terça-feira, setembro 09, 2008

A nova geografia do carvão

 

O fim do reinado do carvão como forma dominante de energia no mundo remonta aos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial, quando Winston Churchill, então primeiro lorde do Almirantado, decidiu adoptar o petróleo para substituir o carvão como combustível dos vasos de guerra da Royal Navy.


Luis Queiros

Começava o reinado do petróleo. Em 1914 o governo britânico assumiu-se como principal accionista da Anglo Persian Oil Company. E, no final da guerra, assegurou o controlo do canal de Suez e o domínio da Mesopotâmia.
Perante a anunciada escassez e os elevados preços do petróleo e do gás, o carvão, que ao longo do séc. XX perdeu muita da sua importância a favor do petróleo, surge de novo como uma esperança para resolver os problemas energéticos do futuro. A produção e o consumo cresceram rapidamente nos anos recentes e muitas coisas entretanto mudaram: o smog londrino transferiu-se para Pequim; assiste-se ao esgotamento das reservas e à diminuição da produção no Reino Unido, na Alemanha, na França e na Polónia; o carvão já não é utilizado para aquecer as casas ou para movimentar as locomotivas a vapor, mas ainda assegura 40% da produção mundial de energia eléctrica.
Segundo a EIA (Energy Information Agency) seis países, com 84% das reservas e cerca de 80% da produção, protagonizam a cena mundial do carvão: a China, os EUA, a Índia, a Austrália, a Rússia e a África do Sul.
A China, responsável por um terço da produção mundial com 2,9 mil milhões de toneladas por ano, é o maior produtor e ao mesmo tempo o maior consumidor de carvão. O aumento do consumo nos últimos anos tem sido espectacular (crescimento anual médio de 17% entre 2002 e 2005!) prevendo-se a duplicação do seu consumo até 2025. Por tal forma que a China, antes um grande exportador, já irá importar carvão em 2008, e necessitará de importar muito mais no futuro, para fazer face às suas crescentes necessidades. O carvão é o primeiro responsável pelo milagre económico chinês. Isto à custa de elevados níveis de poluição, de emissão de CO2 e de outros gases de efeito de estufa para a atmosfera, e da perda de muitas vidas humanas. De acordo com um artigo do Times publicado em 2007, terão morrido, num único ano, 5000 mineiros em acidentes nas minas de carvão chinesas.
Os Estados Unidos, que produzem 50% da sua energia eléctrica em centrais a carvão, têm vindo a rever em baixa as suas reservas exploráveis, e prevêem reduzir as exportações daqui até 2025. A Índia depende do carvão para levar energia eléctrica a importantes zonas do país, e projecta construir novas mega-centrais térmicas. A África do Sul está a aumentar a sua capacidade de produção de combustíveis líquidos a partir do carvão na refinaria de Sasol, e projecta também duas novas centrais térmicas a carvão. A Austrália é o quarto produtor e o maior exportador mundial de carvão, sendo o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan e a Europa os seus principais clientes. No entanto as exportações da Austrália correspondem apenas a 5% do consumo chinês. A Colômbia e a Indonésia são dois países exportadores cuja produção têm vindo a crescer, mas serão insuficientes para satisfazer a crescente procura no futuro.
Existe a ideia de que as reservas de carvão poderão durar para muitos anos. A EIA estima que, com o consumo actual, o abastecimento estará assegurado por 160 anos. Porém, contrariamente ao que se passa com o petróleo ou o gás natural, os países produtores de carvão são também os grandes consumidores, de tal forma que apenas 12 a 15% da produção mundial se destina à exportação. E a tendência é para este valor diminuir no futuro, à medida que os grandes produtores forem aumentando o seu consumo.
O conceituado Energy Watch Group, no seu relatório anual de 2007, avança com a previsão de que a produção mundial de carvão irá entrar em declínio a partir de 2025.Um outro estudo de B. Kavalov, do Institute for Energy (IFE), realizado para a Comissão Europeia, aponta 2015 como o ano em que poderão surgir os primeiros problemas relacionados com a disponibilidade de carvão para importação, no mercado internacional.
Para países com uma forte dependência energética externa, como é o caso de Portugal, a avaliação da segurança do abastecimento tem que ser feita atempadamente. A nossa estratégia de diversificação e a aposta nas fontes renováveis é a correcta, mas o carvão ainda é responsável por cerca de 30% da energia eléctrica que se produz em Portugal. Também nós vamos ter de encarar a provável situação de penúria que se anuncia. A confirmar-se, a escassez de carvão associada aos elevados preços desta matéria-prima, terá um forte impacto na factura da energia eléctrica dos portugueses.

http://www.jornaldenegocios.pt/imprimirNews.php?id=330274

Inscrições na UFRGS começam no dia 22

[Zero Hora] - 09 de Setembro de 2008
Começa no dia 22 o período de inscrições para o vestibular 2009 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Os candidatos terão até 12 de outubro para garantir a participação no concurso somente pela internet. O edital foi divulgado ontem no site .ufrgs.br
Com 244 vagas a mais do que no ano passado, a UFRGS oferecerá 75 opções de graduação no próximo concurso. As novidades são os bacharelados em Fisioterapia e Análise de Políticas e Sistemas de Saúde (noturno) e a licenciatura em Dança. Além dos novos currículos, outras dez faculdades receberam mais vagas, sendo quatro para o turno da noite. O destaque é para a Psicologia, que pela primeira vez receberá alunos à noite.
Geografia, Ciências Atuariais e Química Industrial também ampliaram vagas noturnas.
Ao todo, o vestibular 2009 vai oferecer 4.556 vagas, das quais 30% serão garantidas a candidatos egressos do ensino público. O sistema de cotas, instituído
em 2008 na UFRGS, também prevê que a metade da reserva seja garantida a estudantes que se declararem negros. O vestibular 2009 ocorrerá em três
cidades gaúchas simultaneamente.
O edital completo está disponível na página www.vestibular.ufrgs.brwww.vestibular

domingo, setembro 07, 2008

Escassez de talentos irá comprometer o crescimento


04/09/2008

O grande empecilho para o crescimento das empresas no Brasil e na Índia será a escassez de profissionais qualificados. A falta de talentos hoje é uma questão mundial e pode ser a maior restrição aos negócios. Está acima do capital e da tecnologia, diz Shumeet Banerji, CEO da Booz & Co. Entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), ele acredita que o único país que se preparou para enfrentar o problema foi a China. O país investiu não só nas universidades, mas no ensino técnico, pensou dez anos para frente, afirma.

No fim de maio, Banerji, PhD pela renomada escola de negócios Kellogg, assumiu o comando da Booz & Co, uma das maiores consultorias globais. A empresa é resultado da separação entre o negócio global de consultoria de alta gestão e o de serviços para o governo americano da Booz Allen Hamilton. Seu faturamento é de US$ 1 bilhão. São 3,3 mil funcionários e 200 sócios atuando em 52 países.

Desde que está no cargo, Banerji já visitou Rússia, China e Índia. Recentemente, veio conhecer a operação brasileira, iniciada há 43 anos, pela então Booz Allen Hamilton. Hoje, o país representa aproximadamente 10% dos negócios globais da Booz & Co. Segundo o CEO, o país é estratégico para a consultoria. Nosso desafio é crescer conforme a nossa capacidade de recrutar bons profissionais, diz. Isso leva tempo.

Em sua passagem por São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva ao Valor. Nela, criticou a sede com que as empresas desses países têm feito aquisições no exterior para aumentar de tamanho, sem medir o real valor da empreitada. Não se trata de adicionar números, é preciso uma boa razão, diz o CEO. A seguir alguns trechos da entrevista:

Que semelhanças o senhor vê entres as companhias dos BRICs?

Shumeet Banerji: As empresas do Brasil têm mais pontos convergentes com as da Índia do que com as dos outros BRICs. Em comum, vejo a confiança e a vontade de ser uma companhia global. Numa visão mais macroeconômica, todos são muito bem sucedidos. Há uma estabilização e existe uma relativa melhora nas políticas fiscais, com algumas diferenças entre eles. Os setores fazem mais sentido. Foram reformados para isso. Tudo contribuiu para que as companhias melhorassem. O segundo estágio agora para as empresas é olhar para o mundo. Ser bem sucedido no meu país é o suficiente? Então é o momento das aquisições no exterior.

Como o senhor avalia a performance das novas multinacionais brasileiras nesse cenário?

Banerji: É cedo para dizer. Este é um fenômeno recente. Vemos diferentes razões para as brasileiras fazerem aquisições fora. A primeira é para adquirir capacidades. Existem aquisições para expandir, diversificar as fontes de suprimentos. E outras para se chegar a um novo patamar. Nós achamos que existe muita ênfase em aquisições para se conquistar uma posição melhor no ranking global. Mas, ser apenas o número um ou dois ou três em termos de tamanho não faz de você uma boa companhia. O grande desafio para as empresas brasileiras é saber operar a empresa adquirida. Não é uma questão de adicionar números, ontem tínhamos US$ 2 bilhões, agora temos US$ 5 bilhões. Acho que é preciso razões maiores que essa para se fazer uma aquisição.

Faltam planos de negócios mais estratégicos?

Banerji: Muitas companhias têm bons planos. Hoje existe muito dinheiro e recursos nos BRICs que levam a essas aquisições. Mas não é só adquirir capacidades e tecnologia, existe o time, o processo de negócios, a cultura corporativa da outra companhia. Algumas empresas são capazes de ir para outros mercados longe de casa e integrar tudo isso, outras não.

Como o senhor percebe o Brasil hoje?

