segunda-feira, março 10, 2008

Audiência adverte para compra de terras por grupos externos

“Estão registrados no Incra 5,5 milhões de hectares sob controle de estrangeiros, sendo 3,1 milhões de hectares na Amazônia”, afirmou o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, na audiência pública no Senado, na quarta-feira (5), que debateu a crescente compra de terras do país por estrangeiros. A audiência foi realizada em conjunto pelas Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
Segundo Hackbart, esses números representam apenas o que está registrado no Incra, pois “não há informações disponíveis que permitam afirmar o número total de estabelecimentos rurais que estão nas mãos de estrangeiros”. Ele ressaltou a existência de lacunas na lei, dificultando a atuação do órgão. “O aumento do interesse de estrangeiros por terras no país é movido por novas oportunidades de negócios, como a produção de biocombustíveis”, destacou, lembrando principalmente o etanol.
Durante a audiência, o senador João Pedro (PT-AM) questionou: “Vamos ter o estrangeiro controlando grandes faixas de terras com enorme biodiversidade?”. O senador defendeu “uma nova legislação fundiária que considere as populações locais e o controle rigoroso sobre as riquezas do país”. Segundo ele, “o interesse dos estrangeiros não é na terra, mas na madeira e nos demais recursos naturais”.
Na audiência pública, o coordenador-geral de Defesa Institucional da Polícia Federal, Fernando Queiroz Oliveira, defendeu a criação de legislação que permita “uma atuação mais forte” da Polícia Federal, em especial na Amazônia. Ele lembrou denúncias de compra de terras por entidades estrangeiras na região amazônica, a pretexto de promover a proteção ambiental, sendo que a falta de instrumentos legais dificulta a investigação sobre possíveis irregularidades.

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