quinta-feira, abril 18, 2013

Os 35 Melhores Filmes da Esquerda

Os 35 Melhores Filmes da Esquerda:

Os links pra alguns deles!


1900
http://www.youtube.com/watch?v=g721yKOLMYo


O Encouraçado Potemkin
http://www.youtube.com/watch?v=3i9FkLOac9s


A Verdade da Crise
https://vimeo.com/34043987


October: Ten Days That Shook the World - Sergei M. Eisenstein
http://www.youtube.com/watch?v=k62eaN9-TLY



I AM CUBA soy cuba
http://www.youtube.com/watch?v=QS2A2NSUOEw


Charles Chaplin - Tempos Modernos - Modern Times (1936)
http://www.youtube.com/watch?v=bDkM0ux6H50



État de Siège (Estado de Sítio -- Legendas embutidas)
http://www.youtube.com/watch?v=3D5wl6aejyg



'via Blog this'

Milagre em Wall Street: o “gás de xisto” e suas incríveis virtudes

Milagre em Wall Street: o “gás de xisto” e suas incríveis virtudes

'via Blog this'

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Cidade Verde

Cidade Verde

Cidade Verde é a versão destinada às escolas do jogo premiado mundialmente, City Rain. No jogo Cidade Verde, o aluno entra na pele de um prefeito que deve construir sua cidade atendendo às necessidades sociais e desenvolvendo a economia ao mesmo tempo em que cuida do meio ambiente, vivenciando assim umdesenvolvimento sustentável.

