sábado, outubro 25, 2008

O "New Deal" francês: Por que não aqui?

SOLUÇÕES PARA A CRISE

 

Confira as medidas anunciadas ontem pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, para enfrentar os efeitos da crise financeira. Propostas incluem gastos públicos pesados para proteger e estimular o setor produtivo.

Redação - Carta Maior

Medidas anunciadas ontem pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, podem significar , no plano produtivo, aquilo que o "plano Brown" representou na esfera financeira da crise: a definição de um novo modelo econômico para superar o ciclo do capitalismo neoliberal.
Algumas decisões tomadas pelo governo francês:
a) Criação de um Fundo Estratégico de Investimentos de 200 bilhões de euros para capitalizar empresas produtivas atingidas pela crise e expandir a atividade econômica;
b) Ampliação do Plano Plurianual de Investimentos (2009 e 2012).
c) Mais 175 bilhões de euros serão investidos em pesquisa científica, educação superior e projetos nas áreas de defesa, energia e transportes.
d) Universalização da banda larga na França com aportes estatais de 30 bilhões de euros nos próximos três anos.
e) Isenção do Imposto Profissional (uma das quatro grandes taxas francesas) para empresas que anunciarem novos investimentos até 31 de dezembro de 2010.
f) Desoneração fiscal significativa sobre a produção de manufaturados industriais.

 

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A relação entre as finanças e a economia da produção e do consumo

 

Matéria da Editoria:
Economia
25/10/2008

PAUL SINGER

 

Para superar a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos. Se os governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura.

