quinta-feira, maio 01, 2008

As estratégias política e ideológica dos EUA


Em dois capítulos de seu livro “Quinhentos anos de periferia”, que publicamos hoje, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, mostra como os EUA tentam impor sua hegemonia política e ideológica através da pretensa “missão” de defesa da liberdade


SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES


A grande estratégia política americana pode ser resumida na idéia de manter a hegemonia política americana em âmbito mundial, adquirida com a Segunda Guerra, por meio de um sistema político internacional que garanta a igualdade soberana dos Estados, sem contestação pela força de suas fronteiras, e a autodeterminação para fins de organização política interna.
Essa grande estratégia tinha e tem como objetivos intermediários:
1. Implantar por tratado e preservar uma organização política internacional, de âmbito universal, de duração indefinida e garantir o direito de veto dos Estados Unidos nas decisões dessa organização e a preponderância das decisões do governo americano sobre qualquer decisão internacional.
O desejo de evitar novos conflitos mundiais que pudessem colocar em risco a hegemonia do sistema capitalista-liberal democrático, sob a liderança anglo-saxônica; a inexistência de reivindicações territoriais americanas; sua certeza de que, na qualidade de maior potência econômica, financeira e comercial, a paz garantiria sua influência e hegemonia econômica e política no mundo; a necessidade de combater a tendência isolacionista interna; a consciência que de que sua força militar seria insuficiente para manter, sozinha, a paz conseguida em 1945, inclusive por causa do poderio militar convencional soviético – tudo isso fez Roosevelt ressuscitar o ideal de segurança coletiva, de Wilson.
A implantação, por tratados, de uma organização política internacional, de âmbito universal, de duração indefinida, se tornou o grande objetivo após 1945 e o principal instrumento de “organização” da comunidade “caótica” de Estados e da política exterior americana. A Carta das Nações Unidas – elaborada pelo Departamento de Estados dos Estados Unidos e aceita em sua essência pelas quatro potências patrocinadoras da Conferência de São Francisco, duas delas sem poder econômico, militar ou político e a outra satisfeita com sua aceitação na condição de grande potência e segura de que a nova organização não se poderia voltar contra ela graças ao direito de veto – foi praticamente aceita sem modificações pelos países participantes da conferência, satisfeitos com a garantia do fim do isolacionismo americano e gratos por terem sido salvos do nazismo.
Nessa discussão há dois pontos principais a reter. Primeiro, foram criadas duas classes de Estado: os que detêm o poder de impedir a ação das Nações Unidas e os que não detêm esse poder. Estes últimos são obrigados a cumprir as decisões do Conselho de Segurança, órgão supremo, com poder de exercer a força militar e de obrigar, por meio de sanções, o comportamento dos Estados. Segundo, para a política exterior americana, as Nações Unidas (e qualquer outro organismo internacional) são uma criatura sua e não um organismo que tivesse resultado de decisão soberana, livre e consensual da comunidade internacional, vista como um todo ou regional. Tais organizações são úteis quando convenientes e se tornam descartáveis quando inconvenientes ou quando tomam posições contrárias a seus interesses. Assim, o direito de veto que se auto-atribuíram os Estados Unidos e que decidiram partilhar com um grupo restrito de Estados, assim como a idéia de que as decisões do Estado americano são superiores a qualquer decisão de organismos internacionais e sua disposição de enfraquecer, desrespeitar as normas ou retirar-se desses organismos sempre que estes contrariem os desígnios da política americana são um princípio central da estratégia dos Estados Unidos.

2. Agir para a implantação e permanência de regimes políticos, democráticos e representativos se isso for conveniente, em terceiros países que melhor assegurem a influência e a defesa dos interesses políticos e econômicos americanos.
A internacionalização da economia e da sociedade americana, em termos de investimentos, de acesso a materiais estratégicos, de dependência da sua indústria em relação a insumos estratégicos importados, de mercados para seus bens e capitais, da necessidade de estacionamento de tropas americanas no exterior, de livre acesso de seus navios a águas e portos estrangeiros, de proteção de grande número de homens de negócios americanos “expatriados”, confere importância à existência de governos em terceiros países que melhor assegurem a influência e a proteção dos interesses políticos e econômicos americanos.
A natureza democrática desses regimes é uma circunstância desejável, em especial pela maior transparência dos procedimentos legislativos democráticos, a maior independência do Judiciário e a redução do poder discricionário do Executivo; isso, a contrario sensu, ao não existir nos regimes autoritários, dificulta o exercício de influência americana e pode levar a surpresas, por causa de mudanças súbitas e imprevisíveis de política.
O requisito essencial é a atitude em face dos interesses americanos. Assim, além da longa tolerância, apoio e até promoção de regimes autoritários na América Latina, na África, na Ásia e mesmo na Europa, e apesar da retórica democrática atual, os regimes autoritários e oligárquicos são perfeitamente tolerados e tratados com grande consideração, apesar de serem, em muitos casos, monarquias absolutas ou regimes de aparência democrática e republicana, porém autoritários.

3. Auxiliar os movimentos políticos de oposição a governos que contrariem os interesses econômicos americanos e contestem as suas iniciativas políticas.
A política americana de auxílio a movimentos políticos de oposição a governos que contrariam interesses americanos e contestam suas iniciativas políticas se desenvolveu durante toda a Guerra Fria. De forma discreta e encoberta, em parte pela necessidade de aparentar respeito ao princípio de não-intervenção nos assuntos internos dos Estados, consagrado na Carta das Nações Unidas, essa política se exercia por meio da Central Intelligence Agency (CIA) e de outras agências americanas, ou indiretamente, pela negativa de cooperação com os governos, o que auxiliava a oposição a eles e criava condições favoráveis à sua eventual substituição.
A partir do governo Carter, que gradualmente tornou a política de defesa de direitos humanos uma razão para intervir em assuntos internos de outros países, e em seguida no governo Reagan, os Estados Unidos passaram a apoiar abertamente movimentos, inclusive armados, contrários a governos “inimigos”, como ocorreu na Nicarágua, em Angola e no Afeganistão.
A técnica subversiva de favorecer e apoiar, inclusive com armas e recursos, províncias, minorias étnicas ou tribais e seitas religiosas contra o governo central, democrático ou não, que se oponha a interesses americanos, é uma constante na política americana, anterior a Reagan e Carter, os quais apenas a “escancararam” e “legitimaram”.

A ESTRATÉGIA IDEOLÓGICA

A grande estratégia americana pode ser resumida na idéia de manter a hegemonia ideológica americana adquirida com a vitória na Segunda Guerra Mundial e de promover a aceitação dos modelos americanos políticos, econômicos e sociais como o padrão ideal a ser alcançado por todos os países.
A política exterior americana só pode ser compreendida ao se observar o que a sociedade americana pensa de si e o que o seu governo pensa de si e da sociedade americana.
A sociedade americana considera que seu sistema político é o mais perfeito jamais desenvolvido pelo homem. A prova disso seria sua permanência no tempo e a inexistência de interregnos ditatoriais desde a Constituição de 1787.
A sociedade americana considera que seu sistema econômico conseguiu criar a maior e mais dinâmica economia do mundo, em que existe igualdade de oportunidades, em que as diferenças de renda – quando existem – não são excessivas e na qual as que existem são “naturais”, em que os mercados são livres e competitivos, em que o poder econômico não controla o governo e o Estado.
A sociedade americana acredita que sua política exterior é essencialmente pacífica, que as ações militares que empreende visam ao bem-estar da comunidade internacional e nunca o proveito para os Estados Unidos e que os demais Estados têm uma inata tendência agressiva, expansionista e competitiva.
A sociedade americana considera que é sua missão, como principal Estado, preservar os valores ocidentais – que seriam a liberdade política e religiosa, a democracia e o capitalismo – no mundo e lutar pela sua difusão contra seus inimigos.
Os objetivos intermediários da estratégia ideológica americana podem ser assim descritos – naturalmente de forma sintética.

1. Garantir o livre acesso dos sistemas de divulgação do American way of life a todas as sociedades.
Esse objetivo é buscado com a defesa dos princípios de “liberdade de informação” e a oposição a toda política de proteção à produção cultural, em qualquer país, tais como quotas de exibição em cinema, televisão e vídeo, políticas estatais de subsídio às artes e a seus meios de difusão. A importância que atribuem à questão ideológica aparece na defesa do acesso das agências noticiosas e dos jornalistas americanos a qualquer país e na objeção à criação de agências estatais de notícias. Os Estados Unidos desligaram-se da Unesco quando a instituição decidiu criar uma nova ordem internacional da informação.

2. Promover a divulgação dos ideais americanos por meio de sistemas de treinamento profissionais para prováveis integrantes das futuras elites de terceiros países.
Esse objetivo foi promovido pela United States Information System (Usis) e os programas de bolsas de estudo das universidades, das fundações, do programa Fullbright e outros, em especial a partir da criação da United States Agency for International Development (Usaid). Esse programa, de efeitos em longo prazo, mostra hoje seus resultados em países da periferia. Em diversos deles, as equipes de política econômica – e às vezes os ministros de Estado – tiveram sua formação profissional nos Estados Unidos.

3. Garantir o controle dos secretariados de organismos internacionais multilaterais com capacidade de formulação ideológica “internacionalista”.
Os secretariados de organismos internacionais, pelas características do sistema de distribuição geográfica dos cargos e pela vocação idealista e “internacionalista” de seus integrantes, em especial nas décadas iniciais das Nações Unidas, tenderam a desenvolver idéias e teorias que, levando em consideração as assimetrias do poder econômico e político, foram tomadas como desafiadoras aos interesses americanos. Assim, o controle progressivo desses secretariados, a redução de dotações e a mudança de sua orientação, em especial no caso do setor econômico das Nações Unidas, foi considerado objetivo estratégico importante, razoavelmente alcançado nos casos da Cepal, do BID, da Unctad e da Unido, se alinharam progressivamente com a ideologia econômica “correta” do Banco Mundial, do FMI e da OMC.

4. Apresentar o modelo socialista de organização política, econômica e social como intrinsecamente mau, destruidor dos valores ocidentais.
A estratégia ideológica dos Estados Unidos se beneficiou fortemente da existência do socialismo na União Soviética como sistema competitivo de organização social, política e econômica. A existência desse sistema permitiu àquela estratégia não só atacá-lo como estigmatizar, como inimiga e perigosa, qualquer crítica à política e à sociedade americana.
Tendo desaparecido o conflito Leste-Oeste, a estratégia ideológica americana deixou de se referir ao inimigo soviético e passou a considerar como sua tarefa a defesa da globalização e da democracia no plano mundial, de que são novos inimigos o fundamentalismo islâmico, o narcotráfico e o terrorismo, sempre que dificultem os interesses americanos. A ameaça deixa de ser a agressão soviética (se bem que esta seja mantida em uma espécie de freezer político) para se localizar de forma difusa.