Banerji: É uma das maiores economias. Tornou-se uma força significativa. Antigamente, na hiperinflação era impossível pensar no longo prazo. Agora com a estabilização, as companhias podem fazer isso. É bom ver que existem investimentos em infra-estrutura. O Brasil tem um papel importante em commodities e agronegócios e em todo o debate sobre energia. Além da economia é um país crítico em outros aspectos importantes para o mundo, como o meio-ambiente. Hoje precisamos prestar atenção em companhias no Brasil que serão players globais. Como consultoria, queremos conectar as discussões entres os países do BRIC, porque algumas questões que as companhias brasileiras estão enfrentando hoje são as mesmas de algumas indianas. Umas podem aprender com as outras.

Qual o maior desafio para as empresas brasileiras e indianas atualmente?

Banerji: No estágio que estão hoje, vejo que a questão mais importante é a falta de talentos. A economia vai bem, as companhias crescem, mas de onde virão as pessoas para viabilizar este crescimento? Esse também é um problema mundial. Entre os BRICs, cada país lida com esse problema de uma forma. Quem combate isso mais sistematicamente é a China. Eles não investem só em universidades, mas em escolas técnicas, vocacionais, no treino de linguagem. Eles olham dez anos para frente. Não faltam só engenheiros. É preciso ter gente treinada para lidar com a mecânica das máquinas. Na Índia, o maior desafio não é encontrar talentos no nível gerencial, mas um pouco mais abaixo. Uma das coisas que companhias sabem é que não dependem apenas do governo para cuidar desse gap. As indústrias e associações têm que cumprir esse papel. A falta de talentos pode ser a maior restrição ao negócio, não o capital ou a tecnologia.

Qual a importância desse movimento de talentos no mundo?

Banerji: Existem dois aspectos importantes. O primeiro é que se você é uma empresa global, os seus administradores precisam ter conhecimento sobre o que acontece em outros países. Essa á uma grande questão porque muitas companhias estão servindo o mundo e precisam entender o mercado no qual estão entrando para serem bem sucedidas. Para isso, terão que recrutar as pessoas talentosas, onde elas estiverem. Não dá para só buscar nas melhores universidades dos EUA, por exemplo. Os conselhos das empresas globais hoje são muito mais diversificados, têm gente de todas as partes.

A aposentadoria dos profissionais em alguns setores em alguns anos pode agravar esse busca por gente qualificada?

Banerji: Veja a área de petróleo. É um problema difícil. A força de trabalho agora está chegando aos 50 anos. E as universidades ao longo dos anos não produziram engenheiros de petróleo suficientes. De onde eles virão? Na maior parte dos países da OCDE, existirá um percentual muito pequeno da população sustentando outra parte e isso tem a ver com talentos também. O modelo tradicional de formação profissional previa que as pessoas atingiriam uma certa idade e depois iriam embora do mercado. O envelhecimento da população nos fará repensar o modelo de carreira.

Como o senhor avalia a falta de talento em países com população mais jovem como o Brasil?

Banerji: A questão da escassez do talento nos países mais jovens é diferente. Você cada vez mais verá a demanda pelas pessoas crescer, mas elas não terão qualificação. É um problema social que precisa ser resolvido.

O que lhe chama a atenção nos CEOs brasileiros?

Banerji: Antes, o mercado local, o network, os políticos garantiam o acesso ao capital, em países como o Brasil ou a Índia. Ser hábil para operar nesse ambiente era muito importante. Agora é diferente, o que conta é saber operar a companhia, levantar dinheiro, agir estrategicamente, fazer boas aquisições, construir times de liderança. Esses mercados estão mais maduros, o fluxo de dinheiro é livre, você vê que os CEOs respondem hoje aos mesmos incentivos.

Fonte: Por Stela Campos / Valor Econômico

sexta-feira, agosto 29, 2008

Nova Guerra Fria > Novas e Velhas Fronteiras > Novas Ameaças > Nova Geografia


Análise: Criméia pode ser teste para intenções russas
 
Paul Reynolds
Da BBC News
 
 
Navio russo entra no porto de Sebastopol
Criméia abriga Frota do Mar Negro da Marinha russa em Sebastopol
A operação militar russa contra a Geórgia e seu reconhecimento das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia provocaram temores que às vezes beiram o pânico sobre a possibilidade de uma nova Guerra Fria estar se desenhando.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse que não quer uma nova Guerra Fria, mas que também não tem medo de uma.

Então, o conflito é um momento decisivo que anuncia uma nova era de confrontação ou apenas uma ação russa limitada para solucionar duas disputas de fronteira herdadas do período soviético?

Ou é algo intermediário, um sinal de incerteza em ambos os lados que representa tensão, mas não o tipo de luta ideológica e impasse militar que foi a Guerra Fria?

Novo teste

Uma bom teste das intenções russas poderia ocorrer na Criméia, o território que se projeta no Mar Negro e é parte da Ucrânia.

O ministro francês do Exterior, Bernard Kouchner, disse: "É muito perigoso. Há outros objetivos que se pode supor sejam os da Rússia, em particular a Criméia, a Ucrânia e Moldávia".

O problema com a Criméia é este. A Criméia foi entregue à Ucrânia pela República Soviética por Nikita Khrushchev em 1954. No entanto, moradores de etnia russa ainda formam a maioria de seus quase 2 milhões de habitantes.

A Criméia também abriga a Frota do Mar Negro da Marinha russa em Sebastopol, porto sobre o qual a Rússia tem um contrato de arrendamento até 2017.

Sebastopol tem ressonância na história russa, desde o cerco de britânicos e franceses em 1854-55. Recentemente, houve pequenas manifestações lá pedindo que a Criméia seja devolvida à Rússia.

Valery Podyachy, líder da Frente Popular Sebastopol-Criméia-Rússia, disse: "Enquanto a Rússia enviou ajuda para regiões ucranianas afetadas por enchentes, a Ucrânia falhou em ajudar a Rússia a forçar a paz na Geórgia e adotou uma postura abertamente hostil".

Há, portanto, potencial para problemas. Se a Rússia começasse a agitar em nome de seus "irmãos" na Criméia e argumentasse que deve ter Sebastopol (apesar de estar construindo uma nova base), a Criméia certamente poderia fornecer um teste das ambições russas e possivelmente um ponto de partida.

Preocupações

Esse temor em relação às ações futuras da Rússia explica parcialmente as preocupações do Ocidente. O ministro britânico do Exterior, David Miliband, foi à Ucrânia falando em formar "a coalizão mais ampla possível contra a agressão russa na Geórgia".

Em um discurso em Kiev, Miliband disse que os acontecimentos na Geórgia foram um "duro despertar".

Mas ele disse também: "O presidente russo diz que não tem medo de uma nova Guerra Fria. Nós não queremos uma. Ele tem uma grande responsabilidade de não iniciar uma".

O vice-presidente americano, Dick Cheney, irá à Geórgia. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se reuniu para declarar que não pode haver "negócios como de costume" com a Rússia.

As pessoas estão respeitando os princípios estabelecidos pelo diplomata americano George Kennan depois da Segunda Guerra Mundial que pedia a "contenção" de uma União Soviética agressiva.

Outro ponto de vista

Há um outro ponto de vista, porém, e esse é o de que enquanto não se deve confiar nas intenções russas, a Rússia também não pode ser totalmente culpada pelo que ocorreu na Ossétia do Sul.

O ex-embaixador britânico na Iugoslávia Sir Ivor Roberts disse: "Moscou agiu brutalmente na Geórgia. Mas quando os Estados Unidos e a Grã-Bretanha apoiaram a independência do Kosovo sem a aprovação das Nações Unidas, eles abriram caminho para a 'defesa' russa da Ossétia do Sul e para a atual humilhação do Ocidente".

Por trás disso também há o problema das fronteiras européias. Durante e depois da Guerra Fria, foi estabelecido (e ainda é) que as fronteiras, não importa o quão irracional fossem para seus habitantes, não poderiam ser modificadas sem um acordo.

Isso deu aos governos um poder de veto. A Sérvia tentou vetar a desintegração da Iugoslávia. A Geórgia não permitiu que a Abecásia e a Ossétia do Sul se separassem. A Ucrânia se agarra à Criméia, etc.

O potencial para um choque entre os interesses conflitantes das populações locais e os governos centrais é óbvio.

O temor de que as fronteiras possam se desmembrar também ajuda a explicar por que o reconhecimento russo da Abecásia e da Ossétia do Sul irritou tanto os governos ocidentais.

O problema deles, porém, é que não oferecem soluções para essas disputas além de boas intenções e um status quo policiado por tropas de paz, um status quo que pode ser facilmente abalado.



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Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
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sexta-feira, agosto 22, 2008

Veja ecoa Daniel Dantas e é rebatida pela ABIN

 

Por meio de nota, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou de “tendenciosa e irresponsável, sem apresentar qualquer fato respaldado em elementos dignos de credibilidade e isenção jornalística” a acusação da revista “Veja” de que a Agência e a Polícia Federal teriam grampeado o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Esta é a segunda edição seguida em que “Veja” insiste no tema. O texto busca desqualificar duas autoridades em particular, o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, que levou Daniel Valente Dantas à cadeia, e o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. “Veja” afirma que “a PF está investigando o delegado responsável pelo caso, Protógenes Queiroz, assim como a extensão do envolvimento clandestino, perigoso e ilegal da Abin na operação [Satiagraha]”.

Na semana passada, em conferência na CPI dos Grampos, Daniel Dantas, buscou desqualificar o delegado Protógenes Queiroz e a Operação que desbaratou parte do seu esquema. Segundo Dantas, a Satiagraha foi uma mera “retaliação” de Paulo Lacerda por ele (DVD) ter repassado um dossiê falso à “Veja”, contendo contas bancárias no exterior de integrantes do governo federal, incluindo Lacerda.