domingo, junho 24, 2012

O zurro desnacionalizante

O zurro desnacionalizante 
Em todos os setores onde as multinacionais passaram a ser predominantes, foram eliminados, ou espremidos violentamente, os elos da cadeia produtiva que fabricavam bens intermediários para a própria indústria. E sem indústria de componentes, bens intermediários, é inútil falar em inovação tecnológica ou salto de competitividade
CARLOS LOPES
Este artigo já estava pronto quando acabamos de ler o relatório da consultoria norte-americana Price Waterhouse (PW) sobre as "fusões e aquisições" no Brasil, correspondente ao mês de abril. Por alguma razão, que não precisamos aventar, os relatórios dessa consultoria são bem menos precisos que os da consultoria holandesa KPMG – que são trimestrais – utilizados em artigo recente (ver HP, 25/04/2012 e, sobretudo, a errata publicada na edição de 09/05/2012).
É um pouco triste ter que recorrer a relatórios de consultorias holandesas ou norte-americanas para saber a situação da economia brasileira. No entanto, assim é a vida. Um dia – esperemos que brevemente – o Estado brasileiro poderá fornecer tais informações. Portanto, continuemos.
Segundo a PW, cujos números de "fusões e aquisições" de empresas nacionais pelo capital estrangeiro costumam ser inferiores aos da KPMG, o resultado do primeiro quadrimestre (87 transações) foi 40% "acima da média dos últimos três anos". Lembremos que a KPMG, quanto ao primeiro trimestre, registrou um aumento de 117% nas desnacionalizações, em relação ao mesmo período do ano passado.
Este artigo não era dedicado a mostrar a desnacionalização em massa de empresas brasileiras, mas às suas consequências, em especial o atraso tecnológico que implica essa desnacionalização. A rigor, eram notas de leitura de alguns artigos e textos de economistas brasileiros.
Entretanto, dizia-se antigamente, Deus põe e o diabo dispõe. Mas, às vezes, o contrário deve ser verdadeiro - pois há coisas postas que merecem ser, muito justamente, dispostas. Assim, resolvemos dar uma olhada nos jornais, estabelecendo um intervalo de tempo – somente desde o dia 1º deste mês – para ver o que aparecia sobre a desnacionalização de empresas brasileiras.
Em suma, leitor, encontramos o seguinte:
Dia 01/06:
- A CTF, maior empresa nacional de cartões de combustíveis, foi comprada pela norte-americana FleetCor Technologies.
- A SLC, uma das maiores companhias brasileiras no ramo da agroindústria, foi comprada pelo Valiance Asset Management Limited, com sede na Inglaterra.
- A empresa mineira Senergy foi comprada pela alemã Siemens.
- A Meizler Biopharma, empresa brasileira farmacêutica, foi comprada pela multinacional belga UCB.
- A Netshoes, de artigos esportivos, passou a ser controlada pela Temasek, de Singapura.
- O notório sr. George Soros entabulava negociações para adquirir a Haztec, empresa brasileira da área ambiental.
Dia 04/06:
- A Siac, de Minas Gerais - que produz cabines, toldos e plataformas para máquinas de movimentação de terra, agrícolas, florestais e mineração – foi comprada pela International Equipment Solutions, pertencente ao fundo KPS Capital Partners, dos EUA.
- A SFDK, empresa nacional de análise de produtos alimentícios, foi comprada pela TUEV SUED, da Alemanha.
- 40% da BSM Engenharia, fornecedora da Petrobrás, foi comprada pelo Acon Investment, dos EUA.
- A Flores Online, cujo nome dispensa apresentações, teve 32,5% do capital comprado pela 1-800-flowers.com, dos EUA.
Dia 05/06:
- A XPRO, empresa nacional de equipamentos médicos (em especial, Raio-X), foi comprada pela GE.
- A divisão de catalisadores da Oxiteno, empresa do grupo Ultra, foi vendida para a suíça Clariant (a fusão da Sandoz com a Hoechst).
Dia 06/06:
- A Yoggi, aquela do iogurte, foi comprada pela BFFC (EUA).
Dia 08/06:
- A Manager Systems (apesar do nome, uma empresa nacional de software médico) foi comprada pela 7 Medical Systems (EUA).
Dia 11/06:
- A Crivo, da área de tecnologia da informação (TI), foi adquirida pelo TransUnion, formado pelo Goldman Sachs Capital Partners e pelo Advent International.
- A rede de restaurantes Batata Inglesa e suas empresas (Marcas Comestíveis, Orange Fantasy e Squadro Lanchonetes) são adquiridas pela International Meal Company (IMC), dos EUA.
- A Taterka, uma agência de publicidade brasileira, é adquirida pelo Publicis Groupe, da França.
Dia 17/06:
- A Itaforte BioProdutos, que produz defensivos biológicos para a agricultura, foi comprada pela Koppert Biological Systems, com sede na Holanda.
Bem, leitor, nós paramos por aqui.
INTERESSE
Pode ser uma besteira, mas achamos que não tínhamos o direito de sonegar esta realidade ao leitor. No entanto, há algo que gostaríamos de advertir: nesse levantamento, onde consta somente o que saiu na imprensa, deixamos de lado todos os casos duvidosos – a começar pelos negócios algo misteriosos do sr. Eike Batista com a GE, IBM, E.ON, IMG Worldwilde, Mubadala, etc. O sr. Eike é o único empresário supostamente brasileiro quesempre consegue se associar a empresas estrangeiras com estas em minoria. Como ele também negocia ações, na Bolsa, de empresas que não estão funcionando – e ainda consegue que o BNDES lhe financie – pode ser outro milagre empresarial...
Mas, voltemos: apesar do período de apenas 17 dias, com 18 negócios, parecer uma enxurrada de desnacionalizações, devemos frisar que, mesmo sem fazer uma busca completa nos jornais de todos os dias, contamos, no mês anterior, 30 desnacionalizações de empresas: 15 empresas nacionais passaram a ser controladas por empresas ou fundos dos EUA; as empresas ou fundos franceses levaram duas; aqueles com sede na Holanda, mais duas; e companhias ou fundos sediados na Alemanha, Inglaterra, Espanha, Suíça, Japão, Austrália, África do Sul, Singapura, Índia, Portugal e Chile levaram, cada, uma empresa nacional, ou seja, 11 ao todo.
Mas isso foi apenas um levantamento quase ao acaso nas edições de maio dos jornais, com um resultado inferior ao que sugere o próprio relatório da Price Waterhouse para abril. Apesar de não ser preciso – não há números para desnacionalizações no mês – em abril a PW registra ao todo 59 negócios (entre "fusões e aquisições" com participação do capital estrangeiro e outras) e sublinha que "o interesse do investidor estrangeiro [em comprar empresas] no País tem aumentado frente às incertezas encontradas nos mercados internacionais e deve aumentar nos próximos meses".
SALTO
Com esse problema pela frente, nos parece algo delirante voltar a falar em "internacionalização de empresas brasileiras", como recentemente apareceu em alguns textos econômicos. Já abordamos esse assunto – e por ora nos parece suficiente (ver "O canto das sereias fracassadas: as ‘multinacionais’ brasileiras", HP, 19/02/2010; HP, 24/02/2010; e HP, 26/10/2010).
Vamos, portanto, à coisa mais séria. Nossa questão, evidentemente, é a inversa: se continuarmos desse jeito, restarão muito poucas empresas nacionais no mercado interno, se é que restará alguma. Existe gente – por exemplo, o atual ministro da Fazenda - que não acha isso ruim. O problema, portanto, é: quais seriam as consequências disso? Mais precisamente: quais estão sendo as consequências? Aqui, nos deteremos, basicamente, sobre o desenvolvimento tecnológico, em tentativa de atender ao chamamento da presidente Dilma, que declarou, no último dia 4, na recepção ao rei da Espanha: "O Brasil está se preparando para um salto de competitividade em sua economia. Para isso é necessário um desenvolvimento acelerado de nossas capacidades científicas e tecnológicas".
CAPACITAÇÃO
A invasão das multinacionais – isto é, a aquisição em massa de empresas nacionais por dinheiro estrangeiro - implica, necessariamente, em desindustrialização do país, na medida em que devasta a indústria de componentes e bens intermediários. O exemplo mais evidente é a indústria eletrônica, que teve a fabricação de componentes liquidada no governo Fernando Henrique Cardoso – a fabricação foi substituída pela importação.
No entanto, não é somente na indústria eletrônica que isso aconteceu – em todos os setores onde as multinacionais passaram a ser predominantes, foram eliminados, ou espremidos violentamente, os elos da cadeia produtiva que fabricavam bens intermediários para a própria indústria. E sem indústria de componentes, bens intermediários, é inútil falar em inovação tecnológica ou salto de competitividade. Que grande inovação tecnológica pode haver na montagem de componentes importados?
Não é uma descoberta nova. Aliás, não é nenhuma novidade que a desnacionalização leva não somente à estagnação tecnológica, como à perda da capacidade tecnológica já conquistada. Por exemplo, alguns trechos de um autor hoje muito badalado, embora não exatamente como autor econômico:
