quinta-feira, dezembro 29, 2005

Glossário de Astronomia


Um trabalho do Associado Manuel Rosário da Cruz, a quem o CA2000 agradece o esforço.

A - B - C - D - E - F - G - H - I - J - K - L - M - N - O - P - Q - R - S - T - U - V - W - X - Y - Z

A

A. L. (ano-luz) – É a distância percorrida pela luz, durante um ano, à velocidade de 300.000kl/s.= 9.460.000.000.000 km. (9.46x10^12).

ABERRAÇÃO – (cromática ou de esfericidade): defeito de uma imagem produzida por um sistema óptico. A aberração cromática produz um circulo de difusão multicolor irisado. A aberração de esfericidade provoca deformações geométricas das imagens. (Ver apocromática e coma .)

ABERTURA RELATIVA – constante de um instrumento igual ao quociente da distância focal da objectiva pelo seu diâmetro: f/D. (Sinónimo: relação de abertura); determina a luminosidade do instrumento.

ACROMÁTICA (objectiva) – Objectiva de luneta que associa duas lentes (crown + flint) de índice de refracção diferente para anular a coloração das imagens.

ADAPTADOR – Sistema que permite adaptar uma ocular de um certo diâmetro de aro a um porta-ocular com outro aro.

AFÉLIO – O ponto mais afastado do Sol que um planeta atinge na sua órbita excêntrica.

AFOCAL – Sistema óptico sem foco principal.

AIRY – (disco de ): nome dado à mancha central da imagem de uma estrela observada por um instrumento, quando o verdadeiro disco estelar é imperceptível. (Sinónimo: falso disco).

ALINHAMENTO – Regulação dos componentes ópticos de uma luneta ou de um telescópio para que os seus eixos se encontrem sobre a mesma linha, ou seja, sobre um único eixo.

ALTURA DO PÓLO – É a distância angular entre o horizonte e o Pólo celeste. A altura do Pólo, num dado lugar de observação, é igual à latitude desse lugar , significando que quanto maior for a latitude , maior será a altura do Pólo. O observador colocado no Pólo Norte (latitude de 90ºN) terá o Pólo celeste Norte sobre a sua cabeça, coincidindo com o zénite. O observador situado no Equador (latitude 0º) , terá os dois Pólos celestes sobre o horizonte, coincidentes com os respectivos pontos cardeais e o Equador celeste passa pelo zénite.

ALUMINAGEM – Depósito no vazio de uma microcamada de alumínio num espelho de um telescópio que, mal seja exposto ao ar, se cobre de um filme protector de alumínio (= óxido de alumínio).

AMACIAMENTO – Quando se talha um espelho, operação que torna a superfície do espelho cada vez menos rugoso, utilizando abrasivos cada vez mais finos.

AMPLIAÇÃO – Relação entre a dimensão de uma imagem obtida no foco de uma objectiva e a da mesma imagem projectada para trás para ser fotografada.

ANEL DE REDUÇÃO – Sistema de anel que permite utilizar oculares de diferentes diâmetros sobre o mesmo porta-ocular de 24,5 mm ou de 31,75mm de diâmetro.

ANEL PORTA-OCULAR – Anel que se aparafusa num porta-ocular permitindo colocar uma ocular com o aro desejado.

ANEL T2 – Anel indispensável que assegura a junção entre o adaptador fotográfico e o corpo da máquina de tipo Refex.

ANGULO HORÁRIO (H) – de um astro é o ângulo entre o meridiano local e o circulo horário (meridiano celeste do astro) que passa pelo astro. Mede-se de 0 a 24 horas, de Este para Oeste. No momento em que o astro passa pelo meridiano local, o seu ângulo horário é de 0 horas.

ANO-LUZ – Distância percorrida pela luz (à velocidade de 300.000 km/s) durante um ano (9.460.000.000.000 kms).

ANTI-REFLEXO – Revestimento ultra fino das superfícies de uma lente para diminuir as reflexões parasitas perturbadoras.

APLANETISMO – Combinação de espelhos que não produzem qualquer coma. (Exemplo: o de Ritchey-Chrétien).Este sistema torna um campo plano para a fotografia.

APOCROMÁTICA – Diz-se da combinação óptica de uma objectiva de luneta que corrige a aberração cromática para o vermelho, para o azul e para o amarelo, e a aberração de esfericidade para o vermelho e para o azul.

APULSO – Aproximação aparente máxima de uma estrela em relação à Lua ou a um planeta. Em Apulso, a estrela parece rasar um dos pólos da Lua.

ARANHA – Suporte de espelho secundário (de reflexão ) de um telescópio, constituído por três ou quatro «patas» direitas ou curvas.

ASA – Grau de sensibilidade de uma película fotográfica (sinónimo: ISO).

ASCENSÃO RECTA – Uma das duas coordenadas equatoriais que permite referenciar a posição de um ponto na esfera celeste (análogo à longitude na Terra).

AUMENTO – Quociente da distância focal de uma objectiva pela distância focal da ocular utilizada: G = F/f, ou relação entre o diâmetro aparente de um objecto observado na ocular e o diâmetro desse objecto observado a olho nu.

AUMENTO EQUIPUPILAR – Aumento que permite que o feixe luminoso que sai da ocular apresente o mesmo diâmetro que o da pupila do olho na obscuridade (= 6mm). Matematicamente igaul a D(mm)/6.

AZIMUTAL (Montagem) – Montagem com dois eixos perpendiculares, um que permite deslocações do tubo instrumental da esquerda para a direita e da direita para a esquerda (em azimute), e o outro, as deslocações em altura.

B

BARLOW – Lente divergente (dupleto ou tripleto acromático). Colocada diante da ocular, a Barlow duplica ou triplica o aumento, consoante os tipos.

BARRIL – Caixa cilíndrica que contém a objectiva de uma luneta ou o espelho de um telescópio.