Tais declarações motivaram Lacerda a solicitar que a CPI realizasse uma sessão para ouvi-lo. “O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, ofereceu-se voluntariamente para depor na CPI das Escutas Clandestinas, da Câmara dos Deputados, a quem enviou requerimento no dia 12/08/2008, estando a audiência confirmada para a próxima quarta-feira, 20, às 14:30h, quando ficará à disposição da Comissão Parlamentar de Inquérito para reafirmar a total legalidade das atividades realizadas por esta Agência”, diz a nota da Abin.

No entanto, para “Veja”, os parlamentares da CPI deveriam fazer algo que não fizeram com Dantas, isto é, questionar, pois Lacerda “tem muito que explicar” sobre as “evidências gravíssimas de que a Abin participou ilegalmente dessa investigação”.

“Mídia é instrumento do império contra a soberania e a integração”

 

Em entrevista ao HP, Oswaldo Peredo, parlamentar do Movimento Ao Socialismo (MAS - partido do presidente Evo Morales) e presidente da Fundação Che Guevara, faz uma análise sobre o momento político boliviano, os avanços do processo revolucionário em seu país e a postura progressista e solidária do governo brasileiro nas negociações que levaram à nacionalização dos hidrocarbonetos. Irmão de Inti e de Coco Peredo, que lutaram ao lado de Che, Oswaldo foi escolhido - após a queda em combate dos três - chefe do Exército de Libertação Nacional no início dos anos 70, sendo uma referência para todos os nacionalistas e revolucionários bolivianos desde então

HP - Quais as principais mudanças realizadas pelo governo Evo Morales?

Peredo - No Primeiro de Maio de 2006, poucos meses depois do presidente Evo Morales ter assumido o executivo, se dá a nacionalização dos hidrocarbonetos. Este negócio, que é uma das principais fontes de ingressos da Bolívia, significava a entrada de US$ 1,5 bilhão por ano, o que para nosso país é uma cifra astronômica. Porém, desse total, ficavam nominalmente US$ 300 milhões para o Estado e US$ 1,2 bilhão para as transnacionais. Com a nacionalização, invertemos esta situação. Mas digo algo mais: estas transnacionais não deixavam esses US$ 300 milhões no país, pois sugavam desses recursos, por meio de mecanismos como subsídios pela importação de diesel. A Repsol vendia, a si mesma, diesel para a Repsol da Bolívia. Assim, o Tesouro Geral da nação recebia apenas US$ 78 milhões ao ano. Hoje, com a nacionalização, que não é confisco, nosso país recebe anualmente US$ 2 bilhões. Ou seja, a retomada pelo país de seus recursos naturais, fundamentalmente do petróleo e do gás, por si só, já significou um salto monumental no plano econômico. Antes, os estrangeiros levavam 82% dos recursos do petróleo enquanto que os 18% que ficavam no país ainda eram malversados pela oligarquia. Eram contratos lesivos ao interesse nacional, mas completamente desconhecidos do povo boliviano. A bancada do MAS os trouxe à tona, nós mudamos as regras do jogo, invertemos os percentuais e por isso estamos vivendo este novo momento. A direita dizia que as transnacionais iriam embora. Não foram, porque seguem lucrando.

HP - Recursos que começam a ser utilizados para o desenvolvimento nacional e para redistribuir renda.

Peredo - Isso se sente, particularmente nos municípios, com a entrada de recursos provenientes da nacionalização. Sou parlamentar do MAS em Santa Cruz de la Sierra e posso citar um dado: em 2005, pelo imposto direto dos hidrocarbonetos o município recebia 2 milhões de bolivianos ao ano. Hoje, recebemos cerca de 300 milhões de bolivianos ao ano. É evidente que a oligarquia não está convencida de que isso deva ser conduzido pelo povo. Então, erguem a bandeira da autonomia, pois querem descentralizar o governo apenas e tão somente para reforçar o centralismo nas regiões, para desperdiçar todos esses recursos. Mas há boas notícias também na mineração, onde se firmaram convênios com grandes empresas internacionais para exploração das jazidas de ferro. E há uma avaliação do quanto a Bolívia pode arrecadar com o ferro. No primeiro ano serão US$ 60 milhões, chegando a US$ 400 milhões em dez anos, ingressos para o Estado boliviano. Essa mineração é em Santa Cruz, somente. No resto do país, o estanho se valorizou o que significa o ingresso de mais US$ 2 bilhões.

HP - Quais são as medidas adotadas para ampliar o acesso da população aos alimentos básicos?

Peredo - O governo se vê na necessidade de coibir a exportação para que possa ter uma cesta básica que caiba no bolso da população. Os grandes latifundiários, que são donos das fábricas de azeite, de beneficiamento de arroz, desviavam produtos do mercado interno para a exportação, ocultavam para especular, contrabandeavam, para que o preço subisse e ganhassem mais. Assim, encareciam os produtos no mercado interno, o que fez com que o governo colocasse um freio nestas práticas. Recentemente, começamos a permitir novamente a exportação, mas na medida em que baixam os preços de produtos. Também foram criados vários tipos de entidades financeiras como o Banco de Desenvolvimento Produtivo, onde o crédito vai direto para os pequenos e médios produtores. Isso também tem produzido um choque com a direita, com os grandes donos de terras e de indústrias alimentícias. Estamos avaliando uma parceria com investidores árabes, que querem incrementar a produção alimentária em US$ 2 bilhões. Por um lado combatemos a especulação, por outro ampliamos os incentivos à agricultura familiar.

HP - Como a eleição de Evo impactou na auto-estima nacional?

Peredo - O impacto foi substancial, mas vai além da auto-estima do povo boliviano majoritariamente indígena. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, 62% da nossa população é indígena, mas a realidade aponta que são mais, pois há muitas pessoas que pelo preconceito racial, pela intensa discriminação de que foram historicamente objeto, não declaram sua condição indígena. A auto-estima de todo o povo boliviano tem se elevado, porque éramos conhecidos como um país produtor de droga, de cocaína, que estava entre os últimos lugares na fila do desenvolvimento, totalmente submetido ao estrangeiro. Agora que o governo é comandado por um indígena revolucionário, que está propondo e produzindo transformações imprescindíveis, isso tem forte impacto não apenas para o nosso país, mas para toda a América Latina.

HP - Qual sua avaliação da postura do governo brasileiro nas negociações quando do decreto de nacionalização?

Peredo - O governo brasileiro teve um papel destacado na garantia desta transição não ter sido traumática, principalmente pelas duras negociações estabelecidas com a Petrobrás, onde encontramos, juntos, uma saída positiva. Tudo foi bem graças à ação do presidente Lula que, arriscando uma situação política interna difícil, sustentou que era preciso atuar com justiça com o povo boliviano. Nosso agradecimento ao presidente Lula.

HP - Uma postura solidária.

Peredo - Claro, uma solidariedade que tem representado uma importante base de sustentação. Por exemplo: com a cooperação cubana, em menos de dois anos, construímos 60 hospitais de qualidade. São dois mil médicos cooperando conosco. Este ano, graças à cooperação Cuba-Venezuela, nosso país será declarado pela Unesco livre do analfabetismo. Há pouco mais de dois anos, tínhamos 32% de analfabetos, um dos maiores índices da América Latina. Com a ajuda venezuelana, abrimos uma grande planta de perfuração de gás e petróleo no Altiplano, o que contribuirá cada vez mais para a nossa soberania energética e para a integração de nossos países e povos. Assim, vamos avançando. Lula, Chávez, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Daniel Ortega, Lugo. Todos são componentes de uma mesma corrente, com suas variantes, porque cada povo tem a sua fortaleza. É uma diversidade e amplitude que nos dá força.

HP - Mas há obstáculos de peso contra a integração.

Peredo - Um dos graves empecilhos à integração é a avalanche desinformativa, a tirania midiática, pois os meios de comunicação privados adotam uma postura terrorista em nossos países. No caso da Bolívia, controlados pela direita, exacerbam o racismo. Afinal, ‘como um índio ignorante pode governar um país?’, perguntam. Por isso queremos conclamar aos companheiros para que acompanhem de perto o processo boliviano, que é de todos os latino-americanos, para evitar que haja confrontação, pois os fascistas querem a guerra civil. Há grupos paramilitares dessa direita que agridem as pessoas apenas pela diferença da cor de sua pele. Esses setores, confiantes na sua própria mentira, propuseram um projeto de lei para o referendo revogatório dos mandatos. Quando o governo encarou o desafio, eles tentaram fugir das urnas. O povo não quer violência, quer resolver estes problemas politicamente. Precisamos de todo apoio internacional, particularmente do povo brasileiro, para que a vitória no referendo signifique um aprofundamento do processo revolucionário e da integração.

HP - Como iniciou sua militância?

Peredo - Me inscrevi na Juventude Comunista aos 13 anos. Meus irmãos eram, claro, os que me influenciavam politicamente: Antonio, Inti e Coco. Então veio a revolução cubana, que foi mais um poderoso estímulo, oxigenando nossa determinação. De fato, quando Che chega na Bolívia são muitos os jovens comunistas que se incorporam à guerrilha.

HP - Estavas lá?