Paul Singer

Data: 23/10/2008

O mistério do interrelacionamento entre as finanças e a economia da produção e do consumo
É nos momentos de crise financeira que a opinião pública se volta a este tema: como se interrelacionam o mundo financeiro com suas vicissitudes especulativas e o mundo da produção e consumo de valores de uso. São dois mundos distintos: no primeiro circulam valores monetários denominados genericamente de ativos porque são créditos, a cada um dos quais corresponde um débito (ou passivo); no segundo circulam bens e serviços que satisfazem necessidades de seres humanos, que por isso se dispõem a pagar para adquiri-los. Estes bens e serviços são mercadorias – produtos do trabalho humano destinados à venda, à troca por dinheiro - e neste sentido também são valores monetários. A diferença entre ativos e mercadorias é que os primeiros são valores virtuais, isto é, não satisfazem qualquer necessidade diretamente, ao passo que os últimos são valores reais, prontos para serem utilizados ou consumidos.
As finanças prestam serviços à economia real: recebem em depósito a poupança de famílias e empresas (sem falar dos governos) e lhes oferecem empréstimos. Serviços financeiros são basicamente de intermediação entre famílias e empresas que têm poupanças e outras que necessitam de dinheiro. As finanças recolhem o dinheiro sobrante das primeiras e o emprestam às últimas. Mas, sua atividade principal é emprestar a governos e empresas para que possam fazer investimentos. Embora as compras a prazo dos consumidores sejam importantes – sobretudo o crédito hipotecário - a maior parte dos ativos se destina a financiar investimentos do poder público e das empresas capitalistas, sobretudo de grande porte.
Além disso, boa parte da poupança captada pelas finanças são delas mesmas. A atividade financeira expandiu-se acentuadamente nos últimos decênios de globalização e neo-liberalismo, usufruindo de lucros extraordinários, parte dos quais alimentam as remunerações milionárias dos altos executivos financeiros. Uma parte crescente do capital total da economia capitalista globalizada gira no mundo financeiro e nas fases de alta dos ciclos de conjuntura usufrui de inegável hipertrofia.
São muitas as modalidades de empréstimos praticados pelas finanças: depósitos bancários, títulos negociados em Bolsas de Valores, emissões de títulos por governos, grandes empresas, companhias de seguros (apólices), emissão de cartões de crédito e de débito e assim por diante. O que efetivamente importa é que os intermediários podem emprestar mais dinheiro do que captaram do público ou de outros intermediários. Eles podem fazer isso porque gozam de crédito por parte do público que aceita em pagamento os ativos avalizados por bancos. É assim que funcionam os cheques e os cartões eletrônicos: são ordens de pagamento que o cliente do banco emite para que determinadas dívidas, que ele faz junto a lojas, restaurantes etc., sejam pagas pelo seu banco. A grande maioria das transações dos agentes da economia real é liquidada por meio de instrumentos chamados meios de pagamento emitidos por bancos. Só transações de pouco valor são liquidadas por meio da moeda oficial emitida pela Autoridade Monetária, que pode ser o Banco Central ou o Tesouro do governo nacional.
Os bancos ganham dinheiro fazendo empréstimos, pelos quais cobram juros. Os serviços que prestam aos depositantes só lhes dão despesas. Os bancos precisam dos depósitos porque eles constituem o lastro dos empréstimos que fazem. O Banco Central exige que os bancos comerciais mantenham um encaixe mínimo que serve para cobrir os saques dos depositantes. Os prestatários (que recebem os empréstimos) sacam rapidamente os valores acrescentados aos seus saldos para pagar os fornecedores de equipamentos, instalações, matérias primas etc. que são os elementos materiais de seus investimentos. Os fornecedores, por sua vez, depositam imediatamente o dinheiro recebido em seus bancos, quando o dinheiro não é transferido diretamente para suas contas. O que significa que o dinheiro utilizado pelos agentes da economia real para liquidar transações entre eles circula incessantemente entre os bancos, ou seja, no âmbito financeiro.
Quando todos os bancos, no afã de ganhar mais, ampliam os empréstimos a agentes da economia real, os depósitos de todos eles aumentam. O efeito importante é sobre a economia real, que se expande na medida em que os investimentos crescem, o que ocasiona a ampliação do emprego, da produção e do consumo. A expansão da economia real se auto-alimenta na medida em que desempregados conseguem trabalho, os gastos do público aumentam, o que suscita mais investimentos, mais emprego e mais produção.
O ciclo de conjuntura
A fase de alta do ciclo se origina mais frequentemente na economia real do que no âmbito financeiro. Ela é desencadeada geralmente por inovações tecnológicas de grande impacto sobre a produção e/ou consumo ou por mudanças institucionais, como a instauração de sistemas de previdência social, de assistência à saúde ou de transferência de rendimentos à população mais pobre. A realização de inovações tecnológicas exige investimentos vultosos, o que eleva as demandas de financiamento por parte das empresas. O mesmo se dá quando iniciativas governamentais de redistribuição de renda elevam os gastos de consumo de amplos setores da sociedade, o que também requer investimentos para ampliação da capacidade de produção dos bens e serviços consumidos por aqueles setores.
O crescimento da demanda por empréstimos normalmente evoca resposta favorável das finanças, que farejam oportunidades para bons negócios. É conhecida a tendência dos intermediários financeiros de agir como rebanhos: quando a alta cíclica da economia real acontece, todos os banqueiros se entusiasmam, convictos de que os riscos de que os empréstimos deixem de ser pagos tornaram-se insignificantes. Na medida em que as expectativas otimistas se revelam verdadeiras – os financiamentos são pagos pontualmente – o entusiasmo cresce até se tornar euforia. Microempresas, incapazes de oferecer garantias reais normalmente exigidas, acabam por receber empréstimos em função do seu potencial, representado algumas vezes por não muito mais do que uma boa idéia.
A euforia é contagiante. Ela pode ter começado na economia real e contaminado as finanças ou vice-versa. Seja como for, enquanto o potencial das inovações tecnológicas ou das mudanças institucionais não estiver esgotado, a fase de alta do ciclo se eleva cada vez mais, graças à interação simbiótica das finanças com a economia real. Até que ela bate num teto. Este pode ter por causa o esgotamento da capacidade de expansão da oferta de mercadorias, por falta de mão-de-obra ou de oferta de energia ou de capacidade de transporte e armazenagem ou de tudo isso em conjunto.
Outra origem do teto para a alta pode ser o esgotamento da necessidade das mercadorias cuja produção está em perene aceleração. Este foi o caso da bolha imobiliária, que está na origem da atual crise financeira. A demanda por habitação costuma ser grande, mas certamente não é infinita. A alta da atividade de construção tem elevado poder de irradiação por toda economia, na medida em que ela implica em procura crescente por material de construção, equipamentos e mão-de-obra, além de mobília, eletrodomésticos, objetos de decoração etc., etc.. Como a construção de casas e prédios é relativamente prolongada, quando o esgotamento da demanda se torna manifesto, a quantidade de construções em andamento está no auge. Interrompê-las pode ser extremamente custoso, mas levá-las a cabo implica em mais investimentos numa mercadoria que provavelmente se tornará invendável, a não ser por um preço muito abaixo do custo.
O estouro duma bolha imobiliária atinge em cheio as finanças porque imóveis são objetos privilegiados para a especulação, particularmente porque os investimentos parecem protegidos por elevada garantia material, qual seja, os próprios imóveis. Uma parte da intermediação financeira se especializa no financiamento hipotecário e quando a bolha atinge seu apogeu este setor atrai enorme quantidade de dinheiro, parte do qual é investida na especulação fundiária. Quando finalmente a oferta de residências ultrapassa a demanda solvável, o preço tanto dos terrenos como das construções despenca, acarretando grandes prejuízos não só aos investidores, mas também às instituições que os financiam. No caso da atual crise financeira, a peculiaridade é que, durante a alta, instituições financeiras fizeram empréstimos à população de baixa renda, que implicam riscos maiores do que os normais. Por isso os títulos de crédito destas operações recebem a classificação de subprime, o que significa algo como “abaixo dos melhores”.
Para poder vender estes títulos ao público sem deságio, as instituições os empacotaram com outros títulos de risco considerado menor, numa manobra conhecida como de diluição de riscos. A operação aparentemente foi um sucesso: títulos no valor de muitos bilhões de dólares foram incorporados às carteiras de ativos de numerosos bancos de investimento, não só dos Estados Unidos, mas também da Europa. Quando o ciclo imobiliário entrou em baixa, o preço das residências e o aluguel das mesmas sofreram forte queda, tornando desproporcionalmente onerosa a dívida assumida por milhões de famílias pobres. Em outras palavras, o prejuízo causado pelo estouro da bolha foi colocado sobre os ombros de quem menos podia suportá-lo. Os devedores deixaram de honrar suas dívidas, arriscando-se a perder suas casas e apartamentos, cada vez mais desvalorizados. Desta maneira o prejuízo bilionário da crise imobiliária voltou ao colo dos especuladores financeiros, que se mostraram igualmente incapazes de suportá-lo. Um grande banco estadunidense faliu e diversos outros foram provisoriamente estatizados, tanto na América do Norte como na Europa.
Crises que se originam no âmbito financeiro
Há crises que se originam no próprio setor financeiro, sem envolver inicialmente a economia real. Uma crise deste tipo ocorreu em 2000, nos Estados Unidos, por ocasião da grande euforia ocasionada pela criação da Internet e a conseqüente revelação de suas inegáveis potencialidades. A criação de empresas de informática muito lucrativas e capazes de expansão fulminante provocou uma corrida nas Bolsas de Valores por ações de firmas em setores de alta tecnologia. As ações passaram a se valorizar cada vez mais, proporcionando ganhos milionários aos especuladores institucionais – fundos de investimento, fundos de pensão, companhias de seguro etc. – e também a um crescente número de pessoas físicas, que passaram a arriscar suas economias neste jogo.
O Federal Reserve – o banco central dos Estados Unidos – resolveu intervir para deter a bolha, certamente para limitar as perdas quando seu inevitável estouro tivesse lugar. Para tanto, o Federal Reserve começou a elevar paulatinamente a taxa oficial de juros, encarecendo deliberadamente o crédito em geral. Esta ação levou meses, até que a taxa de juros para investimento praticamente ‘sem risco’ chegasse a um patamar que levasse investidores a preferir aplicações a juros em lugar de comprar ações, cujo rendimento depende da lucratividade da firma que as emite. A partir deste momento o volume de recursos aplicados em ações começou a diminuir, o que fez com que os seus preços passassem a crescer cada vez menos. Subitamente, o humor dos especuladores mudou inteiramente e um número cada vez maior deles começou a vender suas ações, tendo em vista aplicar o dinheiro em outros ativos. O que causou uma débâcle nas Bolsas, não só dos EUA, mas também do resto do mundo, com queda vertical das cotações.
Os prejuízos dos intermediários financeiros foram enormes, com a perda de trilhões de dólares no valor das empresas. Ficou evidente que as cotações haviam atingido níveis muito maiores do que a lucratividade destas empresas justificaria. O Federal Reserve imediatamente inverteu sua política, passando a reduzir também paulatinamente a taxa de juros, para tentar evitar que a crise das bolsas afetasse a economia real. Mas, apesar da notável agilidade do Federal Reserve, a economia real estadunidense entrou em recessão. O débâcle dos mercados de ações ocasionou fortes perdas aos fundos, cujos investidores passaram a conter seus gastos, o mesmo acontecendo com os milhões de particulares que arriscaram suas economias no jogo especulativo. E o crédito mais restrito e caro também impediu que muitos investimentos planejados fossem executados.
A queda na demanda dos consumidores e na realização de investimentos causou uma queda na atividade econômica, que foi enfrentada pela Autoridade Monetária mediante injeções de dinheiro, que ajudaram a financiar o setor imobiliário. A recessão de 2000/2001, agravada pelo ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque, foi superada pela persistente alta dos preços dos imóveis e a expansão da atividade construtiva, que constitui o pano de fundo da crise financeira começada em 2007 e que atualmente (2008) começa a afetar a economia real estadunidense e européia.
O inter-relacionamento entre as finanças e a economia real
Historicamente, as finanças modernas surgiram desde o século XIV, na Europa Ocidental para financiar os governos monárquicos, principalmente suas guerras e suas alianças matrimoniais. Em muitos países, os primeiros bancos eram oficiais, possuídos por autoridades nacionais ou locais. No Brasil, nosso primeiro banco foi criado por D.João VI no início do século XIX e permaneceu sob controle do governo imperial até a Proclamação da República, sendo a criação de bancos privados mal tolerada pelo poder público.
A conhecida propensão das finanças entrarem em crise, como vimos acima, provoca praticamente sempre uma forte intervenção estatal no setor, tendo em vista preservar a normalidade dos negócios financeiros e muitas vezes com o propósito explícito de proteger a economia real das emanações destrutivas da crise financeira. Em diversos países, todos os intermediários financeiros chegaram a ser estatizados e ficaram nesta condição por anos, até que algum governo resolveu reprivatizá-los..
Sem considerar o papel do Estado é impossível compreender o inter-relacionamento entre as finanças e a economia real. Atualmente, as finanças de cada país são constituídas majoritariamente por entidades privadas, mas sob controle e fiscalização do Banco Central. As finanças são quase sempre dominadas por um número reduzido de grandes entidades, que constituem complexos financeiros com atuação em quase todas modalidades financeiras, desde os bancos de varejo e os bancos de investimento atacadistas (que lidam apenas com grandes inversores) até as companhias de seguro, os fundos de investimentos, as companhias de cartões eletrônicos etc..
Com o advento da globalização financeira, produto da abertura total da circulação dos capitais sobre as fronteiras nacionais de numerosos países, o poder do Estado nacional sobre as finanças foi consideravelmente erodido, porque se algum governo nacional vier a tomar medidas que contrariem os interesses das firmas financeiras privadas, ele se defrontaria imediatamente com forte fuga de capitais para paraísos fiscais, que lhes garantem liberdade total de ação a custo muito baixo. Para que os governos nacionais possam recuperar o controle sobre o capital financeiro, a primeira medida teria que ser o restabelecimento do controle sobre a movimentação internacional dos capitais privados.
A economia real também é dominada por um punhado de transnacionais de grande porte. Para não ter de se submeter aos complexos financeiros, estas firmas criaram seus próprios braços financeiros, semelhantes aos complexos financeiros independentes. As estruturas das finanças e da economia real se assemelham, sobretudo em seus aspectos oligopólicos e transnacionais. Mas, a economia real é muito mais diversificada e é composta por um número muito maior de empreendimentos de pequeno porte do que o setor financeiro. Por isso, na maior parte dos países, a intervenção do Estado na economia real é mais dispersa e muito mais diversificada, consistindo em geral na concessão de incentivos e imposição de proibições de atividades que violam a concorrência, os direitos dos trabalhadores ou a preservação de recursos naturais não renováveis.
A economia real é instável e imprevisível por causa da ausência de qualquer tentativa de coordenação da produção e do consumo, distribuídos hoje em dia por milhares de mercados distintos. Tentativas de coordenar as ações de todas as empresas de determinado setor são consideradas formação de cartel e portanto ameaças à competição, o que é punível por lei. Decisões devem ser tomadas isoladamente por cada empresa, para que a competição nos diversos mercados seja livre.
Para tornar a economia real mais estável e previsível a cartelização de determinados ramos deveria ser não só permitida, mas fomentada e controlada pelo poder público, para tornar as decisões estratégicas das empresas mutuamente congruentes e portanto mais eficazes. O controle público teria por objetivo impedir que o ganho de eficiência seja apoderado apenas pelo segmento mais forte, mas compartilhado com todas as empresas da cadeia produtiva e com os consumidores dos produtos.
A instabilidade e imprevisibilidade do mundo financeiro são, em certa medida, reflexos destas características da economia real. Mas, no mundo financeiro a imprevisibilidade é condição indispensável para que possa haver especulação, que constitui a razão de ser de parte considerável (Bolsas de Valores e de Mercadorias) deste mundo. Isso faz com que a instabilidade e a incerteza quanto ao futuro, nas finanças, sejam muito maiores do que na economia real. Os ativos com que lidam as finanças, são contratos a serem executados num futuro, que no capitalismo é inevitavelmente incerto.
Além disso, há outra diferença entre as finanças e a economia real que torna a instabilidade e imprevisibilidade muito maior no âmbito financeiro: é que este está sujeito a ondas de otimismo ou pessimismo que arrastam o conjunto de operadores numa ou noutra direção, maximizando ganhos e perdas sempre que o rebanho muda bruscamente de direção. A especulação na economia real se funda mais em informações específicas sobre determinados setores de produção e consumo. Por isso, a economia real é menos propensa a se lançar inteira em ondas de otimismo ou pessimismo, provocadas por apreciações apenas subjetivas.
A crise financeira, por tudo isso, pode ser considerada inevitável, pelo menos enquanto a desregulação das finanças permanecer em vigor. A crise faz com que a prestação de serviços financeiros à economia real se contraia cada vez mais até cessar ao todo, a partir do momento em que a crise alcança a maior parte dos bancos e demais intermediários. O trancamento das fontes de crédito obriga as empresas que não dispõem de reservas líquidas abundantes a suspender o pagamento de suas dívidas e se a crise se prolongar elas acabam por falir. Os rombos deixados pelas falidas arrastam suas credoras à inadimplência por sua vez. Desta maneira, a crise financeira contamina a economia real, podendo lançá-la em recessão em pouco tempo.
Então, o que fazer?
Trata-se de circunscrever a crise financeira, num primeiro momento, para evitar que ela venha a paralisar a economia real. Uma eventual crise da economia real tem conseqüências sociais e políticas muito mais amplas porque ela começa por lançar no desemprego e logo mais na miséria uma parcela substancial da sociedade. Uma crise da economia real é muito mais difícil de reverter por medidas de Estado, porque não basta recuperar a confiança da população em determinadas instituições. Seria necessário criar novas atividades capazes de reinserir milhões de pessoas na economia mediante políticas de fomento e incentivo que somente poderão ser definidas por um processo prolongado de tentativa e erro. A grande crise de 1929 levou uma década para ser superada e mesmo assim graças ao “auxílio” de uma guerra mundial.
Como a crise da economia real não aconteceu ainda e tão pouco é fatal, partiremos do pressuposto de que é possível preveni-la desde que sejam adotadas políticas capazes de resolver em curto prazo a atual crise financeira e ao mesmo tempo lancem fundamentos de uma nova estrutura institucional capaz de evitar novas crises financeiras no futuro. Convém lembrar que o sistema monetário internacional implantado nos anos 1930, e consolidado e sistematizado na Conferência de Bretton Woods em 1944, livrou o mundo de crises financeiras internacionais por mais de 40 anos.
Ao contrário da política do governo de Bush, que se dispõe a resgatar os bancos falidos comprando seus créditos podres, e por isso sem valor, por preços que evitem a bancarrota gastando algo como 700 bilhões de dólares do erário público, o Estado deveria se apossar dos bancos falidos e só então reabilitá-los com recursos do tesouro. Se os governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura. Mas, para superar a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos.
Uma vez superada a crise, uma reformulação em profundidade das finanças deveria ser pautada. Há bons argumentos a favor da estatização perene de todos os bancos que emitem os meios de pagamento do país, não só para preservar o meio circulante da especulação mas, sobretudo, para garantir os valores dos depositantes e fazer com que sejam aplicados onde são mais necessários do ponto de vista do interesse geral da sociedade. O que pode implicar numa governança participativa do novo sistema financeiro, com forte presença dos assalariados, trabalhadores da economia solidária, além dos setores empresariais de praxe.
Se as finanças fossem todas colocadas sob um comando unificado, elas poderiam controlar a economia real inteira, impondo-lhe diretrizes sobre o que e quanto produzir e consumir, de forma semelhante ao que foi feito nos países do ‘socialismo real’ no afã de planejar centralmente todas as atividades econômicas. Este não é um modelo que permitiria a paulatina construção duma economia socialista autogestionária. Em lugar dele algo como um parlamento econômico, composto por representantes eleitos dos diferentes modos de produção – capitalismo, pequena produção de mercadorias, economia solidária, economia pública local, regional e nacional etc.. – certamente seria mais adequado.
Finalmente, o mercado de capitais teria de ser reformulado, tendo em vista não só coibir a especulação, mas também reconstruir os laços entre o investidor privado e o empreendimento em que ele é sócio. Neste sentido, seria necessário retirar a presente “liquidez” dos investimentos, que hoje podem ser colocados numa firma e retirados depois num piscar de olhos e quase sem custos. Entre as idéias que me ocorrem uma seria limitar o número de sócios de cada firma, de modo que seja possível a cada um participar efetivamente da administração da mesma, pelo menos na condição de membro duma assembléia de acionistas com influência real sobre a empresa. Só assim, propostas de cogestão de empresas por proprietários, empregados e representantes dos clientes p.ex. poderiam ser viáveis.
(*) Paul Singer é economista, Secretário Nacional de Economia Solidária