BUSCADOR – Luneta auxiliar de grande campo reticulado, paralela ao tubo de um instrumento, que permite apontar um astro antes de o observar; pode ser direita ou em cotovelo.

C

CABEÇA BINOCULAR – Sistema suportando duas oculares paralelas idênticas para observar com os dois olhos.

CAMPO – Parte do céu visível na ocular de um instrumento. (O campo «aparente» é o diâmetro do circulo de luz perceptível pelo olho através da ocular)

CAMPO DE NITIDEZ – Campo de luz não afectada pelo efeito de vinheta.

CASSEGRAIN – Tipo de telescópio de espelho secundário convexo que reflecte a luz através de um orifício feito no espelho maior ao mesmo tempo que amplifica a imagem.

CATADIÓPTRICO – Diz-se de um instrumento constituído simultaneamente por sistemas ópticos refractores e reflectores de luz.

CCD – Sigla da expressão inglesa Charge Coupled Device, dispositivo de carga acoplada, designa o mais moderno e mais sensível detector de radiação. O CCD é, na realidade, um sistema de circuito integrado que utiliza o deslocamento e armazenamento de uma carga eléctrica numa camada muito ténue de silício. Quando as cargas criadas por um fluxo luminoso se deslocam no silício, o dispositivo transforma-se num detector de imagem de excelente eficiência, quer no aspecto qualitativo quer no quantitativo, assim como por gerar um ruído próprio muito fraco. O seu aspecto é um rectângulo de plástico escuro, com alguns milímetros, semelhante a um circuito integrado clássico. Esta placa está dividida em centenas ou milhares de rectângulos microscópicos, que constituem os captadores elementares de luz. Quando um desses componentes é exposto à luz, os fotões que incidem sobre a superfície excitam os electrões do silício e cada elemento da plaqueta adquire um potencial eléctrico determinado. Basta medir sucessivamente todas as cargas elementares para reconstituir a imagem registrada. Hoje é possível encontrar estes dispositos nas normais máquinas de filmar digitais, nas câmaras fotografáficas digitais, nas webcams da internet e em dispositivos muito mais caros, vocacionados específicamente para uso na astronomia.

CELESTRON – Marca de telescópios Norte-Americana.

CÉU PROFUNDO – ( Deep Sky): Conjunto dos astros pouco luminosos e muito distantes (aglomerados, nebulosidades e galáxias):

CINTILAÇÃO – Flutuação rápida da intensidade de radiação de uma estrela, produzida pela turbulência atmosférica local.

CÍRCULO OCULAR – Imagem real da objectiva de uma luneta, fornecida pela ocular; a sua localização é tal que deve ocupar a pupila do olho para ver o campo todo. (Sinónimos: anel ocular, pupila de saída)

CIRCUMPOLAR – Diz-se de uma estrela ou de uma constelação próxima de um dos pólos celestes e que nunca se «põe» para um lugar dado.

COLIMAÇÃO – Para que um telescópio óptico obtenha o seu máximo rendimento, deve ter todas as suas lentes perfeitamente alinhadas. Ao processo de alinhamento se chama colimação.

COLIMADOR – Instrumento de regulação para controlar no infinito a centragem e o poder separador de um sistema óptico.

COLOCAÇÃO EM ESTAÇÃO – Colocação e regulação de uma montagem equatorial de modo a que o seu eixo horário seja orientado na direcção do pólo celeste.

COMA – Aberração de esfericidade dos raios oblíquos; a imagem observada apresenta-se como um penacho triangular.

COMPACTO – Diz-se de um instrumento portátil, fácil de transportar e relativamente muito «aberto».

COMPENSAÇÃO – Correcções para assegurar o seguimento de um astro durante uma exposição fotográfica. A compensação em ascensão recta efectua-se por «sinais» graças ao variador de frequência. A deriva em declinação é devida a uma focagem aproximativa.

CONJUNÇÃO – Posição de dois ou três astros que têm a mesma ascensão recta – e portanto uma aproximação aparente bastante grande.

COORDENADAS – Sistema de referência de um astro , a partir do equador celeste e do ponto de origem (declinação e ascensão recta)

COORDENADAS EQUATORIAIS HORÁRIAS – Para cada astro, o valor de uma das coordenadas depende do local e do momento da observação.

COROA SOLAR – Região externa e a mais ténue da atmosfera solar, que se dilui progressivamente no espaço; observável a olho nu, durante os eclipses totaisdo Sol.

CORONÓGRAFO – Luneta com sistema ocultador especial que permite o estudo e a fotografia da coroa e das protuberâncias do Sol.

CREMALHEIRA – Régua dentada na qual se engrena o pinhão de regulação do porta-ocular.

CRONÓMETRO – Aparelho que permite conservar a hora exacta e controlá-la após os «tops» difundidos pela rádio. Para as observações de amadores, um relógio de quartzo basta « marcar a hora», à precisão do meio segundo.

CROWN – Vidro muito transparente e pouco dispersivo, associado ao flint nas objectivas acromáticas.

CULMINAÇÃO – Passagem de um astro pelo ponto do céu em que ele atinge a sua maioraltura aparente; ou passagem de qualquer astro pelo meridiano celeste do lugar.

D

DECLINAÇÃO – Ângulo entre a direcção de um astro e o plano do equador celeste, medido entre 0º e 90º, com sinal negativo para o sul e positivo para o norte. Corresponde à latitude.

DIA SIDERAL – 23 h 56’ 4,,0905’’ .Intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas superiores do Ponto Vernal pelo meridiano local. Dada a lentidão da precessão dos Equinócios , podemos dizer que o dia sideral é, praticamente, o intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas de uma estrela qualquer (que não o Sol) pelo meridiano local.

DIA SOLAR MÉDIO – 24h 03’ 56,5554’’ – É a média anual dos dias solares verdadeiros. (O dia solar verdadeiro não é constante ao longo do ano, devido à velocidade da terra, na sua órbita elíptica – 2ª Lei de Kepler – e da inclinação da eclíptica).