"... o governo [Fernando Henrique] assistiu – e até colaborou com ele – a um ciclo maciço e imprevidente de desnacionalização. (…) as empresas de capital nacional foram sendo adquiridas em massa por competidores e entrantes estrangeiros. (…) Esta grave debilitação dos atores empresariais nacionais representa o risco de irremediáveis retrocessos em termos de capacitação e desenvolvimento tecnológico local, além de enfraquecer seriamente a capacidade do Estado brasileiro em negociar com o capital estrangeiro e induzir assim decisões estratégicas de interesse para o desenvolvimento do país. (…) O Brasil se debate (…) com uma profunda fragilização do empresariado nacional, tornando muito difícil a formulação de um projeto de desenvolvimento. (…) pois será necessário, antes, reconstruir fundamentos para sustentá-lo" (Luciano Coutinho, "Coreia do Sul e Brasil: paralelos, sucessos e desastres", in Fiori, J.L. (org.). "Estados e moedas no desenvolvimento das nações", Petrópolis, Vozes, 1999, pág. 377).
O leitor pode se surpreender com o autor dos trechos acima. Mas a verdade é que o sr. Luciano Coutinho escrevia muito bem há 13 anos. Talvez o problema tenha sido nomeá-lo para a presidência do BNDES...
IDE
As multinacionais monopolizam o desenvolvimento tecnológico (a P&D – pesquisa e desenvolvimento) e o concentram no país onde se localiza a matriz. Esse é exatamente o conteúdo do "pós-industrialismo" e da "economia de serviços", ideologia predominante na direção dos monopólios norte-americanos: transferir unidades produtivas para países com mão de obra mais barata e centralizar na matriz as atividades e gastos com P&D. O modo como esse monopólio se exerce, concretamente, é através das importações de bens intermediários – componentes – pelas filiais de multinacionais, ainda que muitos sejam fabricados por outras filiais ou outras empresas fora do país-matriz. O que importa aqui é que a maioria dos elos da cadeia anteriores à montagem final, ou todos, estão fora do país em que a filial faz essa montagem.
Por isso, a desnacionalização da economia – e, em especial, a desnacionalização da indústria – implica, necessariamente, em estagnação e atraso tecnológico.
Um trabalho recente sobre a relação entre "investimento direto estrangeiro" (IDE) e desenvolvimento tecnológico faz a seguinte consideração, resumindo as conclusões da economista norte-americana Alice H. Amsden:
"... se um país em desenvolvimento pretende superar seu atraso tecnológico, a atração de empresas multinacionais não seria o melhor caminho a ser buscado, dado que a internacionalização tecnológica ocorre em montante limitado, e direciona-se especialmente a processos pouco inovadores. Mesmo considerando que as subsidiárias investem em aprendizado local para adaptar os produtos às preferências dos consumidores locais, o desenvolvimento completo de um novo produto ou processo próximo à fronteira mundial é praticamente inexistente. Portanto, a importância do IDE como o principal canal de transferência de tecnologia não deve ser superestimada, nem vista como um modo fácil de construir capacidade inovativa interna. Políticas voltadas ao aprimoramento do esforço inovador doméstico, a partir do fortalecimento de firmas e laboratórios de pesquisa nacionais, seriam o meio mais eficaz de garantir avanços tecnológicos a estes países" (Graziela Ferrero Zucoloto, "Desenvolvimento tecnológico por empresas multinacionais no Brasil e na Coreia do Sul", TD nº 1736, IPEA, Rio, maio 2012, pág. 11 – grifo nosso).
A autora acrescenta a seguinte nota:
"Freeman (1987), apud Cassiolato (1992), enfatiza que a transferência tecnológica via subsidiárias, como a importação de turnkey plants elaboradas e implementadas por estrangeiros, não resulta em um processo intenso de acumulação tecnológica na empresa ou país receptor, que teria uma atuação passiva. O autor compara esses métodos com a política japonesa de rejeitar investimento estrangeiro e colocar a responsabilidade total na firma doméstica pela assimilação e aprimoramento da tecnologia importada, o que levou o Japão a se tornar uma potência tecnológica. Entre os fatores de sucesso da política japonesa, o autor enfatiza o comprometimento de toda a organização com a criação de novos produtos e processos, de modo não visto em outros países".
Para o leitor interessado, a referência citada nesta nota é a tese de doutorado do economista José Eduardo Cassiolato, "The role of user-producer relations in innovation and diffusion of new technologies: lessons from Brazil", Universidade de Sussex, Brighton, Reino Unido, 1992.
ESFORÇO
Em trabalho anterior da mesma autora, analisando o "esforço tecnológico relativo" (a relação entre gastos com P&D e valor da produção), a conclusão é, também, clara:
"... foi identificada (...) uma correlação negativa entre esforço tecnológico relativo e controle estrangeiro na receita operacional líquida. (…) Os dados indicam que, em geral, quanto maior o controle estrangeiro em um determinado setor, menor o esforço tecnológico relativo por ele realizado". (…) é válido ressaltar a correlação negativa entre o esforço tecnológico relativo e a presença estrangeira na indústria de transformação brasileira. (Graziela Ferrero Zucoloto e Rudinei Toneto Júnior, "Esforço tecnológico da indústria de transformação brasileira - uma comparação com países selecionados", Rev. Econ. Cont., Rio, 9(2), maio/agosto, 2005, págs. 337, 358 e 362– grifos nossos).
Notavelmente – embora não inesperadamente – em todos os setores onde foi maior o "esforço tecnológico", tal se deveu à iniciativa nacional, pública ou privada. Assim:
"... para 13 dos 17 setores (…) observa-se que se o esforço tecnológico relativo é superior (inferior) à média da indústria de transformação, o controle estrangeiro na receita operacional encontra-se abaixo (acima) da média. Isto ocorre, como sugerido anteriormente, porque as multinacionais tendem a concentrar suas atividades de pesquisa, assim como as atividades produtivas mais sofisticadas, em seus países-sede. (…) Por outro lado, setores com predomínio de empresas locais acabam desenvolvendo localmente as pesquisas necessárias para seu desenvolvimento tecnológico" (idem, págs. 358/359).
Em relação a países da OCDE (que reúne os principais países europeus), o "esforço tecnológico [gastos com P&D/valor da produção x 100] da indústria de transformação brasileira, 0,67%, representa apenas 37,1% do esforço realizado, em média, pelos países selecionados. Os melhores desempenhos ficam por conta de petróleo, aeronaves, madeira e celulose e papel, setores nos quais o desempenho nacional se destaca positivamente em relação ao observado nos países selecionados" (pág. 347).
Resumindo alguns aspectos, o desenvolvimento tecnológico na área do petróleo é devido, evidentemente, à inciativa estatal, devido à Petrobrás; quanto às aeronaves, também:
"... é possível afirmar que o resultado positivo desta indústria no Brasil não é aleatório, mas fruto, inicialmente, da política de incentivos existente desde a fundação da Embraer, nos anos 70. Diferentemente do ocorrido em grande parte dos setores nacionais - nos quais as firmas buscaram essencialmente dominar tecnologias desenvolvidas externamente -, a empresa apresentou, desde o começo, uma preocupação com sua capacidade inovadora, fundamentando-se na constante busca de autonomia tecnológica" (pág. 349 – grifo nosso).
Em síntese, o resultado positivo da Embraer quanto ao desenvolvimento tecnológico próprio foi devido ao seu caráter antes da privatização – isto é, ao seu caráter estatal.
Menos conhecido é o caso da indústria de "madeira, celulose e papel":
"... a positiva performance tecnológica está diretamente relacionada ao fortalecimento da indústria nacional de celulose fibra curta de eucalipto, que vem apresentando crescente capacidade competitiva. (...) esse resultado reflete investimentos históricos realizados pelo setor. Já no início dos anos 50, técnicos da S.A. Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo inovaram ao conseguir produzir papel para escrever com celulose de eucalipto. O sucesso do experimento levou algumas empresas a pesquisarem o processo industrial de produção de celulose de eucalipto em grande escala e sua aplicabilidade para a produção de papel de escrever de boa qualidade. O êxito das pesquisas com o eucalipto permitiu a ampliação da produção de celulose no Brasil. Merece destaque a dedicação de algumas companhias da época, como Panamericana Têxtil, Suzano e Papel Simão, que realizaram investimentos em laboratórios nacionais e no exterior para garantir um produto similar ao papel fabricado com celulose fibra longa. Durante o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) foi formulado o Primeiro Programa Nacional de Papel e Celulose (I PNPC), em 1974. Nesse momento, ganha impulso a pesquisa voltada a aprimorar a tecnologia florestal. As grandes empresas de celulose passam a investir no melhoramento genético que resultou, nos anos 90, na maior produtividade florestal do mundo".