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quarta-feira, outubro 15, 2008

Lançamento de livro!

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Metas do Milênio não serão cumpridas

 

COR DOESWIJK E RAILDA HERRERO

25-09-2008

As Metas do Milênio para a redução da pobreza e da fome no mundo pela metade, até 2015, não serão cumpridas, porque os avanços registrados são lentos. Se for mantido o ritmo atual, os Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos pelas Nações Unidas, serão inalcançáveis. A avaliação é de uma rede de mais de 400 organizações da sociedade civil de 70 países.

Metas_do_Milenio_340.jpgApesar da repetição oficial do jargão de que a pobreza está diminuindo rapidamente no mundo, o Índice de Capacidades Básicas (ICB), divulgado pela ONG Social Watch, demonstra que persiste o minguado atendimento às necessidades básicas, condição para a superação da pobreza.
Ainda segundo dados da coalizão da rede de organizações sociais, a situação até mesmo piorou, apesar do crescimento econômico significativo da maioria dos países em desenvolvimento.
Crescimento econômico
Mesmo pessimista, o coordenador da coalizão, Roberto Bissio, reconhece que "uma significativa redução da pobreza ocorre na Ásia, região que concentra o maior número de pobres do planeta".
A explosão da economia chinesa, a partir dos anos 80, deu impulso às estatísticas globais de crescimento.
As mais recentes estimativas do Banco Mundial sobre a pobreza, divulgadas em agosto, revelam que 1,4 bilhão de pessoas de países em desenvolvimento do hemisfério sul, ou seja, uma em cada quatro, vive com menos de US$ 1,25 por dia. Em 1981 a proporção era de um em cada dois, totalizando 1,9 bilhões. A população mundial atual estimada é de seis bilhões de pessoas.
Índices negativos
O Índice de Capacidades Básicas, publicado pela Social Watch, revela que a maior parte da população mundial vive em países com indicadores sociais estancados ou que melhoram muito lentamente. A região da África Subsaariana exemplifica esses índices.
Os indicadores divulgados pelo Social Watch mostram que dos 176 países registrados, apenas 21 dispõem de dados que apontam progressos visíveis aos mais pobres, em comparação com a realidade do ano 2000. Em contraposição, 77 países não registraram avanços ou estão em situação pior. São os casos, entre outros, dos países latino-americanos, da Ásia Central, do Caribe e da África Subsaariana.

Tags: desenvolvimento, Metas do Milênio, Nações Unidas, ONU, pobreza, políticas internacionais, Social Watch, Índice de Capacidades Básicas

http://www.parceria.nl/atualidade/organizacao/20080925-qg-metasdomilenio

terça-feira, outubro 14, 2008

750 mil famílias perderam seus lares nos EUA entre janeiro e setembro

 

Os despejos nos EUA atingiram 750 mil famílias entre janeiro e setembro deste ano, informa o ForeclosureS.com, site norte-americano que contabiliza as aberturas de processos para execução hipotecária. A previsão é que chegue a 1 milhão até o final do ano.

De acordo com o site, as execuções de hipotecas subiram 82,6% este ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas no mês de setembro, ocorreram 107.500 despejos, 6,6% a mais do que em agosto.

Outro site, o MarketWatch, informa que o número de entradas nos processos de execução, que inclui notificações por falta de pagamento e abertura de processos, pode chegar a 2 milhões até o final do ano. Para The Wall Street Journal, 1 em cada 6 proprietários norte-americanos está “com água pelo pescoço” e, depois que os preços dos imóveis caíram mais de 30% em algumas áreas, estes devem mais do que o valor de suas casas.

“Como xerife do Condado de Cook [Illinois] sou o responsável por manter uma prisão com 10 mil condenados, de prover patrulhas em toda a cidade e em áreas não habitadas, além de garantir a segurança dos cidadãos. Mas, talvez, a parte mais difícil do nosso trabalho seja o realizada pelas unidades policiais de despejo. Em um dia qualquer, nossos policiais são solicitados a despejar uma família de sua casa, levando todas as suas coisas para a calçada. Algumas vezes essas coisas são saqueadas por vizinhos”, relata Tom Dart, xerife do Condado de Cook.

Dart conta que, ao contrário do que determina a lei, “muitas vezes, nossos policiais chegam a uma casa para proceder a uma ação de despejo e encontram uma família que paga religiosamente seu aluguel. Essa gente não sabia que o proprietário da casa deixara de usar o aluguel para pagar a hipoteca. Eles não tiveram nenhum aviso que seriam despejados de sua casa por essa razão. Isso acontece porque, em muitos casos, os bancos não fizeram nada para determinar quem está vivendo na moradia. Mesmo que isso seja exigido por lei estadual. Mesmo assim, esses bancos ainda querem que o serviço público pague pela investigação que deveria ser feita por eles”.

O xerife escreveu o testemunho para explicar porque se recusou a “surpreender os inquilinos com uma ordem de despejo contra os proprietários da casa onde vivem”. Segundo Tom Dart, “não é parte do nosso trabalho agir de acordo com a vontade dos bancos e das milionárias indústrias de hipotecas”.

http://www.horadopovo.com.br/

Inglaterra: a cada dia mais de uma centena de famílias é despejada

 

Número de despejos cresce e pode chegar a até 45 mil, até o final do ano. Enquanto isso, o governo inglês decidiu destinar US$ 860 bilhões para a salvação de bancos

Mais de 45 mil famílias devem ser despejadas na Inglaterra até o final deste ano. Impossibilitadas de pagar empréstimos hipotecários refinanciados para suprir necessidades - diante do arrocho em seus salários – as famílias inglesas não estão sendo despejadas a um ritmo de mais de cem por dia e que mostra tendência à elevação nos próximos meses.

Matéria do jornal londrino The Guardian, cita o Conselho dos Empres-tadores por Hipoteca para dizer que 18.900 famílias foram desalojadas até a metade do ano, um aumento de 48% em relação ao mesmo período de 2007.

Além disso, de janeiro a junho o número de famílias com atrasos de três meses ou mais nos seus pagamentos subiu de 129,6 mil para 155,6 mil. O Guardian relata que houve um aumento de reações desesperadas e casos de suicídio.