DIA SOLAR VERDADEIRO – É o intervalo de tempo que decorre entre duas passagens consecutivas (superiores) do Sol pelo meridiano local.

DIAFRAGMA – Abertura de diâmetro regulável para fazer variar o fluxo luminoso que entra na máquina fotográfica ; anel que reduz o fluxo luminoso no interior do tubo de certas lunetas.

DIFRACÇÃO – Perturbação encontrada pela luz quando passa através de uma abertura; assim, a imagem de uma estrela nunca é um ponto, mas um minidisco, a «mancha de difracção».

DISCO (ferramenta) – Disco com o mesmo diâmetro do espelho, que serve para talhar o espelho de um telescópio.

DIURNO (Movimento) – Rotação aparente dos astros em torno do pólo celeste, produzida pela rotação da Terra em 23h 56´ 4´´.

DOBSON (Telescópio) – Instrumento visual de espelho fino, sobre montagem azimutal, cuja luminosidade tem prioridade sobre a qualidade óptica.

DUPLETO – Sistema óptico com duas lentes acopladas.

E

ECLÍPTICA – Círculo aparente da esfera celeste em que o Sol se desloca durante o ano e sobre o qual se produzem os eclipses.

EFEMÉRIDES – Tabelas-catálogos dos futuros fenómenos celestes (posições planetárias, eclipses, ocultações...) publicadas pelo Bureau des Longitudes.

ELONGAÇÃO – Distância angular aparente de um planeta em relação ao Sol para um observador terrestre (emprega-se sobretudo para Mercúrio e Vénus).

ELONGAÇÃO – Posição do maior afastamento possível. Exemplos: a elongação máxima de Vénus em relação ao Sol é de 47º; Titâ, satélite de Saturno, é facilmente observável quando das suas elongações orientais e ocidentais.

EQUATORIAL – (montagem): Suporte de um instrumento que permite fazê-lo rodar em torno de dois eixos perpendiculares, um dos quais é paralelo ao eixo da Terra (=eixo horário). Esta montagem permite as fotografias com exposições longas.

EQUATORIAL-PRANCHETA – Objecto construído por astrofotógrafos amadores, que serve para fixar uma 24 x 36 sobre três pranchetas de charneira, em que uma delas serve de mesa equatorial que segue o movimento diurno.

ESPECTROSCÓPIO – Sistema óptico de prisma ou de rede para o estudo da dispersão da luz segundo os seus comprimentos de onda,, em «banda espectral» com «riscas».

ESPELHO SECUNDÁRIO – Espelho que reenvia um feixe luminoso para a ocular.

ESTIGMÓMETRO – Sistema de focagem através do visor de uma máquina reflex.

ESTRELAS CIRCUMPOLARES – As estrelas cuja distância polar (distância angular) seja inferior à altura do Pólo ou (latitude) serão permanentemente visíveis (com culminação superior e culminação inferior).

ESTRELAS COM NASCIMENTO E OCASO- Todas as que não são circumpolares nem de perpétua ocultação. Apresentam apenas culminação superior.

ESTRELAS DE PERPÉTUA OCULTAÇÃO – No hemisfério Norte nunca são visíveis as estrelas cuja distância angular ao pólo Sul celeste seja inferior à latitude desse lugar , encontrando-se sempre abaixo do horizonte desse local. Não têm culminações observáveis.

F

FILTRO – Lâmina plana de vidro colorido que se aparafusa à frente da ocular para absorver certas radiações ; em astrofotografia, para obter certos detalhes.

FILTRO MONOCROMÁTICO – Ecrã que só deixa passar uma cor, ou melhor , uma única risca do espectro luminoso do objecto observado.

FLINT – Vidro à base de chumbo, fortemente dispersivo, utilizado com as lentes em crown para corrigir as aberrações cromáticas.

FLUORINA (ou ED) – fluoreto natural de cálcio cujos cristais estão muitas vezes associados ao quartzo. As objectivas «fluorites» associam uma lente côncava em flint a uma lente convexa em fluoreto de cálcio.

FOCAGEM - «Regulação» que consiste em fazer aparecer na ocular a imagem nítida do objecto observado.

FOCAL – Distância que separa a objectiva ,ou o espelho, da imagem que formam no foco do instrumento.

FOCO – Ponto teórico em que convergem os raios luminosos que vêm de uma estrela, num reflector ou refractor.

FOCO PRIMÁRIO – Ponto em que convergem os raios luminosos emitidos por um astro após terem sido captados por uma objectiva.

FOUCAULT (testes de ) – Método de controlo de espelhos utilizando uma fonte luminosa pontual colocada no centro de curvatura. Ao cortar o feixe com uma lâmina de faca, os defeitos aparecem bastante ampliados.

G

GALÁXIAS – São constituídas por enormes grupos de estrelas e por nuvens de gás e poeira (nebulosas). Possuem movimento de rotação que as leva a adquirir, em muitos casos, a forma de uma espiral, com um núcleo ovalado muito denso e braços que giram à sua volta.

H

HELIOSCÓPIO – Acessório para observar directamente o Sol, sem risco de aquecimento: deve estar associado a um filtro solar. Herschel imaginou um helioscópio de prisma que elimina 96 por cento da radiação solar. Ecrã para proteger a imagem do Sol atrás da ocular.

HIPERSENSIBILIZAR – Aumentar a sensibilidade de um filme mergulhando-o num gás formado por 90 por cento de azoto e dez por cento de hidrogénio.

HORA LEGAL – Hora de Verão , UTC mais 1 hora . Hora de Inverno, UTC.

HORA SIDERAL LOCAL (T) – É o ângulo horário do Ponto Vernal (y) num dado instante e para um dado local, (T=Hy). É portanto o ângulo em horas entre o meridiano local e o circulo horário que passa pelo Ponto Vernal (y). Pode ter valores entre 0 e 24 h (1h=15º). Na passagem superior do Ponto Vernal são 0 horas de tempo sideral local. Para determinado astro, a hora sideral (T), o seu ângulo horário (H) e a sua ascensão recta (x) , estão assim relacionadas: T=H+ x.