5. Apresentar os Estados Unidos como paladinos da independência dos povos coloniais, da liberdade individual, da democracia, da iniciativa privada e dos valores espirituais do homem, da igualdade e da não-discriminação étnica, social, religiosa e econômica.
Nessa tática, os Estados Unidos se apresentaram por meios de seus aparelhos de propaganda, oficial e privada, como os paladinos da democracia (apesar de seu apoio a diversas ditaduras) contra a ditadura socialista; da independência dos povos coloniais (apesar de seu voto contrário sistemático nas Nações Unidas à independência das colônias portuguesas), da não-discriminação étnica (apesar da legislação racista do Sul e de toda discriminação até hoje existente, de fato, contra minorias em geral); dos valores espirituais do homem (apesar do culto ao consumismo, à riqueza, ao hedonismo); da igualdade social e econômica (basta ver as escolas públicas e o sistema universitário de alta qualidade aos quais as elites têm acesso especial pela riqueza ou pela influência) e religiosa.

quarta-feira, abril 30, 2008

No Haiti, primeira tragédia da crise alimentar

POR NIDIA DÍAZ, — do Granma Internacional

O encarecimento dos alimentos provocou no frágil cenário haitiano a demissão do primeiro-ministro, ao menos cinco mortos, dezenas de feridos e uma situação político-social pouco maneável com conseqüências imprevisíveis.
Uma semana de levantes populares em quase todo o território haitiano, saque de supermercados, bloqueios e barreiras, obrigaram o presidente René Préval a utilizar as forças da Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti (Minustah), que como em outras ocasiões não hesitaram em reprimir fundamentalmente os amotinados com gases lacrimogêneos e disparos nas cidades de Les Cayes e Porto Príncipe.
As ações, que segundo o governo foram estimuladas e financiadas por bandos de narcotraficantes e muambeiros, se realizaram contra o exorbitante aumento dos preços da cesta básica, numa nação onde, também, 80% dos habitantes vivem na pobreza.
Os apelos a reunir esforços para superar com urgência esta nova crise que poderia terminar na ingovernabilidade do país, ultrapassariam neste momento qualquer medida que fosse adotada em nível nacional.
O que muitos observadores e analistas vêm advertindo sobre as insuspeitas conseqüências que trará para a estabilidade mundial a crise alimentar que já está vindo, de que o aumento do preço dos alimentos é só a ponta do iceberg, é a primeira tragédia no Haiti, por ser o país mais vulnerável de nossa região.
Dados das Nações Unidas revelam que "os alimentos encareceram 45% nos últimos nove meses e, em dezembro passado, houve a alta de preços mensal mais elevada em quase 20 anos". Estatísticas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) confirmam isso.
Segundo essas fontes, há três produtos que evidenciam, sem dúvida, o encarecimento mais abrupto em 2007: os cereais, com uma alta de 41%; óleos vegetais, 60%; e os lacticínios, 83%.
Tal situação, em lugar de recuar, tende para a aceleração, entre outras causas, pelos altos preços do petróleo e pela extensão do mercado de biocombustíveis, que se baseia na colheita dalguns produtos, como o milho ou a cana-de-açúcar, para produzir energia (como etanol), em vez de alimentos. Esta situação provocou que o valor de venda do trigo, para apenas dar um exemplo, disparasse para 130%.
Não é por acaso que os primeiros levantes populares tenham ocorrido no Haiti pela carestia dos preços dos alimentos. Nessa nação antilhana, sem dúvida, a estabilidade política, além das boas intenções do governo atual, depende fundamentalmente dos níveis de desenvolvimento que consigam para compensar os anos de atraso, levando-o a ocupar o 150º lugar entre os 177 países onde a ONU mede o Índice de Desenvolvimento Humano.
Tanto é assim que John Colmes, principal funcionário das Nações Unidas para Assuntos Humanitários advertiu que o aumento contínuo dos preços dos alimentos gerará inevitavelmente a imprevisível instabilidade política no mundo e, particularmente, naquelas regiões com estruturas econômicas e sociais subdesenvolvidas.
O presidente René Préval, durante a crise dos últimos dias, exortou à calma e adotou as poucas medidas que tem à mão: diminuir, por um mês, o preço atual do arroz e aceitar, sob protesto, a substituição exigida pelo Legislativo do primeiro-ministro Jacques Edourd Alexis, que responsabilizam de não ter aplicado uma política que freasse a pobreza e a carestia da vida.
Quando esta edição circular, haverá outro chefe de governo no Haiti, designado por consenso pela Câmara e pelo Senado, porque nenhum partido tem maioria parlamentar, o qual, a meu ver, é insignificante porque o problema vai mais da nomeação dele ou de outro.
O problema do Haiti como o de outras nações em nossa região tem a ver com séculos de atraso, marginalização e responsabilidade histórica daqueles que, de posições coloniais e neocoloniais, o mergulharam na miséria e ainda hoje não assumem um compromisso que os ajude a se levantarem.

Especialistas: crise alimentar é nova ameaça à Amazônia - O Globo Online

Especialistas: crise alimentar é nova ameaça à Amazônia - O Globo Online

Governo determina controle militar sobre as Ongs estrangeiras na Amazônia

Ministérios da Justiça e da Defesa anunciam pacote de medidas para coibir atuação de ongs “ambientalistas” que servem de fachada para camuflar roubo de pedras, metais preciosos e de biodiversidade, além de promover pesquisas clandestinas e mapear nossos recursos naturais a mando dos cartéis estrangeiros
“Há este conceito de que a Amazônia é um lugar livre para qualquer um, mas a Amazônia é território soberano brasileiro e vai continuar sendo território soberano brasileiro”, afirmou o ministro da Defesa Nelson Jobim ao anunciar que o governo federal fechará, nos próximos meses, um pacote de medidas para que haja um efetivo controle militar sobre as Ongs, grupos religiosos e outras entidades estrangeiras que atuam na Amazônia.
O pacote integrará uma nova Lei de Estrangeiros, e será enviado ao Congresso Nacional pelos ministérios da Justiça e da Defesa para impedir que essas Ongs sirvam de fachada para atividades ilegais. Pelo novo projeto, pessoas e grupos estrangeiros precisariam de autorização do Ministério da Justiça e de cadastro no Comando Militar da Amazônia para atuar na região. Caso sejam pegos sem as autorizações, estariam sujeitos a revogação de visto, deportação e multa.
A medida visa atingir as Ongs estrangeiras que atuam na Amazônia promovendo biopirataria, estimulando conflitos em terras indígenas e mapeando áreas com grandes recursos minerais e reservas de biodiversidade. A maioria dessas Ongs se esconde sob a fachada de um falso ambientalismo para escamotear o roubo de material genético, plantas, animais, além de promover pesquisas para os grandes cartéis de fármacos, patentear frutas e outras espécies para a indústria de alimentos, contrabandear pedras preciosas e metais raros de reservas florestais, entre outras agressões à soberania brasileira.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, também havia denunciado na semana passada que muitas Ongs estão envolvidas com a biopirataria e tentam influenciar a cultura indígena para expropriar suas terras. A preocupação é ainda maior nas regiões de reservas indígenas, onde o Exército Brasileiro é proibido de entrar.
EXÉRCITO BARRADO
“O Exército costuma ser barrado quando quer entrar numa reserva”, denunciou esta semana em entrevista aO Estado de São Paulo o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), defendendo a necessidade de maior controle do Estado sobre a atuação das Ongs.
O deputado contou a situação que presenciou em visita a uma maloca na reserva Ianomami: “50 famílias convivendo dentro de um ambiente fechado, de penúria. Muitos fogos dentro da maloca para as famílias assarem bananas e mandiocas, muita poluição, muita fuligem, um ambiente com incidência muito grande de doenças infecciosas. Até tuberculose. Fui recepcionado por uma moça de uma organização não-governamental, a Ong Urihi. Perguntei por que não se puxava do pelotão água e luz para dentro da comunidade indígena, o que daria mais conforto à população. A moça da Ong disse que não, que isso ia deformar o modo de vida dos índios”.
Aldo Rebelo contou ainda que “nessa visita, o comandante militar que estava comigo não pôde entrar na área indígena. Um grupo de crianças jogava futebol, e eu joguei um pouco com elas. Comentei com a moça da Ong: “Pelo menos o futebol é um fator de integração, pois todos torcemos pela mesma seleção.” A moça me respondeu: “Não. O senhor torce pela seleção brasileira, e os índios torcem para a seleção deles.” Nada mais falei e nada mais perguntei”.
Sobre a Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, que se encontra em conflito, Aldo Rebelo afirmou que “não corresponde à verdade dizer que há ali, na região, apenas meia dúzia de arrozeiros. Quem já esteve lá, e eu estive lá mais de uma vez, e quem leu o relatório da Comissão Externa da Câmara sabe e viu como foram construídos aqueles municípios dos não-índios em Roraima. Tem gente que chegou lá no século 19 e no início do século passado”.
E defendeu: “No caso da Reserva Raposa do Sol, se a demarcação incluir os 150 quilômetros da terra que corre junto à fronteira da Guiana e da Venezuela, a ação do Exército fica muito dificultada, a fronteira não poderá ser vivificada. A melhor forma de controlar uma região fronteiriça é construir municípios na área, povoá-la, preenchendo-a com a presença de brasileiros índios e não-índios, gente que trabalhe, produza, que gere atividade econômica, política, social e cultural”.

SOS Crise Alimentar

SOS Crise Alimentar


Uma crise alimentar está assolando o mundo. Além de apertar o orçamento da classe trabalhadora, a crise está trazendo a fome para mais de 100 milhões de pessoas em países pobres. Do Bangladesh ao Haiti, a população mundial está protestando,literalmente lutando pela sobrevivência. Só na Serra Leoa o preço do arroz dobrou, deixando 90% da população abaixo da linha de pobreza. Estamos nos unindo á Zainab Bangura (á direita) Ministra das Relações Internacionais da Serra Leoa para fazer um apelo urgente aos líderes globais.

Tanto ações emergenciais, quanto reformas no sistema comercial agrícola são necessárias para acabar com a crise. Mas do que isso, precisamos de soluções sustentáveis para nós e futuras gerações. A petição será entregue em encontros políticos chave dentro das próximas semanas. Coloque seu nome agora na petição e veja a mensagem da Zainab Bangura ao lado. Não se esqueça de passar essa mensagem para todas as pessoas que você conhece, pois todos serão afetados pela crise alimentar.