Peredo - Eu estava em Moscou estudando medicina, quando me foi dada a tarefa de recrutar jovens bolivianos e latino-americanos que estudavam em países socialistas. O Che em seu diário diz: ‘se incorporaram 20 estudantes de países socialistas’. Esta tarefa estava sendo desenvolvida por mim. Os desdobramentos disso são conhecidos pela história. Coco cai numa emboscada. Inti sobrevive e quando estamos organizando um novo contingente para voltar à montanha, assassinam Inti numa emboscada na cidade de La Paz, dois anos depois da guerrilha. Então, em 1970, os remanescentes - éramos 12 - me elegem chefe do Exército de Libertação Nacional, fundado por Che, e começamos a reestruturar a nossa coluna guerrilheira. Em 1970, dez meses depois da queda em combate de Inti, tínhamos uma coluna de 67 homens e voltamos à montanha, mas já com ramificações na cidade. Há um compromisso com o sangue de Che.

LEONARDO SEVERO

O ensino vai mal e Veja conhece os culpados

MÍDIA & EDUCAÇÃO
O ensino vai mal e Veja conhece os culpados

Por Gabriel Perissé em 19/8/2008

A principal reportagem da revista Veja desta semana (edição nº 2074) aborda, uma vez mais, a qualidade do nosso ensino, aproveitando a oportunidade para (de novo!) comparar o Brasil medíocre à insuperável Finlândia.

A idéia central da matéria é a de que não temos consciência do quanto vai mal o ensino brasileiro. A fonte desta certeza é uma pesquisa encomendada pela própria Veja à CNT/Sensus. As jornalistas Monica Weinberg e Camila Pereira querem abrir nossos olhos. A pesquisa revela que a maioria dos docentes, pais e estudantes está satisfeita, embora indicadores e resultados em abundância demonstrem graves problemas: alunos semi-analfabetos, professores com preparação insuficiente, repetência e outros.

Conclusão: nós não nos enxergamos direito. Estaríamos conformados perante uma situação muito longe da ideal. Os pais cujos filhos freqüentam escolas particulares, investindo no fracasso. Os pais cujos filhos estão nas escolas públicas, acreditando na ilusão.

Mas a matéria prossegue. E pretende colocar o dedo na chaga. Estamos nessa situação porque professores, livros didáticos e apostilas antepõem ao ensino a doutrinação esquerdista. Os professores, segundo a mesma pesquisa, identificam-se com Paulo Freire e Marx. Em sala de aula, elogiam Che Guevara e Lênin. Deixam em segundo plano o ensino de língua portuguesa, aritmética, física. Não ensinam o que interessa... em nome da ideologia.

Mera coincidência

Aproveitando a carona, o economista Gustavo Ioschpe aponta a neutralidade como um dever dos professores. Essa história de "formar cidadãos conscientes" e "desenvolver a criatividade e o espírito crítico dos alunos" seria, no fundo, sonegar o conhecimento necessário à profissionalização do indivíduo. Aulas politicamente neutras solucionariam nossos problemas.

De fato, é desejável acompanhar o que "rola" em nossas salas de aula, identificando motivações ideológicas (afinal, isso é também formar cidadãos críticos), mas fica difícil aceitar o véu ideológico da neutralidade política com que a revista Veja se cobre. Denunciando a mistura entre ideologia de esquerda e educação, defende (dissimuladamente) a mistura que faz entre ideologia de direita e informação, entre interesses econômicos e jornalismo.

Curiosamente, entre as páginas 72 e 87, em que Monica Weinberg, Camila Pereira e Ioschpe escrevem, surgem três páginas (79, 81 e 83) publicitárias, nas quais o grupo Santander Brasil se apresenta como o melhor banco do mundo. Será uma alusão à "educação bancária" de que falava Paulo Freire? Não... isso é mera coincidência. Pura neutralidade.

 

Observatório da Imprensa

quarta-feira, agosto 06, 2008

A esperança de uma mudança de modelo

ESTADOS UNIDOS

 

Somente por meio do reconhecimento e da punição por todos os erros cometidos neste período crítico de sua história os Estados Unidos recuperarão o prestígio perdido em todo o mundo. As eleições presidenciais à vista constituem uma fundada esperança de mudança de modelo na ordem internacional. A análise é do ex-presidente de Portugal, Mário Soares.

Mário Soares

LISBOA – Os passados governos norte-americanos foram firmes defensores dos direitos humanos, pelo menos desde que a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, talvez o documento jurídico internacional mais importante do século XX. É verdade que durante a Guerra Fria os Estados Unidos fizeram dos direitos humanos uma arma decidida contra a União Soviética e as chamadas democracias populares. E conseguiram afetar notavelmente a imagem do bloco pró-soviético com os exemplos, repetidos até à saciedade, dos dissidentes, privados de seus direitos.
Entretanto, a política norte-americana tinha “dois pesos e duas medidas”, já que condenava os atentados aos direitos humanos quando lhe convinha e os ignorava quando eram cometidos por governos amigos ou aliados. Toda a América Latina conserva amargas recordações dessa regra de comportamento, bem como numerosos países do Oriente Médio, da África e Ásia.
O campo de concentração de Guantánamo, de exclusiva responsabilidade da administração de George W. Bush, é o caso mais nefasto e escandaloso de atentado consciente e em grande escala contra os direitos humanos, porque foi conseguinte à invasão unilateral do Iraque, justificada com falsos pretextos e que apenas serviu para arruinar o prestigio e a credibilidade de Washington, além de abrir o caminho para a crise múltipla que estamos globalmente imersos.
E não se trata de um caso isolado. As torturas praticadas em diferentes prisões sob controle militar norte-americano (penso sobretudo em Abu Ghraib) com tons de perversidade e sadismo – provocando revoltas e transtornos psíquicos nas tropas que participaram – hoje são conhecidas no mundo inteiro. Ainda é pouco o que se sabe sobre o que ocorreu – e que parece continua ocorrendo – em Guantânamo. Em particular se desconhece o tipo de informação que receberam as autoridades dos aeroportos – e seus respectivos governos – por onde passaram os prisioneiros e as cumplicidades que existiram.
Já foram libertados alguns prisioneiros por terem provado sua inocência. As declarações feitas são reveladoras sobre as condições de sua prolongada detenção e as torturas que sofreram. Mas falta saber muito mais e espero que com o próximo presidente dos Estados Unidos a verdade venha à tona, pouco a pouco. Por seu lado, o Tribunal Penal Internacional ganharia em prestígio se decidisse investigar o ocorrido e julgar os responsáveis.
É certo que os Estados Unidos foram atacados por atentados terroristas de uma magnitude até então desconhecida, no dia 11 de setembro de 2001. Diante desta agressão imperdoável todo o mundo foi solidário com Washington e condenou o terrorismo. Mas o governo Bush em lugar de reagir com inteligência quis exibir sua força militar ímpar, que descarregou contra um inimigo mal escolhido. A invasão do Iraque destruiu os precários equilíbrios do Oriente Médio e, no plano interno, provocou uma perseguição histérica antiterrorista que levantou barreiras discriminatórias para sua população islâmica, e tudo isso, em lugar de aniquilar o terrorismo, o fomentou. Como bem diziam os antigos romanos, “o sangue de cristãos foi a semente de novos cristãos”.
O fanatismo religioso desenvolvido nos Estados Unidos – simetricamente oposto ao fanatismo islâmico – é outro fator de preocupação em relação à herança de Bush. Não estamos livres do perigo de um ressurgimento de guerras religiosas, que são as piores guerras possíveis. Mas, a democracia norte-americana parece funcionar – apesar de todos os ataques que sofreu – o que representa, com as eleições presidenciais à vista, uma fundada esperança de mudança de modelo na ordem internacional.
Organizações dedicadas à defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional e associações jurídicas internacionais e nacionais investigam diversos tipos de tortura e procedimentos ilegais graves cometidos por militares norte-americanos contra suspeitos de terrorismo presos em Guantânamo. Foram criadas comissões de juristas para julgar tais violações, sobre as quais se divulgou ampla informação, como, por exemplo, a prática da tortura chamada de submarino (water-boarding). O Parlamento Europeu se ocupou destes graves assuntos, considerados politicamente espinhosos e chamou a atenção para a necessidade de se conhecer toda a verdade, doa a quem doer. Nesse sentido, foram feitas investigações e pedidas explicações que, até o momento, não foram cabalmente respondidas.
Recentemente, a Suprema Corte de Justiças dos Estados Unidos se pronunciou a favor da competência dos tribunais norte-americanos em decidir sobre estas matérias. É um passo importante na direção de reimplantar a legalidade nestes planos. Porque somente por meio do reconhecimento e da punição por todos os erros cometidos neste período crítico de sua história os Estados Unidos recuperarão o prestígio perdido em todo o mundo. (IPS)
* Mário Soares, ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal.

 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15159

Brasil é um dos dez maiores petroleiros no mundo

 

Mario de Freitas e Willemien Groot

14-07-2008

O enorme campo de óleo no litoral do Rio de Janeiro coloca o Brasil entre os dez maiores países produtores de petróleo. Com as novas descobertas, as reservas submarinas triplicaram, confirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pouquíssimo tempo o Brasil produzirá mais que a Nigéria.
A existência do campo petrolífero já é conhecida há algum tempo, mas, nos últimos meses, aumentaram as especulações em torno dessas notícias não oficiais. A Petrobrás calcula que o campo Tupi tem oito bilhões de barris de petróleo.
É possível que seja um dos maiores campos de petróleo descoberto nos últimos trinta anos. As reservas estão a uns 800 quilômetros da costa e com três quilômetros de profundidade no mar. Contando com as reservas já existentes, o Brasil dispõe aproximadamente de uma reserva de 80 a 100 bilhões de barris. Mais que a Nigéria, que agora ocupa o décimo lugar entre os dez países produtores de petróleo.
Biocombustíveis
O Brasil tem um papel importante no mercado internacional de energia. Não só é um grande consumidor de energia mas o maior exportador de etanol. É o país que mais investiu na produção de combustíveis alternativos. A maior parte do total da energia consumida é proveniente de fonte alternativa, como os biocombustíveis, o etanol e usinas hidrelétricas.
etanolDesde a ditadura militar, nos anos setenta, os governantes de então encorajavam a produção de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, para diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. Por causa da forte queda dos preços do petróleo, nos anos oitenta, a produção de etanol praticamente foi paralisada.

