terça-feira, abril 08, 2008

Dólares do Império financiam os monges do Dalai-Lama


Dólares do Império financiam os monges do Dalai-Lama
24.03.2008
Após a vitória da Revolução Chinesa, os comunistas tomavam o poder no Tibet que, no curso dos dois séculos anteriores, nem um só país no mundo havia reconhecido como um país independente. A comunidade internacional considerava o território parte integrante de China. Como a Índia e a Inglaterra, a mesma que há 40 anos dominava a região. Só os EUA se mostraram vacilantes. Até a Segunda Guerra Mundial, consideravam o Tibet como uma parte da China e procuravam frear os avanços da Inglaterra sobre o território. Porém, após a guerra, Washington decidiu fazer do Tibet um enclave religioso contra o comunismo.
Em 1951, a elite tibetana concordou em negociar com a China uma “liberação pacífica”. Cinco anos depois, no entanto, pressionadas pelo movimento camponês, as autoridades decidiram por uma reforma agrária em alguns territórios tibetanos. Era a senha para o conflito. A elite local repeliu a iniciativa e provocou o levante armado de 1959. A revolta foi preparada durante vários anos, sob a direção do serviço secreto dos EUA, a CIA. É o que registra o livro de 300 páginas “The CIA's Secret War in Tibet” de Kenneth Conboy. Uma obra que o especialista da CIA, William Leary, definiu como “um impressionante estudo sobre uma das operações secretas da CIA mais importantes durante a guerra fria”.
Outro livro, “Buddha's Warriors – The story of the CIA-backed Tibetan Freedom Fighters”, de Mikel Dunham, de 434 páginas, explica como a CIA levou centenas de tibetanos aos EUA para treinamento bélico e como lhes supriu de armas modernas. O prefácio desta obra foi redigido por “sua Santidade o Dalai-Lama”, que considerou uma honra o fato de que a rebelião separatista armada tenha sido dirigida pela CIA. Porque “Os EUA são os campeões da Democracia e da Liberdade”. [1]
Em outubro passado, o parlamento estadunidense entregava ao Dalai-Lama a Medalha de Ouro, a condecoração mais importante que pode entregar. Sua (sempre sorridente) “Santidade” pronunciou um discurso onde louvava Bush por seus “esforços a nível mundial em favor da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos”. Fica evidente quem financia o Dalai-Lama e seus monges, não só por seu anticomunismo hidrófobo como também por seu racismo fascista que condena os casamentos entre tibetanos e os “demais”. Fica fácil entender a mobilização da mídia ocidental contra a China, sobretudo em vésperas de uma importante eleição em Taiwan e a aproximação das olimpíadas de Pequim. [2]
O pretexto para balbúrdia de agora foi lembrar ação golpista derrotada em 1959, quando o Dalai-Lama tentava separar o Tibet para restaurar o regime ditatorial dos Lamas naquele território da China Popular. Derrotado, fugiu, acobertado pela pelos EUA. Ao longo dos anos 60, a comunidade de exilados tibetana embolsou 1,7 milhões de dólares por ano da CIA, como consta nos documentos liberados pelo próprio Departamento de Estado em 1998. Depois que este fato ficou público, a organização do Dalai-Lama emitiu uma declaração admitindo haver recebido milhões de dólares da CIA naquele período, com o objetivo de enviar pelotões armados de exilados para o Tibet para minar a revolução socialista. [3]
O pagamento anual pessoal do Dalai-Lama reconhecido pela CIA era de US$186.000, assinalou Tom Grunfeld, em seu livro The Making of Modern Tibet. Atualmente, através do Fundo Nacional para a Democracia e outros canais que servem de fachada “respeitável” para os financiamentos da CIA, o governo dos EUA continua a destinar US$ 2 milhões anuais para os separatistas tibetanos que atuam na Índia, com milhões adicionais para a comunidade de exilados tibetanos em outros lugares. O Dalai-Lama também obtém dinheiro do especulador George Soros, que dirige a Radio Free Europe e Radio Liberty, ambas também vinculadas à CIA, ressaltou Michael Parenti, escritor e historiador estadunidense. [4]
Quanto à participação popular nos distúrbios, vejamos o que diz a BBC Brasil: (...) “Os protestos começaram no dia 10 de março, 49º aniversário da revolta contra o domínio chinês”. “Segundo a campanha Tibet Livre, os manifestantes de Machu foram até prédios do governo e destruíram portas e janelas. Eles também teriam incendiado lojas e empresas chinesas na cidade. No sábado, o Ministério de Segurança Pública da China ordenou o aumento da presença da polícia nas regiões atingidas por protestos. A população de Lanzhou parece saber pouco do que está ocorrendo na região tibetana de Gansu e em outros locais”.
“A primeira página do jornal local Lanzhou Morning Post destacava a reeleição do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao”. ‘O preço dos bens de consumo subiu muito rápido, então acho que os protestos estão ligados a isso’, disse uma mulher à BBC.
“Mas outras pessoas que queriam comentar os protestos mostraram pouca simpatia à causa tibetana”. ‘Acho que estão causando tumulto sem ter razão’, disse um homem à BBC, e arrematou: ‘Acho que (os protestos) estão sendo organizados pelo Dalai-Lama, para atingir as Olimpíadas’. [5]
[1]
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=64952
[2]
http://infortibet.skynetblogs.be/post/5284744/een-gouden-bushmedaille-en-engel-merkel-voor-
[3] http://infortibet.skynetblogs.be/post/5433093/tibetaanse-en-internationale-reacties-bij-de-
[4]
http://infortibet.skynetblogs.be/post/5512204/het-schaduwcircus-de-cia-in-tibet-een-documen
[5]
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/03/17/ult4909u2881.jhtm
Sidnei Liberal
Brasília, 24 de março de 2008
© 1999-2006. «PRAVDA.Ru». No acto de reproduzir nossos materiais na íntegra ou em parte, deve fazer referência à PRAVDA.Ru As opiniões e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores.