“Vemos mais e mais pessoas apavoradas. Dezenas de milhares estão vivendo com medo de terem a casa que trabalharam tão duro para comprar ser retomada por credores, sem o menor cuidado”, assinalou Adam Sampson, diretor da organização Shelter, que abriga pessoas sem teto.

No dia 8 de outubro o governo inglês anunciou um pacote para direcionar mais dinheiro em “socorro” dos bancos: £ 500 bilhões (US$ 860 bilhões) entre compras de ações e de títulos podres. 

Quanto aos defenes-trados de seus lares, Gordon Brown disse palavras muito justas: “O governo não pode simplesmente a sós para sair apanhando”, mas sem nenhuma medida concreta a respeito dos dezenas de milhares que perderam casas com a crise.

Revoltadas com o plano do governo para sustentar os bancos, na última sexta-feira milhares de pessoas, estudantes, sindicalistas e lideranças políticas de oposição protestaram no centro de Londres. Os manifestantes tentaram chegar ao prédio do “Royal Exchange”, próximo ao Banco de Inglaterra, entoando palavras de ordem como “Com que dinheiro? Nosso dinheiro!”, e “Por que nós devemos pagar a crise?”.

“Os banqueiros não fazem nada, além de roubar o povo e o Estado”, disse o manifestante Martin Smith. “Se os tempos são bons, eles ganham dinheiro. Se os tempos são maus, também ganham dinheiro”, assegurou.

O governo inglês usará o dinheiro dos contribuintes para aportar US$ 25,2 bilhões ao banco RBS (Royal Bank of Scotland), sendo US$ 8,6 bilhões em ações preferenciais (sem direito a voto) e US$ 15 bilhões para “garantir” títulos podres do banco.

Outro exemplo de “socorro” é o apoio à “fusão bem sucedida”  - nos termos do pacote - quando na verdade o que houve foi um açambarcamento do HBOS pelo Lloyds TSB financiado pelo caixa do governo. Para que o negócio fosse fechado, o combalido HBOS recebeu US$ 19,78 bilhões (sendo que uma parte em ações preferenciais). Na mesma transação, o Lloyds recebeu US$ 8,6 bilhões, sendo US$ 1,72 bilhões em ações preferenciais.

Já o distinguido Barclays, informou que vai tentar levantar US$ 11,18 bilhões vendendo ações ordinárias que só serão adquiridas por que garantidas pelo governo, que não fica com nenhuma ação.

A dinheirama, prestes a ser despejada em socorro aos bancos pelos tesouros europeus somados, só neste pacote atinge US$ 2,3 trilhões. 

Segundo o governo informa, um dos principais objetivos do dinheiroduto é fazer com que os bancos comecem a emprestar uns aos outros. Mas, depois das montanhas de papéis apodrecendo nos cofres de todos os bancos, parece que nenhum dos que não soçobraram com a crise da especulação quer apostar no antigo parceiro ou nos certificados AAA de agências-arapucas, papéis que antes eram considerados verdadeiros salvo condutos e viraram pó.

Como afirmou o articulista inglês Mark Steeel no jornal The Indepen-dent “parece que os governos [da Europa e EUA] vão fazer qualquer coisa, não importa o quão desesperada, para reviver a ‘confiança’ nos mercados, pois estes mercados, que são dirigidos pelos especuladores, controlam a economia”.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Der Spiegel: o que você poderia comprar com US$ 700 bi?

 

O Congresso dos EUA deu outra facada nos cidadãos do país ao aprovar na última sexta-feira (3) o gigantesco pacote de ajuda aos bancos. Mas de quanto dinheiro está se falando? A revista alemã Der Spiegel (O Espelho), em seu site,  dá uma idéia do que alguém poderia fazer com tal quantia.

Quanto dinheiro significa isto? Muitas pessoas ficam confusas ao verem números com mais de seis zeros. A dádiva proposta pelo governo Bush-Paulson e aprovada sexta-feira pelo Congresso dos EUA – para evitar bancarrotas em série tão grandes como a do banco Lehman Brothers – tem 11 zeros. Este montante, além de salvar banqueiros insolventes, poderia ser utilizado em muitas outras coisas. A revista Spiegel Online elaborou uma lista de possibilidades. Eis algumas delas:

1: Pagar os salários de 22 milhões de pessoas
U$ 700 bilhões seriam suficientes para pagar o salário médio anual a 22 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o pagamento médio por uma semana de trabalho foi de US$ 612 em agosto passado.

2: Estabelecer cobertura de saúde universal
Os EUA poderiam finalmente estabelecer seguro de saúde universal, um objetivo que até agora foi constantemente evitado pelos políticos. O governo poderia financiar até seis anos de seguro de saúde para cada um de todos os cidadãos estadunidenses.

3: Comprar 47 sistemas de comunicações para serviços médicos de emergência
Washington poderia comprar um sistema de comunicações uniforme para todos os serviços de emergência médica do país, que é urgentemente necessário, mais de 47 vezes. Estimativas estabelecem o preço de um tal sistema em torno dos US$15 bilhões.

4: Construir 100 barreiras ao redor de Nova Orleans
O projeto para fortalecer as barreiras em torno de Nova Orleans poderia realmente ser pago mais de uma centena de vezes. Desde o furacão Katrina, o governo gastou cerca de US$7 bilhões em tais esforços.

5: Comprar duas Dinamarcas
US$700 bilhões é suficiente para financiar as economias de países inteiros. A soma considerada pelo Congresso é mais do que o dobro do produto interno da Dinamarca, o qual em 2007 foi cerca de US$ 312 bilhões.

6: Financiar todo o orçamento nacional da Alemanha durante mais de um ano
Projecções estabelecem o orçamento nacional da Alemanha para 2009 em 288 bilhões de euros, os quais, às atuais taxas de câmbio, resultam em cerca de US$ 420 bilhões. Com esta soma de dinheiro seria possível financiar o país durante 1,6 anos.

7: Combater a pobreza na África durante 10 anos
Este montante de dinheiro poderia financiar programas da ONU para combater a fome e pobreza na África durante 10 anos. De acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o continente precisa de US$72 bilhões por ano de ajuda ao desenvolvimento.

8: Financiar todas as operações de inteligência dos EUA durante 15 anos
O governo dos EUA poderia financiar todas as suas 16 agências de inteligência/espionagem durante mais de 15 anos. Atualmente o custo anual somado das mesmas, incluindo 100 mil empregados, sistemas de comunicações, equipamento de reconhecimento e armas totaliza cerca de US$44 bilhões.

9: Lançar múltiplos "New Deals"
Franklin Dellano Roosevelt ficaria verde de inveja. Seu "New Deal" da década de 1930, inigualável até agora como programa de crescimento, poderia ser financiado muitas vezes mais. Segundo o Wall Street Journal, os investimento de infraestrutura do programa custariam cerca de US$ 250 bilhões em dólares de hoje. Estes investimentos ajudaram a construir ou renovar 8.000 parques, 40 mil edifícios públicos e 71 mil escolas.

10: Salvar a Terra (ao invés de bancos)
Ao invés de ajudar bancos, US$700 bilhões poderiam ser utilizados para salvar o ambiente. Esta, pelo menos, é a opinião de M. A. Sanjayan, cientista principal do grupo de proteção ambiental The Nature Conservancy. Embora os dados dos institutos de investigação variem consideravelmente quanto à quantia precisa que seria necessária para por o ambiente de novo numa base saudável, todos concordam em que US$ 700 bilhões dava para um longo caminho.

11: Permanecer no Afeganistão e no Iraque por mais sete anos
Os números de Washington mostram quão absurdamente caras podem ser as guerras. Desde a invasão do Iraque, os EUA gastaram aproximadamente US$ 648 bilhões na guerra. A níveis atuais de gastos, US$ 700 bilhões seriam suficiente para continuar as guerras no Iraque e no Afeganistão durante mais sete anos.

12: Voar quatro vezes para a Lua, ida e volta
A quantia também seria suficiente para financiar quatro missões diferentes de vôos tripulados para a Lua. O programa "Apolo" da NASA, durante a década de 1960, custou cerca de US$164 bilhões em dólares de hoje. O dinheiro também poderia comprar sete estações internacionais no espaço.

O original encontra-se no site da Der Spiegel

“O erro histórico dos EUA foi achar que o mercado regula tudo”

Peer, ministro das Finanças alemão:

O ministro da economia alemã, Peer Steinbrück afirmou em entrevista à revista Der Spiegel, que a crise que os EUA enfrentam é resultado da “falta de legislação e de uma estrutura regulamentar”.

“Eles sempre diziam: O mercado regula tudo. Que erro histórico!”, acrescentou.

Steinbrück descreveu que “o modo de pensar em Wall Street era bastante claro: ‘O dinheiro faz o mundo girar’. A lógica foi esta: O governo deveria permanecer fora do nosso negócio! E quando nós alemães começamos – e talvez fosse mesmo tarde naquela altura – a pedir por controles, por mais transparência e linhas de orientação justas, a princípio eles riam de nós”.

BANCOS AMERICANOS

Questionado sobre a possibilidade de participar do pacote de salvamento dos bancos norte-americanos, como propôs o governo Bush a outros países, Steinbrück disse que não vê “nem a necessidade nem a possibilidade de tomar a responsabilidade por bancos americanos”.

Ele criticou o comportamento “de algumas elites”: “Estou falando de evasão fiscal e corrupção. São a espécie de coisa que o público geral entende demasiado bem. E quando permitem-lhes continuar por demasiado tempo, o público fica com a impressão de que ‘aquelas pessoas no topo’ já não têm de jogar de acordo com as regras. Houve tempos na Alemanha em que estas elites estavam mais próximas da população geral. Algumas coisas ficaram fora de controle neste aspecto”.