I

IMAGEM (real ou virtual) – Reprodução visual de um objecto por um espelho ou lente. Ela é real se se pode captar num ecrã, e virtual se se encontra «em potência» no prolongamento dos raios luminosos.

K

KIT/ESPELHO – Material necessário para lapidar um espelho de telescópio.

L

LOCAL – Localização de uma colocação observacional, estudada estatisticamente em função do seu microclima, da transparência atmosférica, das turbulências e das poluições locais.

LUMINOSIDADE – Quociente do quadrado do diâmetro instrumental (em mm) por 36 (=quadrado do diâmetro médio da pupila humana na obscuridade).

LUNETA (óculo de longo alcance) – Refractor de luz para aumentar o diâmetro aparente dos objectos (imagens direitas num óculo de ver ao longe, invertidas numa luneta).

LUNETA–GUIA – Luneta associada a um telescópio, utilizada em astrofotografia para permitir apontar e seguir correctamente o astro visado.

LUZ CENDRADA – Claridade muito fraca na parte escura da Lua, produzida pela iluminação da Terra iluminada pelo Sol. Fenómeno observável nos primeiros e últimos dias da lunação.

M

MAGNITUDE – Número convencional que caracteriza o brilho aparente de um astro. Exemplos: Sol = -26; Lua Cheia = -12,7; Arcturus = 0; Estrela Polar = +2,1.

MAKSUTOV – (Telescópio de ) Telescópio bastante parecido com o de Schmidt, em que a lâmina correctora é substituída por uma lente em forma de menisco: mesmo desempenho em astrofotografia.

MEADE – Marca de telescópios Norte-Americana.

MEIO DIA SOLAR – É o instante em que o Sol (centro do disco solar) está na culminação superior – momento em que a altura do Sol é máxima.

MENISCO – Lente convexa numa face e côncava na outra.

MERIDIANO CELESTE DO LUGAR – Para um dado observador, localizado, por exemplo, no hemisfério Norteda Terra, existem dois pontos importantes da esfera celeste : o Zénite e o Pólo Celeste Norte. Ligando estes dois pontos por uma linha imaginária, o observador pode “representar” no céu a sua continuação para o horizonte, tocando os pontos cardeais Norte e Sul. A esta linha dá-se o nome de Meridiano Local ou Meridiano Celeste do Lugar e é como que a imagem, na esfera celeste, do meridiano terrestre que passa no local do observador.

MICRÓMETRO – Acessório associado a uma ocular para medir pequenas distâncias angulares aparentes. Sistema com dois fios paralelos ou dupla imagem.

MONTAGEM – (azimutal, equatorial) Suporte de uma luneta ou de um telescópio. Os dois principais tipos são a montagem azimutal e a montagem equatorial (ver estas palavras).

MOVIMENTO DE NUTAÇÃO DA TERRA - O movimento de precessão sofre pequenas oscilações como resultado da inclinação do plano da órbita da Lua relativamente à eclíptica, resultando ,daí, o movimento de nutação da Terra, com um período de cerca de 19 anos.

MOVIMENTO DE PRECESSÃO DA TERRA – Devido ao facto da Terra estar permanentemente em rotação e como resposta às forças gravitacionais exercidas pelo Sol e pela Lua ,no sentido de fazerem coincidir o plano do equador com o da eclíptica, resulta um movimento cónico, descrito pelo eixo da Terra, com um período de cerca de 26.000 anos .

N

NEWTON – (anéis de ) Anéis que envolvem uma imagem estelar, e que permitem o controlo da centragem e da qualidade das superfícies ópticas.

NEWTON – (telescópio de ) Telescópio de espelho parabólico, imaginado por Newton em 1671; um espelho plano reflecte a imagem para uma ocular.

O

OBJECTIVA – Lente ou espelho orientado para o objecto a observar e destinada a fornecer uma «imagem focal » dos astros.

OBSTRUÇÃO ( de um telescópio) – Redução do fluxo luminoso que penetra num telescópio pela interposição do espelho plano situado à frente.

OCULAR – Conjunto de lentes que permitem examinar com o olho a imagem formada no foco de uma objectiva, aumentando-a bastante, como o faria uma lupa. Há diversos tipos de oculares.

OCULTAÇÃO – Passagem de um astro atrás da Lua ou passagem de um satélite por detrás do seu planeta. O instante do desaparecimento chama-se imersão; o instante da reaparição é a emersão.

OPOSIÇÃO – Em geral, posição de um planeta que culmina no meridiano Sul na vizinhança da «meia noite real», encontrando-se o Sol «no oposto», atrás da Terra.

ÓRBITA – Trajectória à volta do Sol.

ORTOSCÓPICA – Diz-se de uma ocular «universal» que não deforma as imagens; é geralmente composta por quatro lentes e o seu campo aparente está compreendido entre 40 e 50 graus.

P

PARABÓLICA – Forma teórica do espelho de um telescópio de Newton, que apresenta uma superfície curva segundo uma parábola que roda em torno do seu eixo.

PARABOLIZAÇÃO – Quando se termina a lapidação de um espelho, acção de transformar a forma esférica do espelho em forma parabólica, com o auxílio de «vaivéns» especiais (ver a palavra).

PARAFOCAL – Diz-se de uma ocular cuja variação de focagem é mínima quando se muda.

PARSEC – Distância de onde se veria o semi-eixo maior da órbita terrestre, segundo um ângulo de 1’’ (equivalente a cerca de 3,26163 anos-luz ou a 30.856.780.000.000 kms).

PENACHO – Imagem deformada em vírgula; origem: defeito de centragem (objectiva ou ocular) ou de fabricação.

PERIÉLIO – É o ponto mais próximo do Sol a que um planeta chega na sua órbita excentrica.

