazia com que os criados a levassem escada acima e escada abaixo por pura preguiça. Frequentemente, os amos atravessavam os riachos às costas dos seus servos.

“No Tibet, a única coisa pior que um servo era um ‘escravo pessoal’ que nem sequer tinha direito a cultivar nenhuma cultura para si próprio. Estes escravos eram frequentemente espancados, obrigados a passar fome e a trabalhar até à morte. Um amo podia transformar um servo em escravo quando quisesse. Na capital do Tibete, Lhasa, havia rotineiramente crianças a ser compradas e vendidas. Cerca de 5% dos tibetanos eram considerados escravos pessoais. E pelo menos outros 10% eram monges pobres que na realidade eram ‘escravos em túnicas’.

“O sistema lamaísta tentava impedir qualquer fuga. Os escravos foragidos não podiam ir simplesmente estabelecer-se nas vastas terras vazias. Alguns ex-servos explicaram à escritora revolucionária Anna Louise Strong que, antes da libertação, ‘Não se podia viver no Tibet sem um amo. Seríamos apanhados como criminosos a não ser que tivéssemos um dono legal.’

OPRESSÃO DA MULHER

  "O Dalai Lama escreveu: ‘No Tibet não havia nenhuma discriminação especial contra as mulheres’. O biógrafo autorizado do Dalai Lama, Robert Hicks, alega que as mulheres tibetanas estavam contentes com a sua situação e que ‘influenciavam os seus maridos’. Mas, no Tibet, nascer mulher era considerado um castigo por comportamento ‘ímpio’ (pecador) numa vida anterior. No velho Tibet, a palavra para “mulher”, kiemen, significava “nascimento inferior”. Dizia-se às mulheres que rezassem: ‘Possa eu rejeitar um corpo feminino e renascer homem’.

Seguradora AIG teve prejuízo de US$ 61,7 bilhões no 4º trimestre

 

Na UTI do Tesouro desde setembro, a maior seguradora dos EUA está exposta a US$ 1,6 trilhão em derivativos, conforme afirma relatório divulgado na internet como parte da campanha por mais fundos junto ao Congresso para mantê-la à tona

Aexposição da seguradora AIG aos derivativos é de US$ 1,6 trilhão, afirma relatório divulgado na internet, às vésperas do anúncio do maior prejuízo já sofrido por uma empresa em só um trimestre, e parte de campanha para aumentar os fundos públicos para mantê-la à tona. Maior seguradora dos EUA, na UTI do Tesouro desde setembro passado, a AIG sofreu um vertiginoso prejuízo de US$ 61,7 bilhões no último trimestre de 2008. Somado às perdas anteriores, o rombo total da AIG no ano passado chegou a US$ 99 bilhões.

O Tesouro dos EUA se antecipou ao anúncio do desastre, e garantiu mais US$ 30 bilhões para manter a AIG em estado de animação suspensa – a terceira dose de bail out desde setembro. O relatório, com o logo da AIG, é apresentado como uma análise do “risco sistêmico” que resultaria da falência da seguradora, tendo sido divulgado no site “Scribd.com”, especializado em documentação de todo tipo e, no nosso caso, sua consulta foi por indicação do conhecido site norte-americano “Counterpunch.com”.

DESMANCHE

O documento adverte que o desmanche que se seguiu ao colapso do Lehman Brothers seria fichinha perto do colapso final da AIG, dado as ligações do braço de “produtos financeiros” da seguradora, a AIGF (exposta a US$ 1,6 trilhão em derivativos), com 1500 instituições, entre os maiores bancos, governos, fundos soberanos, corporações e fundos de hedge, e à abrangência das suas operações no mundo inteiro. Ameaça, ainda, com uma “corrida aos bancos” no setor de seguros, que praticamente atingiria cada setor da vida americana. Também seriam golpeados os estados e municípios, já que outra subsidiária é a segunda maior seguradora de bônus emitidos por estes.