 

“New Yorker” faz inventário da herança maldita de Bush

“Nestes tempos de calamidade econômica, perplexidade internacional, fracasso político e moral em baixa, os EUA precisam levantar-se, precisam de mudança e firmeza”, afirmou em editorial a revista norte-americana “New Yorker”, através do qual declara apoio ao candidato democrata Barack Obama.

A revista faz uma análise dos oito anos da gestão de Bush nas áreas econômica, social e militar. “Durante o governo Bush, a dívida nacional, agora se aproximando de dez trilhões de dólares, praticamente dobrou. Cinco milhões de pessoas caíram ao nível da pobreza. O número de norte-americanos sem seguro-saúde cresceu em sete milhões, enquanto o custo para pagá-lo dobrou. Enquanto isso, a principal realização doméstica do governo Bush foi cortar os impostos dos ricos. Para os 1% mais ricos, os cortes de Bush pouparam, em média, mil dólares por semana; para os 20% mais pobres, a economia semanal foi cerca um dólar e meio”, afirma o editorial.

Ao referir-se sobre a guerra do Iraque, o editorial afirma que “não há mais a menor dúvida de que o governo Bush manipulou e mentiu ao povo norte-americano sobre a invasão”.

“Os custos diretos, além dos gastos de seiscentos bilhões de dólares, incluem a perda de mais de quatro mil norte-americanos e o ferimento de trinta mil [...] e quatro milhões e meio de iraquianos se tornaram refugiados”.

E continua: “Os custos indiretos da guerra e da política externa unilateral também foram imensos: a tortura de prisioneiros, autorizadas no mais alto nível, foi uma catástrofe ética e público-diplomática”.“Em oposição à guerra antes mesmo da invasão, Obama teve a antevisão de uma indefinida e custosa ocupação e o aumento do radicalismo anti-americano em todo o mundo”.

A “New Yorker” criticou também o despreparo do candidato republicano John McCain nas questões econômicas, pois “nunca demonstrou interesse ou conhecimento nessas questões” e “não tem muita substância para falar sobre a crise”. E elogiou as propostas de Obama: “Ele defende uma maior e mais programada regulação do sistema financeiro; a criação de um Banco Nacional de Investimento em Infra-Estrutra, que poderia reverter a ruína de nossas estradas, pontes e sistemas de transporte em massa e criar milhões de empregos”.

Sobre a escolha da vice de McCain, o editorial afirma que “Sara Palin não tem condições de ser vice de um presidente com qualquer idade, muito menos de um com 72 anos e com saúde imperfeita”.Ao finalizar, a revista afirma que os EUA “precisam de um líder que esteja intelectual e emocionalmente em sintonia com as complexidades de nosso perturbado planeta. Este líder se chama Barack Obama”.

EUA perde 159 mil postos de trabalho em setembro

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (3) o fechamento de 760 mil postos de trabalho nos primeiros nove meses deste ano.
Os maquiados números oficiais norte-americanos registram que o desemprego atingiu, em setembro, 6,1% da força de trabalho, que perdeu no mês 159 mil empregos contra 73 mil no mês de agosto. Esta foi a maior queda registrada pelo departamento nos últimos cinco anos.

O número de pessoas que têm emprego em tempo parcial porque não encontram emprego pleno chegou a 6,1 milhões, aumentando em 337 mil em apenas um mês.
Segundo pesquisa divulgada na semana passada, realizada pela Associação Nacional de Economia Empresarial, os economistas avaliam que o desemprego deve subir 0,01%, para 6,2%, no quarto trimestre, e alcançar 6,4% em 2009.

Já a associação empresarial The Conference Board calculou que o índice pode superar 7% na segunda metade de 2009.

 

Presidente do Lehman Brothers recebeu mais de US$ 3 milhões por mês até quebrar o banco

O presidente do banco Lehman Brothers, que entrou em concordata em setembro, Richard Fuld, admitiu em depoimento na Câmara dos Deputados dos EUA na segunda-feira, dia 6, que recebeu apenas US$ 300 milhões em salários e bônus nos últimos oito anos e não US$ 480 milhões. Disse também que se sentia “horrível” com a quebra do banco, o quarto maior dos EUA entre os estabelecimentos dedicados à especulação.
Richard Fuld revelou a cifra durante depoimento em uma audiência do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara dos Representantes (deputados federais), que investiga as causas da crise econômica que atinge o país.

O presidente do Comitê, Henry Waxman, perguntou a Fuld se era verdade que ele havia recebido US$ 480 milhões em salários e bônus desde 2000 e se ele considerava justo ter ganho tudo isso. Fuld afirmou que “havia um comitê de compensação que gastava um tempo imenso só garantindo que os interesses dos executivos e dos empregados eram alinhados com os dos acionistas”.

Waxman criticou Fuld por ter pedido bônus milionários para os executivos da Lehman Brothers poucos dias antes do colapso do banco, no mês passado.
Apesar de ter quebrado o banco, Richard Fuld defendeu sua gestão à frente do Lehman Brothers e disse que sua conduta foi “prudente e apropriada”.

Hora do Povo

quarta-feira, outubro 01, 2008

Algumas coisas que a mídia não diz sobre a crise nos EUA

A ESTRATÉGIA DO MEDO

 

Em um artigo intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore (foto) conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população.

Michael Moore - Página 12

Data: 01/10/2008

Quem acompanha a cobertura da crise nos Estados Unidos feita pela imprensa brasileira pode ser levado a acreditar que a política está "atrapalhando" a busca de uma solução para o problema. Essa afirmação vem sendo feita todos os dias por vários jornalistas e colunistas econômicos em todo país, supostamente especializados no assunto. A aprovação da proposta de ajuda aos bancos quebrados é apontada como uma condição necessária para evitar o caos. Há vários silêncios nesta cobertura, aqui e também nos EUA.
Em um artigo intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população, omitindo, entre outras coisas, que a proposta apresentada ao Congresso não trazia qualquer esperança para os pobres mortais ameaçados de perder suas casas hipotecadas (Marco Aurélio Weissheimer)

Tradução do artigo de Michael Moore publicado no jornal Página 12:
Querem nos meter medo
Todos diziam que a lei seria aprovada. Os especialistas do universo já estavam fazendo reservas para celebrar nos melhores restaurantes de Manhattan. Os compradores particulares em Dallas e Atlanta foram despachados para fazer as primeiras compras de Natal. Os homens loucos de Chicago e Miami já estavam abrindo as garrafas e brindando entre eles muito antes do café da manhã.
Mas o que não sabiam era que centenas de milhares de estadunidenses tinham acordado pela manhã e decidido que era tempo de se rebelar. Milhares de chamadas telefônicas e correios eletrônicos golpearam o Congresso tão forte como se Marshall Dillon (Comissário Dillon, personagem de uma série de televisão) e Elliot Ness tivessem descido em Washington D.C. para deter os saques e prender os ladrões.
A Corporação do Crime do Século foi detida por 228 votos contra 205. Foi um acontecimento raro e histórico. Ninguém conseguia lembrar de um momento onde uma lei apoiada pelo presidente e pelas lideranças de ambos os partidos fosse derrotada. Isso nunca acontece. Muita gente está se perguntando por que a ala direita do Partido Republicano se uniu à ala esquerda do Partido Democrata para votar contra o roubo. Quarenta por cento dos democratas e dois terços dos republicanos votaram contra a lei.
Eis o que aconteceu:
A corrida presidencial pode estar ainda muito parelha nas pesquisas, mas as corridas no Congresso estão assinalando uma vitória esmagadora dos democratas. Poucos questionam a previsão de que os republicanos receberão uma surra no dia 4 de novembro. As previsões indicam que os republicanos perderão cerca de 30 cadeiras na Câmara de Representantes, o que representaria um incrível repúdio a sua agenda. Os representantes do governo têm tanto medo de perder seus assentos que, quando apareceu esta “crise financeira” há duas semanas, deram-se conta que estavam diante de sua única oportunidade de separar-se de Bush antes da eleição, fazendo algo que fizesse parecer que estavam do lado da “gente”.
Estava vendo ontem C-Span, uma das melhores comédias que assisti em anos. Ali estavam, um republicano depois do outro que apoiaram a guerra e afundaram o país em uma dívida recorde, que tinham votado para matar qualquer regulação que mantivesse Wall Street sob controle – ali estavam, lamentando-se e defendendo o pobre homem comum.Um depois do outro, usaram o microfone da Câmara baixa e jogaram Bush sob o ônibus, para baixo do trem (ainda que tenham cotado para retirar os subsídios aos trens também), diabos, teriam jogado o presidente nas águas crescentes de Lower Ninth Ward (bairro de Nova Orleans) se
pudessem prever outro furacão.
Os valentes 95 democratas que romperam com Barney Frank e Chris Dodd eram os verdadeiros heróis, do mesmo modo como aqueles poucos que votaram contra a guerra em outubro de 2002. Reparem nos comentários dos republicanos Marcy Kaptur, Sheila Jackson Lee e Dennis Kucinich. Disseram a verdade. Os democratas que votaram a favor do pacote o fizeram em grande parte porque estavam temerosos das ameaças de Wall Street, que se os ricos não recebessem sua dádiva, os mercados enlouqueceriam e então adeus às pensões que dependem das ações e adeus aos fundos de aposentadoria. E adivinhem? Isso é exatamente o que fez Wall Street! A maior queda em um único dia no índice Dow da Bolsa de Valores de Nova York.
À noite, os apresentadores de televisão gritavam: os estadunidenses acabaram de perder 1,2 bilhão de dólares na Bolsa! É o Pearl Harbour financeiro! Caiu o céu! Gripe aviária! Obviamente, quem conhece a bolsa sabe que ninguém “perdeu” nada ontem, que os valores sobem e baixam e que isso também acontecerá porque os ricos compraram agora que estão baixo, os segurarão, depois os venderão e logo em seguida os comprarão novamente quando estiverem baixos de novo. Mas, por enquanto, Wall Street e seu braço de propaganda (as redes de TV e os meios de comunicação que possuem) continuarão tratando de nos meter medo. Algumas pessoas perderão seus empregos. Uma débil nação de fantoches não suportará muito tempo esta tortura. Ou poderemos suportar?
Eis no que acredito: a liderança democrata na Câmara baixa esperava secretamente todo o tempo que esta péssima lei fracassasse. Com as propostas de Bush derrotadas, os democratas sabiam que poderiam então escrever sua própria lei que não favoreça apenas os 10% mais ricos que estavam esperando outro lingote de ouro. De modo que a bola está nas mãos da oposição. O revólver de Wall Street, porém, aponta para suas cabeças. Antes que dêem o próximo passo, deixem-me dizer no que os meios de comunicação silenciaram enquanto se debatida essa lei:
1. A lei de resgate NÃO prevê recursos para o chamado grupo de supervisão que deve monitorar como Wall Street vai gastar os 700 bilhões de dólares;
2. A lei NÃO considerava multas, sanções ou prisão para nenhum executivo que roubar dinheiro público;
3. A lei NÃO fez nada obrigar aos bancos e aos fundos de empréstimo a renovar as hipotecas do povo para evitar execuções. Esta lei não deteria uma sequer execução!
4. Em toda a legislação NÃO havia nada executável, usando palavras como “sugerido” quando se referiam à devolução do dinheiro do resgate a ser feito pelo governo.
5. Mais de 200 economistas escreveram ao Congresso e disseram que esta lei poderia piorar a crise financeira e provocar ainda MAIS uma queda.
É hora de nosso lado estabelecer claramente as leis que queremos aprovar.