PIGGY-BACK – Aparelho fotográfico fixado «nas costas» de um instrumento «portador» para uma exposição longa.

PLANETA EM OPOSIÇÃO – Em oposição ao Sol em relação à Terra.

PLANETA EM QUADRATURA – Que forma um ângulo recto com o Sol e connosco.

PLANETA INFERIOR – Cuja órbita é mais pequena que a órbita terrestre; (Mercúrio e Vénus)

PLANETA SUPERIOR – Cuja órbita é maior que a órbita terrestre; (Exemplo : Marte)

PODER RESOLUTIVO – Capacidade de revelar pormenores. Cresce com o aumento da abertura do telescópio (Diâmetro da objectiva).

PODER SEPARADOR – A menor separação angular entre dois pontos que podem ser vistos separadamente através de um instrumento. (Sinónimo: limite de resolução).

POLARIZADOR – Diz-se de um filtro que modifica a polarização da luz dando-lhe propriedades diferentes segundo os planos em torno da sua direcção de propagação, após refracção ou reflexão.

PONTO EQUINOCIAL DE MARÇO OU PONTO VERNAL – Corresponde à posição por onde o Sol passa no início da Primavera, cerca de 21 de Março, no hemisfério Norte.

PONTO OUTONAL OU EQUINÓCIO DO OUTONO – Corresponde à posição por onde o Sol passa no inicio do Outono. Cerca de 22 de Setembro no hemisfério Norte.

PONTOS EQUINOCIAIS – São os pontos de intersecção das linhas imaginárias do Equador Celeste e da Eclíptica.

PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS – Em consequência do movimento de precessão o Pólo celeste Norte vai apontando para diferentes estrelas. Os pontos equinociais movem-se ao longo da eclíptica , para Oeste, à razão de 50,26’’ de arco por ano.

PRISMA DE PORRO – Sistema de prismas associados para rectificar as imagens num instrumento que as inverte.

PROJECTIVO – Sistema óptico (por exemplo: uma ocular) que permite aumentar a imagem focal no filme.

PROTUBERÂNCIAS SOLARES – Jactos verticais de matéria solar que se elevam a mais de 200.000 Km acima da superfície do Sol, observáveis ao coronógrafo.

PUPILA – Anel ocular onde se deve colocar a pupila do olho para as observações (diâmetro óptico = 6mm). Ver círculo ocular. Anel de luz, imagem real da objectiva fornecida por uma ocular.

Q

QUASARES – São objectos muito distantes e luminosos que emitem raios X.

R

RECTIFICADOR – Acessório que rectifica uma imagem invertida, através de um sistema óptico, para as observações terrestres.

REDE DE DIFRACÇÃO – Elemento dispersivo de certos espectroscópios que desempenha o papel do prisma e é constituído por uma lâmina sobre a qual é traçada uma grelha de microtraços paralelos equidistantes, até 800 por milímetro.

REENVIO EM COTOVELO – Sistema óptico de prisma ou de espelho que permite a observação na direcção do zénite através de uma luneta; inutilizável num telescópio de Newton.

REFLECTOR – Telescópio em que a luz é reflectida por um espelho e reenviada para uma ocular ou para um filme.

REFRACTOR – Luneta, óculo de ver ao longe ou binóculos (a luz é refractada por uma objectiva).

RETÍCULA – Cruz ou marca colocada no centro do campo de uma ocular para aumentar a precisão da pontaria.

RETROGRADAÇÃO – Período do movimento aparente de um planeta em que este, depois de se ter deslocado de oeste para este, se desloca passageiramente no sentido oposto. Entre o seu movimento directo e a sua retrogradação, o planeta fica um momento estacionário.

RGB – É o grupo de cores básicas. Red (vermelho), Green (verde), Blue (azul).

RISCAS ESPECTRAIS – Linhas brilhantes ou escuras que formam um espectro e cuja posição indica a natureza dos elementos químicos que os produzem.

RITCHEY-CHRÉTIEN – (Telescópio de) : Tipo de telescópio aplanético com espelho principal hiperbólico e espelho secundário adaptado.

ROTAÇÃO DIRECTA – No sentido inverso ao dos ponteiros de um relógio, para um observador situado no nosso hemisfério boreal.

ROTAÇÃO RETRÓGADA – No sentido dos ponteiros de um relógio. ( A terra gira no sentido directo tanto sobre si própria como à volta do Sol, mas o movimento aparente das estrelas em 24 horas efectua-se em sentido retrógado, quer dizer da esquerda para a direita, para um observador a olhar para Sul no hemisfério boreal).

S

SCHMIDT – (Telescópio de): Telescópio fotográfico de grande campo composto por um espelho esférico associado a uma lâmina de vidro corectora.

SCHMIDT-CASSEGRAIN – (Telescópio de): Telescópio visual que combina um espelho esférico associado a uma lâmina correctora e a um espelho de reenvio.

SERRILHA – Pequena roda estriada que serve para regular alguns constituintes de um instrumento (por exemplo a regulação de uma ocular).

T

TELECOMPRESSOR – Sistema óptico que reduz a focal da objectiva e aumenta o campo fotográfico de um factor próximo de 2.

TELECONVERSOR – Sistema óptico do tipo «lente de Barlow» que reduz o campo de um factor de 2 a 3.

TEMPO MÉDIO LOCAL – O dia solar médio tem por definição, a duração de 24 horas de tempo solar médio (ritmo dos nossos relógios), que por simplificação se diz Tempo Médio. A Terra roda de Oeste para Este – 360º em 24h ; 15º h; 1º em 4’. Para cada meridiano há um tempo médio local. Por razões de conveniência a hora legal é a mesma para todas as localidades do mesmo Fuso Horário (tempo médio do Fuso) ; 1 Fuso = 1hora = 15º de amplitude.