Descubra quem é o ''pacifista'' dalai-lama - Pravda.Ru


Incensado pelo ocidente como uma figura impoluta, lutadora da paz e da não-violência, o dalai-lama, ou Tenzin Gyatso, está longe de merecer o epíteto de pacifista que a mídia ocidental lhe aplicou nos últimos 50 anos. Aliado há longa data do regime americano, e recentemente de Bush, o dalai-lama não é parte integrante das lutas dos povos pela democracia e a paz mundial.
Baseado em texto de Humberto Alencar
Exilado em Dharamsala, na Índia, onde está à testa de uma comunidade de 120 mil tibetanos, o 14.º dalai-lama é apresentado, desde 1959, pelos meios de comunicação, como ''um dos maiores defensores da paz no mundo'' e ''líder espiritual''. Seus gestos desmentem esses epítetos.
Em 2003, o ''líder espiritual'' budista passou 18 dias nos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente do país, George W. Bush e o então secretário de Estado, Colin Powell. Os EUA tinham recentemente estabelecido o Tibetan Policy Act, uma lei que regularizava a ajuda aos separatistas, em 2002.
O que disse e fez por lá revela que o homem que ostenta o título de Prêmio Nobel da Paz, obtido em 1989, age de forma diametralmente oposta ao discurso que mantém.
A Casa Branca não divulgou o teor das conversas, mas, a julgar pelas declarações posteriores do dalai-lama, um dos resultados da visita foi sua incorporação à política de guerras preventivas, aspecto central da estratégia agressiva do imperialismo norte-americano na atualidade.
''É muito cedo para dizer se a guerra no Iraque foi um erro'', afirmou, para acrescentar em seguida sua convicção de que é necessário ''reprimir o terrorismo'', sem explicar o que queria dizer com ''reprimir''.
Participação no poder chinês
Em 1954, o décimo quarto Dalai-Lama participou da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da República Popular, tendo sido eleito como um dos vice-presidentes do Comitê Permanente dessa Assembléia.
Na ocasião, pronunciou um discurso afirmando: ''Os rumores de que o Partido Comunista da China e o governo popular central arruinariam a religião do Tibete, foram refutados. O povo tibetano tem gozado de liberdade em suas crenças religiosas''.
Em 1956, o dalai-lama assumiu a presidência do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete. As relações entre os governos central e local estavam, portanto, normalizadas.
O conflito ressurgiu quando se cogitou em promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica, e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros.
Após o exílio, o dalai-lama, cercado pelas forças antichinesas e por separatistas tibetanos, traiu completamente sua posição patriótica original. A facção pró-ocidental, aproveitando-se da insatisfação entre lamas e nobres, retomou a ofensiva.
Agitando as bandeiras separatista e religiosa, e apoiada pela CIA cada vez mais desinibidamente, como hoje se reconhece, essa facção fundou uma organização política, a ''Quatro Rios e Seis Montanhas'' e uma organização militar, o ''Exército de Defesa da Religião' e iniciou, em 1956, ataques armados a funcionários e prédios públicos, a obras de infra-estrutura e, até mesmo, a tibetanos que apoiassem o movimento democratizador.
Como reencarnar estando ainda vivo?
Traindo seus princípios religiosos, em novembro passado, o dalai-lama propôs que, em vez de esperar que os sábios religiosos encontrassem a próxima encarnação após sua morte, ele mesmo escolhesse sua própria encarnação. Geralmente, depois da morte do dalai-lama, autoridades budistas tibetanas, orientadas por sonhos e sinais, identificam uma criança que vai substituir o líder morto.
Para impor seu método e estabelecer uma linha sucessória segura para os separatistas, o dalai-lama propôs então um ''referendo'' entre os budistas tibetanos, sobre mudar ou não o atual processo de reencarnação, de modo que ele pudesse ter influência na escolha de seu sucessor. A idéia não foi bem recebida pelos budistas, porque contraria a lógica religiosa : ¿ como encontrar sua alma em outro corpo, se você ainda não desencarnou ?
Antidesenvolvimento
O governo central da China inaugurou em 2006 a maior ferrovia do mundo, ligando o Tibete ao resto do país. A ferrovia custou 4,1 milhões (sic) de dólares e atravessa o platô tibetano, para ligar Lhasa aos centros econômicos da China.
A ferrovia é uma ferramenta vital para a economia tibetana, a mais pobre da China, mas o dalai-lama e os separatistas consideram a estrada-de-ferro uma ''ameaça''. Alegam que a ferrovia trouxe ''novos ocupantes'' e é um meio de ''roubar'' as riquezas naturais do Tibete.
Desde 1985, o Tibete é uma ''zona de turismo livre'', substituindo o '' turismo acompanhado'' que vigorava até então. A ferrovia veio apenas aumentar o desenvolvimento econômico local.
Esta semana, Tenzin Gyatso lançou pela mídia um apelo vazio, para que a ''comunidade internacional'' investigue o que chamou de ''genocídio cultural'' no Tibete, após a violência perpetrada, nas ruas de Lhasa, por monges e seus seguidores.