Desde o inicio do bail out, a AIG já recebeu US$ 162,5 bilhões em dinheiro público, e teve, em troca, de conceder 80% dos ativos como garantia. As ações da AIG – que até setembro passado estavam entre as 30 ‘blue chips’ do Dow Jones Industrial, de onde já foram despejadas -, agora valem minúsculos US$ 0,41. (Com três, dá para comprar uma ação do Citibank, e com quatro, uma da GM. Que portfolio).

De acordo com as agências internacionais, pelo menos um-terço desse dinheiro colocado pelo Tesouro dos EUA na AIG já foi parar direto no caixa de 20 grandes bancos, alguns deles europeus, envolvidos como contrapartes nas operações com derivativos. Cerca de US$ 50 bilhões, o que já levou alguns observadores a classificarem a AIG como uma “câmara de compensação” do bail out. Segundo o jornal inglês “Times”, citando um analista econômico, Donn Vickkrey, “os bancos europeus são dois-terços do problema”... e que haveria “um efeito dominó no mundo inteiro”.

Mas, de acordo com o executivo-chefe que assumiu o comando da AIG após o colapso de setembro, Edward Liddy, tirando o rombo de US$ 62 bilhões, a situação da seguradora “é forte como uma pedra”. ‘“O que o Fed está fazendo através da AIG é assumindo cada passo possível para manter a confiança no sistema financeiro”, filosofou. Embora, sem o repasse adicional de US$ 30 bilhões, as ações da seguradora teriam sido rebaixadas a lixo-final pelas agências de “classificação de risco”, causando nova rodada de naufrágios de derivativos.

O prejuízo recorde da AIG foi tratado com ruidosa ironia pela CNN, que elaborou uma lista do que poderia ser feito com US$ 62 bilhões. Tal como “pagar as dívidas nacionais combinadas da China, Austrália, México e Ucrânia” estimada pelo Almanaque 2008 da CIA; “comprar 46 palácios Buckingham (o palácio da rainha Elizabeth II)”; com a perda de um minuto (US$ 460.000), pagar “metade da pensão anual do ex-executivo-chefe” de outro banco falido, o RBS inglês; e trocar por notas de 1 dólar e preencher uma área do tamanho de Bagdá. Ou, ainda, comprar uma frota de quase 250 Boeing 747 Jumbos. Fazer uma fila com carros usados, de Nova Iorque a Pequim, ida e volta, com base em que um veículo usado nos EUA custa em média US$ 13.900 e mede 5 metros. Calcularam até a parte de cada norte-americano nesse latifúndio: dividindo igualmente por 303 milhões de pessoas, daria US$ 204 por cabeça para repor as perdas da AIG.

ANTONIO PIMENTA

Quarta-feira, Março 11, 2009

O Brasil em 2050

 