TEMPO UNIVERSAL COORDENADO (UTC) – É o tempo médio de Greenwich (Longitude 0º)

TERMINADOR – Na Lua, linha móvel que separa a parte iluminada da parte escura do disco; é sobre esta linha que as sombras do relevo permitem as observações mais interessantes.

TIRAGEM – Distância entre uma ocular projectiva e o filme onde se forma a imagem.

TRIPLETO – Objectiva de três lentes acopladas que corrigem bem as aberrações.

TURBULÊNCIA – Agitação permanente de massas de ar de temperatura diferente, que diminuem muito a qualidade das observações visuais e fotográficas. Varia entre 0.1” e 3” sobre a imagem de difracção de uma estrela.

U

UNIDADE ASTRONÓMICA (U.A.) – Distância média entre a Terra e o Sol (149.600.000 kms).

V

VAIVÉM – Movimento da ferramenta ou do espelho efectuados quando se lapida um espelho de telescópio.

VARIADOR DE FREQUÊNCIA – Sistema electrónico que permite fazer variar a velocidade dos motores síncronos de arrastamento das montagens equatoriais, para guiar uma pose fotográfica e realizar recentragens.

VEÍCULO – Sistema óptico que endireita as imagens nos óculos de longo alcance.

VIA LÁCTEA – É a galáxia que contém o nosso Sistema Solar, pode ser observada, nas noites escuras e límpidas, sob a forma de uma faixa esbranquiçada de estrelas e nebulosas que atravessa o firmamento. Contém cerca de 100 mil milhões de estrelas.

VINHETAGEM – Redução do campo de luz total numa fotografia, quando o espelho primário se encontra ligeiramente tapado pelos bordos do espelho secundário.

VISOR POLAR – Visor situado no interior do eixo polar de uma montagem equatorial e que serve para a sua «focagem».

W

WOLF -(Número de ): Índice numérico, calculado a partir do número de manchas observadas simultaneamente na superfície solar e que serve para avaliar a intensidade da actividade do Sol.

Z

ZÉNITE – Ponto da abóbada celeste situado na vertical do observador.

ZODÍACO– Cintura de constelações que envolvem a abóbada celeste, onde se desloca o Sol, a Lua e os planetas brilhantes.



retirado de : http://www.ca2000pt.com/glossario/glossari.htm

Água: recurso ilimitado?



A água, um recurso que se considerava inesgotável, pode faltar. O consumo cresce, enquanto o volume disponível se reduz como conseqüência da poluição. Mas há saídas.

Fragmento do artigo “Educação pode evitar a futura falta de água”

Medidas de controle do consumo

Recurso ilimitado?

Fonte: Capozoli, Ulisses. "Educação pode evitar a futura falta de água". Jornal O Estado de São Paulo, 19 de março de 1996.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Capital

Capital

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INTRODUÇÃO

Capital, termo genérico que designa um conjunto de bens e uma importância em dinheiro a partir dos quais é possível obter, posteriormente, uma série de rendimentos (como bônus ou ações). Em geral, os bens de consumo e o dinheiro empregado para satisfazer necessidades concretas não estão incluídos na definição econômica da teoria do capital.Sob o ponto de vista da contabilidade, é definido como o patrimônio de um indivíduo ou de uma corporação em determinado momento, que não se confunde com os lucros advindos dessas posses no decorrer do tempo.É possível distinguir vários tipos. Uma classificação muito comum é a distinção entre o capital fixo, que inclui meios de produção mais ou menos duradouros, como as máquinas; e o capital de giro, que se refere a bens não renováveis, como as matérias-primas.

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TEORIAS DO CAPITAL

Os economistas franceses do século XVIII, denominados fisiocratas, foram os primeiros a formular uma teoria econômica. Seus trabalhos foram, posteriormente, desenvolvidos por Adam Smith, pai da teoria clássica do capital, por ele definido como o conjunto de valores produzidos pelo trabalho, oriundos dos bens de consumo e dos bens de produção. David Ricardo a aperfeiçoou em princípios do século XIX.Em meados do século XIX Karl Marx e outros autores socialistas aceitaram a visão clássica do capital, fazendo um importante adendo: só é possível considerar capital os bens produtivos, que geram receitas, independentemente do trabalho realizado por seu proprietário. Outros economistas da mesma época, como Nassau William Sênior e John Stuart Mill, criaram uma teoria psicológica do capital, que tem origem na redução do consumo daquelas pessoas que desejam um rendimento futuro que compense a atual poupança.Em finais do século XIX Eugen Böhn-Bawerk e Alfred Marshall procuraram unir a teoria da poupança à teoria clássica do capital. Pela teoria da poupança, a possibilidade de rendimentos futuros incentivava às pessoas a evitar o consumo, no presente, canalizando parte de suas receitas para o aumento da produção.No século XX, John Maynard Keynes rejeitou essa teoria por não conseguir explicar as diferenças entre o dinheiro economizado e o capital gerado. Demonstrou que a decisão de investir em bens de capital independe da decisão de poupar.Embora todas essas teorias sejam recentes o capital existe nas sociedades civilizadas desde a Antigüidade. Seu papel nas economias da Europa ocidental e América do Norte foi tão importante que a atual organização sócio-econômica aí dominante é conhecida como sistema capitalista ou capitalismo.

Capitalismo

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INTRODUÇÃO

Capitalismo, sistema econômico em que as pessoas físicas e as empresas de negócio decidem sobre a produção e a troca de bens e serviços, mediante complexas transações nas quais intervêm os preços e os mercados. A partir da Europa, mais especificamente da Inglaterra, foi expandido para todo o mundo. Era o sistema sócio-econômico quase exclusivo no âmbito mundial até a explosão da I Guerra Mundial, quando alguns países adotaram o comunismo, sistema oposto ao capitalista.O termo kapitalism foi definido em meados do século XIX pelo economista Karl Marx. Algumas vezes é utilizado o termo economia mista para descrever o sistema capitalista com intervenção do setor público, que predomina em quase todas as economias dos países industrializados. É possível dizer que existe um fundador do sistema capitalista, Adam Smith.