Tradução para o espanhol: Celita Doyhambéhére
Tradução para o português: Marco Aurélio Weissheimer

sexta-feira, setembro 26, 2008

Síntese de países

O Mundo em síntese num ótimo esquema informações variadas de todos os países do Mundo você em com neste sítio

IBGE - Países@

Vale a pena conferir e consultar quando necessário.

A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim

JOSEPH STIGLITZ

 

Para o prêmio Nobel de Economia de 2001, a crise financeira que atingiu Wall Street e os mercados financeiros de todo o mundo equivale, para o fundamentalismo de mercado, ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. "Ela diz ao mundo que esse modelo não funciona. Esse momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas", diz Stiglitz.

Nathan Gardels – El País

Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, sustenta que a crise de Wall Street evidencia que o modelo de fundamentalismo de mercado não funciona. Para ele, a crise que sacudiu Wall Street é para esse modelo o equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. Stiglitz critica a complexidade dos produtos financeiros que provocaram a crise e os incentivos ao risco dos sistemas de recompensa dos executivos.
Barack Obama afirma que o naufrágio de Wall Street é a maior crise financeira desde a Grande Depressão. John McCain diz que a economia está ameaçada, mas é basicamente forte. Qual deles têm razão?
Stiglitz – Obama está muito mais próximo da verdade. Sim, os Estados Unidos tem talentos, grandes universidades e um bom setor de alta tecnologia. Mas os mercados financeiros desempenham um papel muito importante, sendo responsáveis nos últimos anos por cerca de 30% dos lucros empresariais. Os executivos dos mercados financeiros obtiveram esses lucros com o argumento de que estavam ajudando a gerir o risco e a garantir maior eficácia ao capital. Por isso, diziam, mereciam rendimentos tão altos. Ficou demonstrado que isso não é certo. A gestão que eles executaram foi muito mal. Agora, o tiro saiu pela culatra e o resto da economia pagará porque as trocas comerciais cairão devido à redução do crédito. Nenhuma economia moderna pode funcionar bem sem um setor financeiro vibrante.
Assim, o diagnóstico de Obama, quando diz que nosso setor financeiro está em estado deplorável, é correto. E se está em um estado deplorável, isso significa que nossa economia está em um estado deplorável. Ainda que não levássemos em conta a comoção financeira, mas só a dívida doméstica, nacional e federal, isso já bastaria para ver a seriedade do problema. Estamos nos afogando. Se observarmos a desigualdade, que é a maior desde a Grande Depressão, o problema é sério. Se observarmos o estancamento dos salários, o problema é sério. A maior parte do crescimento econômico dos últimos cinco anos baseava-se em uma bolha do setor imobiliário, que agora estourou. E os frutos desse crescimento não foram repartidos amplamente. Em resumo, os fundamentos não são bons.
Qual deveria ser, na sua opinião, a resposta política ao afundamento de Wall Street?
Stiglitz – Está claro que necessitamos não só voltar a regular, mas também redesenhar o sistema regulador. Durante seu reinado como chefe do Federal Reserve, no qual surgiu essa bolha hipotecária e financeira, Alan Greenspan tinha muitos instrumentos ao seu alcance para freá-la, mas não conseguiu fazer isso.
Afinal de contas, Ronald Reagan escolheu-o por sua atitude contrária à regulação. Ele substituiu a Paul Volcker no Federal Reserve, conhecido por manter a inflação sob controle. O governo Reagan não acreditava que ele fosse um “liberalizador” adequado. Por conseguinte, nosso país sofreu os efeitos de escolher como regulador supremo da economia a alguém que não acreditava na regulação. De modo que, para corrigir o problema, a primeira coisa que precisamos é de líderes políticos e responsáveis que acreditem no papel da regulação. Além disso, precisamos estabelecer um sistema novo, capaz de suportar a expansão das finanças e dos instrumentos financeiros de um modo melhor que os bancos tradicionais.
Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.
Além de freios, precisamos de faixas de controle. Historicamente, todas as crises têm estado associadas a uma expansão muito rápida de determinados tipos de ativos. Se conseguimos frear esse processo, podemos impedir que as bolhas cresçam de modo descontrolado. O mundo não desapareceria se as hipotecas crescessem 10% e não 25% anualmente. Conhecemos tão bem o patrão que deveríamos fazer algo para dominá-lo. Precisamos ainda de uma comissão de segurança para os produtos financeiros, assim como temos no caso dos produtos de consumo. O setor financeiro estava inventando produtos que não geriam o risco, mas sim o produziam.
Certamente, acredito na necessidade de uma maior transparência. No entanto, desde o ponto de vista dos critérios reguladores, esses produtos eram transparentes em um sentido técnico. Mas eram tão complexos que ninguém os entendia. Mesmo que fossem tornadas públicas todas as cláusulas destes contratos, elas não trariam a nenhum mortal alguma informação útil sobre seu risco. Muita informação equivale a nenhuma informação. Neste sentido, aqueles que pedem mais revelações como solução para o problema não entendem a informação. Se alguém compra um produto, necessita de uma informação simples e básica: qual é o risco. Essa é a questão.
Os ativos hipotecários que provocaram o caos estão em mãos de bancos ou fundos soberanos da China, Japão, Europa e países do Golfo. Como essa crise os afetará?
Stiglitz – É certo. As perdas das instituições financeiras européias com as hipotecas subprime foram maiores do que as verificadas nos Estados Unidos. O fato de os EUA terem diversificado esses ativos hipotecários por todo o mundo, graças à globalização dos mercados, suavizou o impacto interno. Se não tivéssemos disseminado o risco por todo o mundo, a crise seria muito pior. Uma coisa que agora se entende, a conseqüência dessa crise, é a informação assimétrica da globalização. Na Europa, por exemplo, não se sabia muito bem que as hipotecas norte-americanas são hipotecas sem lastro: se o valor da casa baixa mais que o da hipoteca, pode-se devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa serve de garantia, mas o tomador do empréstimo segue endividado, aconteça o que aconteça. Este é um dos perigos da globalização: o conhecimento é local, sabe-se muito mais sobre sua própria sociedade do que sobre as outras.
Qual é então, em última análise, o impacto do naufrágio de Wall Street na globalização regida pelo mercado?
Stiglitz - O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas.
A hipocrisia entre o modo pelo qual o Tesouro dos EUA, o FMI e o Banco Mundial manejaram a crise asiática de 1997 e o modo como procedem agora acentuou essa reação intelectual. Agora os asiáticos dizem: “Um momento, para nós, vocês disseram que deveríamos imitar o modelo dos Estados Unidos. Se tivéssemos seguido vosso exemplo, agora estaríamos nesta mesma desordem. Vocês, talvez, possam se permitir isso. Nós, não”.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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quarta-feira, setembro 24, 2008

EUA: 1 em cada 416 famílias perderam suas casas em agosto

 

Apenas durante o mês de agosto deste ano, uma em cada 416 famílias norte-americanas viram seus imóveis serem hipotecados. Apenas no estado da Califórnia, foram mais de 101 mil processos, 40% a mais do que em julho e 75% a mais do que em agosto de 2007.

Em meio às cifras bilionárias do atual cenário econômico, muitas vezes os dados que afetam diretamente a população (os mais pobres, principalmente) passam desapercebidos. Em artigo publicado no jornal norte-americano Workers World, o escritor e jornalista Fred Goldstein atenta para esse e outros aspectos da crise que assola o país.