O ouro de Washington
De acordo com o historiador americano Jim Mann, citado pelo site Global Research, ''durante os anos 1950 e 1960, a CIA apoiou ativamente a causa tibetana com armas, treinamento militar, dinheiro, apoio aéreo e todo o tipo de auxílio''. Além de Mann, outro estudioso das ações da CIA na Ásia, Michael Parenti, fez recentemente a seguinte observação :
''...nos Estados Unidos, a Sociedade Americana Por uma Ásia Livre, uma fachada da CIA, propagandeou ferozmente a causa da resistência tibetana -- com o irmão mais novo do dalai-lama, Thubtan Norbu, tendo um papel ativo nessa organização. Outro irmão, também mais novo, do dalai-lama, Gyalo Thondup, estabeleceu uma célula de operação de ''inteligência'' com a CIA em 1951 (embora o apoio oficial da agência tenha sido estabelecido somente em 1956). Mais tarde, essa célula foi treinada e transformada em uma unidade de guerrilha da CIA, tendo seus recrutas sido lançados no Tibete de pára-quedas."
De acordo com documentos abertos pela inteligência americana no fim da década de 1990, revelou-se que o movimento tibetano no exílio recebeu, na década de 1960, cerca de 1,7 milhões de dólares por ano, para operações contra a China, enquanto 180 mil dólares anuais eram pagos regiamente ao dalai-lama.
Em 1969, entretanto, o apoio secreto pela causa tibetana foi interpretado pela CIA como infrutífero e a agência de espionagem decidiu retirar a ajuda aos ''revolucionários'' tibetanos.
No entanto, a ajuda monetária anual ao ''pacifista'' dalai-lama perdurou até 1974, quando Nixon normalizou as relações com a China. O presidente que lhe sucedeu, Gerald Ford, encerrou o envolvimento da administração americana com os exilados tibetanos, num novo contexto da estratégia americana para a Guerra Fria.
A fase seguinte do relacionamento entre os Estados Unidos, o dalai-lama e seus apoiadores foi direcionar a opinião pública mundial a considerar o Tibete como uma questão de direitos humanos, num engajamento político contra a China.
Em 1979, a relação entre o regime americano e o dalai-lama sofre uma nova modificação, com o ''pacifista'' obtendo um visto de entrada nos EUA sob a administração Carter. A ''causa tibetana'' encontra então novos patrocinadores, com representantes do congresso americano trabalhando em conjunto com os separatistas tibetanos para enfocarem a atenção dos governos seguintes e do resto do mundo na ''questão tibetana''.
Nos dias de hoje, a ajuda financeira e política aos exilados tibetanos parte de um poderoso braço da CIA, a National Endowment for Democracy, organismo criado a partir de 1984, sob a administração Reagan, que patrocina e subsidia movimentos pró-americanos ao redor do planeta, como os que recentemente derrubaram os governos da ex-Iugoslávia em 2002, Geórgia em 2004 e Ucrânia em 2005.
O trabalho da NED, desde a década de 1990, é propalar os discursos e ações ''pacifistas'' do dalai-lama ao redor do planeta.
Referencias (em inglês)
Mann, J. "CIA Funded Covert Tibet Exile Campaign in 1960s." The Age (Melbourne), 16 Sept. 1998. 21 Jun. 2007. http://listserv.muohio.edu/scripts/wa.exe? A2=ind9809c&L=archives&P=14058 .
Parenti, M. "Friendly Feudalism: The Tibet Myth (Updated)." Jul. 2004. 21 Jun. 2007. http://www.michaelparenti.org/Tibet.html .
Mann, J. "CIA Funded Covert Tibet Exile Campaign in 1960s." The Age (Melbourne), 16 Sept. 1998. 21 Jun. 2007. http://listserv.muohio.edu/scripts/wa.exe? A2=ind9809c&L=archives&P=14058 .
Salopek, P. "The CIA's Secret War in Tibet." Seattle Times, 26 Jan. 1997. 21 Jun. 2007. http://www.timbomb.net/buddha/archive/msg00087.html .
Reagan, R. W. "Address to Members of the British Parliament." Ronald Reagan Presidential Library, 8 Jun. 1982. 21 Jun. 2007. http://www.reagan.utexas.edu/archives/speeches/1982/60882a.htm .
Robinson, W. I. and J. Gindin. "The Battle for Global Civil Society." Venezuelanalysis.com , 13 Jun. 2005. 21 Jun. 2007. http://www.venezuelanalysis.com/articles.php?artno=1477 .
Barker, M. J. "Taking the Risk Out of Civil Society: Harnessing Social movements and Regulating Revolutions." Refereed paper presented to the Australasian Political Studies Association Conference, University of Newcastle 25-27 September 2006. 21 Jun. 2007. http://www.newcastle.edu.au/school/ept/politics/apsa/ PapersFV/IntRel_IPE/Barker,%20Michael.pdf .
Sussman, G. "The Myths of 'Democracy Assistance': U.S. Political Intervention in Post-Soviet Eastern Europe." Monthly Review, Dec. 2006. 21 Jun. 2007. http://www.monthlyreview.org/1206sussman.htm .
Barker, M. J. "A Force More Powerful: Promoting 'Democracy' Through Civil Disobedience." State of Nature, Mar. 2007. 21 Jun. 2007. http://www.stateofnature.org/forceMorePowerful.html .
Robert, P. "Tibet Information Network Closes as Funds Dry Up." Tibet Information Network, 13 Sep. 2005. 21 Jun. 2007. http://www.phayul.com/news/article.aspx?id=10679&t=1&c=1 .
www.vermelho.org
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segunda-feira, abril 07, 2008