Continuação da edição anterior
Durante anos, houve quem propagandeasse, em nosso país, que a empresa nacional – especialmente a empresa industrial nacional – era desnecessária. E todas as vezes em que tal estupidez prevaleceu, não fizemos mais do que regredir
CARLOS LOPES
Se os avanços tecnológicos brasileiros nas áreas do petróleo, aeronaves, madeira, celulose e papel evidenciam que quanto menor o controle estrangeiro sobre determinado setor da economia, maior o "esforço tecnológico" (=gastos com P&D/valor da produção X 100), a recíproca mostrou-se verdadeira. Quanto mais desnacionalizado um setor, menor o "esforço tecnológico" - inclusive quanto aos gastos com P&D das próprias filiais de multinacionais:
"Os destaques negativos ficam por conta dos setores químico, eletrônico e informática, nos quais a relação entre o Brasil e a média da OCDE foi de, respectivamente, 17,7%, 22,8% e 31,2%. (…) no caso de produtos farmacêuticos este percentual é ainda mais frágil, alcançando somente 9,3%" (cf. G.F. Zucoloto e R. Toneto Júnior, loc. cit., pág. 351).
Os autores procedem a uma breve, porém suficiente, análise desses setores:
1) "No caso do setor químico, ressalta-se a crescente internacionalização produtiva e comercial que vem ocorrendo especialmente a partir da abertura comercial nos anos 90, deslocando a produção de commodities para os países em desenvolvimento, enquanto os produtos e processos mais sofisticados ficam concentrados em nações tecnologicamente avançadas. Este padrão produtivo é responsável pelos crescentes déficits comerciais observados nessa indústria no Brasil: as exportações de commodities compensam cada vez menos a crescente importação de bens não padronizados. (…) as importações passaram a responder, após a abertura comercial, pelos produtos mais caros e diferenciados" (loc. cit., pág. 351 – grifo nosso).
Os autores registram que o pouco que as multinacionais investiam no país em P&D, também regrediu com o aumento da desnacionalização, isto é, com o aumento do seu poder de monopólio sobre o mercado:
"No setor químico (…), como consequência da abertura econômica, várias empresas eliminaram seus departamentos de P&D no Brasil, agravando a distância em relação às inversões em pesquisa e desenvolvimento praticadas no exterior e aprofundando a dependência em relação às inovações geradas externamente" (loc. cit., pág. 352).
Porém, passemos aos outros ramos:
2) "Em relação às indústrias eletrônica e de informática, similarmente, parte significativa da produção se encontra em etapas produtivas básicas, de limitado valor adicionado, caracterizadas pela maciça importação de componentes ou kits fechados -nos quais já se encontra a principal parte do valor do produto final - que são apenas montados nacionalmente. Considerando que o valor dos produtos eletrônicos se concentra crescentemente nos componentes que os compõem, a montagem do bem final realizada em território nacional torna-se uma atividade de cada vez menos valor. (…) a indústria de componentes nacional foi praticamente eliminada, sendo substituída por importações elevadas que são responsáveis pelos elevados déficits comerciais observados atualmente no setor" (loc. cit., pág. 352 – grifos nossos).
O que vem a seguir é a constatação de um fato:
"Essas indústrias, que se destacam pela atuação predominante de firmas estrangeiras, tendem a concentrar as atividades de pesquisa nas nações de suas matrizes, ou próximas a ela" (idem).
Não se trata de uma generalidade, como diriam alguns, "ideológica", como demonstra a nota de rodapé na mesma página: "O controle estrangeiro na receita operacional líquida da indústria de transformação foi de 35%. Nos setores químico, eletrônico e de informática esse percentual alcançou, respectivamente, 48%, 59% e 45%; em contrapartida, no setor de celulose a participação estrangeira foi de 21%. (Moreira, 1999, estatísticas de 1997)".
Esses números são de 15 anos atrás, citados em trabalho do economista Maurício Mesquita Moreira, na coletânea "A Economia Brasileira nos Anos Noventa", publicada pelo BNDES. Como já mencionamos em artigo anterior (HP, 24/02/2010), trata-se de um estudo de 26 mil empresas, que, entre seus resultados, encontra: "... para um dado setor e para um dado tamanho de firma, as exportações das empresas estrangeiras são, em média, 179% superiores às nacionais, enquanto no caso das importações essa superioridade chega a 316%" (cf. M.M. Moreira, "Estrangeiros em uma economia aberta: impactos recentes sobre a produtividade, a concentração e o comércio exterior", 1999, pág. 368 da coletânea citada - grifo nosso).
Essa era a situação em 1997, em pleno surto de desnacionalizações do governo FH, mas antes do surto atual, acirrado a partir de 2006.
Mas, voltemos aos setores com menor "esforço tecnológico":
3) "A redução das tarifas de importação de insumos e medicamentos prontos a quase zero acarretou a concentração da produção nas etapas de menor valor adicionado e o forte incremento das importações, que vêm substituindo em grande parte a produção interna" (Zucoloto e Toneto, art. cit., pág. 353).
Aqui, também é importante a nota na mesma página: "... a indústria farmacêutica atua em quatro estágios de desenvolvimento: (1) P&D, (2) produção de fármacos, (3) produção de especialidades farmacêuticas e (4) marketing e comercialização de especialidades farmacêuticas. (…) o movimento predominante nas filiais (…) foi o de desativar suas produções locais de fármacos, passando a importá-los de suas matrizes. Diversas empresas passaram a importar também os medicamentos prontos, realizando somente a atividade comercial".
CONHECIMENTO
Alguns leitores, já convencidos há muito – afinal, não é uma descoberta nova - de que a invasão do país por filiais de multinacionais é um atraso de vida, pior ainda quando se dá pela compra em massa e desnacionalização de empresas nacionais, podem estranhar a forma como estamos repisando argumentos e citando trabalhos – sobretudo empíricos – mais recentes.
No entanto, se há um campo do conhecimento especialmente sujeito à luta política e ideológica, este é a economia (o que se chamava, com mais exatidão, "economia política"). Frequentemente, em novas situações (ou nem tão novas, quanto à essência) é necessário provar que determinadas verdades continuam verdadeiras – ou não.
Por exemplo, vejamos o seguinte trecho de um artigo que saiu na imprensa no último dia 15:
"Só até o mês de maio, mais de 10 grandes empresas brasileiras foram compradas por grupos internacionais. Carlos Alberto Milani, economista do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), afirma que este fenômeno tem efeito positivo na economia brasileira. ‘É dinheiro estrangeiro entrando no país que culmina não apenas em futuros projetos que serão feitos pelos empresários que venderam seus negócios como também em tecnologia e investimento de ponta – ainda não disponível no país – que vêm de fora’, explica".
Apesar da desnacionalização ("10 grandes empresas") estar subestimada, não é o principal problema. Este consiste em que há espaço, ainda, para se afirmar, em nome da sabedoria econômica (?), um descalabro como esse, oposto à toda realidade, sem que gargalhadas sejam ouvidas entre o Oiapoque e o Chuí - ou que alguém, mais nervoso, comece a vaiar.
A saber:
a) não é verdade, com as exceções de praxe, que os ex-empresários, depois de vender as suas empresas, vão empreender "futuros projetos". Simplesmente, como a economia torna-se mais fechada, mais excludente, com a invasão de multinacionais, eles preferirão, em geral, viver dos rendimentos que lhe possam proporcionar o dinheiro que receberam. Assim, empresários produtivos são transformados em rentistas, sobrevivendo de ganhos improdutivos. Isso é tão evidente que nem mesmo a "Veja" - o que é um recorde –, e já há muitos anos, insiste nesse conto da carochinha dos "futuros projetos" de ex-empresários, inventado pelo tresloucado Gustavo Franco, o guru dos tucanos. Depois de passar pelo aperreio de vender a sua empresa, por que a maioria dos ex-empresários, com o país tomado por filiais de multinacionais e sem nenhuma mudança à vista na economia, iria gastar o seu dinheiro para acabar no mesmo angustiante fim?
b) não é verdade que a desnacionalização traga para o país "tecnologia e investimento de ponta". Pelo contrário. A invasão das multinacionais faz o país regredir tecnologicamente. Mas esse é, precisamente, o nosso assunto.
O que se pode afirmar – e irretorquivelmente, a partir de todos os dados – é sintetizado pelos autores do trabalho que resumimos: "... as indústrias química, eletrônica e de informática se destacam pelos piores desempenhos comparativos. Este resultado pode ser considerado um indicador do atraso tecnológico nacional, dado que estas indústrias são as que apresentam maiores condições de gerar inovações e difundi-las para as demais. Ao apresentarem severas fragilidades produtivas e tecnológicas, comprometem o desenvolvimento de toda a economia" (loc. cit., pág. 361).