Petição aos líderes do G8, ONU e União Européia:Pedimos uma ação imediata contra a crise alimentar global adotando as seguintes medidas: moblização de um fundo emergencial contra a fome; remoção de subsídios perigosos que transformam alimentos em biocombustíveis; ação contra a especulação financeira prejudicial; avaliação de políticas comerciais injustas; e investimento na produção agrícola sustentável em países em desenvolvimento.

Subscreva: SOS Crise Alimentar

Entenda a Crise dos Alimentos

A crise dos alimentos

segunda-feira, abril 28, 2008

NOVA CORRIDA IMPERIALISTA


Provavelmente, Deus não é africano

Na “era dos impérios”, no final do século XIX, as potências européias conquistaram e submeteram - em poucos anos - todo o continente africano, com exceção da Etiópia. Agora, neste início do século XXI, tudo indica que a África será – pela terceira vez - o espaço privilegiado da competição imperialista que está recém começando. A menos que exista um outro Deus, que seja africano. A análise é de José Luís Fiori.

José Luís Fiori

A África ocupou mais da metade do tempo, da última reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na terceira semana do mês de abril de 2008. Na pauta: o impasse nas eleições presidenciais do Zimbabwe e as crises políticas da Republica Democrática do Congo e da Kenya, além dos conflitos armados, na Somália, e em Darfur, no Sudão. Trazendo de volta a imagem de um continente aparentemente inviável, com “estados falidos”, “guerras civis” e “genocídios tribais”, com apenas 1% do PIB mundial, 2% das transações comerciais globais e menos de 2% do investimento direto estrangeiro dos últimos anos. Mas a África não é tão simples nem homogênea, com seus quase 800 milhões de habitantes e seus 53 estados nacionais, que foram criados pelas potências coloniais européias, e foram mantidos juntos, graças à Guerra Fria, que chegou à África Setentrional, com a crise do Canal de Suez, em 1956; à África Central, com a guerra do Congo, dos anos 60; e finalmente, à África Austral, com a independência de Angola e Moçambique, e a sua guerra com a África do Sul, nos anos 80.
A independência africana, depois da II Guerra Mundial, despertou grandes expectativas com relação aos seus novos governos de “libertação nacional” e seus projetos de desenvolvimento, que foram muito bem sucedidos – em alguns casos - durante os primeiros tempos de vida independente. Este desempenho inicial, entretanto, foi atropelado por sucessivos golpes e regimes militares, e pela crise econômica mundial, da década de 1970, que atingiu todas as economias periféricas, e provocou um prolongado declínio da economia africana, até o início do século XXI. Mesmo na década de 90, depois do fim do mundo socialista e da Guerra Fria, e no auge da globalização financeira, o continente africano ficou praticamente à margem dos novos fluxos de comércio e de investimento globais.
Depois de 2001, entretanto, a economia africana ressurgiu, acompanhando o novo ciclo de expansão da economia mundial. O crescimento médio, que era de 2,4% em 1990, passou para 4,5, %, entre 2000 e 2005, e alcançou as taxas de 5,3% e 5,5%, em 2007 e 2008. E, no caso de alguns países produtores de petróleo e outros minérios estratégicos, estas cifras alcançaram níveis ainda mais expressivos, como em Angola, Sudão e Mauritânia. Esta mudança da economia africana - como no resto do mundo -se deveu ao impacto do crescimento vertiginoso da China e da Índia, que consumiam 14 % das exportações africanas, no ano 2000 e hoje consomem 27%, igual que a Europa e os Estados Unidos, que são velhos parceiros comerciais do continente africano.
Na direção inversa, as exportações asiáticas para a África vêm crescendo à uma taxa média de 18% ao ano, junto com os investimentos diretos chineses e indianos, sobretudo em energia, minérios e infra-estrutura. Neste momento, existem cerca de 800 empresas, e 80.000 trabalhadores chineses na África, com uma estratégia conjunta de “desembarque econômico” no continente, como acontece também, em menor escala, com o governo e os capitais privados indianos. Neste sentido, não cabe mais duvida, devido ao volume e a velocidade dos acontecimentos: a África é o hoje, o grande espaço de “acumulação primitiva” asiática, e uma das principais fronteiras de expansão econômica e política, da China e da Índia. Mas ao mesmo tempo, não há o menor sinal de que os Estados Unidos e a União Européia estejam dispostos a abandonar suas posições estratégicas, conquistadas e controladas dentro deste mesmo território econômico africano. Depois da frustrada “intervenção humanitária” dos Estados Unidos, na Somália, em 1993, o presidente Bill Clinton visitou o continente, e definiu uma estratégia de “baixo teor” para a África: democracia e crescimento econômico, através da globalização dos seus mercados nacionais. Mas depois de 2001, os Estados Unidos mudaram radicalmente sua política africana, em nome do combate ao terrorismo, e da proteção dos seus interesses energéticos, sobretudo na região do “Chifre da África” e do Golfo da Guinéa, que até 2015, deverá fornecer 25% das importações norte-americanas de petróleo.
Faz pouco tempo, os Estados Unidos criaram um novo comando estratégico regional no nordeste africano, e neste momento, estão instalando as bases de apoio de sua mais recente iniciativa militar, no continente: a criação do África Coomand - AFRICOM, que segundo o jornal inglês Financial Times, “ marca o inicio de uma nova era de engajamento, sem precedente, da Marinha Norte-Americana na costa oeste da África.” (15/04/2008). Este aumento da presença militar americana, entretanto, não é um fenômeno isolado, porque a União Européia, e a Grã Bretanha, em particular, têm dedicado uma atenção cada vez maior à África. E a Rússia, acaba de assinar um acordo econômico e militar com a Líbia, e logo em seguida, assinará um outro, com a Nigéria, envolvendo venda de armas e dois projetos bilionários de suprimento de gás para Europa, através da Itália, e do deserto do Saara.
Num jogo de xadrez que se complicou ainda mais, nos últimos dias, com a descoberta de um carregamento de armas chinesas enviadas para o governo de Robert Mugabe, no Zimbabwe, através da África do Sul, e com o apoio do governo sul-africano de Thabo Mbeki, segundo denuncia do líder da oposição, no Zimbabwe, Morgan Tsvangirai.
Este quadro fica ainda mais complicado, quando se percebe que tudo isto está acontecendo no momento em que o sistema mundial ingressa numa nova “corrida imperialista”, entre as suas “grandes potências”. Como aconteceu com o primeiro colonialismo europeu que começou com a conquista da cidade de Ceuta, no norte da África, em 1415, estendendo-se em seguida, pela costa africana, e transformando a sua população negra na principal commodity da economia mundial, no início da globalização capitalista. Depois, de novo, na “era dos impérios”, no final do século XIX, as potências européias conquistaram e submeteram - em poucos anos - todo o continente africano, com exceção da Etiópia. E agora, neste início do século XXI, tudo indica que a África será – pela terceira vez - o espaço privilegiado da competição imperialista que está recém começando. A menos que exista um outro Deus, que seja africano.

quinta-feira, abril 24, 2008

O entrelaçamento das multinacionais de alimentos com os fundos especulativos


Alfredo Jalife-Rahme, em esclarecedor artigo publicado no jornal mexicano La Jornada, mostra que a recente explosão no preço dos alimentos está relacionada com o envolvimento dos fundos especulativos com as seis grandes multinacionais que dominam a produção de alimentos no mundo

ALFREDO JALIFE-RAHME


Os aumentos descomunais nos preços dos alimentos ocorreram paralelamente às apostas sem precedentes com os contratos futuros, mediante os abomináveis hedge-funds (fundos de cobertura de riscos) das bolsas de matérias-primas agrícolas de Chicago Board of Trade e do eixo agro-mercantilista Kansas-Minneápolis-Londres. O preço do arroz dobrou dramaticamente nos primeiros três meses do ano e passou de 360 dólares para 760 dólares por tonelada métrica.
William Pfaff colocou o dedo na ferida após repassar todas as causas anunciadas da crise alimentar global: “De forma estranha, pouco se havia dito sobre o papel da especulação nos preços das matérias-primas em geral e especificamente dos alimentos” (Tribune Media Services Internacional, 16/4/08) e explica que o “volume de contratos foi incrementado em 20% desde o início do ano” no mercado de Chicago CME Group (fusão do Chicago Mercantile Exchange e Chicago Board of Trade) que “cotiza 25 matérias-primas agrícolas”. Mais ainda: “os hedge funds se encontram muito ativos” em um negócio circular e “estão comprando também as empresas que armazenam os grãos”.
Não disse que tal permissividade dos “mercados” somente se explica mediante a “guerra alimentar” que não se atreve a pronunciar seu nome e que, ao nosso juízo, foi desatada sub-repticiamente pela dupla anglo-saxônica, hoje em queda livre financeira, com a finalidade de causar danos aos seus triunfantes competidores geoeconômicos.
Antes da “rodada Uruguai” de 1984, países como México e Índia, que eram auto-suficientes, hoje se encontram deficitários: a partir do ingresso das transnacionais de alimentos anglo-saxônicas no “mercado”, graças a abertura dada pela OMC.
Num fantástico estudo Dani Rodrik, da escola Kennedy de Harvard, destrincha o cataclisma na América Latina que produziu o decálogo neoliberal do Consenso (sic) de Washington, formulado pelo FMI e pelo Banco Mundial (Items & Issues; The Social Science Research Council; Nova York; inverno-primavera 07-08).
A divisão de águas do controle alimentar da humanidade se gestou na nefasta década thatcheriana de 80 mediante a desregulação e a privatização agrícola. Com o auge da globalização em 1995, a OMC combateu a “reserva” dos alimentos como uma “distorção mercantil”, o que deu asas para as transnacionais agro-farmacêuticas anglo-saxônicas dominarem o mercado, como a Monsanto, Cargill, Dupont e Novartis, que gozam de direitos de patentes (piratas?), para controlar os métodos de plantio, assim como a bioengenharia das sementes.
Uma das conseqüências da “abertura” enlouquecida do setor agrícola pela OMC foi conceder o domínio financeiro às transnacionais agro-alimentares, principais inimigas públicas do gênero humano, como a Cargill, Bunge, ADM e ao “filantropo” George Soros, convertido em dono dos pampas da Argentina, onde 50% das terras aráveis são praticamente monocultura de soja à custa de outros grãos.
A empresa Generation Investment Management, com sede em Londres, é propriedade do “ambientalista” Al-Gore, que está associado com David Blood (que faz jus à tradução de seu sobrenome em inglês), ex-diretor do banco de investimento norte-americano Goldman Sachs com fortes investimentos na empresa dinamarquesa Novo Nordisk, cuja filial Novozyms participa com 40% do processo de destilação de bioetanol com enzimas.
Na visão do Apocalipse bíblico faltou agregar outro cavaleiro: o bioetanol, cujo principal efeito deletério é provocar a fome em quase 900 milhões de seres humanos - pelo menos se surtir o efeito provocado pelo cartel alimentar anglo-saxão. Neste ano, 12% da colheita de milho mundial será utilizado para o bioetanol.
Uma dezena de companhias chaves, aliadas a umas 40 empresas de porte médio, dominam a cadeia alimentar em cuja cúpula se encontra o cartel das seis transnacionais de grãos: Cargill, Continental CGC, Archer Danields Midland (ADM), Louis Dreyfus, André e Bunge and Born. Seu domínio é praticamente absoluto no mundo dos cereais e dos grãos desde o trigo, milho e aveia, passando pelo sorgo, cevada e centeio até as carnes, lácteos, azeites e óleos comestíveis, frutas, vegetais, açúcar e especiarias. Um organograma do cartel alimentar teria na cabeça a Archer Danields Midland, Unilever, Grand Metropolitan (Pillsbury), Cargill e Cadbury, que se subdividiria em sete braços:
1. Grãos - Continental, Cargill, Bunge & Born, Louis Dreyfus, ADM-Topfer, André, Quaker Oats;
2. Carnes - BP, Conagra, Cargill, Sara Lee, Hormel;
3. Lácteos/4. Óleos e azeites comestíveis - Unilever, ADM, Procter & Gamble;
5. Açúcar e cacau - Nestlé, Tate & Lyle, Cadbury;
6. Bebidas - Guiness, Bass, Seagram, Coca-Cola, Pepsi-Cola, Anheuser Busch
7. Distribuição - Nestlé, Grand Metropolitan-Pillsbury, RJR Nabisco, Phillip Morris, Kellogg, General Mills, United Biscuit, BSN, Hillsdown Holdings, Ralston Purina, Safeway, Chiquita International. Nestlé, Borden, Kraft, M.E. Frank, Hoogwegt, Unilever.
A Cargill exporta 25% de grãos dos Estados Unidos e é uma das principais empresas desse país, com ingressos de 88,3 bilhões de dólares apenas no ano passado; opera com um importante ramo financeiro para riscos no mercado de futuros e conta com o hedge fund: Black River Asset Management.
A Continental CGC se especializou em cereais, aves, carne suína e bovina, investimentos em seguros, bens de raíz e compras de ativos empresariais.
Archer Daniels Midland (ADM) se consagrou no negócio dos biocombustíveis e 43% de seus lucros provém de produtos subsidiados pelo governo norte-americano.
O entrelaçamento de integração vertical e horizontal do cartel alimentar é impactante, porém, mais assombroso é a armação financeira de seus antigos grandes bancos (antes de sua insolvência global) primordialmente anglo-saxões e suíços vinculados com sua estrutura operativa de controle do aparato gastrointestinal do impotente gênero humano totalmente submisso.
Que resposta dar aos cidadãos do mundo diante desse imenso desafio?