Nanotecnologia põe a mesa

Tecnologia


O que você acha de uma bola de sorvete com menos calorias do que uma cenoura? Ou um hambúrguer que baixa sua taxa de colesterol? E de um amendoim que não tenha traços de nada que possa provocar uma reação alérgica?
Bem-vindo ao mundo dos nanoalimentos, onde quase tudo é possível. Onde a comida pode ser manipulada numa escala atômica para parecer tão deliciosa como você quiser, tão saudável como você sonha e ainda permanecer fresca sabe-se lá por quanto tempo. Um mundo em que pesticidas inteligentes serão inofensivos até chegarem ao estômago de insetos indesejáveis? Onde embalagens inteligentes detectarão e destruirão microorganismos que fazem a comida apodrecer e deteriorar? Resumindo, um paraíso para quem sonha com o fim da obesidade e da desnutrição. E uma maldição para quem acredita que a segurança dos nanoalimentos está longe de ser provada. Uma coisa é certa: após a controvérsia que cercou os alimentos geneticamente modificados, a nanocomida deve estar no centro da próxima batalha na cozinha.
A nanotecnologia tem suas raízes na palestra feita em 1959 pelo físico Richard Feynman na Sociedade Americana de Física. Ele previu uma época em que átomos e moléculas poderiam ser usados para construir produtos a partir de um conjunto de minúsculas ferramentas. A escala de que Feynman falava desafia a imaginação. Um nanômetro (do grego nanos, anão) equivale à bilionésima parte de um metro. Algumas comparações para se ter uma idéia de como isso é diminuto: uma célula vermelha do sangue tem cerca de 7 mil nanômetros (nm), um fio de cabelo humano, 80 mil nanômetros de espessura e uma molécula de água um pouco menos de 0,3 nm.
A nanotecnologia compreende geralmente a região entre 0,1 nm e 100 nm.A ciência por trás da teoria tornou-se realidade na década de 1980 com a invenção de microscópios que permitiram aos cientistas ver como átomos e moléculas se comportam em diferentes condições. Manipulando essas condições - com substâncias químicas, calor, umidade, eletromagnetismo e outras maneiras - , podia-se encorajar átomos e moléculas a assumir formas úteis. Isso resultou na criação de materiais fabricados em nível atômico que prometem revolucionar tudo, da química à aeronáutica. Alguns produtos nanotecnológicos já estão no mercado e são bastante conhecidos. Filtros solares, por exemplo, são feitos de óxido de titânio, TiO2.
Em grandes escalas, o TiO2 é um produto branco, opaco e um bom bloqueador de luz ultravioleta. Em nanoescala, torna-se transparente, porém mantendo suas propriedades bloqueadoras de ultravioleta, tornando-se perfeito para a proteger a pele dos raios nocivos do Sol.Com a comida, da fazenda ao supermercado, a nanotecnologia mudará cada etapa da cadeia de alimentos. Diminutos sensores que informam aos agricultores, via rádio, o que está acontecendo dentro das sementes das plantas ou no corpo dos animais não são novidade.
Logo, a nanotecnologia estará presente no campo também na forma de pesticidas inteligentes, ou nanocidas, que empresas como Syngenta, Monsanto e Basf já desenvolvem ou estão pesquisando e que prometem serem menos perigosos para o ambiente e as pessoas e mais mortais para as pragas.Vários desses produtos já passaram pelos testes de segurança e estão licenciados para uso nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Seus princípios ativos são usados há anos sem causar problemas. Apenas o método de aplicação mudou. Agora, há um sistema de liberação controlada do agrotóxico, que é alojado em pequenas cápsulas de um polímero (plástico) programadas para se fixarem às partes das plantas, onde se mantêm inertes até serem ativadas por uma substância alcalina presente no estômago de certos insetos. Só então o veneno entra em ação, matando a praga.
As embalagens também devem mudar. Revestimentos feitos de nanopartículas inteligentes capazes de "cheirar" os gases resultantes do processo de amadurecimento irão sinalizar, por meio de cores no rótulo, quando a comida começará a se estragar. O rótulo também dirá quando um produto está maduro.
Mais de 400 empresas ao redor do mundo estão trabalhando ativamente em pesquisa, desenvolvimento e produção de produtos relacionados à nanocomida. Os Estados Unidos lideram as pesquisas, seguidos por Japão e China. Em 2010, a Ásia, que concentra mais de metade da população mundial, será o grande mercado, com a China na posição de liderança.O potencial é imenso, especialmente para aumentar as propriedades nutricionais dos alimentos.
Por exemplo, quando se espreme uma laranja e se toma o suco na hora, aproveita-se a vitamina C da fruta. Mas se esperarmos algum tempo, ela desaparecerá. A nanotecnologia poderá resolver isso adicionando a vitamina C ao suco dentro de nanocápsulas, de onde será liberada aos poucos.
O nanotecnologia também poderá ser útil para fixar os nutrientes no alimento. O ferro e gorduras essenciais como o ômega-3, por exemplo, não resistem muito tempo estáveis em líquidos. Rapidamente, oxidam e mudam a cor, o odor e o gosto do produto. A nanotecnologia poderá para manter as propriedades nutricionais, e isso será benéfico para pessoas com anemia.E quanto à segurança?
Na Europa, todo nanoalimento deve receber aprovação de um departamento da Comissão Européia, que toma suas decisões com base em uma diretriz introduzida em 1997 para regular os produtos geneticamente modificados ou manipulados em nível molecular. A norma exige que esses produtos sejam avaliados pelos Estados membros antes de serem licenciados. Na Grã-Bretanha, na União Européia e nos EUA, movimentos estão sendo feitos no sentido de introduzir voluntariamente regras de conduta para pesquisas e fabricação em nanotecnologia.
Um relatório de 2004 da Real Sociedade (uma espécie de academia de ciências) e da Real Academia de Engenharia britânicas expressou preocupação com a pouca quantidade de conhecimento disponível sobre o comportamento das nanopartículas para o ambiente e recomendou que todo resíduo contendo esses elementos seja tratado como perigoso até prova em contrário. Desde então, a Real Sociedade e o Conselho de Ciência e Tecnologia, o principal órgão do governo britânico para questões científicas, têm criticado ministros por falharem na adoção de medidas para avaliar os riscos ambientais da nanotecnologia.
- Há uma necessidade premente de um programa governamental que pesquise os efeitos toxicológicos, ambientais e para a saúde decorrentes das nanotecnologias - diz John Beringer, do subgrupo de nanotecnologias do Conselho de Ciência e Tecnologia.
Lynn Frewer, professor de segurança alimentar da Universidade Wageningen (Holanda), conhece os potenciais benefícios que a nanotecnologia pode trazer, mas, quando perguntado sobre os riscos, ele diz:
- O problema com a digestão de nanopartículas é que não sabemos em que parte do corpo de uma pessoa elas vão parar. Se são pequenas o suficiente para viajar através das paredes dos intestinos, como algumas nanopartículas são projetadas para fazer, elas podem ir parar em qualquer lugar. Como se acumularão e viajarão pela cadeia alimentar? Simplesmente não sabemos.Mike Bushell, pesquisador da Syngenta, empresa de biotecnologia voltada para a área de alimentos, não concorda. Ele argumenta que as nanopartículas se degradam mais facilmente e de modo mais seguro no ambiente.
Há, portanto, muitas dúvidas sobre uma indústria que está a sua em infância e não tem ainda padrões internacionais de segurança estabelecidos. No ano passado, o instituto de pesquisas independente Woodrow Wilson (EUA) publicou um relatório chamado Nanotecnologia na Agricultura e na Comida. Expressando preocupação com a falta de pesquisas, o relatório conclui: "Nem indústria nem governos parecem estar fazendo o dever de casa. Produtos podem acabar no supermercado sem que seus riscos sejam adequadamente investigados.
The Guardian
07 de abril de 2008 N° 15564Alerta