O que tem um nome: desindustrialização, com uma especificidade mais ou menos evidente - como nota o professor José Eduardo Cassiolato, do Instituto de Economia da UFRJ, além do valor adicionado pela indústria de transformação ter-se reduzido a 14,6% do PIB ("na China, por exemplo, a indústria é mais de 40% do PIB chinês", diz Cassiolato), "o peso relativo dos setores mais dinâmicos, (…) basicamente a indústria do complexo eletrônico - desde a indústria de computadores, software, telecomunicações, microeletrônica - é muito pequeno se compararmos (…) mesmo com países em desenvolvimento (...). Isso quer dizer que o peso desse setor da indústria, no caso brasileiro, está entre 5% a 8% do PIB da indústria, enquanto nos países dinâmicos ele está acima de 20%" (ver entrevista à Revista do Instituto Humanitas da Unisinos, nº 218, Ano VII, 07/05/2007).
O professor Cassiolato dirigiu uma pesquisa em três áreas – a indústria do fumo no Vale do Rio Pardo (RS), a indústria automobilística em Minas Gerais e o setor de telecomunicações em Campinas (SP) – de onde depreende-se, também, que quanto maior a desnacionalização, menos as multinacionais gastam em P&D nos países em que instalam filiais:
"A Fiat gradualmente aumentou seus investimentos locais em P&D, dos últimos anos da década de 80 até o meio dos anos 90: a mais notável realização foi um modelo de carro (o Palio), totalmente projetado e desenvolvido por equipes locais de P&D. Essa situação mudou completamente como resultado da liberalização de meados dos anos 90. Primeiro, um dos mais relevantes impactos desse processo sobre o setor brasileiro de autopeças é o aumento da parcela do mercado ocupada por empresas estrangeiras. Na verdade, as maiores empresas nacionais de autopeças quase desapareceram durante esse processo. Nossa pesquisa revelou que, como resultado, as atividades de P&D quase desapareceram, sendo transferidas para os departamentos de P&D das matrizes, fora do país (…). A evidência mostra que somente 18 fornecedores da Fiat têm patentes registradas no Brasil. O número total de patentes, 87, na maior parte refere-se a pequenos melhoramentos na tecnologia. Outro ilustrativo exemplo desse recuo (downgrading) no processo de desenvolvimento tecnológico é dado pela própria Fiat. Antes da liberalização econômica e da emergência do carro global, seu departamento de engenharia costumava empregar quase 400 pessoas. Na última década, o departamento encolheu rapidamente, contando hoje [2001] com não mais que 100 empregados. Uma estratégia de concentrar no Brasil somente pequenos esforços inovativos foi colocada em ação. Portanto, durante as últimas décadas, tem existido uma crescente intenacionalização da indústria local, com muitos fornecedores nacionais sendo substituídos por fornecedores globais. Alguns especialistas chamaram esse processo de "italianização" da indústria de autopeças de Minas Gerais, pois a Fiat tem estimulado a entrada de fornecedores europeus com uma longa relação com ela na Itália. De fato, enquanto em 1994, dos 42 fornecedores da Fiat, 81% eram nacionais, em nossa amostra somente 20%, dos 20 que responderam, eram fornecedores nacionais e 60% eram subsidiárias de fornecedores globais. NOTA: Quase 80% das subsidiárias de fornecedores globais que responderam ao questionário eram italianas". (J. E. Cassiolato, H. M. M. Lastres, M. Szapiro e M. A. Vargas, "Local systems of innovation in Brazil, development and transnational corporations: a preliminary assessment based on empirical results of a research project", Nelson and Winter Conference in Aalborg, 2001, pág. 9).
Por ser um caso mais conhecido, não transcreveremos o processo de devastação da indústria nacional na área de telecomunicações – embora, no "paper" citado, haja uma descrição muito precisa e sintética desse processo.
PRODUÇÃO
O economista norte-americano Ian Fletcher, do U.S. Business and Industry Council, em artigo que traduzimos e publicamos nesta página, cita o livro Manufacturing Matters, de Stephen Cohen e John Zysman: "a menos que esteja firmemente ligada à fabricação do produto, a P&D ficará para trás da margem de corte do incremento de inovação. As altas tecnologias gravitam em direção ao estado da arte dos produtores" (HP, 28/07/2010 – o original, "The Death of the Postindustrial Dream", foi publicado em The Huffington Post, 22/07/2010 – grifo nosso).
Fletcher criticava as belas teorias "pós-industriais", segundo as quais os EUA deveriam ser uma "economia de serviços". Seu comentário à citação de Cohen e Zysman é preciso:
"A montagem final ‘na chave de fenda’, de fato, pode, cada vez mais, ser feita em qualquer parte do mundo. Isto a abre para a arbitragem do trabalho, e, assim, para os baixos salários. Mas isso não significa que essa etapa da longa cadeia que vai do fornecimento de matérias-primas até ao consumidor tenha se tornado sem importância. Cada elo da cadeia ainda importa, embora de modos diferentes. A produção industrial implica em um contínuo feedback, onde cada etapa - da ideia inicial à P&D [pesquisa e desenvolvimento], ao protótipo, à produção em plena escala, ao marketing do produto final - está relacionada com as outras. A perda do controle de qualquer etapa pode levar facilmente à perda da indústria inteira, inclusive da capacidade necessária para evoluir até o próximo produto ou nível de sofisticação industrial" (grifo nosso).
Hoje, apenas dois anos depois, com a China nos calcanhares dos EUA inclusive quanto aos manufaturados de alta tecnologia, parece evidente que Fletcher tem razão.
Implícito na sua argumentação - ou até mais do que implícito – está a compreensão de que só é possível o desenvolvimento tecnológico (e o desenvolvimento econômico em geral) com base: 1) na indústria manufatureira, ou seja, na indústria de transformação; 2) na indústria de transformação nacional.
Realmente, não há desenvolvimento tecnológico possível (e verdadeiro) sem indústria própria, isto é, nacional. Inexiste razão para que uma filial de multinacional gaste seus lucros com investimentos em P&D, num país que não é o seu, possuindo o monopólio do mercado – o que equivale a dizer: sem nenhuma empresa nacional no mesmo setor.
MERCADO
Durante anos, houve quem propagandeasse, em nosso país, que a empresa nacional – especialmente a empresa industrial nacional – era desnecessária. E todas as vezes em que tal estupidez – o leitor há de convir: esse zurro antinacional – prevaleceu, não fizemos mais do que regredir.
Como é possível dar prioridade ao mercado interno, isto é, ao mercado nacional, sem indústria nacional? Não por acaso, os paladinos da invasão multinacional sempre usaram, à guisa de argumento, a inserção dessas empresas no mercado externo.
Há coisas que podem parecer evidentes, mas, por isso mesmo, merecem ser reafirmadas:
"... a geração e a difusão de conhecimento ainda estão severamente concentradas, sendo tal centralização um meio de as grandes firmas dos países desenvolvidos garantirem a apropriação dos resultados de seus investimentos em tecnologias. (…) em mercados monopolísticos, a origem de capital é um diferencial (...). Dados os baixos investimentos em P&D realizados, de maneira geral, pelas subsidiárias, se estas empresas predominarem em uma indústria, limitando a atuação de firmas nacionais, é pouco provável que atividades de P&D ocorram de forma significativa. (…) nesta década as multinacionais reduziram significativamente suas atividades tecnológicas locais, havendo desintegração nas redes inovativas e produtivas" (G.F. Zucoloto, "Desenvolvimento tecnológico por empresas multinacionais no Brasil e na Coreia do Sul", TD 1736, IPEA, Rio, maio 2012, págs. 9, 11 e 19).
A reversão desse quadro é uma questão política. Alguém já disse que se trata de escolher que desenvolvimento nós queremos. Entretanto, antes, trata-se de escolher se queremos ter desenvolvimento. Um dos trabalhos que mencionamos, termina com algumas palavras de Celso Furtado, que reproduzimos – expandindo um pouco a citação:
"A miragem de um mundo comportando-se dentro das mesmas regras ditadas por um super-FMI existe apenas na imaginação de certas pessoas. (…) A ideia de que o mundo tende a se homogeneizar decorre da aceitação acrítica de teses economicistas. (…) a distribuição da renda nos planos nacional e internacional é assunto regido predominantemente por fatores políticos. (…) Nossa política econômica deveria adotar como objetivo estratégico o crescimento do mercado interno, o que significa privilegiar os interesses da população" (Celso Furtado, "O Capitalismo Global", Paz e Terra, 1998).