Leia abaixo o texto:

O colapso capitalista

Com a ajuda governamental de US$ 85 bilhões da AIG, a gigante dos seguros, o Federal Reserve e o Departamento do Tesouro fizeram outra tentativa desesperada para sustentar uma estrutura financeira global em processo de colapso. Essa última tentativa de resgatar uma enorme firma financeira vem no mesmo rumo da ajuda de US$ 200 bilhões dada aos dois maiores bancos hipotecários do mundo, a Fannie Mae e o Freddie Mac, há apenas dez dias.

Acordos secretos enviam a conta para os trabalhadores

O presidente do Federal Reserve Bank of New York, Timothy Geithner, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, têm estado assoberbados em reuniões ininterruptas, articulando acordos. Isso tem sido efetuado em segredo, por trás das costas dos trabalhadores e das camadas médias, para quem será remetida a conta. Eles têm desenvolvido esses acordos com os mesmos tubarões dos empréstimos da alta finança cujas orgias de especulação, jogo e fraude na busca do lucro levaram à crise.

A farra especulativa da Wall Street levou a uma crise mundial realmente formidável. Ao longo dos últimos três dias, a AIG, a maior companhia seguradora do mundo, com US$ 1 bilhão em ativos, esteve a poucas horas da bancarrota.

A Lehman Brothers, um prestigiado banco de investimento com 158 anos de idade, com US$ 639 bilhões em ativos e US$ 613 bilhões em dívidas, caiu na maior bancarrota da história dos Estados Unidos.

A Merrill Lynch, outro pilar dos bancos de investimento com mais US$ 1 bilhão em ativos, conseguiu evitar a bancarrota só depois de ser engolida pelo Bank of America.

O Washington Mutual, a maior caixa econômica dos EUA, teve a classificação dos seus títulos reduzida a lixo e está encostada às cordas.

Quando a crise da bancarrota estava em desenvolvimento, na quinta-feira 11 de Setembro, Paulson disse aos banqueiros que o governo não iria intervir e que eles teriam de resolver o problema entre si próprios. Isso foi na semana passada. Agora o governo dos EUA providenciou mais US$ 85 bilhões para o salvamento dos bancos. É um sinal de crise e de fraqueza.

Apesar de o salvamento da Fannie Mae e do Freddie Mac ter dado alívio aos possuidores de bilhões de dólares de dívidas que possuíam junto aos dois bancos hipotecários, isso também colocou uma enorme tensão sobre o sistema financeiro e foi mais um sinal de fraqueza e fragilidade profunda. Novos resgates foram excluídos, disse o governo. Esse limite foi como traçar uma linha na areia.

Mas as declarações de Paulson e Geithner não tiveram impacto sobre os banqueiros. Eles buscavam os seus próprios interesse imediatos e jogaram na defesa frente ao seu próprio governo. No fim, apesar de Washington deixar a Lehman Brothers fracassar, a AIG era uma outra história. O Federal Reserve Board e o Tesouro fizeram uma meia volta humilhante e intervieram no último minuto, "temendo uma crise financeira em escala mundial" (New York Times, 17/9).

O salvamento da AIG pelo Fed é instrutivo quanto à profundidade da crise. A AIG nem sequer é um banco. Ela não é regulamentada pelo governo federal. O Fed teve de utilizar poderes de emergência para intervir, os quais são considerados necessários não só porque a AIG emite apólices de seguros para milhões de indivíduos e empresas comerciais, como também porque ela segurou mais de US$ 400 bilhões em títulos apoiados por hipotecas e outros investimentos de risco de jogadores e especuladores por todo o globo.

A AIG tomou dinheiro emprestado de muitos dos grandes bancos e jogou seus ativos a fim de fazer maiores lucros. Quando as hipotecas começavam a cair e os possuidores dos títulos apoiados por hipotecas começavam a pedir seus pagamentos dos seguros, a posição financeira da AIG se deteriorava rapidamente.

A imprudência financeira do sistema pode ser medida pelo fato de uma companhia de seguros, que é supostamente regulamentada para se manter conservadora, precisamente porque é a guardiã de fundos que devem estar disponíveis para cumprir as necessidades de emergência dos segurados, fosse livre para participar no cassino global.

A AIG opera em mais de cem países, tem 116 mil empregados — 62 mil na Ásia — e tem instalações bancárias privadas para gente rica. Ela faz corretagem de negócios em ações, administra fundos mútuos, possui 900 aviões no seu negócio de leasing e em geral alavancou seu negócio de seguros numa operação especulativa globalizada.

Crise dos trabalhadores e oprimidos é ignorada

A crise dos banqueiros produziu manchetes sensacionais, com relatos hora a hora da agonia de um punhado de milionários e bilionários na Wall Street. Mas a mídia capitalista deixou de lado o drama real da massa de hipotecas que afeta as vidas de milhões de trabalhadores.

Centenas de bilhões de dólares foram repartidos entre banqueiros que caíram numa crise em grande parte devido a empréstimos hipotecários predatórios e à revenda daquelas hipotecas no mercado capitalista global. Nenhum alívio está previsto para as vítimas da indústria hipotecária da banca.

Foi dada pouca atenção à notícia de que em agosto houve 303.879 pedidos de hipotecas — um aumento de 12% em relação ao mês anterior e um acréscimo de 27% em relação ao ano passado. Uma em cada 416 famílias nos EUA recebeu um aviso de hipoteca no mês de agosto. Só na Califórnia houve 101.714, mais de 40% em relação ao mês anterior e 75% mais do que um ano atrás.

Enquanto derrama lágrimas sobre as agruras dos banqueiros, a imprensa capitalista não apresenta manchetes acerca de um estudo recente intitulado "Estado do sonho: hipotecado", que mostrava que a crise das hipotecas resultara na maior destruição de riqueza pessoal na história das comunidades afro-americanas e latinas.

Segundo o estudo, mutuários afro-americanos perderam entre US$ 71 e US$ 92 bilhões devido aos empréstimos contraídos ao longo dos últimos oito anos. O número para a população latina, o qual é ainda mais elevado do que para a população afro-americana, mostra perdas entre os US$ 75 e os US$ 98 bilhões.

Juntamente com a crise financeira está a crise crescente da economia capitalista geral, pois a super-produção resulta em subida do desemprego. Mais de 84 mil trabalhadores perderam o emprego em agosto, elevando o total anual a mais de 605 mil. Mais de dois milhões de pessoas foram acrescentadas ao desemprego nos últimos 12 meses, elevando o total oficial a 9,4 milhões. O desemprego a longo prazo também aumenta.

O desemprego dos trabalhadores negros atingiu 10,6%, devido principalmente a perdas de emprego entre mulheres negras. O desemprego entre mães solteiras e a juventude também cresce. E esses números governamentais não incluem milhões de trabalhadores desencorajados que desistiram de procurar emprego.

Em meio à crise do crédito, foi anunciado que a produção industrial – a base do emprego e do rendimento – em agosto caiu no máximo de três anos. Houve uma diminuição de 1,1% na produção das fábricas, minas e serviços públicos. A produção automóvel caiu 12%, a maior queda numa década.

Uma coisa está clara com a presente crise: nem a classe capitalista, que possui toda a riqueza produtiva, nem o governo capitalista, que supervisiona o sistema, tem o controle da situação econômica ou financeira.

Cada medida que eles tomam para deter a crise do crédito é seguida por outra erupção de pânico. Cada vez que o mercado de ações sobe, ele rapidamente perde todos os seus ganhos e ainda mais. E por muito que os sábios declarem não haver recessão, o crescimento firme do desemprego e o declínio da produção continua, sem consideração por quaisquer dos chamados "estímulos econômicos".

Mudança na psicologia da classe dominante

A intervenção do governo capitalista na crise bancária provocou uma mudança súbita na psicologia da classe dominante pois esta observa o seu sistema a girar descontroladamente. Depois de o sistema capitalista ter ultrapassado a crise da década de 1930, os patrões nos EUA começaram a esquecer-se das razões por que o presidente Roosevelt havia tomado medidas sem precedentes para resgatar a economia. Eles começaram a desdenhar qualquer intervenção do governo nos seus assuntos.

Naturalmente, eles sempre estiveram prontos para receber esmolas sob muitas formas — subsídios, gastos militares, legislação especial, isenções fiscais, etc. Mas sentiam-se os altos e poderosos dominadores corporativos do mundo.

Intervenção do governo, dizem eles, era para a Europa e social-democratas. As classes dominantes européias haviam sido sacudidas pelos trabalhadores e pela luta de classe, pela divisão e pela guerra. Porque os dominadores europeus eram fracos e precisavam ser apoiados pelos governos capitalistas, tinham de submeter-se ao monitoramento estatal dos seus assuntos. Tal caminho, entretanto, era fortemente rejeitada pela Wall Street e os gigantes da indústria.

Esta crise de agora é uma enorme degradação para o capital financeiro estadunidense, o qual costumava dar lições a outros governos capitalista sobre os males da intervenção governamental. Subitamente, contudo, os banqueiros e os patrões estão todos unidos, desde a extrema direita até os moderados e os liberais, no aplauso ao Tesouro e ao Federal Reserve Board pela sua "oportuna" intervenção. Eles estão a submeter-se, em meio a resmungos mas com clareza, à supervisão e monitoramento do governo a fim de salvar o seu sistema do colapso.

Com esta crise, a estrutura do capitalismo estadunidense está a entrar numa nova etapa. O governo capitalista começou, numa base gradual a princípio mas talvez mais sistematicamente no futuro, a absorver os passivos e as dívidas podres dos jogadores e da oligarquia da especulação financeira. Isto pode apenas aprofundar a crise a longo prazo, tornando-a mais profunda no organismo do capitalismo dos EUA.