quarta-feira, abril 23, 2008

Membros da União Européia aprovam sistema coletivo de navegação Galileo

IDG Now! - Membros da União Européia aprovam sistema coletivo de navegação Galileo: "Membros da União Européia aprovam sistema coletivo de navegação GalileoMembros da União Européia aprovam sistema coletivo de navegação Galileo"

Por IDG News Service/Bélgica
Publicada em 23 de abril de 2008 às 12h48
Atualizada em 23 de abril de 2008 às 12h49

Bruxelas – Após enfrentar desinteresse da iniciativa privada, UE aprova projeto de sistema de navegação conjunto do grupo, a ser lançado em 2013.
O Parlamento Europeu deu permissão para a criação do sistema de navegação por satélite Galileo nesta quarta-feira (23/04), abrindo caminho para o projeto de tecnologia mais ambicioso da União Européia da história.
A aprovação do Parlamento foi a última barreira política enfrentada pelo sistema, que estava abandonado há um ano após um consórcio de empresas privadas de tecnologia ter se retirado do projeto.
A Comissão Européia salvou o projeto propondo assumir o desenvolvimento até seu lançamento, programado para 2013, em plano que custará aos europeus 3,4 bilhões de euros.
Uma maioria no Parlamento de diferentes correntes políticas, no entanto, concluiu que o Galileo está nos melhores interesses dos europeus.
"Esta será a primeira infra-estrutura européia a ser construída e gerenciada completamente pelo grupo", afirmou Etelka Barsi-Pataky, integrante do Parlamento. "Durante as discussões políticas sobre o Galileo, o Parlamento sempre sugeriu que este projeto estratégico deveria ser visto como prioridade política".
O suporte do Parlamento ao novo formato do projeto permitirá que a iniciativa privada ajude a custear a fase de exploração após 2013.
As empresas serão chamadas para ajudar a construir os sistemas como contratadas, ao invés de integrarem a joint venture como inicialmente planejado.

Sismicidade brasileira

Sismicidade brasileira
Terremotos no Brasil

terça-feira, abril 22, 2008

O alerta do general Heleno


O charivari aprontado em torno da conferência do general Augusto Heleno Pereira na Fiesp é bem um retrato da decadência da oposição ao governo Lula e de sua mídia. Até a “Veja”, que sempre foi a favor de dar a Amazônia para os americanos, ensaiou apoiar o general – cuja posição é a oposta: a de defesa da integridade territorial do país. Em resumo, porque o general apontou uma discordância com o governo Lula, os que detestam e odeiam tudo o que ele falou resolveram apoiá-lo. É melancólica uma oposição que só consegue se apoiar nos seus próprios adversários ideológicos – e cuja tática se resume, portanto, à mera e baixa intriga.
O presidente Lula, com justa razão, considerou o incidente “superado”. É certo que generais não são políticos ou diplomatas e, portanto, não têm o mesmo estilo dos políticos ou diplomatas. E o sentido das afirmações do general é, essencialmente, o de colaborar com o governo: “A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso País. Precisa ser revista com urgência. Não estou contra os órgãos que cuidam disso, quero me associar para que a gente possa rever uma política que não deu certo até hoje, é só ir lá para ver que é lamentável, para não dizer caótica. Estou disposto a trabalhar com todo o meu pessoal para que o resultado seja diferente. Não é uma crítica destrutiva. É uma crítica construtiva”.
Nossa política indigenista, desde Rondon, sempre foi a de integrar progressivamente as populações indígenas. Até recentemente – mais precisamente, até o governo Collor – os índios eram considerados brasileiros sob a tutela do Estado, devido a suas especiais condições culturais.
Somente há poucos anos pretendeu-se considerar os indígenas não como parte do Brasil, mas como pertencentes a outras “nações”. Em entrevista posterior à conferência, o general Heleno citou a chamada “Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas”, que, entre outras coisas, diz: “Os indígenas têm direito à autodeterminação, de acordo com a lei internacional; as nações devem respeitar as formas políticas, sociais e jurídicas de cada povo indígena; os indígenas terão livres estruturas políticas, econômicas e sociais, especialmente seus direitos a terras, territórios e recursos; o Estado deve reconhecer a necessidade de desmilitarização das terras e territórios dos povos indígenas”. Evidentemente, isso configura um atentado à nossa soberania – embora, somente em tese, pois certamente não há como levar à prática tais preceitos, e certamente não é intenção do presidente Lula levá-los à prática. Mas, por isso mesmo, era melhor que não tivéssemos assinado tal documento.
O fato é que se nossos indígenas não são tutelados pelo nosso Estado, serão tutelados por outro Estado – ou seja, por um Estado estrangeiro. E já surgiram os candidatos a intermediários, com substituição do Estado brasileiro por Ongs estrangeiras dentro do nosso território.
É sobre isso o alerta do general Heleno: “Por que elas [as ongs estrangeiras] não se instalam onde não há jazidas minerais? Fica difícil entender porque pouquíssimas ONGs dedicam-se a socorrer a população nordestina enquanto centenas delas trabalham junto às populações indígenas. Algumas, ao que parece, investem milhões de dólares na região. É muita coincidência que o mapa das terras indígenas seja o mapa das riquezas do país”.
O general poderia acrescentar que existem índios em quase todo o país – até na cidade de São Paulo - mas essas ongs só aparecem onde existe riqueza no subsolo – ou, às vezes, no solo. Não há o que opor a “soberania e integridade do patrimônio nacional não têm discussão”. Como na frase de Sandino, “a soberania de um povo não se discute, só se defende de armas na mão”. E, realmente, é para isso que existem os generais do nosso Exército.
C.L.

sábado, abril 19, 2008

Terra o Planeta Azul

Carlos Augusto de Alcantara Gomes

Terra o Planeta Azul

O presente trabalho versa sobre a problemática da água no planeta Terra e no Brasil, onde foi apresentada uma análise crítica, seguida de sugestões.

Água conforme foi apresentada neste se mostra, um problema evidente na Terra do futuro, pelo fato de seu mau uso pela população atual de nosso planeta, pois se continuarmos como estamos a Terra deixara de ser o Planeta Água.

Cabe dizer que tudo que foi sugerido está fundamentado no Art. 225 da Constituição Federal do Brasil - 1988 e agenda 21. As ocorrências são fatos vividos ou lidos, pelos autores.

Como o Planeta Terra é chamado por nós de Planeta Água, devido a sua constituição ser de ¾ de água, porém de toda esta água 97% é de água salgada e apenas 3% de água doce. Desses 3% apenas 1% é de água potável. Diante desde fato é sensível a necessidade de uma política educacional que leve a conscientização da necessidade do não desperdício de água doce no planeta.

Cita-se que a cultura do desperdício no Rio de Janeiro atinge um total de 40% da água tratada disponível. Não se entende o que seja preservação e conservação do planeta em função da água.

A Constituição Brasileira no seu Art. 225 descreve "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público o dever de defendê-lo à coletividade o de preservá-lo para as presentes e futuras gerações."


A Poluição da Água

A poluição da água tem um ponto de vista histórico, ela começou com a deposição de dejetos humanos e animais ao longo dos mananciais, dos leitos de rios e lagos e por infiltração nos lençóis d'água. A poluição evoluiu e evolui através dos anos, com o desenvolvimento da indústria como dos: agrotóxicos, polímeros e o crescimento do contingente humano no planeta, levam estudiosos a observarem a perda inconsciente do solo, do subsolo, das águas correntes, do ar que respiramos e das chuvas. Fato que está gerando até problemas de saúde pública. É fato constatado que a maior parte das mortes por doenças são devidas a ingestão de água contaminada.


O Ciclo das Águas


As águas dos oceanos, mares, rios e lagos evaporam-se condensam, e estas voltam a Terra por precipitação reabastecendo esses mesmos aqüíferos e por infiltração mantendo o nível dos lençóis freáticos durante o período. Durante o período da noite as gotículas de água em suspensão, por variação de temperatura se precipitam sobre a forma de orvalho.