Jornal Hora do Povo:

'via Blog this'

domingo, maio 27, 2012

Instituto de Física da Rússia: "agora entramos na fase do esfriamento global"



"O esfriamento global já começou", afirmaram à agência ITAR-TASS cientistas do Instituto de Física da Academia de Ciências da Rússia, citando estudos realizados com o Observatório Metereológico do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos de Moscou.
Depois de um pico em 2005, a temperatura média da Terra diminuiu em 0,3 graus, nível dos anos 1996 e 1997, assinalou a pesquisa. Para os cientistas até 2015, a temperatura cairá mais 1,5  décimos de grau, clima do início dos anos 80. Em 2020, os habitantes do hemisfério Norte se lembrarão dos invernos rigorosos de 1978 e 1979.
As pesquisas mostram que a causa dessas mudanças climáticas tem origem espacial e não nas atividades humanas. Os cientistas apontam que entre 400 e 1000 toneladas de poeira espacial atingem diariamente a atmosfera terrestre, provocando a condensação de vapor d’água. Iúri Stojkov, do Instituto de Física, afirma que "ao se aproximarem do Sol, os cometas liberam seu ‘manto’ de pó e gás congelados, que entram na atmosfera terrestre e cai sobre a Terra".  A quantidade de pó espacial precipitada depende das posições dos planetas. "A mudança na concentração de poeira cósmica e do clima da Terra deve, portanto, obedecer a periodicidades semelhantes às registradas nas posições dos planetas".
 Assim, quanto mais poeira espacial cai na Terra, maior é a camada de nuvens que cobre o planeta e reflete a luz do sol ao espaço. O clima torna-se mais frio.
Os cientistas confrontaram periodicidades na posição de planetas com fases de mudança do clima da Terra e descobriram a relação entre as temperaturas e o tráfego de poeira cósmica. Com base nos resultados obtidos, puderam elaborar previsão de mudanças climáticas nos próximos 50 anos.
  Esses resultados foram confirmados pela análise de amostras de gelo extraídas de uma camada de gelo sobre o Lago Vostok, na Antártida.

 A análise da amostra permitiu conhecer mudanças de temperatura ao longo de 420 mil anos. Nesse tempo, a Terra sofreu pelo menos quatro grandes oscilações de temperatura com uma amplitude de 8 graus.

sexta-feira, março 30, 2012

A urgente regularização elétrica nas vilas

Transcrevemos aqui artigo do vereador Toni Proença publicado no Jornal do Comércio da última terça-feira (27/03).


Toni Proença

Energia elétrica é absolutamente essencial. A garantia do funcionamento do Estado e da realização dos fins consagrados constitucionalmente para a sociedade civil pressupõe o fornecimento regular de energia elétrica. Aos direitos fundamentais – a vida, a liberdade, a satisfação das necessidades básicas de alimentação, saúde, educação e moradia – vem se somar o acesso à energia. Garantir o acesso pleno e regular à energia elétrica, de forma que atenda às necessidades da população, é, portanto, um direito constitucional dos cidadãos. A energia elétrica pode ser associada à melhoria da qualidade de vida, como fator de produção, desenvolvimento econômico e geração de empregos. A exclusão social moderna também se dá por falta de acesso à energia.

O desenvolvimento tecnológico, ao mesmo tempo que é um bem para a humanidade, aumenta a distância entre os “sem energia” e os “com energia”. O progresso e todos os aparatos que permitem o funcionamento de equipamentos urbanos hoje não funcionam sem energia elétrica. Isso sem falar da internet e o acesso à informação, que estão intimamente ligados a ela. Nesse sentido, nada mais justo e inclusivo que aplicar parte dos recursos que a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) receberá da União – em janeiro o governador Tarso Genro e a presidente Dilma Rousseff assinaram termo de pagamento da dívida de R$ 3 bilhões da União com a CEEE – em projetos que beneficiem milhares de comunidades que hoje não dispõem de energia elétrica regularizada, o que historicamente acarreta prejuízos à população e à própria CEEE.

Com a dedicação de parte dos recursos à regularização, a CEEE reduz o consumo de energia sem o devido planejamento, pois esta passaria a ser paga na forma de tarifa social pela população. Assim, a CEEE passa a poder redimensionar sua rede sabendo o exato consumo demandado. Mais do que isso, a fuga de energia se transformaria em receita, um dinheiro que hoje não existe e passaria a aportar nos cofres todo o mês. Bom negócio para a CEEE, melhor ainda para as comunidades.


'via Blog this'

sexta-feira, outubro 28, 2011

Líbia !

Esses dados podem ser consultados e confirmados no site da CIA, sim da CIA!


A Líbia de Kadafi que a mídia jamais mostrará.

I - A ONU CONSTATOU EM 2007 QUE A LÍBIA TINHA:

1 - Maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África (até hoje é
maior que o do Brasil);

2 - Ensino gratuito até a Universidade;

3 - 10% dos alunos universitários estudavam na Europa e EUA, tudo
pago;

4 - Ao casar, o casal recebia até US$ 50.000 para montar casa;

5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos
de última geração, etc;

6 - Empréstimos pelo banco estatal sem juros;

7 - Inaugurado em 2007, o maior sistema de irrigação do mundo, vem
transformando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos;

II - PORQUE "DETONAR" A LÍBIA ENTÃO?

Três principais motivos:

1 - Tomar o seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45
BILHÕES de barris em reservas;

2 - Fazer com que todo o mar Mediterrâneo fique sob o controle da
OTAN. Só falta agora a Síria;

3 - E provavelmente o principal:

- O Banco Central Líbio não está ligado ao sistema financeiro mundial.

- As suas reservas são toneladas de ouro, que garantem o valor da
moeda, o dinar, que desta forma está resguardado das flutuações do dólar.

- O sistema financeiro internacional ficou possesso com Kaddafi, após
ele propor, e quase conseguir, que os países africanos formassem uma moeda
única desligada do dólar.

III - O QUE É O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA LIVRAR O POVO LÍBIO:

1 - A OTAN comandada, como se sabe, pelos EUA, já bombardeou as
principais cidades líbias com milhares de bombas e mísseis em que um único
projétil é capaz de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e infra estruturas
de água, esgotos, gás e luz estão seriamente danificados;

2 - As bombas usadas contêm DU (Urânio empobrecido) (causa cancro e
deformações genéticas);

3 - Metade das crianças líbias estão traumatizadas psicologicamente
por causa das explosões que parecem um terremoto e racham as estruturas
das casas;

4 - Com o bloqueio marítimo e aéreo da OTAN, as crianças sofrem
principalmente com a falta de medicamentos e alimentos;

5 - A água já não mais é potável em boa parte do país. De novo as
crianças são as mais atingidas;

6 - Cerca de 150.000 pessoas por dia, estão deixando o país através
das fronteiras com a Tunísia e o Egito. Vão para o deserto ao relento,
sem água nem comida;

7 - Se o bombardeio terminasse hoje, cerca de 4 milhões de pessoas de uma
população de 6,5 milhões de pessoas, estariam precisando de ajuda
humanitária para sobreviver: água e comida.


Em suma: O bombardeio "humanitário", acabou com a nação Líbia.
Nunca mais haverá a "nação" Líbia tal como nos dias de hoje.


Há ocasiões em que o silêncio é ouro, mas há outras em que é pura
covardia.(John Blanchard)

domingo, outubro 16, 2011

Manifestantes mauricinhos varrem corrupção para debaixo do tapete


Uma turma acostumada a dirigir seus Porsches, Camaros, Ferraris, etc decidiu fazer algo diferente no dia 12 de outubro e saiu às ruas de Brasília e de outras cidades, arregimentados através das redes sociais e açulados pela mídia lacerdista e pela oposição.