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CARACTERÍSTICAS DO CAPITALISMO

Ao longo de sua história, mas sobretudo durante a segunda metade do século XIX, algumas características básicas são observadas. Em primeiro lugar, os meios de produção — terra e capital — são propriedades privadas. Em segundo, a atividade econômica aparece organizada e coordenada pela interação entre compradores e vendedores. Em terceiro, tanto os proprietários da terra e do capital como os trabalhadores são livres e buscam maximizar seu bem-estar; os consumidores podem gastar seu dinheiro como e quando queiram, para obter a maior satisfação possível. Este princípio é denominado soberania do consumidor e revela que os produtores estão obrigados, devido à concorrência, a satisfazer a demanda dos consumidores. Em quarto lugar, o controle do setor privado por parte do setor público deve ser mínimo.

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MERCANTILISMO

Do século XV até o século XVIII, quando apareceram os modernos estados nacionais, o capitalismo não apenas tinha uma faceta comercial, mas também conheceu uma nova forma de comércio, denominada mercantilismo. A principal característica era a preocupação em acumular, transformando as reservas de ouro e prata.

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PRIMÓRDIOS DO CAPITALISMO MODERNO

Dois acontecimentos propiciaram seu surgimento na segunda metade do século XVIII: o aparecimento, na França, dos fisiocratas e a publicação das idéias de Adam Smith sobre a teoria e a prática do mercantilismo.

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A INDUSTRIALIZAÇÃO

Surgiu no final do século XVIII, depois da Revolução Industrial, e se caracterizou pela introdução da mecânica e das máquinas a vapor, em substituição à tração animal e humana, na produção de bens e serviços. Acarretou enormes custos sociais. Surgiram numerosos críticos do sistema, que defendiam outros modelos de propriedade comunitária ou socializada: os chamados socialistas utópicos. Entretanto, o primeiro a desenvolver uma teoria coerente foi Karl Marx, autor de O capital (3 volumes, 1867-1894).Com o capitalismo, chegaram os ciclos econômicos: períodos de expansão e prosperidade, seguidos de recessão e depressão econômica.

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O CAPITALISMO NO SÉCULO XX

Durante quase todo o século XX, houve numerosas guerras, revoluções e depressões econômicas. Nas democracias industrializadas da Europa e dos Estados Unidos, a maior prova que o capitalismo enfrentou ocorreu na década de 1930: a Grande Depressão, a mais dura crise enfrentada desde o início do século XVIII. O acontecimento mais importante da história recente foi a publicação da obra de John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do emprego, do juro e da moeda). O pensamento de Keynes modificou profundamente as idéias capitalistas, originando uma nova escola de pensamento econômico, denominada keynesianismo. Demonstrou que um governo pode utilizar poder econômico, capacidade de gasto, impostos e controle da oferta monetária para dissimular e, inclusive, eliminar seus maiores inconvenientes: os ciclos de expansão e depressão.

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PREVISÕES PARA O FUTURO

O principal objetivo dos países capitalistas consiste em garantir um alto nível de emprego com o intuito de manter a estabilidade dos preços.

EXEMPLOS DO MUNDO GLOBALIZADO

"O filme publicitário começa com meninos jogando futebol na rua. Logo essas cenas passam a ser intercaladas, de forma simétrica, com imagens de Ronaldinho jogando pela seleção brasileira. (...)

Uma típica cena brasileira usada para vender uma marca americana, a Nike! (...) Com faturamento de US$ 9,2 bilhões no ano fiscal terminado em maio de 1997, a fabricante de roupas e calçados esportivos Nike acabou se tornando, nos últimos anos, um dos melhores exemplos de uma empresa global (...).

A Nike não é dona de nem sequer uma fábrica, não emprega nenhum operário, não tem nenhuma máquina.(...) Atualmente, cerca de 80% dos calçados da Nike são feitos em fábricas de cinco países asiáticos (...)."

(Adaptado de Folha de São Paulo, 02/11/97)


Globalização Uma rápida definição de enciclopédia


Processo de integração mundial que se intensifica nas últimas décadas, a globalização baseia-se na liberação econômica: os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias que protegem sua produção da concorrência estrangeira e se abrem ao fluxo internacional de bens, serviços e capitais.

A recente evolução nas tecnologias da informação contribui de forma decisiva para essa abertura. Além de concorrer para uma crescente homogeneização cultural, a evolução e a popularização das tecnologias de informação (computador, telefone e televisor) são fundamentais para agilizar o comércio, o fluxo de investimentos e a atuação das transnacionais, por permitir uma integração sem precedentes de pontos distantes do planeta. Em 1960, um cabo de telefone intercontinental conseguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo. Atualmente, os cabos de fibra ótica possuem capacidade para enviar 1,5 milhão. Uma ligação telefônica internacional de três minutos, que custava 244 dólares em 1930, é feita por 3 dólares no início dos anos 90. A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê para 2000 a existência de 300 milhões de usuários da internet e transações comerciais de mais de 300 bilhões de dólares.

Contrastes da globalização - O debate em torno dos efeitos colaterais da globalização e das estratégias para evitá-los aprofunda-se em 1999. Uma das consequências desse processo é a concentração da riqueza. A maior parte do dinheiro circula nos países industrializados - apenas 25% dos investimentos -, e o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia sobe de 1,2 bilhão, em 1987, para 1,5 bilhão, em 1999. O crescimento dos países emergentes em 1999 fica em torno de 1,5%, o pior desempenho em 17 anos. As exceções, China e Índia, são justamente as nações que dão ritmo mais lento à liberação comercial e à integração ao sistema financeiro internacional.