A Problemática das Águas no Planeta

As águas estão sendo modificadas quanto a sua natureza, pelo descuido do homem, que geram águas contaminadas e poluídas por fatores demonstrativos da falta de educação caseira, formal e acadêmica.


Fig. 1 - Uso mundial da água por setores (fonte Teixeira, W et alii "Decifrando A Terra" São Paulo - USP - Oficina de texto, 2000).


A água potável disponível na Terra equivale à cerca de 12.500 km3. estes são usados pelas indústrias, agricultura e domicílios.
Descontando-se o uso industrial, agrícola e doméstico as reservas mundiais chegavam a 16.800 m3 por pessoa ao ano. No final do século XX as reservas se reduziram a 7.300 m3 e as previsões para 2025 não são animadoras podendo chegar a 4.800 m3. A agricultura é a que mais u
tiliza recursos hídricos principalmente para a irrigação. O crescimento populacional do mundo requer o aumento da produção agrícola.

Atualmente 70% da água doce disponível no planeta é utilizada na agricultura mas segundo o Conselho Mundial de água (World Water Council) no ano 2025 serão necessários mais 17% desse recurso para alimentar o mundo.
A Europa é o continente que mais consome água no setor industrial, Oceania consome no setor doméstico cerca de 8%.


Fig. 2 - A disponibilidade de água no mundo (fonte Beaux, J. F. "L'Environenment Repères Pratiques" Paris, Nathan, 1998)


Observem a figura 2 que mostra diferenças extremas quanto ao consumo de água em algumas localidades. Deve-se observar que segundo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apenas a metade da população mundial tem acesso à água potável. Segundo Banco Mundial cerca de 80% no futuro irão entrar em conflito por causa deste bem esgotável. Já ocorrendo em paralelo com as desavenças político-religiosas.
Neste item não podemos nos esquecer que com o aumento da população mundial, haverá uma necessidade de mais água pelo fato de sermos compostos de cerca de 66% de água.

Mundo 645 m3
América do Norte 1680 m3
América Latina e Caribe 402 m3
Europa 626 m3
Ásia 542 m3
Oceania 536 m3
Estados Unidos 1870 m3
Brasil 246 m3
Rússia 521 m3
China 461 m3
Índia 612 m3
Egito 952 m3

Fig. 3 - Consumo anual per capta de água no mundo
fonte: Folha de São Paulo, 21/07/1999. Caderno Especial - Água, Comida e Energia.

A Poluição dos Mares Oceanos e Baias

O problema alvo da contaminação de mares e oceanos e baias é decorrente dos vazamentos de tubulações de óleo e de petroleiros além da lavagem indiscriminada de conveses e porões de navios nos portos.
Um outro problema que futuramente ira se agravar, é o da construção naval atual de navios, submarinos, porta-aviões e outros movidos à propulsão nuclear, que quando naufragam contaminam os mares e uma questão que fica no ar. Qual o problema futuro de suas desativações?
Uma outra contaminação existente é chamada de Maré Vermelha que são provocadas pelas algas de mesma cor, em virtude, do excesso de poluentes (esgotos) que levam a um aumento de natalidade destas, provocando diminuição no oxigênio das águas.
Os futurólogos prevêem que em intervalo de tempo próximo as plantações serão oceânicas, e para tanto devemos não poluir também os mares e oceanos. Porém um problema eminente está ocorrendo na Europa, que é a Calepa Taxifólia ou alga assassina que está se espalhando na Europa em proporções geométricas, pois são levadas pelas correntezas, navios e outros. O efeito desta alga é devastador pois ela sufoca as algas que são ingeridas pelos peixes que por sua vez fazem parte da cadeia alimentar. Essas algas apesar de venenosas têm um predador natural, que é a lesma do mar, esse predador após ingerir a alga assassina torna-se também venenosa saindo da cadeia alimentar, ela também tem um problema, ela não resiste às baixas temperaturas do inverno europeu. Mesmo conhecendo-se a alga assassina, o seu predador natural, o seu problema com variações de temperatura e que ela não se reproduz sexualmente, e sim por alto clonagem, o que implica na não possibilidade de sua remoção por meios mecânicos, pois qualquer corte nela leva a sua multiplicação por ambas as extremidades.
Fato este que deixa o Brasil em vantagem, pois nossos invernos não são tão agressivos como os Europeus, o que permite a disseminação das algas pelas lesmas, e que torna possível em nossa costa a manutenção da vida marinha, levando assim o Brasil a ser o futuro abastecedor mundial de alimentos marinhos.

A poluição dos rios, lagos e lagoas

A poluição dos rios, lagos e lagoas têm como fonte principal o homem que os polui através de indústrias, do esgoto lançado in natura e da deposição de lixo nas encostas e dentro destes. Um outro problema que ocorre com estes é o do desmatamento e das queimadas nos margens, que podem até provocar mudança do curso dos rios além de assoreamentos.
As enormes quantidades de agrotóxico e fertilizantes de uso agrícola de nossas plantações podem acarretar aos corpos receptores, rios, lagoas e lagunas, a proliferação de algas que se alimentam dos fertilizantes trazidos pelas chuvas e essas algas produzem substâncias tóxicas tornando esta água imprópria ao consumo humano e a fauna aquática.
A modificação da estrutura genética dos seres marinhos através da ingestão de produtos químicos, cujos efeitos prejudiciais aos seres humanos ainda são desconhecidos pode acarretar até modificações no DNA.
Os manguezais são ecossistemas de alta produtividade compondo a base de uma cadeia alimentar que passa por um incontável número de aves marinhas e migratórias, incluindo ainda o próprio homem no extremo desta cadeia. A fauna associada ao manguezal consiste de dois grupos os que o habitam permanentemente em seu ciclo vital (moluscos, crustáceos) e aqueles que o freqüentam periodicamente para abrigo, desova e alimentação na fase de crescimento principalmente peixes e mamíferos. Os outros problemas com lagos e lagoas são:

· Degradação das áreas de proteção dos lagos especialmente pelo lançamento de dejetos.

· Assoreamentos das lagoas quando permitida afirmação de espigões impedindo o livre transita de pequenas embarcações.

· Construções com total desrespeito a faixa marginal invadindo a faixa d'água.

· Desenvolvimento das condições de falta de oxigênio em virtude da alta concentração de esgoto e a presença de vegetação aquática em decomposição.

· Represamento dos rios poluídos devido a grande quantidade de vegetação aquática.

A poluição dos lençóis freáticos e minas d'água

A poluição dos lençóis freáticos e das minas d'água se deve também a esgotos, a utilização de produtos químicos por indústrias e pelos lixões que desprendem o chorume.
Por ocasião das chuvas o próprio solo absorve agrotóxicos e fertilizantes, oriundos da agricultura que são também uma fonte de poluição dos lençóis freáticos e minas d'água.

A poluição das chuvas

Os poluentes incorporados ao ar Atmosférico, tais como gás carbônico, fluoretos, nitritos, sulfitos e sulfetos, geram a chamada Chuva Ácida. Responsável pela destruição de arquiteturas, estátuas, geração de doenças de pele e outros.
No Brasil já existem comunidades que tem problemas de câncer provocados por nuvens de poluentes, que em outros países foram verificadas por satélite e chegam a ter proporções continentais e chegam a ter 3 km de espessura.


A Agricultura Orgânica e os Transgênicos
A agricultura orgânica tem sua importância por não se valer de agrotóxicos e estar sendo re-aceita pela população.
Quanto aos transgênicos, apesar de seus efeitos ainda serem desconhecidos, é inerente a eles a resistência a um maior número de pragas, e com isso a menor poluição dos solos, pois usam uma quantidade menor de agrotóxicos, embora seja muito discutido seu efeito mutante no homem do futuro, no momento, é uma solução da problemática da fome no planeta. Deve-se lembrar que tudo no Mundo foi feito pelo Criador em cadeia os alimentos naturais são compatíveis com a necessidade do organismo humano.


A Água e o Brasil
O Brasil detêm de toda água doce disponível no planeta. Pensando nesse volume e talvez considerando inesgotável uma parcela da população de empresários, donos de indústrias e até entidades publicas continuam poluindo os rios e o mar, sem dar a devida importância aos malefícios que tais ações acarretam ao próprio ambiente e ser humano.
Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), o consumo total de água doméstico, industrial e outros em 1987 foram de 580 litros por pessoa/dia desse total coube ao consumo doméstico 43% ou seja, 250 litros por pessoa/dia, 40% foram consumidos pela agricultura e 17% pela indústria.
A preocupação que se despendeu no passado (séc. XVII) que foi a criação de uma lei que proibia os donos de porcos de sujarem os rios, não foi prosseguida pois de lá para cá a poluição só tem aumentado.
Em nosso país, rios, riachos, ribeirões, lagos, lagoas, arroios e cachoeiras, determinam a grande variedade dos recursos hídricos. Alguns se encontram preservados belos e úteis e outros não recebem ainda hoje da população e autoridades os cuidados para mantê-los limpos e a sua recepção como fonte de vida e aqui são poucas cidades que tratam as nossas fontes de água com cuidado. Os rios aqui são encarados como um natural escoadouro de dejetos domésticos e de lixo.
A falta de consciência é de tal ordem que se implantou o uso da "vassoura hidráulica" para lavagem das calçadas com água potável. Acredita-se que a exemplo de países onde a falta d'água e escassez são notórios, deva ser implantado nas residências do Brasil sistema de adução de água limpa e potável separadamente. Observe o alto custo da água tratada fato que por si só justifica a implantação de tal sistema.
Segundo noticia publicada na revista Fortunate a água tratada custa trezentas vezes o valor da água limpa. O trabalho educativo deverá ser feito a nível doméstico e em âmbito maior, com o relacionamento das diferentes tarefas e seus respectivos usos e gastos.
Desta maneira acredita-se que o homem venha a minimizar o gasto de água e maximizar a sua conservação no planeta.
Este fato tem gerado a necessidade do controle ambiental e dos RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) em áreas industriais. A água pode ser a seiva da vida, como a geradora da morte, isto depende unicamente do seu uso racional.