As patricinhas e mauricinhos portavam vassouras que só vêm em suas mansões nas mãos dos seus criados (e querem mantê-las sempre nas mãos deles). Mas fizeram uma exceção no dia 12, já que o movimento era folclórico mesmo e um dia apenas para aparecer com elas não fazia mal. Dava até muito “Ibope” e holofotes aparecer com os objetos, encenando varrer o chão. Imitando o patrono Jânio Quadros - que se elegeu presidente em 1960 com o apoio da direitista UDN de Carlos Lacerda e cujo símbolo era uma vassoura, diziam que aquilo simbolizava varrer a corrupção que, segundo eles, estava em tudo quanto era lugar: no Congresso, no governo, na quitanda, na biboca, padaria da esquina, embaixo da cama e na toca do tatu.

Só não viram corrupção e não falaram nada onde realmente ela existe. No saque bilionário dos monopólios contra o Estado e contra o povo, recursos desviados da sociedade para se locupletarem. No desvio de R$ 160,207 bilhões, gastos somente com juros, em apenas 8 meses, até agosto. Enquanto a Saúde, Educação, Saneamento e outros padecem com parcos recursos. Na taxa de juros (Selic) que se mantém ainda a mais alta do mundo, beneficiando os especuladores que faturam com os títulos do governo. Dá para entender porque não querem ver essa vasta corrupção e só criticam a roubalheira miúda, varrendo a corrupção pesada para debaixo do tapete.


Jornal Hora do Povo:

'via Blog this'

quinta-feira, outubro 06, 2011

O professor segundo Jô Soares



É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

Não sei se autoria é dele mesmo mas tem muito sentido! Ah e um bocado de realidade. Mesmo sendo antigo, cada vez parece mais atual!

quarta-feira, setembro 07, 2011

Quem salvará o povo líbio dos seus salvadores ocidentais?


O físico belga Jean Bricmont é mais conhecido no Brasil pela autoria – com o matemático Alan Sokal – de Imposturas Intelectuais, o melhor livro até hoje escrito sobre a miséria dita “pós-modernista”, seu caráter reacionário, e, sobretudo, a sua abissal estupidez.

Bricmont é também autor de Impérialisme humanitaire. Droits de l’homme, droit d’ingérence, droit du plus fort? (Imperialismo humanitário. Direitos do homem, direito de ingerência, direito do mais forte?), título que dispensa maiores explicações sobre o seu conteúdo. O leitor poderá tomar conhecimento do resumo que Bricmont fez dessa obra em Le Grand Soir (www.legrandsoir.info). Por exemplo: “... Fallujah foi uma Guernica sem Picasso. Uma cidade de 300.000 almas, sem água, eletricidade e víveres, vazia dos seus habitantes, levados para campos de prisioneiros. Depois do bombardeio metódico, a tomada da cidade, quarteirão por quarteirão. Quando um hospital era ocupado, o New York Times justificava, dizendo que serviu como um centro de propaganda, inflando o número de vítimas. Exatamente, quantas são as vítimas da guerra no Iraque? Ninguém sabe, nem faz body count (dos iraquianos). Quando estimativas são publicadas, mesmo pelas revistas científicas mais renomadas, como a Lancet, elas são denunciadas como exageradas”.

Desde o começo da agressão à Líbia, Bricmont foi um dos intelectuais europeus que recusaram-se a trair a sua herança humanística. Não faremos comentários, por desnecessários, sobre o artigo que hoje reproduzimos, publicado em 18 de agosto último, escrito por Bricmont em parceria com a escritora norte-americana Diane Johnstone - autora de um livro fundamental sobre a agressão da Otan à Iugoslávia, Fools’ Crusade: Yugoslavia, Nato, and Western Delusions.

A tradução do artigo para o português é do site Resistir.info.

C.L.

JEAN BRICMONT E DIANA JOHNSTONE

Lição de democracia. Em Março, uma coligação de potências ocidentais e de autocracia árabes uniram-se para promover o que era apresentado como uma espécie de pequena operação militar para “proteger os civis líbios”.

A 17 de Março, o Conselho de Segurança da ONU adotou a resolução 1973 que dava a esta “coligação de voluntários” um tanto particular o sinal verde para começar a sua pequena grega, controlando primeiro o espaço aéreo líbio, o que permitiu a seguir bombardear o que a OTAN quis bombardear. Os dirigentes da coligação esperavam manifestamente que os cidadãos líbios reconhecidos aproveitariam a ocasião fornecida por esta “proteção” vigorosa para derrubar Muamar Kadafi o qual, pretendia-se, queria “matar o seu próprio povo”. Baseando-se na ideia de que a Líbia estava dividida de modo claro entre “o povo” de um lado e “o mau ditador” do outro, esperava-se que este derrube ocorresse em alguns dias. Aos olhos ocidentais, Kadafi era um ditador pior que Ben Ali na Tunísia ou Mubarak no Egito, que caíram sem intervenção da OTAN. Kadafi deveria portanto cair muito mais rapidamente.

Cinco meses mais tarde, tornou-se evidente que todas as suposições nas quais se fundamentava esta guerra eram mais ou menos falsas. As organizações de defesa dos direitos do homem não conseguiram encontrar provas dos ditos “crimes contra a humanidade” cometidos por Kadafi contra “o seu próprio povo”. O reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) como “único representante legítimo do povo líbio” por parte dos governos ocidentais, que era no mínimo prematuro, tornou-se grotesco. A OTAN empenhou-se numa guerra civil, exacerbando-a, e sem fazê-la sair do impasse.

Mas por mais absurda e destituída de justificação que esta guerra possa ser, ela continua. E quem é que pode travá-la?
Um dos melhores livros para ler neste Verão foi a excelente nova obra de Adam Hochschild, “To End All Wars”, sobre a Primeira Guerra Mundial e os movimentos pacifistas daquela época. Há muitas lições de atualidade que se podem encontrar neste livro, mas a mais pertinente é sem dúvida o fato de que uma vez começada uma guerra é muito difícil pará-la.

Os homens que começaram a primeira guerra mundial também pensavam que ela seria curta. Mas mesmo quando milhões de pessoas foram lançadas na tormenta assassina e quando o caráter absurdo do empreendimento tornou-se claro como água límpida, a guerra continuou durante quatro anos trágicos. A própria guerra engendra o ódio e uma vontade de retaliação. Quando uma grande potência começa uma guerra, ela “deve” ganhá-la, qualquer que seja o custo – para ela própria e sobretudo para os outros.


PILHAGEM

Até o presente, para os agressores da OTAN o custo da guerra contra a Líbia é puramente financeiro e isso é compensado pela esperança de uma pilhagem do país, quando ele for “libertado” e de que ele pagará para reembolsar aqueles que o bombardearam. Não é senão o povo líbio que perde vidas, bem como a sua infraestrutura.

Durante a primeira guerra mundial existia um corajoso movimento de oposição à guerra que enfrentou a histeria e o chauvinismo deste período e que advogava em favor da paz. Seus membros arriscavam-se a ataques físicos, assim como à prisão. O modo como Hochchild conta a luta pela paz destes homens e destas mulheres na Grã-Bretanha deveria servir de inspiração – mas para quem? Os riscos implicados pela oposição à guerra na Líbia são mínimos em comparação com os que existiam quando da guerra de 1914-1918. Mas no momento, uma oposição ativa é apenas visível.

