quinta-feira, março 30, 2006

Celulose divide Argentina e Uruguai

Mario de Freitas

30-03-2006

A construção de fábricas de celulose, matéria-prima do papel, na cidade fronteiriça de Fray Bentos, no Uruguai, seria o principal tema do encontro, da quarta-feira, entre os presidentes do Uruguai, Tabaré Vázquez, e da Argentina, Néstor Kirchner, e suspenso na última hora, mais uma vez por falta de acordo sobre como resolver esta questão, às margens do Rio da Prata, que vem dividindo os dois países.

Guerra verbal
Ambos os países, sócios com o Brasil e o Paraguai no Mercosul, e com governos de esquerda, recentemente eleitos, estão, há meses, numa guerra verbal e diplomática em razão deste conflito. Apresentado como uma questão de defesa do meio-ambiente, este caso tem caráter político e econômico. Quando estava na oposição, na chamada Frente Ampla, Tabaré Vázquez era contra as plantações de eucaliptos, matéria-prima da celulose. Em 2003, boicotou a inauguração das obras da Usina de Ence.

Fray Bentos e ponte internacional, imagem via SatéliteAs empresas finlandesas e espanholas estão investindo 1,8 bilhão de dólares nestas obras, equivalentes a 12 % do produto interno bruto do Uruguai. Atualmente, Tabaré defende a manutenção das fábricas de celulose em seu território. A cidade de Fray Bentos foi escolhida porque pode, tanto receber a madeira pelo rio da Prata, como exportar a celulose para a Europa e os Estados Unidos.

Nos últimos meses, ambientalistas argentinos fecharam diversas pontes internacionais e boicotam tudo o que se refere ao Uruguai.

O governo argentino possui uma posição ambígua, pois aceita e diz respeitar essas manifestações de protesto, mas mantém inúmeras outras indústrias de celulose, enquadradas entre as mais poluentes do globo terrestre. Sobre elas não exerce nenhum controle ambiental sério. Não somente os ambientalistas argentinos se opõem a estas fábricas poluentes. No Uruguai há inúmeras vozes, que vêem além dos interesses econômicos e políticos imediatos, como o filósofo Miguel Ángel Cabrera e os ambientalistas Ricardo Carrere e Carlos Pérez Arrarte.

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Ricardo Carrere, que é Coordenador internacional do Movimento Mundial pela Defesa das Florestas, deu detalhes sobre a indústria de Fray Bentos, explicando quais os danos negativos provocados pelas grandes fábricas de celulose. Ele ressaltou que o Uruguai é auto-suficiente. Com as 50 mil toneladas anuais de celulose produz o papel necessário para o consumo interno do país. As um milhão e meio de toneladas de toneladas que estas fábricas irão produzir se destinam à exportação.

Para Carrere, o problema não envolve apenas o Uruguai e a Argentina, pois é “decorrente do modelo de exploração dos países tropicais pobres, para garantir o enorme consumismo em países ricos”.

Ele ressaltou que seu país produz o papel necessário para o consumo. Para Carrere, o problema não envolve apenas o Uruguai e a Argentina, pois é "decorrente do modelo de exploração dos países tropicais pobres, para garantir o enorme consumismo em países ricos".


Rádio Holanda

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