Conclusão
Hoje em dia o problema é a qualidade e a quantidade da água, fato que não se verificava no passado. A água abundante, o solo fofo e produtivo levou o homem, ao uso desordenado da água e do próprio solo, chegando a se esquecer os ensinamentos dos nativos que foram os primeiros a racionalizar os seus usos. Os indígenas fazem uso da água sem que a poluam, fato este consciente e inconsciente. A terra é cultivada somente no espaço necessário para sua sobrevivência, não ameaçando a estrutura dos ecossistemas, não destruindo as florestas, fontes de preservação do solo, das águas, da vida, fator de equilíbrio do clima.
Campanhas educativas e racionais deverão ser implementadas, de forma a conscientizar o povo de um problema tão eminente e que já é sentido quando acontecem problemas ecológicos. Nossa sensação de perda só se dá neste momento, devido a grande quantidade de água que possuímos.
O maior problema atual do momento é o desperdício da água, seu mau uso que levará a uma futura escassez acentuada.
Segundo estudos da Pastoral da Terra, publicados no Jornal Ecológico 2003 "a última fronteira de investimento para o setor privado é a água, disse um estrategista da Monsanto não podemos ficar em paz enquanto a oligarquia internacional da água decreta, que a água é um bem escasso, dotado de valor econômico, e que a melhor maneira de gerenciar a escassez é o mercado. Para que a água seja mercantilizada, é preciso que ela tenha um preço e seja privatizada. Essa é a questão que está por detrás da frase do estrategista da Monsanto, empresa química que se tornou uma empresa de sementes geneticamente modificadas e agora quer dominar toda a cadeia de alimentos, dominando também".
O sofrimento humano e a destruição ambiental que vêm por aí não têm tamanho. A água no momento atual é fonte geradora de guerra e de paz e não sabemos a que eixo ou o do bom ou o do mau o Brasil estará no futuro com tanto desprezo a esta.


Bibliografia:

BIZERRIL, C. R. S. F. e PRIMO, P. B. - "Peixes de Águas do Estado do Rio de Janeiro" RJ, FEMAR-SEMADES, 417p, 2001
_____ - Revista CREA-RJ, Fevereiro-Março 2003
_____ - Revista JB Ecológico, Maio, N.16 2003
_____ - Secretaria de Meio Ambiente "Ambiente das Águas no Estado do Rio de Janeiro", SEMADES, 230p, 2001
_____ - Veja, Ed. Abril, Agosto, ano 35, N.33 2002


Carlos Augusto de Alcantara Gomes
Prof. Adjunto da Escola Politécnica da UFRJ
Membro da Academia Brasileira de Meio Ambiente
alcantaragomes@globo.com
Ligia Vianna Mendes
Prof. Titular da CEFET e ABMA
ligiamendesvianna@ig.com.br
Membro da Academia Brasileira de Meio Ambiente


quarta-feira, abril 16, 2008

Ponha sangue no seu motor ! A tragédia dos necro-combustíveis

Os grandes slogans estão lançados: biodiesel, biocombustíveis, ou verde, combustíveis verdes, "o combustível que vê a vida verde"… A edição especial da Ford, Cahiers de l'Automobile, apresenta o título "Bio-Combustíveis", Bio com 7 cm de altura e combustíveis com 1,5 cm de altura: os grandes truques da semântica para adormecer o povo. A mesma revista, tem na página 7, o título: "Bio em 40 perguntas". Mas qual "bio"? Será uma nova abreviatura para "biocombustível"? Quanto maior é a intoxicação, melhor ela passa! Porquê incomodar-se?

A atribuição do termo "bio" aos necro-combustíveis vai, no entanto, ganhando terreno rapidamente. Isso faz-nos lembrar os iogurtes da Danone. Encontram-se na Internet anúncios da Volvo, do gênero: "A Volvo pratica desporto bio", ou da Ford: "A Ford e a Europcar rodam pelo bio!" ou ainda para o Saab "300 cavalos ecológicos". Alguns carros movidos a combustível vegetal contêm mesmo a menção "bio" na carroçaria.

É o golpe de misericórdia para a agricultura bio, e para mais, a pressão dos lobbies em Bruxelas procura impor uma agricultura bio de "segunda geração" com uma pitada de pesticidas aqui e uma meia-pitada de quimeras genéticas ali! Os cadernos de encargo da agro-bio estão em vias de se transformar em cadernos de desencargo! Ponham-nos a mola no nariz.

Os combustíveis vegetais não são bio: eles são extraídos de plantas cultivadas com toda a artilharia pesada dos input da agro-química e dos pesticidas. Os termos "biodiesel", "bioetanol" e "biocombustíveis" passaram para a linguagem comum num tempo recorde, na sequência de enormes campanhas publicitárias e mediáticas. Esses combustíveis vegetais são obtidos graças a processos de extração industrial muito complexos. O termo "bio" significa "vida". É difícil de perceber por que razão é que esses combustíveis vegetais têm o prefixo bio. Por acaso, fala-se em bio-trigo ou bio-tomate ou de bio-milho?

Estamos no seio de uma gigantesca impostura semântica. Deveria falar-se de "necro-combustíveis", de necro-etanol" e de necro-diesel. Necro significa morte e só este prefixo é que pode qualificar os aspectos técnicos, ecológicos e humanos desta farsa sinistra.

Os combustíveis vegetais não são verdes, eles são vermelhos da cor do sangue. Eles vão aumentar a tragédia da subnutrição, da morte pela fome, da miséria social, do deslocamento das populações, da desflorestação, da erosão dos solos, da desertificação, da falta de água, etc.

Os grandes grupos petrolíferos que se aliaram aos grandes grupos da agro-alimentação e aos grandes grupos da agro-química e aos grandes grupos sementeiros para lançar esta farsa grotesca tentam tranqüilizar o cidadão fazendo de conta que os combustíveis vegetais não representam nenhuma "concorrência para as demandas alimentares".

Não há "concorrência para as demandas alimentares". No entanto, sabiam que:
- o ano de 2006 foi declarado pela ONU, o "Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação";
- as atividades agrícolas geram uma erosão tal que a cada segundo, 2420 toneladas de solo desaparecem nos oceanos e nos ventos;
- diariamente, por hora, 1370 hectares de terreno ficam desertificados para sempre;
- 36 mil pessoas morrem de fome todos os dias.
- segundo a FAO, a superfície média de terra cultivável por habitante era de 0,32 hectares em 1961/1963 (para uma população mundial de 3,2 mil milhões), de 0,21 hectares em 1997/1999 (para uma população mundial de 6 mil milhões) e será de 0,16 hectares em 2030 (para uma população mundial estimada em 8,3 mil milhões);
- segundo alguns especialistas independentes, as projecções acima são altamente optimistas porque a superfície média de terra cultivável por habitante nos países pobres será somente de 0,09 hectares em 2014.
- esses mesmos especialistas não tiveram em consideração, nos seus cálculos, o boom dos agro-combustíveis e as alterações climáticas;
- segundo a FAO, a Índia perde a cada ano 2,5 milhões de hectares de terra e que a esse ritmo não restará mais do que uma grama de terra cultivável nesse país em 2050;
- no decurso dos últimos 20 anos, cerca de 300 milhões de hectares (seis vezes a superfície da França) de floresta tropical foram destruídos para a implantação de domínios latifundiários e de pastagens, ou de plantações em grande escala de óleo de palma, de borracha, de soja, de cana de açúcar e outros produtos;
- em Iowa, o coração do império transgénico do milho e da soja, as igrejas nas zonas rurais estão 1,5 m mais altas que os campos à volta porque o Iowa perdeu 1,5 m de solo fértil em pouco mais de um século. (…)

O Professor Pimentel, da Universidade de Cornell (Ithaca, New York) já provou há vários anos que o balanço energético básico da produção de etanol é completamente negativo, porque a produção de milho tem um custo real (input, pesticidas, trabalho), sem falar da amortização do material agrícola que nunca é tido em conta porque o balanço seria demasiado indecente. Em suma, segundo o Professor Pimentel, o combustível vegetal aquece mais o planeta do que a gasolina!

- Os agro-combustíveis vão acelerar a destruição dos ecossistemas contaminando ainda mais o solo, a atmosfera e as águas com pesticidas e outros elementos nocivos.

- Um litro de etanol leva à erosão de 15 a 25 kg de terra: entenda-se aqui erosão como desaparecimento puro e simples.
- E no que diz respeito à água? É o descalabro final. São necessários entre 500 a 1500 litros de água, dependendo das regiões, para se produzir um quilo de milho. Isso significa que a produção de um litro de etanol à base de milho requer a utilização de 1200 a 3600 litros de água!

Recebemos um email dos nossos amigos da Guatemala. O preço da tortilha (alimento tradicional à base de milho) aumentou para 80%. A situação é idêntica no México. O aumento do preço da tortilha de 40 a 100% origina sérias revoltas em todo o país. Há alguns anos atrás, os agricultores deixaram de produzir o seu milho tradicional no Guatemala e no México porque se tornou mais barato comprar a tortilha à tortilleria industrial do que cultivar a sua "milpa" devido ao "dumping" de milho proveniente dos EUA.

Mas, atualmente, a situação mudou: os EUA guardam o seu milho (20% da colheita de milho é transformada em etanol) e os mexicanos morrem de fome!

Por Dominique Guillet

Os Estados Unidos provocam 'crack' financeiro global

Agência Carta Maior: "Os Estados Unidos provocam 'crack' financeiro global"