segunda-feira, março 31, 2008

A Sociedade e os Militares

31 de março de 2008
Oliveiros S. Ferreira*

A SOCIEDADE E OS MILITARES

Uma das leis de Parkinson, famosas nos anos 1950, diz que quando o dono de uma empresa afirma que seu restaurante é um dos melhores da cidade, a empresa está em má situação econômico-financeira. Essa lei pode ser aplicada, com as devidas ressalvas, à situação dos militares no Brasil. Nunca, a quanto me recorde desde os anos 1950, houve tanto interesse acadêmico pelo assunto “Militares” ou “Defesa”. Apesar disso, é possível dizer que nunca, desde 1964, as Forças Armadas, vale dizer os militares estiveram em posição tão frágil na máquina do Estado. Para não dizer que nunca foram tão malvistos, tão desprestigiados, tão sem recursos para cumprir suas funções elementares.

Haveria algumas explicações para isso. Uma delas, que faço minha, é que se partiram os elos que ligavam as Forças Armadas à sociedade civil. Quem se dedicou a estudar sua participação na vida política brasileira, terá observado que elas sempre foram como que o braço armado de grupos civis que, tendo uma visão muito própria do Estado, aproximaram-se delas para impedir crises que comprometesse o bom funcionamento da máquina estatal. O Golpe da Maioridade, em 1840, fazendo de um infante de 14 anos o Imperador do Brasil, é um caso exemplar; outro, malgrado os desvios subseqüentes, foi a intervenção em 1964.

Ora, em 1965, com a edição do Ato Institucional n.º 2, romperam-se os elos que ligavam esses grupos civis aos militares. Foi por isso que se tornou possível editar o AI-5 com tudo o que veio com ele, de triste memória. Foi essa ruptura, marcando o isolamento dos militares de grupos civis representativos, que explica a situação em que as Forças Armadas se encontram hoje, não havendo quem, na sociedade civil, esteja disposto a assumir o ônus de reclamar que sejam vistas como instrumento indispensável à defesa do País numa situação regional/internacional que se torna a cada dia mais delicada.As Forças Armadas são a espinha dorsal de qualquer Estado. Quando são desprestigiadas pelos Governos, é o Estado, vale dizer a Nação brasileira que corre risco.

*Contribuição de Oliveiros S. FerreiraDoutor pela Faculdade de Filosofia da USP.Professor da PUC (SP) e também da Faculdade de Filosofia da USP.
Soube dividir sua atividade profissional entre o jornal “O Estado de S. Paulo” – do qual chegou a ser diretor – e a Faculdade de Filosofia. Foi nessa dupla função de jornalista e professor que se especializou em assuntos militares brasileiros e na análise de relações internacionais. Autor do livro Elos Partidos, publicado pela editora HARBRA. Este boletim é um informativo da editora HARBRA ltda.

quarta-feira, março 26, 2008

Indianos investirão US$ 600 milhões no etanol brasileiro - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Indianos investirão US$ 600 milhões no etanol brasileiro - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Empresas indianas interessadas no etanol brasileiro devem anunciar, nos próximos dias, investimentos de US$ 600 milhões no plantio de cana de açúcar e produção do combustível no Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, foi informado oficialmente dos investimentos durante audiência com o ministro do Petróleo e Gás indiano, Murli Deora, em Nova Dhéli, nesta quarta-feira (26/3).
Para saber mais clique no link acima!

sábado, março 15, 2008

Violência Urbana, Até Quando?


Uma praga que se espalha por todo canto, cidades grandes, pequenas, médias e meio rural. Nada de novo.
Escrevo isso sob um efeito, difícil de explicar, acabo de perder um grande amigo vítima de assassinos cruéis que sem dar-lhe chance de defesa o alvejaram cinco vezes, por motivo aparentemente fútil, e nesse momento me estou com uma sensação maior ainda de impotência frente a isso, pois acabo de assistir uma moça, provavelmente saindo de seu trabalho ser assaltada - cena corriqueira, mas que poucas vezes presenciei.
Eu na janela sem poder fazer nada dois malandros de bicicleta, brancos bem vestidos, a atacaram, só não a agrediram mais, pois gritei, ela resistiu, mas nada puder fazer a não ser, contemplar, ela saiu desnorteada, caminhando atrás de seus algozes, liguei para um destacamento policial próximo de minha residência. O policial educado e solícito explicou-me que a única (isso mesmo a única) viatura disponível está em uma ocorrência de transito com lesão corporal e que deve ficar retida, nesta ocorrência por mais duas horas.
Quando isso vai ser diferente? Pagamos impostos que são desviados da sua aplicação, pois o Estado deve ser um "bom pagador", para quem? - fico me perguntando - para banqueiros e investidores inescrupulosos, que buscam o lucro a qualquer custo? E a dívida com a sua maior fonte de renda, a população?
Enquanto vivermos num país onde a educação de qualidade for privilégio de poucos, onde se deve com austeridade fiscal cumprir uma cartilha de corte de custo da máquina pública -mesmo que isso signifique mais insegurança nas ruas, deterioração do atendimento na saúde pública e menos crianças nas escolas continuaram se repetindo assassinatos gratuitos, roubos a cidadãos de bem e outras cenas babaras pelas ruas de nossas cidades.
Jéferson "indigado" Pitol Righetto