Desde o início desse século, o combustível limpo e alternativo ganhou apoio do governo. Atualmente, oito de dez carros novos no Brasil são movidos a álcool (ou álcool e gasolina). Fazendeiros do centro e sudeste são os principais produtores de cana para o combustível.
Normas ambientais
Em 2005, o presidente Lula deu a largada para um projeto novo e de grande escala para a produção de biocombustíveis. Os planos incluíam tirar os lavradores do Nordeste da pobreza, através da renda com a produção de mamona, utilizada para fazer o biodiesel. Aproximadamente 200 mil lavradores estão diretamente envolvidos no projeto e, indiretamente, outros 50 mil no restante do país. O biocombustível é misturado ao diesel comum. A mistura, assim como o etanol, está disponível em qualquer posto de gasolina no país.
O Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas questiona o preço dessa produção. Sem normas estabelecidas, a ONU alerta que a floresta amazônica vai ter cada vez mais que ceder espaço aos canaviais.

A carta de demissão da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi um sinal explícito para essa instituição da ONU. Na carta, ela justifica sua saída "devido a dificuldades de executar os programas federais de meio ambiente". Marina Silva estaria sofrendo pressão para amenizar as regras para o desmatamento. Apesar disso, houve a redução do desmatamento da floresta em dez por cento.
Independente
Com a descoberta de novas reservas de petróleo e o desenvolvimento de alternativas energéticas, o Brasil tornou-se auto-suficiente no setor. Tornou-se cada vez menos suscetível às inconstâncias do mercado petrolífero. Se o Brasil atingir suas metas, Lula promete que a população só terá a ganhar com isso. As descobertas recentes de petróleo serão destinadas ao mercado interno e ao desenvolvimento do país, de acordo com suas promessas.

http://www.parceria.nl/brasil/20080714-br-petroleo

quinta-feira, julho 31, 2008

É o petróleo, estúpido

 

*NOAM CHOMSKY

O acordo entre o ministério iraquiano do petróleo e quatro companhias petrolíferas ocidentais levanta questões delicadas quanto aos motivos da invasão e da ocupação do Iraque pelos Estados Unidos. Estas questões deviam ser levantadas pelos candidatos às eleições presidenciais e discutidas seriamente nos EUA, assim como no Iraque ocupado, onde parece que a população desempenha apenas um papel menor - se é que desempenha - na definição do futuro do país.

As negociações relativas à renovação das concessões petrolíferas, perdidas quando das nacionalizações que permitiram aos países produtores recuperar o controle dos seus próprios recursos, estão bem encaminhadas para serem entregues à Exxon Mobil, Shell, Total e BP. Estes parceiros originais da Companhia Petrolífera Iraquiana são acompanhados agora pela Chevron e por outras companhias petrolíferas de menor dimensão. Estes contratos negociados sem concorrência, aparentemente redigidos pelas companhias petrolíferas com a ajuda dos oficiais americanos, foram preferidos às ofertas formuladas por mais de 40 outras companhias, especialmente chinesas, indianas e russas.

O mundo árabe e parte da população americana suspeitavam que os Estados Unidos tinham entrado em guerra precisamente para proteger a riqueza petrolífera que estes contratos procuram garantir’, escreveu Andrew E. Kramer no New York Times. A referência de Kramer a uma suspeita é um eufemismo. É, além disso, mais provável que a ocupação militar tenha ela própria impulsionado a restauração de uma odiada Companhia Petrolífera Iraquiana, instalada na época da dominação britânica afim de ‘se alimentar com a riqueza do Iraque no quadro de um acordo notoriamente desequilibrado’, como escreveu Seamus Milne no Guardian.

A necessidade dificilmente poderia ser mais premente. O Iraque possui provavelmente a segunda reserva mundial de petróleo, que se caracteriza além disso por baixos custos de extração: sem permafrost [1], nem areias betuminosas a transpor, nem perfuração em águas profundas para empreender. Para os planificadores americanos, é imperioso que o Iraque permaneça, na medida do possível, sob o controle dos Estados Unidos, como um Estado cliente dócil apropriado para acolher bases militares em pleno coração da primeira reserva energética mundial. Que esses eram os objetivos fundamentais da invasão foi sempre claro, apesar da cortina de fumaça de sucessivos pretextos: Armas de destruição em massa, ligações de Saddam com a Al-Qaeda, promoção da democracia e da guerra contra o terrorismo.

Em novembro último, estas preocupações tornaram-se explícitas quando o Presidente Bush e o Primeiro ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, assinaram uma ‘Declaração de princípio’, com total desprezo pelas prerrogativas do Congresso americano e do Parlamento iraquiano, assim como da opinião das respectivas populações.

Esta Declaração permite uma presença militar indefinida no Iraque, em coerência com a edificação em curso de gigantescas bases aéreas em todo o país, e da ‘embaixada’ em Bagdá, uma cidade na cidade, sem qualquer semelhança em todo o mundo. Tudo isto não é construído para ser em seguida abandonado.

A declaração encobre igualmente uma descarada afirmação quanto à exploração dos recursos do Iraque. Nela se afirma que a economia iraquiana, isto é os seus recursos petrolíferos, deve ser aberta aos investimentos estrangeiros, ‘especialmente americanos’. Isto é quase como um anúncio de que nós invadimos para controlar o vosso país e dispor de um acesso privilegiado aos vossos recursos.

A seriedade destas intenções foi sublinhada pelo ‘signing statement’[2] do Presidente Bush declarando que rejeitará qualquer texto do Congresso suscetível de restringir o financiamento necessário para permitir ‘o estabelecimento de qualquer instalação ou base militar necessária para o abastecimento das Forças Americanas que estão permanentemente estacionadas no Iraque’ ou o ‘controle dos recursos petrolíferos iraquianos pelos Estados Unidos’.

O recurso extensivo aos ‘signing statements’, que permitem ao poder executivo  estender o seu poder, constitui outra das inovações práticas da administração Bush, condenada pela American Bar Association (Associação de advogados americanos) como contrária ao Estado de direito e à separação constitucional dos poderes.

Uma ironia é que o Iraque está se transformando pouco a pouco num condomínio americano-iraniano. O governo de Maliki é a componente da sociedade iraquiana sustentada ativamente pelo Irã. O chamado exército iraquiano - exatamente uma milícia entre outras - é largamente constituído pela brigada Badr, treinada no Irã e que foi constituída do lado iraniano durante a guerra Irã-Iraque.

Podemos presumir que Teerã gosta de ver os Estados Unidos instalarem-se e apoiarem um governo iraquiano receptivo à sua influência. Para o povo iraquiano porém este governo constitui um verdadeiro desastre e vai provavelmente prejudicá-lo mais.

Nos Estados Unidos, os Democratas são reduzidos ao silêncio pelo pretenso sucesso da ofensiva militar americana no Iraque. Mas o seu silêncio trai a ausência de oposição de princípio à guerra. Segundo a sua forma de ver o mundo, o fato de se alcançarem os fins justifica a guerra e a ocupação. Os apetitosos contratos petrolíferos são obtidos com a conquista do território.

De fato, a invasão no seu conjunto constitui um crime de guerra - crime internacional supremo, que difere dos outros crimes de guerra porque gera, segundo os próprios termos do julgamento de Nuremberg, todo o mal causado em seguida. Isto está entre os assuntos impossíveis de abordar na campanha presidencial ou em qualquer outro quadro. Porque estamos no Iraque? Qual é a nossa dívida para com os iraquianos por ter destruído o seu país? A maioria do povo americano deseja a retirada das tropas americanas do Iraque. A sua voz tem importância?
[1] Permafrost - tipo de solo das regiões árticas, permanentemente congelado.
[2] Ato pelo qual o Presidente dos Estados Unidos modifica o significado de um texto de lei.

* Lingüista norte-americano. O presente artigo – do qual publicamos os principais trechos - foi originalmente publicado no jornal indiano Khaleej Times.

segunda-feira, julho 28, 2008

Curso Atlas Preparatório para o CACD



As matrículas para o Curso Intensivo de Preparação para o CACD poderão ser realizadas no Colégio Rosário de segunda a sexta das 19h às 22h diretamente com o Coordenador Pedagógico do Curso, diplomata Maurício Costa.
Ele estará disponível para esclarecer dúvidas relativas ao curso e à carreira diplomática, bem como os interessados poderão participar de uma aula experimental de redação.

Curso Intensivo de Redação para o CACD
Ministrante: Diplomata Me. Maurício Costa
Carga horária: 15h
Horário: das 19 às 22h
Local: Colégio Rosário
Metodologia: serão quatro aulas teóricas, de 3h de duração, nas quais serão apresentados e discutidos os critérios de correção da banca da segunda fase do CACD, de acordo com as correções aplicadas a espelhos originais das provas. Também serão analisados espelhos de correção originais de redações aprovadas e reprovadas, para a melhor compreensão das exigências dessa etapa do concurso. Na última aula, será realizado simulado de redação com os candidatos matriculados.
Investimento: R$ 300
As matrículas poderão ser realizadas no local.