Com a crise mundial, o preço das matérias-primas, produzidas em grande parte pelos Estados mais pobres, cai mais de 20%, trazendo perdas de 10 bilhões de dólares para a América Latina. Os países ricos, no mesmo ano, lucram 60 bilhões de dólares somente com a queda do custo do petróleo. A participação das nações emergentes no comércio internacional é de pouco mais de 30%. Algumas regiões estão à margem da globalização, como a Ásia Central, que representa apenas 0,2% das trocas, e o norte da África (0,7%).

O Banco Mundial (Bird) aponta como causas para o distanciamento entre ricos e pobres o aumento das ações protecionistas promovidas pelos países ricos, a voracidade dos investidores e a fragilidade econômica e institucional das nações subdesenvolvidas. A receita usada para recuperar os mercados emergentes em queda - cortes orçamentários e juros altos - contribui para aumentar ainda mais a distância.

Correção de rumos - Tais desigualdades preocupam os organismos internacionais. A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) propõe o controle de capitais e desenvolvimento sustentado em contraposição ao Consenso de Washington, nome pelo qual ficaram conhecidos os princípios de liberalização financeira e comercial que caracterizam o neoliberalismo. A instituição, em conjunto com o Bird, tem um plano para abolir em 15 anos as dívidas dos 41 países mais pobres.

Em seu relatório do Desenvolvimento Humano de 1999, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) fornece uma receita geral para corrigir os rumos da globalização. As nações emergentes e organizações não governamentais devem ter mais influência nos fóruns econômicos internacionais - Fundo Monetário Internacional (FMI), Bird, Grupo dos Sete (G-7) -, hoje controlados pelos Estados ricos. Sugere ainda que as decisões não considerem apenas as variáveis econômicas, mas também suas repercussões na área social. Por fim, conclui que, embora pareça contraditório, o sucesso da globalização exige avaliações regionalistas.

Expansão - O início da integração mundial remonta aos séculos XV e XVI, quando a expansão ultramarina dos Estados europeus possibilita a conquista de novos mercados. Outro salto na difusão do comércio e dos investimentos é dado pelas duas Revoluções Industriais, nos séculos XVIII e XIX. A interdependência econômica cresce até a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e é retomada no bloco capitalista após a II Guerra Mundial. Estimuladas pela quebra de barreiras - decorrente, em grande parte, das políticas liberalizantes postas em prática pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e, atualmente, pela Organização Mundial do Comércio (OMC) -, as trocas mundiais aumentam de forma expressiva a partir dessa época. Em 1950 totalizam 61 bilhões de dólares, ao passo que em 1998 atingem 5,2 trilhões de dólares.

O fim da Guerra Fria, nos anos 80, inaugura um novo estágio de globalização: as trocas mundiais incrementam-se ainda mais por causa da transição das nações comunistas para a economia de mercado, e a expansão do comércio supera o aumento da produção mundial. De acordo com o FMI, entre 1989 e 1998 o volume de dinheiro movimentado em trocas internacionais se eleva em média 6,5% ao ano, enquanto a taxa anual de crescimento da produção é de 3,4%.

Explosão dos investimentos - A expansão dos fluxos de capital tem sido ainda maior por causa da abertura dos países ao investimento estrangeiro e da enorme velocidade das transações. O movimento diário de capitais no mundo é estimado em 2 trilhões de dólares. A migração quase instantânea do dinheiro fortalece investimentos estrangeiros de curto prazo. Ao menor sinal de instabilidade econômica ou política no Estado, o investimento é resgatado, provocando uma crise que pode alastrar-se para outras nações por causa da integração das economias.

É o que ocorre no segundo semestre de 1997, quando as principais bolsas de valores do mundo despencam em reação à profunda crise das nações do Sudeste Asiático. O turbilhão financeiro evolui para uma crise internacional em 1998. Os países emergentes - sobretudo a Federação Russa - são os mais atingidos, por adotar modelos de desenvolvimentos baseados em investimentos externos. As sucessivas crises realçam a instabilidade de um mercado financeiro globalizado, em que o desempenho das economias nacionais depende não só da ação dos governos, mas cada vez mais dos grandes investidores estrangeiros.

Corporações transnacionais - A globalização é marcada ainda pelo crescimento das corporações transnacionais, que exercem papel decisivo na economia mundial. De acordo com o relatório do Desenvolvimento Humano de 1999, das 100 maiores riquezas do mundo, metade pertence a Estados e metade, a megaempresas. Reportagem da revista Fortune mostra que as dez principais corporações do mundo - General Motors Corporation, DaimlerChrysler, Ford Motor, Wal-Mart Stores, Mitsui, Itochu, Mitsubishi, Exxon, General Electric e Toyota Motor - ganharam juntas 1,2 trilhão de dólares em 1998, valor 50% maior que o produto interno bruto (PIB) brasileiro. O faturamento isolado de cada uma dessas empresas é comparado ao PIB de importantes economias mundiais, como Dinamarca, Noruega, Polônia, África do Sul, Finlândia, Grécia e Portugal. Somente as ações da Microsoft, a principal empresa de informática do mundo, atingem em julho de 1999 valor de mercado equivalente a mais de 500 bilhões de dólares. Além de crescer em faturamento, as corporações tornam-se gigantescas também pelo processo de fusões, acelerado a partir de 1998.

As transnacionais implementam mudanças significativas no processo de produção. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam melhores vantagens fiscais e mão-de-obra e matéria-prima baratas. Os produtos não têm mais nacionalidade definida. Um carro de uma marca dos EUA pode conter peças fabricadas no Japão, Ter sido projetado na França, montado no Brasil e ser vendido no mundo todo.
Euro - Em 1999, onze países da União Européia (UE) dão outro passo importante no processo de globalização ao criar o euro, moeda única do bloco. Em 1º de janeiro, Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda (Países Baixos) e Portugal passam a empregá-lo nas transações entre suas empresas. Em 1º de janeiro de 2002, o euro vai ser usado regularmente e, a partir de 1º de julho desse ano, as moedas nacionais deixarão de existir. É a primeira vez na história que nações abrem mão de emitir sua própria moeda.