sábado, março 15, 2008

Bush torra US$ 500 milhões por dia com a ocupação do Iraque


“Com uma sexta parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base econômica sólida para seu sistema de seguridade social durante mais de meio século”, ressalta o economista norte-americano, Joseph Stiglitz
“A guerra do Iraque tem tido só dois vencedores: as multinacionais petroleiras e as empresas de logística e infra-estrutura a serviço da ocupação. O valor das ações da Halliburton, a antiga empresa do vice-presidente Dick Cheney, foi para a estratosfera”, afirmou Joseph Stiglitz, professor de Economia da Universidade de Columbia, ressaltando que “como em 20 de março é a data do quinto aniversário da invasão ao Iraque encabeçada pelos Estados Unidos, é hora de fazer um balanço do ocorrido”.
O economista norte-americano mostrou que Bush mentiu ao mundo e ao seu país sobre os custos da invasão. “Disse que a guerra custaria 50 bilhões de dólares, mas os EUA estão gastando essa quantidade cada três meses. Se situarmos esse valor em seu contexto, acontece que com uma sexta parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base econômica sólida para seu sistema de seguridade social durante mais de meio século, sem reduzir os serviços nem aumentar as contribuições”, precisou.
VIETNÃ
Stiglitz constatou que o custo das operações militares norte-americanas – sem considerar os gastos a longo prazo, como a atenção à saúde dos ex-combatentes – supera já os custos da guerra do Vietnã, que durou 12 anos, e representa mais do dobro do que custou a guerra da Coréia.
“O governo Bush reduziu os impostos aos ricos ao mesmo tempo que se lançava à guerra, apesar de ter um déficit orçamentário. Em consequência, recorreu a um excesso de gasto público – em grande parte financiado desde o estrangeiro – para pagar a guerra”, assinalou, registrando que “a dívida nacional norte-americana, que era de 5,7 trilhões de dólares quando Bush chegou à presidência, foi acrescida de dois trilhões por causa da guerra [atualmente a dívida é de US$ 9,13 trilhões e deve ultrapassar os 10 trilhões quando Bush deixar a Casa Branca]”.
Para driblar o grande descontentamento com a sua política belicista, a Casa Branca tem tentado ocultar as informações sobre a guerra. “Os grupos de veteranos recorreram à Lei de Liberdade de Informação para descobrir o número total de feridos: 15 vezes mais que o de vítimas mortais. Já há 52.000 veteranos de regresso para casa que tiveram diagnósticada a síndrome de tensão postraumática”, assegurou, enfatizando que os Estados Unidos terão que pagar indenizações por invalidez a 40%, aproximadamente, dos 1,65 milhões de soldados que, no conjunto, já participaram da invasão. “A conta pela atenção de saúde e invalidez chega já a mais de 600 bilhões”, revelou, independentemente que este governo não se disponha a arcar com as suas responsabilidades.
Stiglitz, que recebeu o prêmio Nobel de Economia em 2001, se refere ao uso de mercenários que não resultam nem um pouco baratos, denunciando que “um guarda de segurança da empresa Blackwater Security, por exemplo, pode custar mais de 1.000 dólares ao dia, sem contar o seguro de vida e invalidez, que deveria ser pago pelo governo”.
Porém, quem arca com o maior custo desta guerra é o Iraque. “A metade de seus médicos resultaram mortos ou tiveram que abandonar o país, o desemprego representa 25% e, cinco anos depois do começo da guerra, Bagdá tem menos de oito horas de eletricidade ao dia”, declarou. Dos 28 milhões de habitantes que compõem a população total do Iraque, quatro milhões tiveram que abandonar seus lares e dois milhões saíram do país.
CUSTOS
“Quando tantas pessoas no Iraque sofrem tanto de tantas formas, pode parecer uma demonstração de insensibilidade examinar os custos econômicos e pode parecer particularmente egocêntrico centrar a atenção nos custos econômicos para os Estados Unidos, que se lançou nesta guerra violando o direito internacional, mas trata-se de custos econômicos enormes e eles representam muito mais que desembolsos orçamentários”, ponderou o professor, advertindo que os EUA pagarão seu preço por décadas pela frente.
Joseph Stiglitz, junto com Linda Bilmes, uma especialista em orçamentos da Universidade de Harvard, com o objetivo de desmascarar as mentiras do governo de George W. Bush, fizeram um estudo do verdadeiro custo a que pode chegar a invasão, material divulgado no livro “The Trillion Dollar War” (A guerra de 3 trilhões de dólares, referindo-se a uma projeção feita pelos autores do livro para o custo com a invasão caso ela se estendesse até 2017). “Afinal, Bush mentiu sobre tudo: desde as armas de destruição em massa de Sadam Hussein, até sua suposta – e inexistente – vinculação com Al Qaeda. De fato, dó depois da invasão é que o Iraque passou a ser caldo de cultivo para terroristas”, disseram. A conclusão a que chegaram é que a invasão ao Iraque pode acabar sendo 60 vezes mais caro do que disse Bush.
SUSANA SANTOS - HP 14/03

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