segunda-feira, abril 14, 2008

Fed admite recessão e perdas com subprime chegam a US$ 1 trilhão

O Federal Reserve dos EUA registrou em ata a iminência de “prolongada e severa retração econômica”. Simultaneamente, o FMI divulgou a avaliação sobre o colossal montante das perdas com a pirâmide financeira que ruiu nos Estados Unidos
Depois de fugir como o diabo foge da cruz da palavra “recessão” há meses, o Federal Reserve dos EUA registrou, afinal, em ata, a iminência de “prolongada e severa retração econômica”. Foi na última reunião de março – não aquela do domingo sangrento da Bear Stearns – mas a regulamentar do dia 18, em que, não por acaso, estabeleceu juros básicos reais negativos (menos 1,75%). A divulgação dos termos da ata do Fed coincidiu com o anúncio, pelo Fundo Monetário Internacional, de que as perdas com a pirâmide financeira que desabou nos EUA já chegam a US$ 1 trilhão. Prossegue o “credit crunch” – o aperto de crédito -, o problema da negativa de bancos concederem empréstimos, inclusive a outros bancos, por temor da montanha de papéis podres em andamento.
PITONISA
Com o tamanho do rombo que abalroa todo o sistema financeiro dos EUA, dos maiores bancos e corretoras, às seguradoras e fundos de agiotagem, chega a ser curioso o esforço da pitonisa de plantão no Fed para nublar a singela palavra “recessão”. Afinal, desde a constituição do capital monopolista financeiro, é em torno dos bancos que gira toda a economia, e como poderia esse quadro de generalizada quebradeira, e aperto de crédito, não se estender, e levar a crise, ao conjunto da produção? Ainda assim, em depoimento ao Congresso dos EUA no dia 3 de abril o presidente do Fed Ben Bernanke tentou atenuar o que ficara registrado nas atas do dia 18 de março, declarando-se “ainda não pronto” para dizer se a economia dos EUA “iria ou não enfrentar tal situação” – a recessão, que admitiu “possível”. Para mais de dois - terços dos americanos, de acordo com pesquisa da NBC/WSJ, os EUA já estão em recessão. No quarto trimestre de 2007, o crescimento da economia caíra, oficialmente, para 0,6% - quando fora de mais de 4% um trimestre antes.
MORADIAS
Em alguns setores, já não há o que discutir. O Índice Case/Schiller das 20 maiores cidades dos EUA, mostrou que o preço das casas encolheu 10,7% no ano passado, enquanto as vendas de moradias desabaram 23% em relação ao ano anterior. O que significa que o valor das casas encolheu em US$ 2 trilhões. O Índice de Confiança dos Consumidores da Universidade de Michigan caiu para 69,6 em fevereiro – o mais baixo desde fevereiro de 1992. Em janeiro, havia sido de 78,4. A atividade fabril no estado de Nova Iorque caiu para o índice mais baixo em cinco anos, e a indústria automobilística sofreu forte retrocesso em janeiro no país inteiro. A queda aguda nos lucros ou receitas – já verificada entre os bancos -, agora alcança outros setores. Como a gigante do alumínio Alcoa, que teve um redução nos lucros de 54% no primeiro trimestre do ano, e a fabricante de chips de computador AMD, cujas vendas despencaram 15% no período. Isso não significa que todos os setores já estão em contração, mas assinala como ela se expande. Na aviação, recomeçou a crise; três empresas estão falindo (ATA Airlines, Skybus e Aloha Air) e as de maior porte estão reduzindo o número de vôos. Quanto aos empregos, segundo o Escritório de Estatística do Departamento de Trabalho, foram cortados 98 mil postos de trabalho no país em março, a metade na indústria. Em fevereiro, o setor privado cortou 101 mil empregos.
Nos últimos anos, foi à hipoteca de suas casas que muitas famílias recorreram, diante da situação de virtual congelamento, ou queda, do poder aquisitivo sob Bush, para resolver problemas como a insolvência no cartão de crédito, uma urgência médica ou a faculdade para os filhos. Para garantirem lucros extraordinários, comissões extras e bônus, bancos, corretoras, seguradoras e agências de classificação de risco manipularam essas necessidades, até a pirâmide hipotecária explodir, quando as pessoas não tiveram mais como arcar com os pagamentos. Famílias tiveram de entregar suas casas aos bancos, mas as casas já valiam menos que o empréstimo concedido, que estava calçado em títulos de classificação AAA sem fundos. Começou a quebradeira que, quando atingiu o Bear Stearns, não houve mais como abafar. Na seqüência, bancos do porte do Citibank e Bank of América, e do UBS e HSBC, mais corretoras como a Merril Lynch, Goldman Sachs, Lehman Brothers e outros, tiveram de declarar grandes rombos e correr atrás de novos aportes de capital.
BEAR STEARNS
Muito já foi escrito sobre a quebra da Bear Stearns, mas possivelmente é uma notícia do jornal inglês “Telegraph” que melhor dá conta da orgia especulativa. “Bear Stearns tinha posições totais (derivativos) de US$ 13,4 trilhões. Isso é maior do que o Produto Nacional Bruto dos EUA, ou igual a um quarto do Produto Nacional Bruto do mundo – pelo menos em termos ‘nocionais’”. O jornal acrescenta que esse “impensado edifício” de papéis estava erguido “sobre uma base de ativos de US$ 80 bilhões no máximo”. No final do quarto trimestre, o Fed avaliou que os já então US$ 32 bilhões do Bear em ativos e capacidade de empréstimo eram suficientes para operar por 20 meses. Como se sabe, não resistiu a três dias. O analista de mercado Mark Gongloff assinalou a “alavan-cagem” das mais conhecidas pirâmides no final do ano passado: Morgan Stanley, de 32,6 para 1; Bear, de 32,8 para 1; Carlyle, de 32 para 1; Lehman Brothers, de 30,7 para 1; Merril Lynch, de 27, 8 para 1; e Goldman Sachs, com 26,2 para 1. Um castelo de cartas. Além disso, as corretoras e bancos entrelaçavam suas “garantias”, “opções”, fundos e contrapartidas.
No depoimento de Bernanke, um deputado republicano do Texas, Kevin Brady, perguntou a ele “quantas balas o Federal Reserve ainda tem”. O encanador do dinheiroduto de US$ 30 bilhões para o Bear/JP Morgan Chase respondeu que “temos sido muito criativos até agora”. Aliás, é o tipo de criatividade que os Morgan e os Rockefeller adoram. Quanto às balas na agulha, a conta pode não ser bem assim. Segundo a “Bloomberg”, dos US$ 709 bilhões que o Tesouro dispunha para prover liquidez para o sistema bancário, 60% já foram torrados. Mas, como aconteceu no Japão pós-bolha imobiliária dos anos 90, não é muito provável que os bancos usem toda essa “liquidez” proporcionada gentilmente pelo Fed, para evitar que o país afunde na recessão. Informa o “Wall Street Journal”, que os americanos “estão investindo muito do seu dinheiro no exterior”. Como analisou Michal Hudson no site “Counter-punch”, os bancos estão pegando o dinheiro emprestado do Fed a juro baixo e comprando títulos estrangeiros em euros, de juro maior – e no processo, realizando um ganho em divisas conforme o euro sobe em relação aos ativos em dólar”.
ANTONIO PIMENTA

Por-do-Sol em Hong Kong

Sigam as instruções:/ /Abre a foto de Boane;
_http://61226.com/share/hk.swf
Coloque o mouse em cima da torre de Hong Kong. Verá que são 6h10.Desça o mouse, devagar sobre a torre.
A noite vai caindo.... As luzes iluminam a cidade......Às 7h40 (pm), é noite !!!!

ANP: Petrobras pode ter descoberto 3º maior campo de petróleo do mundo - O Globo Online

ANP: Petrobras pode ter descoberto 3º maior campo de petróleo do mundo - O Globo Online

terça-feira, abril 08, 2008

Crise mundial de crédito pode custar quase US$ 1 tri, diz FMI

Steve Schifferes
Da BBC em Londres
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta terça-feira que potenciais perdas causadas pela crise mundial de crédito podem atingir até US$ 945 bilhões (cerca de R$ 1,8 trilhões).
O FMI afirma que as perdas registradas no mercado subprime (de crédito imobiliário de alto risco) estão se espalhando para outros setores da economia, como de propriedades comerciais, crédito ao consumidor e dívidas de empresas.
A instituição diz que houve um "colapso coletivo" para prevenir a concessão de empréstimos arriscados por parte das instituições financeiras.
O FMI também adverte que medidas duras e intervenção do governo podem ser necessárias.
O relatório do FMI de Estabilidade Global alerta que, "apesar da intervenção sem precedentes feita por grandes bancos centrais, os mercados financeiros continuam sob considerável pressão, agora com um ambiente macroeconômico mais preocupante e instituições mais fracamente capitalizadas".
Efeitos da crise
O FMI afirma que os efeitos da crise de crédito serão provavelmente "mais amplos, mais profundos e mais extensos" do que em recessões anteriores, devido ao grau de "securitização e equilíbrio do sistema financeiro".
A instituição culpa o sistema de regulação dos governos e a supervisão fraca feita por bancos, que teriam deixado a situação chegar a esse ponto.
O relatório foi divulgado em um encontro de líderes do sistema financeiro nos Estados Unidos.
O relatório faz duras críticas aos bancos e outras instituições financeiras, que teriam sido "complacentes demais" com os riscos de liquidez.
O sistema de administração de riscos dos bancos também teria falhado em detectar que os investimentos subprime não eram confiáveis o suficiente.
Mudanças
O FMI alerta que os bancos precisam se concentrar em equilibrar os seus balanços somando recursos e limitando empréstimos futuros.
Nos últimos dias, o secretário do Tesouro americano, Hank Paulson, e o diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, pediram mudanças grandes na regulação de instituições financeiras nacionais e internacionais.
Paulson propôs uma grande remodelagem do sistema americano de regulação financeira, dando mais poder ao Federal Reserve – o banco central do país – para intervir na ajuda a bancos falidos.
Na segunda-feira, Strauss-Kahn disse que a necessidade de intervenção pública contra a crise de crédito está se tornando "mais evidente a cada dia".