06/03/2009 12:13:38

Delfim Netto

Uma das variáveis estruturais críticas para a formulação de políticas econômicas, capazes de acelerar o desenvolvimento econômico com o uso dos mecanismos do mercado e de políticas públicas que deem moralidade à dura competição que nele prevalece, é a estrutura demográfica. O número de habitantes, a taxa de crescimento, a distribuição etária e, por gênero, a distribuição geográfica, a urbanização e a dinâmica interna, que é controlada pela evolução das taxas de natalidade e de mortalidade. Sua projeção é sempre difícil e sujeita a erros gerados pela própria endogeneidade do processo.
Não é um problema trivial prever os efeitos finais de boas políticas. Por exemplo, a melhoria do nível de educação das mulheres tende a reduzir a taxa de mortalidade infantil pelo maior cuidado com sua higiene pessoal e com a da criança. Ao mesmo tempo, modifica o seu papel na divisão do trabalho no lar. Dá-lhes melhores condições de escolher a sua vida, o que estimula o uso de técnicas anticoncepcionais. Estas possibilitam o maior controle da taxa de fertilidade, o que tende a reduzir a taxa de natalidade.
Uma coisa parece clara: boas políticas públicas de assistência social, de saúde e de educação tendem a reduzir, simultaneamente, a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Isso torna incertos os efeitos sobre a taxa de crescimento da população, mas trabalha na direção de envelhecer a estrutura etária. Pesquisas demográficas da ONU mostram que a idade mediana da população nas nações mais desenvolvidas cresceu de 29 anos, em 1950, para 37 anos, em 2000, e está projetada em 46 anos em 2050.
O último trabalho do IBGE, Uma Abordagem Demográfica para Estimar o Padrão Histórico e os Níveis de Subnumeração de Pessoas nos Censos Demográficos e Contagem da População, incorpora uma projeção da população por sexo e idade até 2050, com as informações sobre a taxa de fecundidade dos dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006.
O trabalho constrói uma trajetória provável da taxa de fecundidade até 2050 e chega à conclusão que, no limite, ela será de 1,5 filho por mulher. Esse número seria alcançado entre 2027 e 2028. Obviamente, em certo momento isso estagnará o crescimento da população. Ela passará, em seguida, a decrescer. Verificadas as hipóteses, a população brasileira passaria por um máximo próximo a 220 milhões de habitantes em torno de 2040.
O resultado não deixa de ser surpreendente e deve ser levado em conta na formulação de nossas políticas econômica e social, uma vez que o envelhecimento da população será rápido e dramático. A idade mediana da população saltará de 20 para 40 anos de 1980 a 2030 e deve atingir 46 anos em 2050, a mesma estimada pela ONU para o mundo desenvolvido. O gráfico dá uma ideia da evolução da população do Brasil entre 1872 (o primeiro censo imperial) e 2008, e mostra as projeções da população e a composição etária até 2050.
Grosseiramente, até 2050 (que em termos de país é amanhã), o número de crianças cairá 56% (21,9 milhões) e o número de idosos aumentará 294% (36,5 milhões). É preciso formular políticas públicas que aumentem a produtividade dos que podem eventualmente trabalhar, que crescerá apenas 8,7% (11,1 milhões). A maior lição desses números é mostrar a futilidade das vinculações constitucionais para proteger certos setores, como se as necessidades da sociedade fossem fixas e eternas.

Delfim Netto

Sextante

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3526

Merck compra a Schering e intensifica a monopolização do setor farmacêutico

 

Com US$ 8,5 bilhões do JP Morgan Chase – provavelmente dinheiro público que deveria estar sendo usado para ativar a produção – a corporação farmacêutica Merck comprou a Schering-Plough, intensificando a monopolização do setor nos EUA e em breve demitindo trabalhadores. A transação envolveu US$ 41 bilhões, e mais da metade (56%) foi através de troca de ações.

A “nova” Merck será a número dois do mundo em faturamento, segundo previsão das agências internacionais, com base no volume atual de cada uma, que computados junto chega a US$ 47 bilhões. Comunicado conjunto divulgado no dia 9 confirmou a transação, sendo que os atuais acionistas da Merck terão 68% da empresa combinada e os da Schering, 32%. O capo da Merck, Richard Clark, anunciou planos de “economizar custos” de US$ 3,5 bilhões anuais. Traduzindo: demissões em massa à vista.

A Dow Chemical, mas-todonte do setor químico, adquiriu a concorrente Rohm and Haas por US$ 18 bilhões e, mais explícita, já dimen-sionou as demissões: vai fechar 3500 postos de trabalho. Que vão se somar aos 6.500 cujo corte havido sido anunciado pelas duas empresas anteriormente.

China quer crescimento com base na demanda interna

 

A China adotará o desenvolvimento do mercado interno como estratégia de longo prazo e tomará novas medidas para impulsionar o consumo e revitalizar a economia do país, afirmou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em seu informe à sessão de abertura da XI Assembléia Popular Nacional. Para este ano, a meta é de um crescimento de 8% do PIB e de criação de 9 milhões de empregos, e no final do ano passado a China anunciou um gigantesco plano de obras em infra-estrutura, bancado com recursos do governo e das estatais, já em execução.