Bush torra US$ 500 milhões por dia com a ocupação do Iraque


“Com uma sexta parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base econômica sólida para seu sistema de seguridade social durante mais de meio século”, ressalta o economista norte-americano, Joseph Stiglitz
“A guerra do Iraque tem tido só dois vencedores: as multinacionais petroleiras e as empresas de logística e infra-estrutura a serviço da ocupação. O valor das ações da Halliburton, a antiga empresa do vice-presidente Dick Cheney, foi para a estratosfera”, afirmou Joseph Stiglitz, professor de Economia da Universidade de Columbia, ressaltando que “como em 20 de março é a data do quinto aniversário da invasão ao Iraque encabeçada pelos Estados Unidos, é hora de fazer um balanço do ocorrido”.
O economista norte-americano mostrou que Bush mentiu ao mundo e ao seu país sobre os custos da invasão. “Disse que a guerra custaria 50 bilhões de dólares, mas os EUA estão gastando essa quantidade cada três meses. Se situarmos esse valor em seu contexto, acontece que com uma sexta parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base econômica sólida para seu sistema de seguridade social durante mais de meio século, sem reduzir os serviços nem aumentar as contribuições”, precisou.
VIETNÃ
Stiglitz constatou que o custo das operações militares norte-americanas – sem considerar os gastos a longo prazo, como a atenção à saúde dos ex-combatentes – supera já os custos da guerra do Vietnã, que durou 12 anos, e representa mais do dobro do que custou a guerra da Coréia.
“O governo Bush reduziu os impostos aos ricos ao mesmo tempo que se lançava à guerra, apesar de ter um déficit orçamentário. Em consequência, recorreu a um excesso de gasto público – em grande parte financiado desde o estrangeiro – para pagar a guerra”, assinalou, registrando que “a dívida nacional norte-americana, que era de 5,7 trilhões de dólares quando Bush chegou à presidência, foi acrescida de dois trilhões por causa da guerra [atualmente a dívida é de US$ 9,13 trilhões e deve ultrapassar os 10 trilhões quando Bush deixar a Casa Branca]”.
Para driblar o grande descontentamento com a sua política belicista, a Casa Branca tem tentado ocultar as informações sobre a guerra. “Os grupos de veteranos recorreram à Lei de Liberdade de Informação para descobrir o número total de feridos: 15 vezes mais que o de vítimas mortais. Já há 52.000 veteranos de regresso para casa que tiveram diagnósticada a síndrome de tensão postraumática”, assegurou, enfatizando que os Estados Unidos terão que pagar indenizações por invalidez a 40%, aproximadamente, dos 1,65 milhões de soldados que, no conjunto, já participaram da invasão. “A conta pela atenção de saúde e invalidez chega já a mais de 600 bilhões”, revelou, independentemente que este governo não se disponha a arcar com as suas responsabilidades.
Stiglitz, que recebeu o prêmio Nobel de Economia em 2001, se refere ao uso de mercenários que não resultam nem um pouco baratos, denunciando que “um guarda de segurança da empresa Blackwater Security, por exemplo, pode custar mais de 1.000 dólares ao dia, sem contar o seguro de vida e invalidez, que deveria ser pago pelo governo”.
Porém, quem arca com o maior custo desta guerra é o Iraque. “A metade de seus médicos resultaram mortos ou tiveram que abandonar o país, o desemprego representa 25% e, cinco anos depois do começo da guerra, Bagdá tem menos de oito horas de eletricidade ao dia”, declarou. Dos 28 milhões de habitantes que compõem a população total do Iraque, quatro milhões tiveram que abandonar seus lares e dois milhões saíram do país.
CUSTOS
“Quando tantas pessoas no Iraque sofrem tanto de tantas formas, pode parecer uma demonstração de insensibilidade examinar os custos econômicos e pode parecer particularmente egocêntrico centrar a atenção nos custos econômicos para os Estados Unidos, que se lançou nesta guerra violando o direito internacional, mas trata-se de custos econômicos enormes e eles representam muito mais que desembolsos orçamentários”, ponderou o professor, advertindo que os EUA pagarão seu preço por décadas pela frente.
Joseph Stiglitz, junto com Linda Bilmes, uma especialista em orçamentos da Universidade de Harvard, com o objetivo de desmascarar as mentiras do governo de George W. Bush, fizeram um estudo do verdadeiro custo a que pode chegar a invasão, material divulgado no livro “The Trillion Dollar War” (A guerra de 3 trilhões de dólares, referindo-se a uma projeção feita pelos autores do livro para o custo com a invasão caso ela se estendesse até 2017). “Afinal, Bush mentiu sobre tudo: desde as armas de destruição em massa de Sadam Hussein, até sua suposta – e inexistente – vinculação com Al Qaeda. De fato, dó depois da invasão é que o Iraque passou a ser caldo de cultivo para terroristas”, disseram. A conclusão a que chegaram é que a invasão ao Iraque pode acabar sendo 60 vezes mais caro do que disse Bush.
SUSANA SANTOS - HP 14/03

segunda-feira, março 10, 2008

Audiência adverte para compra de terras por grupos externos

“Estão registrados no Incra 5,5 milhões de hectares sob controle de estrangeiros, sendo 3,1 milhões de hectares na Amazônia”, afirmou o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, na audiência pública no Senado, na quarta-feira (5), que debateu a crescente compra de terras do país por estrangeiros. A audiência foi realizada em conjunto pelas Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
Segundo Hackbart, esses números representam apenas o que está registrado no Incra, pois “não há informações disponíveis que permitam afirmar o número total de estabelecimentos rurais que estão nas mãos de estrangeiros”. Ele ressaltou a existência de lacunas na lei, dificultando a atuação do órgão. “O aumento do interesse de estrangeiros por terras no país é movido por novas oportunidades de negócios, como a produção de biocombustíveis”, destacou, lembrando principalmente o etanol.
Durante a audiência, o senador João Pedro (PT-AM) questionou: “Vamos ter o estrangeiro controlando grandes faixas de terras com enorme biodiversidade?”. O senador defendeu “uma nova legislação fundiária que considere as populações locais e o controle rigoroso sobre as riquezas do país”. Segundo ele, “o interesse dos estrangeiros não é na terra, mas na madeira e nos demais recursos naturais”.
Na audiência pública, o coordenador-geral de Defesa Institucional da Polícia Federal, Fernando Queiroz Oliveira, defendeu a criação de legislação que permita “uma atuação mais forte” da Polícia Federal, em especial na Amazônia. Ele lembrou denúncias de compra de terras por entidades estrangeiras na região amazônica, a pretexto de promover a proteção ambiental, sendo que a falta de instrumentos legais dificulta a investigação sobre possíveis irregularidades.