Contamos com a participação de todos.


Curso Atlas - Seu Passaporte Para a Carreira Diplomática
http://www.cursoatlas.com/
informacoes@cursoatlas.com
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Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
http://profjefersongeo.blogspot.com/

domingo, julho 27, 2008

Quer ter menos produção? Use transgênicos!





DEBATE ABERTO

Quer ter menos produção? Use transgênicos!

Em abril de 2008, a Universidade do Kansas publicou um estudo que demonstra, após analisar a produção do setor cerealista dos Estados Unidos durante os últimos três anos, que a produtividade dos cultivos transgênicos (soja, milho, algodão e canola) foi menor do que na época anterior à introdução de transgênicos.

Silvia Ribeiro

Recentemente, a Monsanto declarou à imprensa do México que a próxima publicação do chamado 'Regime Especial de Proteção ao Milho', permitirá que a empresa inicie experimentos com milho transgênico. Que ironia histórica que esse regime, em vez de proteger o milho e seus povos, seja outro presente que o governo faz às transnacionais que privatizaram as sementes, chave de toda a rede alimentar e patrimônio camponês legado à humanidade. E o que é o cúmulo, produzem menos!

O argumento das autoridades, dando suporte às idéias das empresas, é justamente que os transgênicos são necessários —apesar dos múltiplos impactos culturais, ambientais e para a saúde que implicam— porque aumentariam a produção agrícola. Um argumento que, diante da crise alimentar, tem sido acolhido por muitos outros governos e instituições. Contudo, essa afirmação é falsa.

Em abril de 2008, a Universidade do Kansas publicou um estudo que demonstra, após analisar a produção do setor cerealista dos Estados Unidos durante os últimos três anos, que a produtividade dos cultivos transgênicos (soja, milho, algodão e canola) foi menor do que na época anterior à introdução de transgênicos. A soja apresenta uma diminuição de rendimento de até 10%. A produtividade do milho transgênico foi menor em vários anos e em outros igual ou imperceptivelmente maior, dando um resultado total negativo quando comparado às variedades convencionais. Também mostram menor rendimento a canola e o algodão transgênicos, segundo dados levantados em períodos de vários anos. (E em todos os casos as sementes são mais caras que as convencionais, ou seja que a margem de lucro dos agricultores também é menor).

Este estudo confirma vários outros anteriores. Em 2007, a Universidade de Nebraska encontrou que a soja transgênica da Monsanto produzia 6% menos que a mesma variedade da empresa em versão não transgênica e até 11% menos que a melhor variedade disponível de soja não transgênica. Outros estudos, inclusive um do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em abril 2006, mostram resultados similares.

Definitivamente, os transgênicos não são mais produtivos.

A razão principal, explicam os estudos, é que a transgenia altera o metabolismo das plantas, o que, em alguns casos, inibe a absorção de nutrientes e, em geral, demanda maior energia para expressar características que não são naturais da planta, diminuindo sua capacidade de desenvolver-se plenamente.

A explicação da Monsanto perante o estudo da Universidade do Kansas, foi que 'os transgênicos não estão projetados para aumentar a produtividade'. (The Independent, 20/4/08)

Monsanto, Dupont-Pioneer e Syngenta, são as três maiores empresas do mundo em transgênicos, e também em todo tipo de sementes comerciais. A Monsanto controla quase 90% das sementes transgênicas e, juntas, as três controlam 39% do mercado mundial de todas as sementes e 44% das sementes sob propriedade intelectual.

Por que, então, estas empresas —que também são donas das sementes híbridas não transgênicas— insistem em vender suas sementes que produzem menos e requerem mais agroquímicos? Em parte, porque elas também são grandes fabricantes de agroquímicos, mas principalmente porque todos os transgênicos são patenteados e, portanto, a contaminação passa a ser um grande negócio.

As sementes híbridas também cruzam com variedades nativas. Mas são cruzamentos de milho com milho, diferente dos transgênicos, onde o cruzamento contamina com genes de bactérias, vírus ou qualquer outra espécie com a qual tenha sido manipulado. Mas a diferença fundamental para as empresas é que com os transgênicos a contaminação é um delito imputável às vítimas.

Qualquer camponês ou agricultor que for contaminado ou que use as sementes transgênicas que comprou da Monsanto para plantar novamente (ou seja, que exerça o 'direito dos agricultores') usa sua patente sem permissão e comete um delito pelo qual pode ser processado.

A Monsanto já cobrou mais de 21,5 bilhões de dólares por meio de processos contra agricultores nos Estados Unidos (Center for Food Safety). Agora, acaba de iniciar um processo mais agressivo, contra toda a cooperativa de agricultores Pilot Grove Cooperative Elevador Inc. do Missouri. Segundo a Monsanto, a cooperativa não paga suficientes royalties. O agricultor David Brumback, que se autodefine como 'fiel comprador' dos transgênicos da Monsanto há anos, expressa sua raiva e afirma que 'para a Monsanto todos somos culpados'. (CBS 4 Denver, EUA, 10/7/08). É isto que espera aos agricultores do Norte do México que pedem milho transgênico. E também àqueles que não querem esse milho, mas serão contaminados.

Uma vez no campo, a contaminação transgênica é inevitável, é somente uma questão de tempo. As medidas contidas no vergonhoso 'regime de proteção' que esgrimem as secretarias do meio ambiente e de agricultura do México (Semarnat e Sagarpa) não apenas são limitadas e ignorantes. Diretamente não fazem sentido, porque nunca serão repetidas em condições reais nos campos dos agricultores se for aprovado o cultivo comercial.

Os chamados 'experimentos' são outra falácia, como a Lei Monsanto (lei de biossegurança), para legalizar a contaminação generalizada e a caçada de agricultores promovidas pelas transnacionais contra os interesses do campo, contra o coração dos povos e às custas do patrimônio genético mais importante do México.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores


Silvia Ribeiro é pesquisadora do Grupo ETC.





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Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
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terça-feira, julho 15, 2008

Emergentes entram no jogo: BRICs X G8

A crise mundial está produzindo dois fenômenos envolvendo, de um lado, países desenvolvidos; e de outro, os emergentes (Brasil, China, Índia e Rússia).
O primeiro é sobre quem paga a conta da crise atual. O segundo, sobre como será o mundo daqui para diante, qual o novo perfil da economia mundial com uma crise que permitirá a emergência de novos atores globais.
Leia mais clique no link abaixo:
projetobr.ig.com.br - Artigo

Sudaneses rechaçam Corte Internacional e vão às ruas em defesa do presidente Bashir

 

 

Milhares de pessoas saudaram o presidente do Sudão, Omar Al Bashir, e repudiaram o parecer do procurador da Corte Criminal Internacional (CCI), Luis Moreno-Ocampo, que acusa o Bashir de genocídio, referindo-se à ação governamental contra rebeldes na região de Darfur. O ato aconteceu no Estádio da Amizade, na capital sudanesa, Cartum.

O presidente Bashir chegou ao palco ladeado pelo seu vice, Ali Osman Taha, que teve papel decisivo na construção do “Amplo Acordo de Paz” assinado em 9 de junho de 2005, que pacificou a maior parte do país acabando com o conflito envolvendo rebeldes ao sul, e o primeiro-vice-presidente Salva Kiir, indicado pelos ex-rebeldes sulistas para compor o governo de coalizão que sucedeu o acordo. O entendimento abriu caminho para negociações com os rebeldes de Darfur, iniciadas em Abuja, na Nigéria, e em andamento.

“O Sudão não hesitará em proteger sua soberania, unidade e segurança e a integridade de seu território. O governo seguirá implementando seus planos pela realização da paz e desenvolvimento por todo o país”, afirmou o ministro da Informação e Comunicação, Al Zahawi Ibrahim Malik.

“Os atentados e conspirações estrangeiras contra o Sudão só vão estimular a resolução do povo e do governo na busca de suas aspirações e objetivos”, afirmou o ministro.

O cantor popular, Jamal Mustafá, compareceu ao ato, onde afirmou: “Minha fé é minha pátria, terra de gente boa e infindáveis recursos. Ela me faz orgulhoso de dizer: sou sudanês, sou africano”.

Neste momento a multidão prorrompeu em aplausos e buscou se aproximar do presidente para apertar sua mão e abraçá-lo. Bashir saudou os sudaneses com as simples palavras: “Allah Kabir” (Deus é grande!). A população seguiu cantando e dançando em desagravo ao presidente e em comemoração à nova lei eleitoral, que ampliará as representações regionais no governo com o intuito de avançar na pacificação do país e por fim ao conflito em Darfur.

A rede de Organizações Voluntárias pela Paz e Desenvolvimento de Darfur conclamou a todas organizações - que como elas – dão suporte aos refugiados na região conflagrada a repudiar as afirmações da CCI contra o presidente do país. “Este parecer busca complicar a situação em Darfur, instigando disputas, sedições e guerra”, denunciou a rede de entidades.

O crime que – aos olhos das corporações e do Império – Bashir cometeu foi impedir as multinacionais do petróleo de saquearem a riqueza do Sudão, fazendo acordos com a China para explorar alguns dos maiores campos do mundo. Este movimento se aprofundou depois que o Sudão repudiou a agressão e ocupação ao Iraque a partir de 2003 pelos EUA. A prospecção e extração de 80% do petróleo sudanês é realizada por empresas chinesas.

 

União Africana destaca esforços pela pacificação de Darfur

“Se indiciarem Bashir e o prenderem haverá um vácuo de poder no Sudão com risco de golpes militares e anarquia espraiada, similar ao que acontece hoje no Iraque”, afirmou o ministro do Exterior da Tanzânia, Bernard Membe, falando em nome do presidente da União Africana, Jakaya Kikwete.