Isto é particularmente verdadeiro na França, país cujo presidente, Nicolas Sarkozy, teve a iniciativa de começar esta guerra.

Acumulam-se os testemunhos das mortes de civis líbios, inclusive crianças, provocadas pelos bombardeamentos da OTAN (ver, por exemplo, o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=vtS2qJeeXUA). Estes bombardeamentos visam a infraestrutura civil, a fim de privar a maioria da população que vive na parte do país leal a Kadafi dos bens de primeira necessidade, da alimentação e da água, a fim de pressionar o povo a derrubar Kadafi. A guerra para “proteger os civis” já se tornou uma guerra para aterrorizá-los e atormentá-los de modo a que o CNT apoiado pela OTAN possa tomar o poder.

Esta pequena guerra na Líbia mostra que a OTAN é ao mesmo tempo criminosa e incompetente.

Mas ela mostra igualmente que as organizações de esquerda nos países da OTAN são totalmente inúteis.

Provavelmente jamais houve uma guerra à qual fosse mais fácil opor-se. Mas a esquerda na Europa não se opõe.

Há três meses, quando a histeria midiática a propósito da Líbia foi lançada pela televisão do Qatar, Al-Jazeera, a esquerda não hesitou em tomar posição. Algumas dezenas de organizações de esquerda francesas e norte-africanas assinaram um apelo por “uma marcha de solidariedade com o povo líbio” em Paris, a 26 de Março (http://menilmontant.typepad.fr/7avous/2011/03/solidarite-ave...). Mostrando a sua total ausência de coerência, estas organizações exigiram, simultaneamente, por um lado “o reconhecimento do CNT, único representante legítimo do povo líbio” e, por outro, “a proteção dos residentes estrangeiros e dos migrantes” que, na realidade, deviam precisamente ser protegidos dos rebeldes representados por este conselho. Apoiando implicitamente operações militares de ajuda ao CNT, estes grupos apelavam também à “vigilância” a propósito da “duplicidade dos governos ocidentais e da Liga Árabe”, bem como a uma “escalada” possível das operações militares.

As organizações que assinavam este apelo incluíam grupos de oposições no exílio da Líbia, Síria, Tunísia, Marrocos e Argélia, assim como os Verdes franceses, o NPA, o Partido Comunista Francês, o Partido de Esquerda, o movimento antirracista MRAP, o partido dos Indígenas da República e o ATTAC. Estes grupos representavam praticamente tudo o que há de organizado à esquerda do Partido Socialista – que, pelo seu lado, (com exceção de Emmanueli) apoiava a guerra sem sequer fazer apelo à “vigilância”.

Agora que aumenta o número de vítimas civis dos bombardeamentos da NATO, não há nenhuma manifestação da vigilância prometida “a propósito da escalada da guerra” que saísse do quadro das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Os militantes que, em Março, insistiam em dizer que “devemos fazer alguma coisa” para travar um massacre hipotético hoje nada fazem para travar um massacre que não é hipotético mas sim muito real e visível, e perpetrado exatamente porque aqueles “fizeram alguma coisa”.

O erro fundamental daqueles que, à esquerda, dizem “nós devemos fazer alguma coisa” reside na ambiguidade da palavra “nós”. Se eles querem dizer “nós” literalmente, então a única coisa que poderiam fazer seria por de pé espécies de brigadas internacionais para combater com os rebeldes. Mas naturalmente, apesar das grandes declarações segundo as quais “nós” devemos fazer “tudo” para apoiar o “povo líbio”, esta possibilidade nunca foi seriamente considerada.

Portanto o “nós” significa na prática as potências ocidentais, a OTAN e, sobretudo, os Estados Unidos, pois só eles possuem as “capacidades únicas” necessárias para travar uma tal guerra.

As pessoas que gritam “devemos fazer alguma coisa” geralmente misturam duas espécies de exigências: uma que podem esperar de modo realista ser aceite pelas potências ocidentais – apoio aos rebeldes, reconhecimento do CNT como único representante legítimo do povo líbio – e outra que não podem absolutamente esperar de modo realista que seja aceite pelas grandes potências e que são elas próprias totalmente incapazes de executar: limitar os bombardeamentos a alvos militares e à proteção dos civis, assim como permanecer escrupulosamente no quadro das resoluções da ONU.


CHEQUE EM BRANCO

Estes dois tipos de exigências contradizem-se uma à outra. Numa guerra civil, nenhuma das duas partes está preocupada principalmente com as sutilezas das resoluções da ONU ou com a proteção dos civis. Cada parte quer muito simplesmente ganhar e a vontade de retaliação leva muitas vezes a atrocidades. Se “apoia” os rebeldes, dá-se-lhes na prática um cheque em branco para fazer o que eles considerarem necessário a fim de ganhar a guerra.

Mas dá-se igualmente um cheque em branco aos aliados ocidentais e à OTAN, que talvez estejam menos ávidos de sangue que os rebeldes mas que têm à sua disposição meios de destruição muito maiores. E a OTAN é uma imensa burocracia – um dos fins essenciais da mesma é sobreviver. Ela deve absolutamente ganhar, senão terá um problema de “credibilidade”, assim como os políticos que apoiaram esta guerra. E este problema poderia levar a uma perda de financiamento e de recursos. Uma vez que a guerra começou não há simplesmente nenhuma força no Ocidente, na ausência de movimentos antiguerra determinados, que possa obrigar a OTAN a limitar-se ao que é autorizado pelas resoluções da ONU. Em consequência, a segunda espécie de exigências da esquerda cai na orelha de um surdo. Estas exigências servem simplesmente para provar que a esquerda pró intervenção tem intenções puras.

Ao “apoiar” os rebeldes, esta esquerda matou de fato o movimento anti-guerra. Com efeito, não tem sentido apoiar numa guerra civil um campo que quer desesperadamente ser ajudado por intervenções externas e, ao mesmo tempo, opor-se a tais intervenções. À direita pró intervenção é bem mais coerente.

O que a esquerda e a direita pró intervenção têm em comum é a convicção de que “nós” (isto é, “o ocidente democrático civilizado”) temos o direito e a capacidade de impor nossa vontade a outros países. Certos movimentos franceses (como o MRAP) que vivem literalmente da exploração da culpabilidade a propósito do racismo e do colonialismo, parecem ter esquecido que muitas das conquistas coloniais foram feitas contra sátrapas, príncipes indianos e reis africanos que eram denunciados como autocratas (o que de fato eram) e não parecem dar-se conta de que há alguma coisa de um tanto incongruente, para organizações francesas, em decidir quem são os “representantes legítimos” do povo líbio.

Apesar dos esforços de alguns indivíduos isolados, nenhum movimento popular na Europa é capaz de travar ou mesmo enfraquecer o ataque da OTAN. A única esperança poderia ser um colapso dos rebeldes, ou uma oposição nos Estados Unidos, ou uma decisão da parte das oligarquias dominantes de limitar as despesas. Enquanto isso, a esquerda europeia perdeu uma ocasião de renascer opondo-se a uma das guerras manifestamente mais injustificáveis da história. A Europa inteira sofrerá com esta derrota moral.



Jornal Hora do Povo:

'via Blog this'

Compartilhe !

Loading...
Ocorreu um erro neste gadget