Jiabao apontou que a China promoverá com papel destacado a demanda interna, para a retomada do crescimento econômico, desacelerado no último período devido à redução das exportações. Ele ressaltou que o governo chinês contribuirá de forma ativa para maior desenvolvimento do mercado interno, aumentando os ingressos da população, estimulando a compra de automóveis e o desenvolvimento da área rural.
Também será estimulada a construção civil, oferecendo moradia adequada às famílias com baixo poder aquisitivo, e acelerando a reconstrução das áreas afetadas pelo terremoto ocorrido na província de Sichuan em maio do ano passado, assinalou o primeiro-ministro chinês.

Ação do Citibank agora vale menos que bilhete de metrô

 

Papéis do Citi, inflados em 2007 a até 57 dólares, desabaram na quinta-feira dia 5 para US$ 1,02, chegando a ficar no meio do pregão a US$ 0,97

Em meio aos “testes de stress” a que estão sendo submetidos os 19 maiores bancos norte-americanos desde a quarta-feira de cinzas, as ações do Citibank furaram a barreira do US$ 1 na quinta-feira dia 5, e de acordo com piada que circula na internet, em breve serão oferecidas nas lojas de “tudo por 1 dólar”. Ou trocadas por uma tampinha de coca-cola em bom estado de conservação.

Conforme a agência Dow Jones, citando o economista Joseph Saluzzi, a situação real do Citibank é que “tem tantas obrigações, tantos ativos podres”, que suas ações “não seriam nem mesmo negociadas, não fosse o suporte do governo”. Os papéis do Citibank, inflados em 2007 a até US$ 57 dólares, desabaram na quinta-feira dia 5 para US$ 1,02, chegando a ficar no meio do pregão a US$ 0,97. “Se você me dissesse no meio de 2007 que o Citi escorregaria abaixo de US$ 1, eu diria que você era um louco”, afirmou Saluzzi. Aliás, no final de fevereiro, o Citibank só se manteve à tona após anúncio de acordo com o governo Obama para transformação das ações preferenciais em mãos do Tesouro, com o bail out, em ações ordinárias, com direito a voto, o que significa assumir 36% do controle do banco, se tornando no maior acionista. Antes disso, o Citibank chegara a perder em cinco dias 44% do valor com que vinha sendo “cotado”. (Bons tempos aqueles, do auge da bolha, em 2007, quando o Citi era ‘o maior banco do mundo em valor de mercado’; ou da nossa Década Perdida, quando, do alto do Comitê dos Credores, achacava países e arrotava soluções, do FMI, para tudo).

O mesmo quadro de banco zumbi é compartilhado pelo Bank of America (BofA), que, guloso, engoliu o Merrill Lynch e sofreu indigestão braba. Na mesma semana de fevereiro em que as ações do Citibank encolheram 44%, nada menos de 32% do suposto valor do BofA foi pelo ralo. A propósito, segundo a revista inglesa “The Economist” a conversão em ações ordinárias do dinheiro que o governo dos EUA já botou nesses dois bancos, pelo “valor de mercado” de fevereiro, levaria o Estado a ser dono de “dois terços do BofA e de cerca de 80% do Citi”.

JP MORGAN: -13,99%

A primeira semana de março também abalroou o JP Morgan Chase, que tem posado de “mais sólido”, e cujo “valor” se reduziu de 13,99% após a agência de “classificação de risco” Moody’s rever para negativa a tendência do status do banco. Também foram revistas as classificações do Wells Fargo, e do Bank of America, com reduções no valor de respectivamente 16% e 11,7%. Já a AIG teve de ser levada para a UTI de novo. Se o Citibank furou a barreira da ação a US$ 1, a GM está chegando lá: na sexta-feira dia 6, sua cotação na bolsa afundou 22%, para US$ 1,45 a ação. Outros portentos da fina flor dos monopólios dos EUA deram de cara na barreira de US$ 10 a ação, como a American Express, a GE, Dow Chemical e a Alcoa.

ANTONIO PIMENTA