Membe alertou para as conseqüências da acusação por parte da CCI.

“O parecer é grave, neste momento em que há esforços para acabar com a morte em Darfur, para a implementação do acordo de paz Norte-Sul de 2005 e minorar as tensões do Sudão com o Chad”. 

A Organização da Conferência Islâmica em comunicado externou “profunda preocupação com as acusações, o que poderia ameaçar a paz ainda frágil que se busca atingir em Darfur”.

Crise se agrava e leva gigantes do financiamento hipotecário à UTI

 

O FannieMae e o Freddie Mac, os dois principais bancos de crédito para habitação, respondem por 50% da dívida em hipotecas dos EUA – US$ 5 trilhões – e teriam um rombo de US$ 75 bilhões de capital para bancar empréstimos e garantir hipotecas

O sistema de financiamento da habitação dos EUA praticamente entrou em colapso no final de semana, após insistentes rumores e advertências sobre o estado crítico dos dois principais bancos de fomento do setor, o Fannie Mae e o Freddie Mac, levarem o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, a anunciar medidas de emergência. Somados, o Fannie e o Freddie são responsáveis pela metade da dívida em hipotecas dos EUA – US$ 5 trilhões – e teriam um rombo de pelo menos US$ 75 bilhões de capital para bancar os empréstimos e as garantias concedidas a hipotecas.

Na sexta-feira, o quadro era de caos no sistema bancário dos EUA. O segundo maior banco independente do setor de hipotecas, o IndyMac, da Califórnia, faliu. O banco de investimento Lehman Brothers – que tem assento no Fed de Nova Iorque – viu suas ações afundarem 20%. Tornou-se público que Citibank, Merrill Lynch, JP Morgan Chase e Wachovia iriam apresentar novos – e enormes - rombos nos balanços do segundo trimestre. O órgão federal de supervisão do sistema bancário, FDIC, admitiu o risco de quebra de mais “90 bancos”. Para completar, as ações do Fannie Mae e do Freddie Mac, negociadas em Wall Street, desabaram respectivamente 30 e 45% só numa semana.

SOLIDEZ

Faltava pouco para declarar o sistema hipotecário do país na UTI, e Paulson e o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ainda tentaram com declarações no Senado dos EUA adiar o colapso. Asseveraram a “solidez” do Fannie e do Freddie e que ambos “estavam regulatoriamente capitalizados”. Mas, antes que a bolsa de Nova Iorque abrisse – e desmoronasse –, Paulson anunciou no domingo urgentes medidas de contenção, e que o Fed de Nova Iorque estava autorizado a garantir os créditos necessários para mantê-las à tona.

Como se vê, além do Fed, agora também dá expediente no domingo o secretário do Tesouro de Bush. A agência Reuters registrou, inclusive, que o governo dos EUA estudava até mesmo a aquisição de ações dos bancos de fomento – “não uma nacionalização”, explicaram, mas uma “tomada de controle” temporária. Criado pelo presidente Roosevelt durante a Grande Depressão para estimular a indústria da construção civil e a venda de moradias, o Fannie Mae empresta para bancos e caixas hipotecárias, e não para o público; foi privatizado em 1968. Posteriormente, foi criado o Freddie Mac, com funções análogas. Apesar de considerado um banco “patrocinado” pelo governo, é uma instituição privada, com ações em Wall Street, e operando com bonds e derivativos.

Desde o estouro da bolha do subprime, as duas empresas vinham sendo pressionadas ao extremo, para absorverem mais e mais hipotecas e papéis bichados dos grandes bancos abalroados pela crise. Em março, quando se deu a bancarrota do Bear Stearns, o governo Bush mandou arrombar os dois bancos de fomento, através de, entre outras coisas, esticar seu limite para compra desses títulos-lixo para aliviar Wall Street. Não se sabe exatamente quanto é o rombo gerado. Artigo do “The New York Times” apontou US$ 11 bilhões. Um ex-diretor do Fed afirmou que o buraco é de US$ 75 bilhões. E com os maiores bancos, corretoras e caixas imobiliárias dos EUA pendurados. 

GARANTIA

O NYT afirmou que “o governo [Bush] chegou até mesmo a analisar criar uma lei que ofereça uma garantia explícita do governo para os US$ 5 trilhões de débito possuído ou garantido pelas companhias”. O que, apontou, seria “uma opção muito menos atrativa, porque efetivamente dobraria o tamanho da dívida pública”. (Além de “ineficaz”, porque “os mercados já aceitam amplamente que o governo está por trás das companhias”). O jornal advertiu, também, que o colapso poderia “causar danos às economias do mundo inteiro, porque os papéis do Fannie e Freddie ‘são mantidos por numerosas instituições financeiras, bancos centrais e investidores estrangeiros’”. A intervenção é permitida por uma lei de 1992, em caso do Fannie e Freddie estarem “criticamente subcapitalizados”.

Outra gravíssima conseqüência, como assinalou o jornal nova-iorquino, é que, como as duas são “de longe, as maiores provedoras de financiamento para empréstimos para a casa própria”, se não tivessem como obter empréstimos “não seriam capazes de comprar hipotecas dos empres-tadores comerciais”. O que, avaliou, “faria mais caro e mais difícil, senão impossível, o crédito para os compradores de casas”, resultando no “congelamento do mercado de moradia nos EUA”.

A intervenção do secretário do Tesouro, e de Bernanke, no domingo, não evitou que, na segunda-feira, as ações do Fannie Mae e do Freddie Mac continuassem no mais baixo ponto em 17 anos. Após serem infladas no início do pregão, voltaram a despencar pesadamente, acabando por encolher 5% (Fannie) e 8% (Freddie). Mas tem mais bancos chegando na UTI. O Washington Mutual viu também na segunda-feira suas ações despencarem 34%, após relatório do Lehman Brothers dizer que terá US$ 21 bilhões de rombo no balanço do segundo trimestre. Já o National City, de Cleveland, – também entre as 500 maiores empresas da “Fortune” – sofreu queda de 14,7% na cotação de suas ações.

ANTONIO PIMENTA - Hora do Povo

Curso preparatório para o CACD em Porto Alegre



Turma intensivo com início dia 04 de Agosto.

http://www.cursoatlas.com/
informacoes@cursoatlas.com

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Intensivo- Turma Assis Brasil
Início das Atividades: 4 de agosto.

Fim das atividades: 20 de dezembro.

Mínimo de matriculados: 10.

Módulos: português, inglês, redação, história do Brasil, história mundial, política internacional, geografia, direito e economia.

Carga horária semanal: 24h (de segunda à sexta, das 19 às 22h15min, e sábado, das 9 às 12h15min).

Carga horária total: 432h.

O curso intensivo terá dezenove semanas de aula, nas quais cada módulo terá pelo menos 21 encontros de 1h30min de duração. Serão realizados simulados mensais, aos sábados à tarde, gratuitos para candidatos matriculados no Curso Atlas.

Valor de Investimento:

Módulo individual: R$ 500 à vista ou cinco parcelas de R$ 120;

G8: R$ 2750 à vista ou cinco parcelas de R$ 650;

G4: R$ 1800 à vista ou cinco parcelas de R$ 450.

*Diferentes formas de parcelamento podem ser negociadas diretamente com a administração do curso;

*O Curso Atlas cobre qualquer oferta de preço, desde que comprovada pelo candidato;

*Os candidatos mais bem colocados no simulado do dia 25 de julho concorrem à bolsa de preparação e a desconto progressivo, desde que preenchido o número mínimo de matrículas para abertura da turma.

ALUNOS E EX-ALUNOS DA FACULDADE DE DIREITO DA UFRGS TÊM 20% DE DESCONTO ADICIONAL.


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Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
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terça-feira, julho 08, 2008

“Prendam Bush, o criminoso de guerra!”, gritam americanos em solenidade oficial no 4 de Julho


Diversas pessoas que participavam de uma cerimônia de celebração da independência na casa de Thomas Jefferson – principal autor da Declaração de Independência dos EUA e presidente de 1801 a 1808 - interromperam o discurso de Bush no dia 4 de julho denunciando-o como “criminoso de guerra” e “fascista”. A cerimônia é feita tradicionalmente na residência de Jefferson, em Monticello, na Virginia.

A primeira manifestante a se levantar no público foi uma mulher que ergueu uma bandeira em que se lia “Criminoso de Guerra”. Ela foi retirada da cerimônia por policiais.

Em seguida outros manifestantes se levantaram, um a um, enquanto Bush discursava. Um deles tinha um cartaz em que se lia: “Defendamos a Constituição! Processemos Bush!”. Outro manifestante ergueu: “Ele trouxe o fascismo para nosso país!” e outro ergueu: “Fascista! Estado policial!”. Outra mulher afirmou em voz alta que Bush deveria ser julgado por seus crimes de guerra.

Após sair da cerimônia, Bush encontrou-se com outro grupo de manifestantes quando se encaminhava para seu helicóptero. “Prendam Bush!”, gritavam. Assim como durante o discurso, rapidamente um grupo de seguranças reprimiu os manifestantes.