Uma visão sobre Cuba

Tivemos um choque pois encontramos um povo com um nível cultural bem acima da media do povo brasileiro.
Por Maria Dirlene Trindade Marques (*)
Participei de um grupo de mineiros que esteve em Cuba do dia 20 de janeiro a 5 de fevereiro de 2008, nas Brigadas de Solidariedade. A carta renúncia de Fidel e os comentários da imprensa e das diversas pessoas que encontro, me levaram a escrever este texto, considerando o que vivi, vi, ouvi, observei e estudei. Influenciadas (os) pela intensa propaganda na imprensa, fomos a Cuba procurando a miséria e a ditadura. E, no nosso subconsciente, o povo deveria ser muito passivo e muito bronco, para manter uma ditadura de 49 anos. E o que encontramos?
Tivemos um choque pois encontramos um povo com um nível cultural bem acima da media do povo brasileiro. Tivemos liberdade de ir e vir, de bisbilhotar, entrar em todos os lugares e de conversar com todos. Alias, até de forma muito invasiva, entravamos nas casas, nas escolas infantis, nos muitos museus. Procurávamos crianças e adultos de pés no chão, mendigando, dormindo debaixo de marquises, casas miseráveis. Só então entendemos a verdade do outdoor próximo ao aeroporto: “Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana”. Outro: “A cada ano, 80 mil crianças morrem vitimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana”. Sabemos que milhares delas são brasileiras, a 8ª economia do mundo.
Chegamos um dia apos o encerramento do processo eleitoral, onde se elegeu o Parlamento, eleição não obrigatória, com 95% de participação. E, para nossa surpresa, ficamos sabendo que o Partido Comunista Cubano não é uma organização eleitoral e portanto não se apresenta nas eleições e nem postula candidatos. Os candidatos são tirados diretamente, em assembléias publicas nas diversas formas de organizações existentes: do bairro, das mulheres, jovens, estudantes, campesinas. Que depois vão se reunindo por região, estado e finalmente, no nível nacional. Estes representantes nacionais, elegem o presidente e o vice.
Todos os representantes podem ser destituíveis, a qualquer momento, pelas suas bases, caso não estejam respondendo ao projeto de sua eleição. E vimos como 46% dos eleitos são mulheres (e no Brasil conseguimos as cotas de 30% para concorrer!!). As estruturas de funcionamento são mais próximas de uma democracia direta. Parece-me um contra-senso chamar este processo de ditadura. Seguramente, é diferente da democracia burguesa, onde apos colocar o voto na urna finda a obrigação do eleitor. Os críticos valem-se da mágica de que “o que é bom para os EUA é bom para o resto do mundo”.
Tentando entender o que víamos - pouca riqueza material, um povo simples e culto, simpático e sem stress - procuramos estatísticas: alfabetização de 99,8% (no Brasil 86,30%) e que de 1959 a 2007, a quantidade de escolas passou de 7.679 a 12.717, os professores passaram de 22.800 para 258.000, com uma população em torno de 11 milhões de habitantes sendo o pais com o maior índice de professores por habitante do mundo.
No IDH 2007 da ONU, o Brasil comemorou o fato de figurar em 70º lugar. Cuba figura em 51º lugar. O país conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 para cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27); 67 universidades gratuitas.
Dados da Unesco em 2002 mostram que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% no Brasil). Dados da CIA, central de inteligência americana, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba; no Brasil era de 9,6% no ano de 2007. E que, a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos e no Brasil era de 71,9 anos.
Esses são alguns números que encontramos, a despeito de ser uma pequenina ilha, ao alcance de um tiro de canhão disparado de Miami, que resistiu a uma tentativa de invasão norte-americana (Baía dos Porcos, 1961) e a várias outras de assassinato de Fidel Castro e ações terroristas orquestradas pela CIA, ter um bloqueio econômico e político apenas rompido por países com autonomia como Venezuela, Bolívia, China e alguns paises da Europa.
Continuamos procurando outros sinais de desmandos: e os presos políticos?
De fato, há pessoas detidas mas não pelo que pensam, mas pelo que fazem, como o de organizar grupos financiados pela embaixada dos EUA. Fora isso, todas as personalidades importantes da dissidência estão em liberdade, mantendo suas atividades políticas como Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca e Oswaldo Paya. É importante ressaltar que Cuba sofreu intensamente com o terrorismo nos últimos 40 anos, perfazendo mais de 3500 mortos. Documentos oficiais dos EUA confirmam o financiamento de cubanos exilados para promover ações contra o governo cubano.
O museu na Praia Giron (ou Baía dos Porcos) é um monumento de denúncia das ações terroristas, iniciadas desde 1961 com o rompimento das relações diplomáticas e a instauração do bloqueio econômico. Alguns dados: em 1963 o democrata Kennedy aprova o plano de manter todas as pressões possíveis com o fim de perpetrar um golpe de Estado, obrigando Fidel Castro a viver como nômade. Nos anos 90, a Lei Torricelli reforça o bloqueio econômico (seção 1705): “Os Estados Unidos proporcionarão assistência governamental adequada para apoiar a indivíduos e organizações não governamentais que promovam uma mudança democrática não violenta em Cuba”.
Esta lei vai ser reforçada na administração de Clinton, pela lei Helms-Burton: “O presidente dos EUA está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não governamentais independentes com vistas a construir uma democracia em Cuba”. O governo Bush não podia ficar atrás e, em 2004 aprovou um financiamento de 36 milhões de dólares para financiar a oposição a Cuba, em 2005 mais 14,4 milhões de dólares, em 2006 mais 31 milhões de dólares alem de 24 milhões de dólares para a Radio e TV Marti, transmitida dos EUA para Cuba neste caso, infringindo a legislação internacional que proíbe este tipo de transmissão. Querem impor a Cuba a democracia (sic) que estão implantando no Iraque.
Com o nosso olhar de turistas de classe média, nos chocavam alguns problemas da vida cotidiana como habitações modestas, transporte publico precário, limitações econômicas para se ter papel higiênico (e pensávamos, pobrezinho dos cubanos). Estas são carências verdadeiras, alem de várias outras apresentadas pelo secretario do partido comunista, em uma palestra para os brigadistas: o aumento da prostituição, dos pequenos delitos, da corrupção e da desigualdade social. Sabiam dos problemas que poderia acarretar a abertura para o turismo apos o fim da União Soviética e a intensificação do bloqueio, nos anos 90. O investimento no turismo e posteriormente, com a criação da moeda turística, cresce a entrada de divisas, possibilitando um rendimento para os trabalhadores destes setores acima do restante da população, ocasionando o aumento da desigualdade social.
Afirma ele que vivem em uma quádrupla ilha: posição geográfica; única nação socialista do Ocidente; órfã de sua parceria com a União Soviética e bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA. Consciente destes novos problemas, buscam construir respostas coletivas. Desencadearam um processo de críticas e sugestões, através das organizações de massa e dos setores profissionais. Ate agora, mais de 1 milhão de sugestões foram recebidas e estão sendo trabalhadas. Mas, para nos brasileiros de classe media (somos quantos? 5%? 10%) e que não conhecemos a realidade dos 90% do nosso povo, que não tem como pagar um plano de saúde, com educação precária, com pouca alimentação, que fica com os restos do desperdício dos 10%, é difícil entender a lógica econômica de uma sociedade voltada para os 100% da população. E ficamos horrorizados por eles não terem papel higiênico. Mas não nos deixam horrorizados que tenham bibliotecas e livrarias em toda escola e em toda cidadezinha. Ou que tenham acesso à saúde e educação da melhor qualidade, habitação com saneamento e aparelhos eletrodomésticos novos que economizam energia. Ou, que vivam em um pais sem degradação ambiental.
E a busca do conhecimento? E as escolas? Como é possível ver os círculos infantis, crianças de 1 a 4 anos, assentadas ouvindo historias, sem a professora estar gritando, mandando ficarem quietas? E ver os portões destas escolas abertas e as crianças não fugirem? Como é possível não serem stressadas? E conversando com as crianças do pré-escolar e do escolar (5 a 11 anos), ficávamos surpresas com as perguntas cheias de inteligência e informação sobre nosso pais. Como nos permitiam entrar nas salas de aulas, fotografar, bisbilhotar as bibliotecas onde encontrávamos livros de Marx a Lênin, de Jorge Amado, Machado de Assis, a Shakespeare? Imagine isto aqui no Brasil! Ficávamos encantadas. Eu, como professora da UFMG, tida como uma das melhores do Brasil, me encantava com aquelas bibliotecas. E as livrarias?
Na pequenina Caimito onde ficava o acampamento, literalmente invadimos uma livraria, comprando tudo quanto e tipo de livro, pela sua qualidade e pelo preço (comprei um livro do Boaventura de Souza Santos por 8 pesos cubanos ( mais ou menos a R$ 0,50), outro do Che Guevara sobre Economia Política de 397 págs. por 22 pesos cubanos, portanto em torno de R$ 1,40.
E o investimento na potencialidade do ser humano não pára aí. O desenvolvimento das artes – dança, pintura, musica, poesia, desportos – é encontrado em cada escola, em cada esquina, em cada cidade.
Tivemos também as frustrações no contato com pessoas, especialmente em Havana, onde impera o espírito da cidade turística, buscando sempre ganhar alguma coisa, passar a perna, apenas diferenciando de nossas cidades turísticas como o Rio de Janeiro pela intensidade dos problemas. É mais ingênuo, meio estilo anos 60. De todo jeito, frustrante. Nos entristeceu encontrar cubanos sonhando em sair da ilha, acreditando por exemplo, que o Brasil é um paraíso, visão que têm através das telenovelas (que todos lá assistem).
É assim, uma sociedade muito diferente que nos estimula e atrai. Alias, nada melhor para expressar isto do que a crônica do Clovis Rossi, o “pop star” se aposenta do dia 20 de fevereiro na FSP, relatando o episodio de um encontro do GATT, com a presença dos chefes de estados, diferentes autoridades mundiais e jornalistas de todo o mundo. Diz ele que o burburinho na sala do encontro e na sala dos jornalistas era enorme, com a atenção dispersa. Quando se anunciou Fidel Castro houve uma grande agitacao, com todos procurando o melhor lugar para assisti-lo e "ao terminar, uma chuva de aplausos, inclusive de seus pares, 101% dos quais não tinham nem nunca tiveram nenhum parentesco e/ou simpatia com o comunismo. Difícil entender o que aconteceu ali".
Para terminar, quero colocar uma idéia desenvolvida na mesa redonda integrada por vários cientistas cubanos e sintetizada pelo jornalista Jesus Rodrigues Diaz, falando sobre o potencial no desenvolvimento do conhecimento quando ele se dá de forma coletiva: “Temos que insistir também que, quando falamos do Potencial Humano criado pela revolução, não nos referimos exclusivamente à quantidade de conhecimentos técnicos incorporados em nossa população. Mais importante ainda é a semeadura de valores éticos, de atitudes ante a vida. Na sociedade do conhecimento faz falta um cidadão com vocação de aprender e de criar, e de levar seus conhecimentos aos demais seres humanos. Os conhecimentos técnicos nos podem dizer como se trabalha, porem são os valores os que nos fazem compreender por que se trabalha e deles tiramos as motivações e as energias para seguir adiante.
Que se passa agora se os conhecimentos se voltem ao fator mais importante da produção, inclusive os bens de capital? Não é difícil de prever. A resposta do capitalismo é a intenção de converter também o conhecimento em Propriedade Privada. Porem, a boa noticia é que isto não vai funcionar. O conhecimento não é igual ao Capital. Está nas pessoas e não se pode facilmente privatizar. O conhecimento requer circulação e intercâmbio amplo. As leis da propriedade intelectual inibem este intercâmbio. O conhecimento é validado pela sua aplicação social, não pela sua venda. "O uso amplo dos produtos do conhecimento é o que os potencializa", termina o jornalista. Esta é a grande limitação do raciocínio capitalista em entender a potencialidade da criação coletiva. Ignoram que a criação humana coletiva tem muito mais possibilidades do que as leituras positivistas do conhecimento.
O maior feito desta pequenina ilha, com um povo cheio de dignidade e coragem, terá sido o de mostrar ao mundo que é possível construir uma sociedade baseada no ser humano e não na mercadoria e na acumulação de capital. E isto ameaça o mundo capitalista, e é rejeitada pela imprensa burguesa e pelos setores médios que querem impor as condições de suas vidas para a totalidade do mundo. Mas, Cuba não esta só. Existe hoje uma rede internacional de solidariedade ocasionada pelos médicos e professores cubanos em mais de 100 países, pela Operação Milagros, pelas brigadas de solidariedade e por todos aqueles que acreditam que Um Outro Mundo é Possível e que lutam pela sua construção.
Fonte:
www.cofecon.org.br
© 1999-2006. «PRAVDA.Ru».