Isto determina que haja não só repercussões econômicas como também políticas por todo o mundo quando imperialistas rivais virem a vulnerabilidade dos dominadores nos EUA. Isto determina o enfraquecimento do imperialismo estadunidense e ao mesmo tempo torna-o mais perigoso quando ele procura sair da sua crise.

A contradição básica do capitalismo

Os democratas querem lançar culpas sobre Bush e pedem por mais regulamentação. Naturalmente os financeiros pediram ao governo para eliminar a maior parte das regulamentações, as quais datavam da Depressão, que estabeleciam restrições às suas operações de jogo. Essa desregulamentação começou com a administração Reagan e atingiu um ponto alto na administração Clinton. Por instigação do Citicorp e de Robert Rubin, que deixou o Goldman Sachs para se tornar secretário do Tesouro, o Glass-Steagall Act foi revogado em 1998, sob o patrocínio do atual conselheiro econômico de McCain, Phil Gramm. A lei proíbe aos bancos comerciais que se envolvam na banca de investimentos, subscrevam ações e operações em bolsa de valores, subscrições e outras atividades que facilitam a hiper-especulação generalizada do tipo que antecedeu a Depressão.

E naturalmente a administração Bush minou todas as tentativas de inibir a concessão de empréstimos hipotecários predatórios e deu liberdade de ação total a toda espécie de especulação não regulamentada de bilhões de dólares de jogo especulativo, a qual aumentou o risco geral no sistema financeiro global. Mas, apesar da demagogia do Partido Democrata, a administração Bush não é a causa da crise.

A intervenção do governo, a regulamentação mais forte dos monopólios e as práticas mais "prudentes" não podem ultrapassar a contradição fundamental do capitalismo: a propriedade privada dos meios de produção sociais, globalizados.

É uma contradição irreconciliável que uma minúscula minoria controle a produção da riqueza do mundo para seu próprio proveito. É uma contradição irreconciliável que este aparelho global pare de funcionar quando há uma crise de lucratividade para os patrões. E tais crises ocorrem sempre, mais cedo ou mais tarde, devido à anarquia da produção capitalista.

Nenhum capitalista sabe onde aquilo que é produzido poderá ser vendido. Mas na corrida por "fatia de mercado" para o lucro máximo, cada agrupamento capitalista é obrigado a expandir a produção.

Em simultâneo, as leis do capitalismo obrigam cada capitalista a reduzir os salários dos trabalhadores tanto quanto possível. Nas últimas três décadas, a classe capitalista criou um sistema de baixos salários que contrapõe trabalhadores uns contra outras numa base global. Isto apenas agrava e acelera a contradição do sistema do lucro.

Sob o capitalismo, a produção é anárquica e finalmente expande-se a um ponto em que os trabalhadores não podem comprar o que foi produzido a um preço que dê lucro aos patrões. Essa anarquia da produção está a ser refletida na anarquia do sistema financeira na crise atual.

Na crise atual, multimilionários no topo da sociedade capitalista podem perder parte da sua riqueza, a qual realmente existia apenas no papel, mas eles mantêm suas mansões, serviçais, limusines e Lear jets. São os trabalhadores que sentem a crise econômica.

A única saída é o caminho da resistência — como o movimento para travar hipotecas, o qual vem ganhando força por todo o país

Tradução reproduzida do Resistir.info, com adaptações ao português do Brasil

segunda-feira, setembro 22, 2008

O Curso Atlas oferecerá:

O Curso Atlas oferecerá, a partir de outubro, Módulos Intensivos por disciplina, com 15 horas-aula, para que os candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira Diplomática-CACD- possam reforçar sua preparação em áreas específicas.

Os Módulos Intensivos são abertos também ao público externo e mantêm o viés pedagógico dos nossos cursos regulares. A programação se estende por novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, afim de completar o tratamento de todo o programa da concurso. As matrículas já estão abertas.

O candidato que optar por três módulos poderá participar gratuitamente de um quarto a sua escolha.

INGLÊS         6 a 10 de outubro

                - turno matutino e noturno (de acordo com a demanda)

                - 2 aulas para TPS, 2 para Técnicas de Tradução e 2 para Técnicas de Versão

- 4 aulas para Redação

                - Professora Flávia Westphalen

POLÍTICA INTERNACIONAL – Temas contemporâneos        13 a 17 de outubro

                - turno matutino

                - Professor Marcos Carra

GEOGRAFIA DO BRASIL                  20 a 24 de outubro

                - turno noturno

                - Professor Jeferson Pitol

REDAÇÃO                       20 a 24 de outubro

                - turno noturno

- Professor Maurício

-O curso está baseado na análise de espelhos de prova originais e na realização de exercícios específicos para a prova de redação do CACD. No último dia, será realizado simulado de segunda fase.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA prova de redação – 2ª fase do CACD –                20 a 24 de outubro

                - turno matutino

- Professor Maurício

- Análise e discussão das obras recomendadas para a segunda fase do CACD desde o não de 2006. Todas as obras serão apresentadas e discutidas nas 15 h do curso de acordo com o viés necessário à realização da prova de redação.

Investimento

Aluno Atlas:       R$ 150,00 por módulo

Aluno externo: R$ 300,00 por módulo (R$ 20,00 hora/aula)

INFORMAÇÕES: www.cursoatlas.com

51-30627745

informacoes@cursoatlas.com

O Povo vs Wall Street

Precisamos de uma solução urgente para consertar as falhas do sistema financeiro que estão causando a atual crise. Os governos dos Estados Unidos e Europa cobriram o prejuízo das instituições financeiras com dinheiro público e agora quem vai sair perdendo vai ser a população. O sistema se mostrou falho, colocando a estabilidade econômica do mundo todo em risco. Agora, a população global tem o direito e dever de se manifestar. Participe desta campanha que será apresentada à líderes europeus e o Congresso dos Estados Unidos. Clique no link para assinar a petição e encaminhe este email para seus amigos.

http://www.avaaz.org/po/global_finance_action/97.php?cl_tf_sign=1

Obrigado,

A equipe Avaaz

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Amig@s,

Semana passada um dos maiores bancos de investimentos do mundo, o Lehman Brothers, declarou falência com uma dívida de $613 milhões de dólares. Antes dele vieram abaixo a Fannie Mae e Freddie Mac as maiores corretoras EUA e a seguradora AIG. Para evitar um colapso total da economia e o pânico nas bolsas de valores, os Estados Unidos lançaram um pacote econômico astronômico. Um governo que antes defendia o mercado livre, auto-regulado, agora está intervindo com um cheque de USD$ 700 bilhões para Wall Street. Quem vai pagar a conta? Os contribuintes. O pacote econômico do governo logo vai afetar o bolso da classe média, a garantia de empregos, de moradia, poupanças e previdências sociais.

A crise já abalou a Europa, chegou na China e Ásia, e promete alcançar o resto do mundo. Devemos nós pagar pela irresponsabilidade das instituições financeiras dos Estados Unidos?

Cidadãos comuns do mundo todo estão se sentindo impotente perante as forças do mercado e a promessa de uma forte recessão. O sistema financeiro é tão complexo que poucos conseguem entender, muito menos se manifestar sobre este assunto tão importante. Mas esta semana nós conseguimos uma chance única de agir e demandar maiores regulamentações para o mercado financeiro. Nossa campanha será apresentada para líderes Europeus e pretendemos entregá-la também para o Congresso dos Estados Unidos e o próximo presidente americano. Para apresentar está petição à líderes globais, precisamos de um grande número de assinaturas, portanto clique no link para assinar a petição:

http://www.avaaz.org/po/global_finance_action/?cl=129697843&v=2168

O mercado financeiro global é pouco compreensível para um leigo em economia, as regras que o governam estão cheias de pequenas falhas e brechas. Nas últimas décadas as instituições financeiras se aproveitaram de uma política de mercado livre com uma regulamentação mínima. Quando o mercado finalmente ruiu, eles ficaram com uma dívida enorme que agora será paga com dinheiro público. Até os neoliberais mais radicais que pregam o livre comércio estão pedindo regulamentações mais fortes. A segurança econômica da população não pode mais ser colocada em risco, o mercado financeiro precisa de regulamentações mais rígidos que os responsabilizem pelas suas ações.

Entre os que apóiam um mercado mais monitorado está o Ex-Primeiro Ministro da Dinamarca, Poul Rasmussen. Ele se aliou à Avaaz para entregar nossa petição para um encontro de líderes europeus onde uma proposta de reformulação do mercado financeiro será discutida. Segundo Rasmussen, é importante demonstrar a mobilização da sociedade civil global em resposta à crise, mostrando para líderes europeus e globais que a opinião pública quer mais transparência e regulamentação: "Uma reforma do mercado financeiro é um passo fundamental em direção à uma globalização mais justa. Sua voz pode contribuir para isso".

O mercado financeiro global está interligado e todos serão afetados, desde o operário até o alto executivo, da Ásia à América do Sul. Os governantes ainda estão em choque sem dar boas explicações nem apresentar soluções. Precisamos unir nossas vozes agora, enquanto o futuro ainda está sendo definido. Assine a petição no link abaixo e encaminhe este email para seus amigos e familiares:

http://www.avaaz.org/po/global_finance_action/?cl=129697843&v=2168

Com esperança e determinação,

Paul, Graziela, Ricken, Ben, Iain, Veronique, Brett, Pascal, Milena e toda a equipe Avaaz

Leia mais:

Congresso dos EUA estuda resgate financeiro de 700.000 bilhões de dólares - AFP:
http://afp.google.com/article/ALeqM5iBvQKdiCJ63E2JFV-SUxzFQkw9Sg

Crise vai durar pelo menos até 2009 - Estado de São Paulo:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080921/not_imp245517,0.php

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA - Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u447052.shtml



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