Com a privatização, monopólios estrangeiros controlaram produção e preço dos fertilizantes

Um levantamento elaborado pelo diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA), Carlos Florence, aponta que em 1993 – antes da privatização das estatais responsáveis pelo setor de fertilizantes - o Brasil produzia 47% do total de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) utilizado no país.
Hoje, importa 72% dos três principais insumos do setor. Só do nitrogênio, a relação nacional/importado de 60% e 40% em 93, passou a ser de 24% e 76% no ano passado. Apesar de ter grandes jazidas, a produção interna brasileira só cresceu 52% enquanto a importação subiu 249%.
Com as estatais Ultrafértil, Fosfertil (privatizadas) e Petromisa (extinta em 1991) fora do páreo, as três transnacionais que dominam o setor (Bunge, Cargill e Yara) promoveram aumentos abusivos nos preços dos insumos. No caso do enxofre chegou a 900% em apenas um ano, de maio de 2007 a maio de 2008. O ácido fosfórico subiu 259% e o cloreto de potássio 246%.
A especulação externa com os preços dos alimentos preocupa o governo que já estuda medidas para aumentar a produção nacional de fertilizantes, responsáveis por 40% do custo da produção agrícola.
“O presidente Lula está muito atento e tem recomendado a mim que tome as providências para corrigir as deficiências para que o Brasil tenha uma produção maior de fertilizantes”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, esta semana. A proposta do governo é apresentar até o final do ano um plano que torne o Brasil auto-suficiente nos insumos em 10 anos.
O ministro informou que, entre as propostas, o governo pretende estabelecer prazos para que os detentores de outorga de exploração iniciem a produção das minas de matérias-primas de fertilizantes.
“Em princípio, nós queremos que nossas minas sejam exploradas. Mas, se for necessário, evidentemente a Petrobrás terá que entrar nisso. Se for o caso, nós vamos agir também, ou até reestatizar alguns setores que são necessários”, declarou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.




Desemprego aumenta nos Estados Unidos pelo sexto mês consecutivo

 

O desemprego nos EUA cresceu pelo sexto mês consecutivo, atingindo 5,5% em junho, informou na quinta-feira, 3, o Departamento de Trabalho do governo norte-americano.

O Departamento também anunciou que houve uma perda líquida de 62 mil empregos em junho. No primeiro semestre deste ano a economia dos EUA teve uma perda líquida de 438 mil postos de trabalho, segundo dados oficiais.

O índice de desemprego tinha subido de 5,1% em abril para 5,5% em maio, o maior aumento em duas décadas. Os dados de abril também sofreram revisão negativa, o que fez com que o número de postos de trabalho fechados em abril e maio subisse para 129 mil, ou 52 mil a mais do que o inicialmente calculado.

Outro índice mais amplo do desemprego, que inclui as pessoas que desistiram de buscar trabalho, subiu de 9,7% em maio para 9,9% em junho, o nível mais alto em quatro anos.

O número de pessoas que têm um emprego de meio período porque não encontram um de tempo integral subiu 3,5% em junho e chegou a 5,4 milhões. Em um ano, esse contingente de trabalhadores aumentou em 1,1 milhão de pessoas e está em seu número mais alto em 14 anos.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, afirmou que “é muito preocupante que o país continue perdendo postos de trabalho enquanto sobe o custo da vida e continua a crise do setor imobiliária”. Segundo Reid, tudo isto “deixa mais em evidência o fracasso da política econômica” de Bush.

sexta-feira, julho 04, 2008

Alta dos alimentos e petróleo é criada por bancos que perderam com imóveis nos EUA

Lula cobra do G-8 ação contra especuladores

Elevar juro no Brasil é fazer o justo pagar pelo pecador

Em pronunciamentos durante a reunião do Mercosul, na Argentina, na terça-feira, e também no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, na quarta-feira, em Curitiba, com o governador do Paraná, Roberto Requião, o presidente Lula responsabilizou os bancos estrangeiros pelo aumento do preço dos alimentos e disse que vai cobrar medidas durante a reunião do G-8, na próxima semana. “Os bancos que perderam dinheiro na especulação imobiliária estão agora tentando ganhar dinheiro especulando com o alimento e especulando com o petróleo”, afirmou.


Lula: EUA e Europa acobertam sua crise e seus especuladores

Presidente convoca o Mercosul a investir mais e dar um banho de produção nos países ricos

O presidente Lula denunciou, em pronunciamentos durante a reunião do Mercosul, na Argentina, na terça-feira, e também no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, na quarta-feira, em Curitiba, com o governador do Paraná, Roberto Requião, a especulação externa com alimentos e petróleo. Ele informou que vai cobrar dos países ricos uma ação contra os especuladores, durante a reunião do G8, na próxima semana. Abaixo os principais trechos dos pronunciamentos.

“Os bancos que perderam dinheiro na especulação imobiliária estão agora tentando ganhar dinheiro especulando com o alimento e especulando com o petróleo. Não há nenhuma outra explicação para o petróleo estar a 140 dólares. Quando a gente pergunta à Petrobrás, ao nosso amigo Chávez, a quem tem petróleo, eles falam: ‘É o consumo da China, porque a China compra tudo’. É meia-verdade. A outra verdade é que a quantidade de petróleo vendido no mercado futuro é igual ao consumo da China. Portanto, não é uma China, são duas Chinas: uma real, que consome; a outra, fictícia, que está especulando.

“Sobre a crise imobiliária americana, vejam que o FMI não está lá, eles não falam de ajuste fiscal, os bancos europeus que perderam bilhões e bilhões não aparecem na conta. Se fosse o coitado do Brasil, estaria todo mundo aqui querendo meter o bedelho, como se nós fôssemos um potinho de água benta, todo mundo querendo colocar o dedo. Lá eles vivem uma crise profunda e não se mexem.

“Eu lembro perfeitamente bem daquela reunião na cidade de Lima, com a União Européia, em que eu imaginava que esses temas viriam a público. Como não houve espaço para que nenhum de nós falasse, o máximo que nos coube foi ser relatores dos grupos a que pertencíamos. Os oradores foram europeus, e não entrou nem o tema dos alimentos, nem o tema do subprime.

“Parece que não aconteceu a crise, parece que os Bancos Centrais europeus não perderam dinheiro, e até agora o FMI não deu um único palpite de como os americanos devem consertar a sua economia, em função da especulação. Esse assunto também não está sendo discutido.

“O dado que é, eu penso, preocupante, é que nós temos dois produtos importantes (milho e soja) no desenvolvimento dos nossos países, e também na alimentação da Humanidade, que não estão sendo discutidos com muita clareza. Primeiro, o chamado mercado futuro de alimentos: no Brasil eu criei uma equipe de economistas para investigar e pesquisar o que existe de verdade por trás disso. O dado concreto é que tem uma especulação no mercado futuro que permite a um produtor de milho ou de soja vender a sua produção de três anos sem ter produzido - e o que pode ser grave é que o preço no mercado futuro precifica o preço do presente. Isso pode ser extremamente grave. É preciso que a gente aprofunde essa investigação para saber o que está acontecendo de verdade”.

REUNIÃO DO G-8

“É esse discurso, Requião, que eu pretendo levar na semana que vem ao G-8, em Tóquio, quando vou me encontrar com os países ricos.

“O mundo desenvolvido, companheiros, quando quer discutir o preço dos alimentos, joga a culpa em cima da cana-de-açúcar. Eu fui agora na FAO e disse para eles não apontarem seus dedos sujos de óleo e de carvão para o etanol limpo deste país. Eles não querem discutir quanto o petróleo tem de incidência no custo do fertilizante, eles não querem discutir quanto o petróleo tem de incidência no custo do frete, no custo da energia, eles não estão dispostos a discutir isso. E também não têm nenhuma explicação para o petróleo estar a 140 dólares o barril, nenhuma explicação.

“Temos que nos preparar para enfrentar isso. Aqui no Brasil, este lançamento do Plano de Safra é a primeira etapa. Amanhã, lançaremos o plano da agricultura familiar, em que também teremos uma palavra de ordem: dobrar a produção de cada pequena propriedade. Vamos anunciar o financiamento de 60 mil tratores para a agricultura familiar. Nós queremos fazer uma revolução, porque, quando o mundo precisar comer, o Brasil tem que dizer: venha comprar, o Brasil tem para vender.

“Tudo isso, que é tratado pela imprensa como se fosse uma crise e é vendido no mundo como se fosse uma crise, nós, brasileiros, sem nenhuma arrogância e sem nenhuma presunção, precisamos encarar que o que para os outros é uma crise, é para nós uma extraordinária oportunidade de nos transformarmos verdadeiramente no celeiro do mundo, que tanta gente preconizou a vida inteira”.

MERCOSUL E IMIGRAÇÃO

“Há alguns anos este bloco parecia desacreditado. Nossas economias passavam por dificuldades e muitos de nós experimentávamos sentimentos de frustração. Os parceiros menores sentiam, com razão, que não lhes chegavam os benefícios da integração. Resolvemos enfrentar as dificuldades dobrando a aposta no Mercosul.

“A lógica que predominava aqui na América do Sul era a lógica de quem era mais amigo da Europa ou de quem era mais amigo dos Estados Unidos. Eu lembro que a Argentina tinha um presidente, e o Brasil tinha outro, que ficavam disputando quem conversava mais com os governantes da Europa e dos Estados Unidos. Nós não precisamos disso.

“Hoje estamos colhendo os frutos das decisões tomadas ao longo desses últimos anos. O Mercosul demonstrou ser um instrumento fundamental para aumentar o comércio, fomentar os investimentos e gerar empregos. Permite aos nossos cidadãos se conhecerem melhor e se sentirem cada vez mais parte desse projeto comum.

“Vocês acompanharam a lei da imigração, aprovada pelo Parlamento Europeu, vocês estão acompanhando a lei da imigração feita pela Itália, e eu tenho claro que só tem um jeito da gente evitar imigração: garantir a possibilidade de trabalhar e de viver no seu país de origem. Se não for assim, as pessoas vão migrar para outros países”.

Hora do Povo