terça-feira, março 04, 2008

O mandato de sangue de Uribe

Emir Sader


A libertação dos quatro parlamentares colombianos confirma qual é a via da pacificação da Colômbia: a negociação política, com a participação de mediadores internacionais. O sucesso do presidente venezuelano Hugo Chávez e da senadora colombiana Piedad Córdoba é a única tentativa de sucesso de abrir canais para levar a paz à Colômbia.

Continua aqui: Agência Carta Maior

Por que Uribe assassinou Raúl Reyes?

Agência Carta Maior:
No momento em que foi assassinado, Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Ingrid Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu.Por que Uribe assassinou Raúl Reyes?
No momento em que foi assassinado, Reyes estava em território do Equador e negociava com o governo francês através do presidente Chávez e do presidente Corrêa a libertação de Ingrid Betancourt. Uribe sabia, Uribe havia concordado como da vez anterior, Uribe traiu.
Continua aqui.....

Fidel e o roteiro de um panfleto da AbrilFidel e o roteiro de um panfleto da Abril

Agência Carta Maior: "Fidel e o roteiro de um panfleto da AbrilFidel e o roteiro de um panfleto da Abril"

Gilson Caroni Filho

Se, por dever de ofício, um professor precisar demonstrar como parcela da imprensa está colonizada por um jornalismo de extrema-direita, não terá grandes dificuldades pela frente.



Prometi a mim mesmo não escrever sobre publicações que não merecem sequer leitura de capa. Cansei de fazer isso em outros lugares. Mas como novas gerações de leitores surgem em breves espaços de tempos, quebro a promessa, sob risco de me condenar à repetição. O que escrevo aqui é mais um plano de aula que qualquer outra coisa. Ou talvez um roteiro para colegas de magistério.

Se, por dever de ofício, um professor precisar demonstrar como parcela da imprensa está colonizada por um jornalismo de extrema-direita, não terá grandes dificuldades pela frente. Se o aluno for preguiçoso ou pouco inteligente, o trabalho pode ser bem menos exaustivo do que parece à primeira vista.

Evite publicações que, pela diversidade ideológica dos colaboradores, tenham alguns campos conflitantes a dificultar a percepção de seus perfis editoriais. Procure algo mais tosco, que não se preocupe em disfarçar quem tem como aliados e, por conseguinte, quem elege como inimigos. Uma revista que da primeira à última página seja uniforme, sem sobressaltos, totalmente previsível.

Dê preferência àquela com melhor resolução gráfica e pasteurização dos temas abordados. Não hesite: em nome do aprendizado mais rápido, vá à banca mais próxima, tape o nariz e adquira um exemplar de Veja. Seu sucesso pedagógico está assegurado. E você terá em mãos a mais pusilânime das publicações semanais. A que não solicita grandes abstrações para a apreensão de sua dinâmica. A que conta com a simpatia da classe média protofascista do país.

Das notinhas plantadas da seção Radar ao "colunista-biógrafo-de-ex-presidente, na última página", reina a mais perfeita harmonia ideológica. Sempre raivosos, os colaboradores atacam os desafetos sem qualquer preocupação com a inconsistência dos próprios argumentos. Mas isso não é problema. Afinal, o objetivo ali é apenas atualizar o repertório de insultos encomendados e sistematizar o que vai n’alma da direita nativa. Se não conhecem patavina sobre o que escrevem, isso não inviabiliza o embuste. O importante é explorar o nicho conquistado.

Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, dupla folclórica do fascismo de frases curtas, dão mostra da infinita capacidade involutiva do panfleto da Editora Abril, desenvolvendo uma espécie de darwinismo de contramão. Vale a leitura se houver necessidade de reforçar noções rudimentares de ecossistema editorial.

A parte mais interessante do pasquim dos Civita está guardada para o final da publicação, uma espécie de fecho de ouro do soneto panfletário. Nosso ex-colunista de palácio, Roberto Pompeu de Toledo, é o mais famoso escriba pela capacidade de prestidigitação. Espécie de consciência cívico-crítica do leitor, não foram poucas as semanas, durante o desgoverno tucano, em que a uma crise envolvendo o governo em escândalos corresponderam colunas que tratavam da "importância antropológica do elevador" ou do "escasso repertório de piadas de botequim nos dias contemporâneos".

E não são raros os seus admiradores, a se dar crédito à seção de cartas. O que nos remete à máxima de Paulo Francis nos anos 70: "A história é monótona, a cada minuto nasce um leitor idiota". E cúmplice, acrescentaríamos.

Estamos diante de um aluno estupefato e uma publicação "tipo-ideal"? Então vale a pena ler o que escreve Pompeu, na edição 2049, aquela que traz na capa a chamada " Já vai tarde – o fim melancólico do ditador que isolou Cuba e hipnotizou a esquerda durante 50 anos". É um belo exercício de falseamento histórico.

Judicativo, o nobre colunista escreve: "Muitos acreditaram na notícia da renúncia de Fidel Castro. Talvez até o próprio Fidel tenha acreditado. Eis, no entanto, algo que nem querendo ele poderia realizar, pelo simples motivo de que, tirante a hipótese de suicídio, está fora de seu alcance renunciar a si mesmo".

Peça a seu aluno que leia esse parágrafo com atenção, pois nele coabitam sofismas e uma verdade dolorosa para a extração ideológica dos que pontificam nas páginas de Veja. A mensagem da renúncia ao cargo da Presidência do Conselho de Estado foi anunciada no Granma, jornal do Partido Comunista Cubano. O que Fidel, de fato, não pode renunciar é ao papel que já lhe cabe na história. E, paradoxalmente, é essa impossibilidade que desnorteia seus detratores da Avenida das Nações Unidas, 7221, Pinheiros, São Paulo.

Dois parágrafos depois, Roberto Pompeu de Toledo continua sua peroração: "A visão que se tem de Fidel Castro estará sempre prejudicada para quem não tem presente a distorção de escala que envolve sua figura. Ela não é apenas maior do que os cargos que ocupa. É também maior do que Cuba. E, no plano internacional, maior do que deveria ser a do líder de um país de pouco mais 100 000 quilômetros quadrados, 11 milhões de habitantes e PIB de 45 bilhões de dólares.

"Se adotarmos a definição de escala da Intenacional Cartographic Association, a distorção de Veja ultrapassa qualquer limite admissível de redução para mostrar a superfície cubana sobre a configuração geopolítica do mapa internacional. O que o colunista finge ignorar é uma realidade que lhe incomoda.

A revolução liderada por Fidel, Che Guevara e Camilo Cienfuegos promoveu avanços notáveis em áreas como educação e saúde pública. Mas, acima disso, modificou a cartografia imperialista, mostrando que onde os mapas coloniais desenhavam precipícios existiam trilhas alternativas para uma América Latina soberana. É no rastro dessa descoberta que avançam Evo Morales (ler entrevista publicada em Carta Maior) e Rafael Correa. É na direção dela que aponta a artilharia militar-midiática do Império e das oligarquias locais temporariamente desalojadas do poder.

Concluindo, o jornalista afirma que "o inflado espaço que ocupa se deve em parte à mística do guerrilheiro, semeada na época romântica em que se acreditava que tudo era possível, e em parte às peculiaridades da política americana, cujos terrores infantis acabaram por emprestar-lhe importância maior do que tinha". Aqui, didaticamente, explique que a intenção do autor, ao chamar de "época romântica" o tempo em que se acreditava na possibilidade de projetos coletivos, é apresentar como "realismo” a vida decantada de sonhos. O servilismo e alinhamento incondicional como restauração do senso prático..

Se sobrar tempo, peça ao estudante que ouça a introdução do podcast de Diogo Mainardi, em 19/02/2008. Nele, a agressividade confundida com contundência, descreve Fidel como “mais uma figura grotesca que some da nossa frente” Alguém que “depois de renunciar ao mandato, quer se dedicar apenas ao seu trabalho como colunista da imprensa. É o lugar ideal para ele: o colunismo está cheio de zumbis”.Será interessante analisar um raro momento. Aquele em que, ao tentar definir alguém cuja estatura lhe foge à compreensão rasteira, um colunista se autodefine com precisão.Boa aula, caro colega.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3833

domingo, março 02, 2008

CAPA DA NEW YORKER SOBRE FIDEL REALÇA O QUANTO "VEJA" SE TORNOU VULGAR - Vi o Mundo - O que você nunca pôde ver na TV

CAPA DA NEW YORKER SOBRE FIDEL REALÇA O QUANTO "VEJA" SE TORNOU VULGAR - Vi o Mundo - O que você nunca pôde ver na TV

Via Láctea pode conter 'centenas de planetas' propícios à vida

Para astrônomos, planetas semelhantes à Terra são mais comuns do que se pensa.

Da BBC Brasil - BBC (Segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008, 08:44 )
- Planetas rochosos e provavelmente com condições adequadas para o surgimento de vida são mais comuns em nossa galáxia do que se crê atualmente, afirmaram pesquisadores americanos durante um congresso científico nos Estados Unidos. O astrônomo Michael Meyer, professor associado da Universidade do Arizona, afirmou que entre 20% e 60% das estrelas semelhantes ao Sol na Via Láctea têm em sua órbita planetas com estruturas rochosas semelhantes à da Terra. "Nossas observações encontraram evidência de formação de planetas rochosos, não diferentes dos processos que levaram ao planeta Terra", ele afirmou no encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que se realiza até esta segunda-feira em Boston, Massachussetts.
Meyer citou um estudo de sua autoria publicado na edição de fevereiro da revista científica The Astrophysics Journal com conclusões baseadas em observações dos telescópios Hubble e Spitzer. Nelas, os investigadores detectaram discos de poeira cósmica em torno de estrelas, supostamente resultantes de grandes rochas que se chocaram entre si antes de formar planetas. "Nossa antiga visão de que o sistema solar tem nove planetas será suplantada por uma de que existem centenas, se não milhares de planetas no nosso sistema solar", afirmou Meyer à BBC. Condições Em sua intervenção no evento, a pesquisadora Débora Fischer, da San Francisco State University, disse que é mais provável encontrar vida extraterrestre em planetas de determinada massa e a certa distância de uma estrela. Dadas essas condições, ela afirmou, é possível que um planeta possa suportar vida a partir de carbono - ou seja, orgânica -, pois o clima "não será muito quente nem frio, e poderia haver acúmulo de água". Já o pesquisador da agência espacial americana (Nasa) Alan Stern ressalvou que vasculhar o espaço em busca de vida em outros planetas é como "procurar uma agulha em um palheiro". "É como se quiséssemos explorar a América do Norte estando na costa leste e conhecendo apenas os cem quilômetros iniciais", ele afirmou. "Não sabemos realmente o que vamos encontrar." Os pesquisadores concordaram que a nova geração de telescópios, que serão empregados em missões espaciais futuras, trará mais informações para aumentar o conhecimento da humanidade sobre o sistema planetário. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte de Pesquisa: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid126411,0.htm

sábado, março 01, 2008

Café do Brasil gera energia na Holanda

Café do Brasil gera energia na Holanda - Radio Nederland, a emissora internacional e independente da Holanda - Português


O Brasil, maior produtor mundial de café, pode oferecer uma nova fonte alternativa para gerar energia elétrica. De forma inédita, 3,2 mil toneladas da casca desse grão foram exportadas para a Holanda em meados de fevereiro.